quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

«SONHOS DE INVERNO _ e Outros Contos»

 


SINOPSE
«Dexter era inconscientemente orientado pelos seus sonhos de Inverno. Com a idade,a natureza e a fragência desses sonhos foi-se alterando, mas a essência permaneceu. Foram eles que o levaram a abandonar o seu emprego num campo de golfe quando Judy Jones, de onze anos, lhe pediu para ser seu caddy. Mais atrde, judy vai ser a bela e cruel adolescente que o submete aos seus desejos. Neste conto, como em quase todos os seus livros, Scott Fitzgerald parece descrever um baile em que escolheu a rapariga mais bela, mas ficando de fora, com o rosto colado à vidraça, atento ao menor aceno e vendo finalmente a dançarina ser arrastada para a tranquila solidez de um lar americano. E quando sabe dela mais tarde, o espanto de a ver confundida com outras mulheres que também já foram belas ecoa como um irremediável adeus à juventude. Os outros quatro contos aqui reunidos reflectem o impacto da Grande Depressão de 1929 na vida de Scott Fitzgerald, que se transmite aos seus personagens». Saiba mais. 




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

«Violência doméstica: o mais grave problema de segurança interna»

 


Começa assim: «Edite Silva, 30 anos. Este é o nome da mulher morta a tiro na madrugada de segunda-feira, 2 de fevereiro, pelo ex-namorado, num parque de estacionamento em Lisboa. Mais um caso de desfecho fatal numa história de violência doméstica — notoriamente o mais grave problema de segurança interna em Portugal (e já veremos os números que o provam).
O machismo na sociedade portuguesa, com as suas manifestações em particular no sistema de justiça, representa uma das mais poderosas continuidades da ditadura para a democracia. Sendo atualmente conhecidas cada vez menos sentenças do género “medieval”, esse machismo judicial manifesta-se, porém, de outra forma: pelo uso e abuso de mecanismos que fazem com que a violência doméstica continue a ser, quase 52 anos depois do 25 de Abril, muito do que afinal sempre foi: um crime sem castigo. É disto que este texto trata, explicando-se no início o contexto em que foi escrito.
Em novembro do ano passado, fui convidado para participar num debate no XIX Congresso Nacional de Psiquiatria sobre estigma e doença mental, sendo o ponto de partida um romance de Maria Teresa Horta. O texto que se segue sistematiza as notas que preparei para essa intervenção.
“A Paixão segundo Constança H.” tem como personagem central uma mulher que vive, nas palavras da escritora, uma paixão “obsessiva” e fortemente erotizada por um homem. Isso leva a que seja rotulada de “louca” ou “desequilibrada” — o tal estigma de que falava o tema deste debate.
Se Constança era louca ou não, e se o que a levou à suposta loucura foi o estigma ou o ciúme (ou ambas as coisas), foi matéria sobre a qual não me quis pronunciar — deixei-a aos especialistas. Sei, porém, que a diabolização do erotismo feminino não é de hoje nem de ontem — perde-se na memória dos tempos.
Na Inquisição, o clitóris era conhecido como “o bico do seio do diabo”. As acusações de bruxaria estiveram muitas vezes ligadas a acusações de sexualidade feminina desenfreada. As vítimas geralmente não tinham um papel definido na sociedade: eram solteiras, viúvas, indigentes. Mulheres vistas como livres — ou seja, perigosas. Nesses tempos queimavam-nas. A Inquisição, convém não esquecer, esteve presente em Portugal durante 300 anos, do século XVI ao século XIX, cerca de um terço do nosso tempo de existência enquanto nação independente. Várias tragédias marcaram a História de Portugal, e esta foi garantidamente uma das mais duradouras. (..)».
Conclui assim:  «(...) Terminamos como começámos. Dizendo que não se trata só de números — trata-se de nomes, também. Edite Silva era o nome da mulher assassinada esta semana. Seguem-se os nomes das 20 mulheres mortas em 2025 que a OMA conseguiu compilar, a partir de notícias publicadas na imprensa: Aimonedos Santos, Alzira Madureira, Arelys Rojas, Carmina Silva, Carolina Barbosa, Daniela Padrino, Fernanda Júlia da Silva, Fernanda Lopes, Gurpreet Kaur, Hermínia Costa, Ilda Rodrigues, Isabel Afonso, Ivone Silveira, Kátia Azevedo, Maria de Fátima Almeida, Maria Gorete Medeiros Aguiar, Raquel Lourenço, Rosa Sousa, Sara Catalarrana e Sónia Marisa Escobar».
De lá esta imagem:
FOTO GETTY IMAGES

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

«A Mulher e a Medicina»


«Levantem a mão se alguma vez viram os vossos sintomas totalmente ignorados por um médico!... Elinor Cleghorn mergulha na história de como o sistema médico falhou com as mulheres – desde a Grécia Antiga até aos problemas modernos, e de como as mulheres são muitas vezes vistas como fontes não fiáveis do que sentem nos próprios corpos.» Cosmopolitan

Em A Mulher e a Medicina, Elinor Cleghorn escreve uma história pioneira sobre a saúde das mulheres – desde o «útero errante» da Grécia Antiga à ascensão dos julgamentos de bruxas na Europa; do surgimento da histeria como diagnóstico amplo para distúrbios difíceis de identificar à evolução da compreensão sobre hormonas, menstruação, menopausa ou a endometriose – reunida numa obra abrangente e fascinante.

