quarta-feira, 24 de junho de 2026

«Cinema de Intervenção: 50 Anos Depois|24-26 Jun., Lisboa»

 



«Este programa assinala 50 anos desde a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção, um encontro de nove dias que decorreu no Estoril, em Maio de 1976, reunindo mais de 150 filmes comprometidos politicamente, de diversas geografias do Norte e Sul Global.

Praticamente esquecida hoje, a Mostra foi um projecto ambicioso, abertamente militante, que articulou diferentes lutas de todo o mundo através do cinema e, desse modo, interrelacionou redes de solidariedade antifascistas, anti-racistas, operárias e feministas na Europa com as lutas anticoloniais e anti-imperialistas de outras geografias. Nesse contexto, o cinema era inseparável da colectividade e da imaginação política, das práticas de ver, fazer e pensar em conjunto através de imagens.

Ao longo de três dias, levantar-se-á uma série de questões em torno da capacidade do cinema para intervir na realidade política actual, bem como reflexões acerca das infra-estruturas, antigas e novas, através das quais as práticas cinematográficas contemporâneas poderão produzir formas de colectividade e de mobilização concretas».


segunda-feira, 22 de junho de 2026

«CARNE» | de David Szalay | VENCEDOR BOOKER PRIZE 2025

 



SINOPSE
István, ainda adolescente, vive com a mãe num tranquilo complexo de apartamentos na Hungria. Tímido e recém-chegado à cidade, é alheio aos rituais sociais praticados pelos colegas e rapidamente se vê isolado, sendo arrastado para uma sequência de acontecimentos que o deixam para sempre estranho aos outros, à vizinha que o seduz e depois à mãe e a si próprio. Assombrado pelo espectro de uma tragédia passada e pela apatia da modernidade, o confronto entre István e tudo aquilo que o envolve avança até que uma súbita nova tragédia volta a pôr em risco a vida que conhece.
Carne traça os contornos quase impercetíveis de um trauma não resolvido e das suas consequências, no contexto da precariedade e da violência de uma Europa cada vez mais globalizada; e fá-lo com uma lucidez incisiva, um pathos inabalável e uma humanidade surpreendente. Saiba mais.

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Sobre o livro, no semanário
Expresso , do que Pedro Mexia  com o titulo Gente Arbitrária escreve

«István é um adolescente húngaro solitário, calado e com “pouca apetência” pela sexualidade. Um diagnóstico sem grande fundamento, porque avançamos umas páginas e já o rapaz está envolvido com uma vizinha mais velha do que a mãe dele. Começa por ajudar com as compras, o convívio salta etapas muito depressa, e mais uns parágrafos e a senhora está a encher o peito de óleo de bebé para actividades amatórias. Este caso estabelece um padrão que se mantém ao longo de toda a história: sem que István faça quase nada por isso, sem que diga nada interessante, as mulheres caem-lhe nos braços. Mulheres muito diferentes, que vão do óbvio ao complicado e ao insólito, colegas de trabalho, uma empregada de bar, a mulher do patrão, a caseira deste.
David Szalay (n. 1974), britânico-canadiano de origem húngara, usa invariavelmente um registo conciso, factual, com descrições directas, incluindo as sexuais, nada excitantes e nada púdicas. O sexo, neste romance, deve mais ao desejo do que ao afecto. E um gesto carinhoso ou uma menção ao “amor” são sempre tidos como despropositados ou inconvenientes.
Em “Carne”, o adágio latino “post coitum omne animal triste” peca por defeito. Há sem dúvida excitação e gozo antes e durante os encontros, mas é sexo sem “aura”, um acto mecânico, a satisfação de uma necessidade. E István, para si mesmo, faz avaliações cruas ou cruéis sobre a anatomia e a idade das mulheres. Em entrevistas, David Szalay tem insistido que “Carne” é sobre a fisicalidade, não apenas a sexualidade. O predomínio de verbos e substantivos confirma isso mesmo, e esta passagem do livro define bem o alargamento temático: “(…) toda essa fisicalidade florescente é guardada no fundo de nós como uma espécie de segredo, ao mesmo tempo que é também a superfície que se apresenta ao mundo, de modo que ficamos absurdamente expostos, sem saber se o mundo sabe tudo ou nada sobre nós, porque não há forma de saber se estas experiências que estamos a viver são universais ou exclusivas.” (...)». 


