domingo, 22 de março de 2026

«Florbela»



"Florbela": o álbum de homenagem a Florbela Espanca já saiu

São vários os artistas que se juntaram para homenagear a vida e obra de Florbela Espanca. O álbum foi lançado esta sexta-feira e conta com 14 temas que recriam 14 sonetos da poetisa, todos interpretados por diferentes artistas ou grupos musicais portugueses. Veja aqui.


Uma das interpretações




sábado, 21 de março de 2026

«EXPOSIÇÃO SOBRE MEMÓRIA DA RESISTÊNCIA INAUGURA EM PENICHE»

 



«O Museu Nacional Resistência e Liberdade inaugura esta sexta-feira, 20 de março, a exposição “Guardiões e Guardiãs da Memória da Resistência”, patente ao público até 30 de abril. A iniciativa integra o projeto educativo do museu e enquadra-se na segunda Bienal Cultura e Educação do Plano Nacional das Artes.
O projeto desafiou escolas de todo o país a participar na recolha, preservação e divulgação de histórias ligadas à Resistência e à luta pela Liberdade nos diferentes territórios. Os jovens participantes foram convidados a investigar e registar testemunhos e memórias de mulheres e homens que, durante o regime ditatorial, se destacaram na defesa da democracia e dos direitos humanos.
A exposição agora apresentada reúne os trabalhos resultantes desta primeira chamada de participação, dando a conhecer diferentes perspetivas e investigações realizadas pelos estudantes no âmbito do projeto». Daqui.



sexta-feira, 20 de março de 2026

«Nas palavras dela»

 



SINOPSE

«Alessandra sempre quis mais do que a vida lhe oferecia: construindo a sua vida interior à imagem da mãe - artista, livre, apaixonada -, confessa-nos o que pode e sonha uma mulher. Alba de Céspedes, autora de o caderno proibido, deslumbra-nos com um clássico da literatura do pós-guerra.

A infância de Alessandra, em Roma, é marcada pela lenda da mãe, Eleonora, mulher prodigiosa que sonhava ser uma pianista célebre, mas foi somente uma professora de piano infeliz por se ter casado com um homem sem interesse. Após a morte da mãe, Alessandra muda-se para uma casa de família longe da capital. Regressa a Roma quando deflagra a guerra. Conhece então Francesco, um antifascista com quem se casa, e descobre o frémito de colaborar na resistência clandestina. Sente-se, contudo, sempre invisível, e confessa: «Quem conhece estas páginas já sabe que ficar a uma janela sozinha e em silêncio é, desde a minha mais remota infância, uma das minhas condições de felicidade.»

Nas Palavras Dela escrutina impiedosamente o casamento, o mal-estar feminino, o jugo da domesticidade conservadora, o negrume da vida em guerra. Lembrando as vozes literárias de Morante, Ginzburg, Woolf ou Duras, encontramos aqui todo o esplendor da escrita refinada e do imaginário subversivo de Alba de Céspedes, uma das mais intrigantes escritoras do século XX». Saiba mais.




quinta-feira, 19 de março de 2026

OUTRA VEZ NO DIA DO PAI |«O meu pai é tão grande — mas tão grande, mesmo! — que, quando estica os braços e o olho de baixo, é crescido e crescido!»

 



Sinopse: «O meu pai é tão grande — mas tão grande, mesmo! — que, quando estica os braços e o olho de baixo, é crescido e crescido!
É tão alto que parece nunca mais acabar!
Aos olhos deste menino, o seu pai é um verdadeiro gigante: forte e poderoso, ternurento e divertido, compreensivo e amigo…
É assim que Eduardo Sá nos revela a admiração e o amor que uma criança sente pelo seu pai e vice-versa. Uma relação mágica, divertida e comovente, ilustrada com a ousadia e a vivacidade de Paulo Galindro». Saiba mais.




quarta-feira, 18 de março de 2026

«O trabalho é o tema central da nona edição do festival de cinema Porto Femme, em abril, atravessando uma programação para “questionar estruturas de poder, desigualdades e invisibilidades que continuam a marcar a experiência das mulheres”».