É um legado revoltante de sofrimento, mistificação e erros de diagnóstico que revela como a ciência, moldada por um mundo de homens, falhou em compreender e cuidar do corpo feminino. Repleto de estudos de caso e exemplos de mulheres que sofreram, desafiaram e reescreveram a ortodoxia médica, este livro faz um apelo urgente por uma medicina mais íntegra, que valorize os testemunhos e as experiências das mulheres, libertando-as de séculos de desinformação e negligência.

«A Mulher e a Medicina apresenta uma história de como a anatomia, a fisiologia e a psicologia femininas foram abordadas ao longo dos séculos. A mensagem é clara: oiçam as mulheres.» Science Magazine

«Este livro é um apelo à ação para qualquer mulher que sinta que os médicos não abordaram devidamente a sua doença ou dor.» The Washington Post


domingo, 8 de fevereiro de 2026

ANA TEIXEIRA |«À Flor da Pele»

 


Ana Teixeira

À flor da pele

artes
16 janeiro a 14 fevereiro 2026
vários horários
Sociedade Nacional de Belas-Artes

«Desenvolvida entre 2010 e 2023, À Flor da  Pele reúne um corpo de trabalho singular onde fotografia, teatro e  paisagem se entrelaçam. O ponto de partida é o evento criado pelo Teatro o Bando, Ao Relento, uma exposição de máquinas de cena e figurinos desenhada ao longo de um percurso pela Serra do Louro, que acabaram por permanecer no território muito além do espetáculo.
Ao longo de vários anos,  Ana Teixeira regressou a este lugar, encontrando objetos transformados pelo vento, pela luz e pela erosão, revelando o ciclo natural da mudança na natureza, onde nada cessa: tudo se transfigura».



«A Genealogia da Moral»

 



«Este é um texto que mergulha profundamente nos subsolos da nossa cultura, no seu mais reconditamente escondido, porventura naquela parte maldita e desprezada que algumas ciências humanas têm vindo a desocultar. O curioso e não menos irónico é que essa parte não é apenas um segmento importante, sem o qual qualquer reconstituição da globalidade era impossível».

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noutra Edição


«Nietzsche procura nesta obra explicar e complementar a sua obra anterior, Para além de Bem e Mal, para uma filosofia do futuro, compondo-a de três ensaios:
O primeiro ensaio, "Bem e Mal - Bom e Mau", trata da essência e origem do Cristianismo, o qual nasce do ressentimento e do Espírito, numa recção e insurreição contra a prevalência dos valores aristocráticos.
Em "A «Falta», a «má consciência»...", fundamenta a crueldade como inerente à própria civilização e não susceptível de ser irradicada.
Em "Qual é o fim de todo o ideal ascético", até ao aparecimento de Zaratustra, a verdadeira potência consistia numa força maléfica que ditava os comportamentos da Humanidade.
No texto de A Genealogia da Moral, a fundamentação do ressentimento, a origem do ascetismo proporcionando uma vitória moral sobre aqueles a quem a sorte ou o poder favorece, justificam os valores da servidão que sobrepõem os heróicos, causa histórica da vitória de uma cultura semita sobre uma cultura romana». Veja aqui.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

«To advance the Nordic co-operation in data gathering on LGBTI+ people related to health and wellbeing, the Finnish Institute for Health and Welfare (THL) organized a two-day seminar in Helsinki in October 2025»

 



«Abstract
To advance the Nordic co-operation in data gathering on LGBTI+ people related to health and wellbeing, the Finnish Institute for Health and Welfare (THL) organized a two-day seminar in Helsinki in October 2025. The participants represented public institutions and statistical authorities, university researchers, and civil society organizations from all Nordic countries. The seminar report includes a summary of presentations and panel discussions held at the seminar. Their topics were:history and current pressures, anti-gender politics and influencingLGBTI-related reporting in official statisticsLGBTI-related data gathering in national surveyslimitations of public data gathering compared to targeted surveys and qualitative researchlegal and ethical aspects and concernshow to improve the methodology, reporting and resourcesenhancing Nordic collaboration».


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

CARLA QUEVEDO | «João Canijo, realizador de cinema, foi sobretudo um realizador interessado em retratar mulheres, mostrando no cinema as suas vidas de sacrifício, de entrega sem exigir nada em troca. Santas ou vítimas são mulheres que não querem ver o pior dos homens que amam e que não se libertam dessa condição de lado B a que parecem condenadas»| A NOSSO VER UM RETRATO DE JOÃO CANIJO A DIVULGAR ...