domingo, 21 de junho de 2026

OLHAMOS PARA O QUE SE ESTÁ A PASSAR COM OS SUBSÍDIOS DE MÉRITO CULTURAL ATRAVÉS DO FUNDO DE FOMENTO CULTURAL E HÁ QUEM INTELIGENTEMENTE E COM TALENTO NOS LEVE AO PASSADO PARA MELHOR REFLETIRMOS | «Este País te mata lentamente» diz Sophia no «Camões e a tença» | NÃO PODEMOS PERMITIR QUE SE CONTINUE A MATAR LENTAMENTE NESTE FRÁGIL SETOR DA CULTURA E DAS ARTES ...

 

Tirado daqui, onde também
 podemos ouvir no «belo dizer»
de João Reis. 

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Comecemos por partilhar que temos alguma (muita) dificuldade em falar sobre o que se está a passar em torno dos Subsídios de Mérito Cultural através do Fundo de Fomento Cultural. Sentimos pudor. Medo de não conseguirmos a dignidade que as pessoas envolvidas nos merecem. Só elas deviam indicar até onde se pode ir. Contudo,  é matéria sobre a qual dispomos de algum conhecimento que nos permite dizer que o que se está a passar é abjeto  - sentimos obrigação de não temer as palavras. 
Em particular, sendo este um blogue em cujo conceito se acredita na força da cultura e da arte em defesa das igualdades não podiamos passar ao lado do que está a acontecer com autores e artistas a quem cortaram meios de sobrevivência ... É o que nos dizem na praça pública, e se nos incomoda ler, mais nos incomodaria se a comunicação social não nos pusesse a par do que está a passar: no século XXI !
Para sabermos mais, talvez recorrer a este post do blogue  Elitário Para Todos:




«Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA»

 



E da ONU Mulheres Brasil: 

«Nova York, 28 de abril de 2026. Às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio, a ONU Mulheres, TheNerve e parceiros lançam um novo relatório que destaca as formas crescentes e cada vez mais sofisticadas de violência online enfrentadas por mulheres na vida pública, especialmente mulheres jornalistas e profissionais de mídia.
De acordo com o relatório “Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA”, 12% das defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas, trabalhadoras da mídia e outras comunicadoras públicas relatam ter vivenciado o compartilhamento não consensual de imagens pessoais, incluindo conteúdo íntimo ou sexual. 6% dizem ter sido vítimas de “deepfakes”, enquanto quase uma em cada três recebeu investidas sexuais não solicitadas por meio de mensagens digitais.
O relatório revela que esse tipo de abuso é frequentemente deliberado e coordenado, desenhado para silenciar mulheres na vida pública ao mesmo tempo em que mina sua credibilidade profissional e sua reputação pessoal. Essa estratégia já está produzindo efeitos: 41% de todas as mulheres respondentes disseram que se autocensuram nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% relataram autocensura em seu trabalho profissional como resultado da violência online. Entre mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia, o cenário é ainda mais preocupante: 45% desse grupo relatou autocensura nas redes sociais em 2025, um aumento de 50% desde 2020, e quase 22% relataram autocensura em seu trabalho.
Outras tendências relevantes apontam para um aumento de ações legais e de denúncias às forças de segurança entre mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia. Em 2025, elas tinham o dobro de probabilidade de denunciar incidentes de violência online à polícia (22%) em comparação com 2020, quando esse índice era de 11%. Quase 14% agora estão tomando medidas legais contra perpetradores, facilitadores ou seus empregadores, acima dos 8% registrados em 2020, refletindo maior conscientização e uma pressão mais forte por responsabilização.
Essa violência tem um impacto grave na saúde e no bem-estar das mulheres. O relatório revela que quase um quarto (24,7%) das mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia entrevistadas foi diagnosticado com ansiedade ou depressão relacionada à violência online que vivenciaram, e quase 13% relataram diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
“A IA está tornando o abuso mais fácil e mais danoso, e isso está alimentando a erosão de direitos duramente conquistados em um contexto marcado pelo retrocesso democrático e pela misoginia em rede. Nossa responsabilidade é garantir que sistemas, leis e plataformas respondam com a urgência que essa crise exige”, afirmou Kalliopi Mingerou, chefe da Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres.
Persistem lacunas significativas na proteção legal contra a violência online. Como destacou o Banco Mundial no ano passado, menos de 40% dos países têm leis em vigor para proteger mulheres contra assédio virtual ou perseguição virtual. Como resultado, 44% das mulheres e meninas do mundo, aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas, continuam sem acesso à proteção legal.
O relatório “Tipping point: Online violence impacts, manifestations, and redress in the AI age” está disponível em Inglês e integra uma série mais ampla que examina como a violência online limita a participação das mulheres na vida pública na era da IA. O estudo foi encomendado pela ONU Mulheres no âmbito do Programa ACT para Acabar com a Violência contra as Mulheres, financiado pela União Europeia. Foi produzido em parceria com pesquisadoras e pesquisadores da Iniciativa de Integridade da Informação da TheNerve e da City St George’s, University of London, em colaboração com o International Center for Journalists e a UNESCO. As autoras e autores do relatório são: Dr. Julie Posetti, Kaylee Williams, Dr. Lea Hellmueller, Dr. Pauline Renaud, Nabeelah Shabbir e Dr. Nermine Aboulez».


