
Este livro é uma reflexão sobre a forma como a história da arte tem vindo a estudar a prática artística feminina, sobretudo na Europa, entre os séculos XVI e XX.
Nesse sentido, é também uma história da história da arte, uma história de como a arte produzida por mulheres foi, durante tanto tempo, ignorada e desvalorizada — uma arte sem história. E de como, nas últimas décadas, as abordagens feministas abriram caminho para que exista, finalmente, uma arte com história.
«Muitos são os
perfis femininos que a autora convoca para demonstrar que existe um défice
insuportável em torno do papel das mulheres criadoras. Fá‑lo com equilíbrio,
rigor e uma paixão controlada que lhe confere honra e credibilidade. Deve ser
lido por mulheres e homens. Este é um livro que promove metamorfose no
pensamento e legitima uma reavaliação cultural.»
— Lídia Jorge
14 anos depois da primeira, esta edição revista
inclui um novo prefácio da autora». Saiba mais.
É uma pintura que conta histórias, no caso o lobo e o capuchinho vermelho, ou que se apropria de fragmentos desse conto para tratar questões pessoais (e não só pessoais... há perigos reais, medos colectivos, ameaças que rondam). Se o medo está presente, e é o lobo, esta é uma história de luta contra o medo, e de libertação. O lobo dança mascarado com o rabo de fora, numa cena de sedução enganadora, mas a faca está prestes a espetar-se-lhe nas costas, alerta. Há sangue que é preciso lavar - no quadro maior, o retábulo da vitória, o banho purificador (um dos raros e grandes banhos femininos modernos), ficam ao lado as etapas do perigo vencido, e a fera dá lugar ao gato doméstico. Havia - em dois menores formatos sobrepostos - ameaças na floresta escura, o lobo e outros olhos ameaçadores, mas a menina do capuz vermelho está firme e determinada, é o rosto forte da coragem. Adiante o lobo é, afinal, um cavalo de pau com que se pode brincar - a ameaça era real ou só imaginária? A Fátima Mendonça que responda: é uma pintura feminina. (...)». Continue.