 


FOTO ana baião
Por Carla Quevedo

Vidas Perfeitas

1957-2026 Realizador de “Sangue do meu Sangue”, “Fátima” e “Viver Mal/Mal Viver”, foi reconhecido e premiado, tendo sido galardoado com um Urso de Prata em Berlim

João Canijo, o cineasta do lado B português


A ideia de que Portugal tem um lado B foi introduzida pelo Presidente da República, nas cerimónias fúnebres do realizador João Canijo. À saída da Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, Marcelo Rebelo de Sousa explicava que Canijo “olhava para o lado B de Portugal, para o lado B de todos nós portugueses, para o lado B dos emigrantes, dos imigrantes, dos que tinham uma vida menos feliz, mais complicada, mais lateral, para não dizer mais marginalizada”. A ideia dilui-se um pouco, mas não deixa de ser certeira.

João Canijo, realizador de cinema, foi sobretudo um realizador interessado em retratar mulheres, mostrando no cinema as suas vidas de sacrifício, de entrega sem exigir nada em troca. Santas ou vítimas são mulheres que não querem ver o pior dos homens que amam e que não se libertam dessa condição de lado B a que parecem condenadas. João Canijo morreu a 30 de janeiro, em Vila Viçosa, em casa, de ataque cardíaco.

João Altavilla Canijo nasceu a 10 de dezembro de 1957, no Porto. Estudou História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, um curso que abandonou dois anos depois do início. Era o cinema que o interessava, e por aí seguiu como se fosse uma inevitabilidade. Foi assistente de realização de Manoel de Oliveira, Wim Wenders, e outros até que em 1988 se estreia com a longa-metragem “Três Menos Eu”, com argumento escrito a meias com Paulo Tunhas e com Rita Blanco como protagonista.

Na década de 90 realiza “Filha da Mãe”, de 1991, também com Rita Blanco, atriz que acompanha quase toda a vida de João Canijo, participando da maioria dos seus filmes. Mais do que ter atores ou atrizes fetiche, João Canijo escolhe sempre as mesmas atrizes e atores, mas não por serem atrizes ou atores com personagens previamente pensadas e delineadas num argumento escrito. “Ganhar a Vida”, de 2001, foi rodado em quatro semanas e meia, depois de Rita Blanco viver um mês num bairro nos arredores de Paris. Esta espécie de experiência imersiva interessa a Canijo, para que os atores se possam adaptar a uma situação, a um contexto, quase sofrendo um efeito de contágio, como refere numa entrevista a Filipe Roque do Vale.

Admite que o seu tema de eleição é Portugal e os portugueses, mas na verdade o que parece mais importante para João Canijo é trabalhar com as pessoas de quem mais gosta: Márcia Breia, Rita Blanco, Teresa Madruga, Teresa Tavares, Ana Bustorff, Anabela Moreira, Beatriz Batarda, Cleia Almeida, e também Nuno Lopes, Rafael Morais, entre outros. Por isso não faz castings, porque conhece as atrizes e os atores com quem quer trabalhar, e daí a repetição de pessoas em situações, essas sim, diferentes. Para descobrir atrizes novas, faz castings e aí, sim, vai à procura de temperamento e garra.
“Sangue do meu Sangue”, de 2011, é talvez dos seus filmes mais aclamados, sobre mulheres que vivem no bairro Padre Cruz, em Carnide, numa zona da cidade onde as tragédias ocupam o quotidiano. O filme é premiado e chega a ser candidato a uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas acaba por não ser selecionado. Fica, porém, para a história como o seu filme mais conhecido. Numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro, Canijo refere famosamente: “Os pobres são muito mais interessantes do que os ricos. Se calhar porque estão mais próximos da Humanidade. Se calhar porque não têm tempo para refletir sobre a existência. Vivem, simplesmente.” E o que mais poderia interessar a um cineasta crente na autenticidade do que “viver simplesmente”? «(...)». Se tiver acesso na integra aqui.

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Lembramos a perturbação que nos causou «O Sangue do meu sangue». Não parávamos de falar do filme ... E, ainda que ficção, tudo acontecia aqui tão perto




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Detemo-nos nesta passagem do trabalho de Carla Quevedo: «Por isso não faz castings, porque conhece as atrizes e os atores com quem quer trabalhar, e daí a repetição de pessoas em situações, essas sim, diferentes. Para descobrir atrizes novas, faz castings e aí, sim, vai à procura de temperamento e garra». E talvez os nossos Governantes possam também reparar nisso  -  e no demais no mesmo sentido - e incorporar o ensinamento que daí vem na reformulação do existente com vista  à criação de um verdadeiro SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA, onde uma REDE DE ORGANIZAÇOES ESTÁVEIS TÊM DE PONTUAR - como acontece noutros Países que nos dizem referência -  não se estando dependente de procedimentos concursais. Não se imagina tal coisa, por exemplo, para as Escolas ou para os Hospitais ... Porque tem de ser diferente para a Cultura e as Artes? As EQUIPAS, desde logo as CRIATIVAS, precisam disso para depois nos darem a EXCELÊNCIA na Cultura ... A propósito, recorrendo à Inteligência Artificial recordemos: «Winston Churchill via a cultura e as artes como elementos fundamentais da identidade nacional e civilizacional, famosa pela suposta resposta "Então para que é que estamos a fazer esta guerra?" quando sugeriram cortar no orçamento da cultura. Defendia a cultura como base do soft power e a tradição europeia/ocidental da liberdade».