sexta-feira, 19 de junho de 2026

«Segurar, Dar, Receber»

 



Ainda

«(...)Segurar, dar, receber revela uma reciprocidade que ecoa tanto o conceito de ajuda mútua de Piotr Kropotkin como a visão de Lynn Margulis da simbiose como força motriz da evolução e da criatividade.

Vivemos num mundo em que as disrupções económicas são celebradas como «destruição criativa» e em que a palavra «mútuo» surge mais frequentemente associada ao espectro da destruição nuclear mútua do que à ajuda mútua. É um mundo marcado por desigualdades extremas e por uma inquietante deriva para o autoritarismo de direita. Neste sentido, Segurar, dar, receber pretende ser um gesto discreto, mas firme, de resistência — um manifesto em favor da horizontalidade, da ajuda mútua, da simbiose e da reciprocidade.

A arte e a arquitetura raramente transformam diretamente o mundo, mas fazem-no de modo indireto, ao transformar a forma como o vemos e como nele vivemos.

O Anozero’26 destaca práticas artísticas e arquitetónicas que esbatem as fronteiras entre disciplinas e apresenta projetos que — implícita ou explicitamente — dão, retribuem, transmitem adiante e permanecem recetivos às pessoas e às interpretações. Uma arte hospitaleira, uma arquitetura generosa.

Se a arte, a arquitetura, artistas e arquitetos não podem mudar o mundo — apenas a forma como o experienciamos —, então o nosso papel, enquanto curadores, é enquadrar essas visões: tornar visível aquilo que a arte e a arquitetura reunidas neste evento contêm, guardam e têm para oferecer a quem o visita e, talvez, influenciar a forma como cada pessoa compreende o mundo». Leia na integra.


Na brochura disponível aqui


quinta-feira, 18 de junho de 2026

«Uma edição inédita de ‘As Mil e Uma Noites’ reconhece a possível autoria feminina da obra»





« Sob o título "Mulheres Anônimas", a ONU Mulheres Espanha apresentou uma nova edição do clássico universal "As Mil e Uma Noites", fruto de uma pesquisa que busca resgatar as vozes de mulheres invisibilizadas pela história e suscitar reflexões sobre igualdade, cultura e representatividade.

Essa pesquisa, conduzida ao longo de cinco meses por uma equipe multidisciplinar de especialistas, incluindo especialistas em psicolinguística, foi viabilizada graças à Dentsu Creative. A análise conclui que há quase 82% de probabilidade de que os primeiros textos de "As Mil e Uma Noites" tenham sido escritos por uma mulher. Este projeto visa promover a igualdade de gênero na esfera cultural e destacar as contribuições históricas de mulheres que foram invisibilizadas ou relegadas ao longo da história».

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Sobre a matéria, veja também‘Anónimo’ se convierte en ‘Anónima’: ONU Mujeres reivindica la autoría femenina de ‘Las mil y una noches’»