«(...)Em nota de imprensa, o festival revelou hoje os primeiros destaques da próxima edição, que abordará a temática do trabalho, “a partir de uma perspetiva de género” não só na sociedade como dentro da história do cinema.
“Segundo vários estudos, ao ritmo atual poderão ser necessários mais de 50 anos para alcançar a paridade entre mulheres e homens em todas as áreas. Falar de trabalho é, assim, falar de poder: de quem é vista, reconhecida e preservada — e de quem continua a ser apagada — nas diferentes esferas da vida social, cultural e profissional”, refere a organização.
Em parceria com a Cinemateca Portuguesa, o Porto Femme vai ter uma sessão de cine-concerto, com obras recentemente restauradas e “raramente exibidas”, como por exemplo, dois filmes de Bárbara Virgínia e ainda “Cascaes” (1937), de Amélia Borges Rodrigues, cineasta açoriana radicada no Brasil que terá produzido ou realizado cerca de 30 filmes sobre diferentes regiões de Portugal.
Estão ainda previstas oficinas e, na vertente profissional, os “Encontros de Bárbaras”, com pessoas programadoras e representantes de festivais nacionais e internacionais, assim como uma sessão de apresentação de projetos cinematográficos de mulheres e pessoas queer.
O Festival de Cinema Porto Femme vai decorrer de 20 a 26 de abril no Batalha – Centro de Cinema, Casa Comum, Maus Hábitos, Passos Manuel e Universidade Lusófona do Porto.(...)». Leia na integra.




segunda-feira, 16 de março de 2026

PELO TEATRO DA RAINHA |«Esta é uma peça sobre o abuso sexual, o machismo extremo, sobre a chamada violência doméstica, infelizmente tão comum entre nós»| E REVISITAMOS O QUE PODERIA O TEATRO EM «PLANOS DE IGUALDADE» INSTITUCIONALMENTE PREVISTOS


 

A HISTÓRIA DE UM PARRICÍDIO

«Angus Cerini é australiano, talvez o grau de desconhecimento da sua dramaturgia rime com a distância. É, no entanto, um autor híper premiado, um dramaturgo inovador – palavra gasta que aqui vale -, isto é, não só mete o corpo no que escreve – é performer, faz dança – mas sobretudo é capaz de inventar toda uma comunidade local pela voz entretecida de uma surpreendente narrativa a três – escrita para três atrizes que dão corpo a uma família, duas filhas e uma mãe.

A Árvore que Sangra é a história de um parricídio. Mãe e filhas matam o pai. O caso é claro: reféns de um abusador alcoólatra capaz de todas as violências, mesmo violar uma das filhas, chegou o momento de o parar. O caso pode não espantar – não espantará, não será o desígnio da peça? – num mundo que mergulhou na violência genocida e na destruição total.

Genial nesta peça é além do tema – com a intensidade do “crime” da tragédia, das medeiasédipos, das clitemnestras – o modo de a pôr em cena contando uma história logo lendária para arquivar na memória vivificada de uma comunidade e logo do mundo, dada a condição especificamente humana do acontecimento e dos seus autores. Estamos diante de um teatro antropológico, diante da ideia de reunir uma comunidade num serão – como no teatro se faz – para testemunhar limites e excessos, para aprender que a desumanidade é própria dos humanos e só a memória nos pode redimir desses excessos, da sua repetição.

Deste modo, as três atrizes, cometido o crime, vão encenando entre elas as formas de o relatar – ou de o esconder da – à comunidade e vão dando corpo às figuras que vão surgindo, o carteiro que é polícia, a vizinha, o vizinho, etc. É na narrativa e, portanto, de modo estranhado na medida em que as três figuras femininas são todas as personagens, que assistimos ao surgir de uma cumplicidade pelo acto de libertação cometido pelas três mulheres. Fez-se justiça humana.

Esta é uma peça sobre o abuso sexual, o machismo extremo, sobre a chamada violência doméstica, infelizmente tão comum entre nósFernando Mora Ramos». Saiba mais





«Mãe e filha tiranizadas por um pai abusador e violento, sempre violento, decidem matá-lo. Reféns na sua própria casa são diariamente abusadas, abusadas no sentido literal. Violentadas. Violadas. O pai abusador exibe diante das três oprimidas o seu sexo como um animal que impõe a sua lei sexual. Pete, bêbado e inútil, é um falocrata militante. Uma besta. Um assassino cruel. Mata por prazer e revanche, como acontece com uma ninhada de cães. É um ser associal no meio de uma comunidade que o vai tolerando. Um tirano. Escraviza mãe e filhas. Estamos diante de um quadro de terror, um campo de concentração familiar em que o capataz é o pai». Saiba mais.
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A peça em cena do Teatro da Rainha leva-nos aos Planos da Igualdade dos Ministérios e equivalentes e ao de cada Organismo. Procuramos no monte de documentos o que teríamos sobre o assunto e do Relatório acima este excerto:
Olhando em volta, a nosso ver, continua válida a ideia subjacente ao  «Vá ao Teatro, ganhe Igualdade», ou seja, criar projeto próprio que leve a «diferentes territórios» a força da cultura e das artes, na circunstância do Teatro,  sobre o PROBLEMA DA IGUALDADE começando por «rendibilizar» as criações existentes bem ilustradas pela «Árvore que sangra» do Teatro da Rainha ... 
E apetece-nos voltar a lembrar do que já se escreveu sobre a CASA DE BONECAS de Ibsen:


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Náusea

 


do AbrilAbril