sexta-feira, 31 de julho de 2026

EXPERIÈNCIA DIGITAL | «Frida Orupabo _ Cloud of Confusion»

 


«Na sua primeira exposição individual em Portugal, Frida Orupabo revisita o vasto arquivo de imagens que tem vindo a reunir na sua conta de Instagram, material composto por tensões entre intimidade e violência, e instaura um espaço crítico e emocional. A exposição inspira-se no fluxo digital e enfatiza o «abismo» das imagens — a sua estranheza, a sua reverberação dispersa.
Em diálogo com a arquitetura do MAC/CCB, a exposição desenha um percurso linear de oito momentos, ecoando o deslizamento contínuo entre ecrãs que caracteriza a nossa experiência digital. O título evoca a nuvem digital onde armazenamos imagens e dados, e também a névoa de informação, memória e esquecimento que aquela produz.
Curadoria Marta Mestre». Saiba mais 
 
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No semanário Expresso, sobre a Exposição, 
de Celso Martins: 

«Mais do que oferecer imagens memoráveis ou persistentes, o sistema contemporâneo de difusão visual gera fluxos, largos movimentos de disseminação. Como podem os artistas navegar nesse mar de informação sem se dissolverem nele até à irrelevância?
As redes sociais são, claro, um palco importante neste debate. Que fazer com elas? Ignorá-las como quem enterra a cabeça na areia? Ou ousar entrar num jogo comunicacional onde o sentido e o impacto do que se publica pouco se controla?

Muitos artistas aceitam a segunda opção, mesmo cientes do tamanho do desafio. Frida Orupabo, artista negra de origem nigeriana nascida em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, não precisa que lhe expliquem o que é a globalização, tão pouco a atração hipnótica das redes e o seu glamour instantâneo.

Antes de se dedicar à arte, teve formação académica em Sociologia, tendo trabalhado no campo da assistência social com profissionais do sexo. A exclusão não é para ela uma abstração discursiva para uso académico. Em 2013, criou uma conta no Instagram (@nemiepeba), que funciona como um grande arquivo em progresso de imagens e filmes.

Mas ela sabe que existe um mundo um pouco abaixo da atmosfera etérea das redes e também sabe que ele é mais sombrio do que parece, e que a violência (física, sexual, laboral, cívica) é a sua condição mais permanente. (...)». Se tiver acesso, na integra aqui.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

NO JEWISH MUSEUM | «Modernity and Opulence: Women of the Wiener Werkstätte»

 


«Modernity and Opulence: Women of the Wiener Werkstätte sheds new light on the role that Jewish women played as artists, designers, patrons, and tastemakers shaping modernist aesthetics in early 20th-century Vienna and beyond».



segunda-feira, 27 de julho de 2026

NA RTP2 | PRÓXIMO 30 JULHO | o filme «damas» - As enfermeiras da Cruz Vermelha na primeira guerra mundial | ÀS 22:50

 




As enfermeiras da Cruz Vermelha na primeira guerra mundial

«Durante a primeira guerra mundial a luta também foi das mulheres. Um grupo de senhoras da alta sociedade ofereceu-se para ir para França como enfermeiras da Cruz Vermelha, também conhecidas como damas enfermeiras. Além do auxílio aos feridos e doentes, foram com uma missão: construir um hospital.
Entre contratempos e obstáculos, e perante a resistência crescente da República, as Damas conseguiram que as portas do hospital se abrissem precisamente a 9 de abril de 1918, no dia em que começou a Batalha de La Lys». Saiba mais.


domingo, 26 de julho de 2026

«A partir de pouco mais de meia dúzia de personagens, Catarina mostra-nos que os loucos do Miguel Bombarda podiam ser os excêntricos ou esquizofrénicos de hoje, que vivem livres, com medicação. Podia ser eu»

 


SINOPSE
Uma caixa de objectos abandonados no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda contém as pistas para resgatar do esquecimento a vida de doentes que ao longo de décadas ali permaneceram confinados.
Coisas de Loucos teve origem na descoberta acidental de uma caixa de objectos de antigos doentes do primeiro hospital psiquiátrico português, o Miguel Bombarda.
Catarina Gomes inicia então uma série de investigações para encontrar os «loucos» a quem pertenciam esses objectos abandonados. Nascidos entre o final do século xix e o começo do século xx, muitos foram admitidos em «Rilhafoles», nome original do Bombarda. Os psicofármacos e a terapia ocupacional não tinham ainda sido inventados, e por isso o único «tratamento» que receberam foi o do isolamento.
Mas antes de serem forçadas ao confinamento estas pessoas tiveram família, amores, trabalho, tiveram planos de futuro. São essas suas vidas que Catarina aqui resgata do esquecimento. Saiba mais.

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Chegámos ao livro acima através da crónica de Isabela Figueiredo que acabámos de ler - não perdemos semanalmente. Excertos: 
«Quem me conhece bem sabe que eu nasci com um íman que atrai malucos de toda a espécie. Para me pedirem dinheiro, para conversarem comigo, para que confirme que têm razão relativamente a uma ação que pretendem fazer, mas que lhes é proibida. Talvez nos farejemos. Se há um maluco a cruzar-se no meu caminho, certo é que há de vir ter comigo.
(...) Atraída pelo mundo dos malucos, acabei de ler uma obra de Catarina Gomes, intitulada “Coisas de Loucos. O Que Eles Deixaram no Manicómio”. Tenho ido para a praia com este livro atrás. Atrai olhares, posso garantir. Devem dizer: “Está ali uma mulher sozinha a ler um livro sobre loucos, de fato de banho rosa espampanante.” Uau! Os seres humanos vivem no interior de jaulas de que não se dão conta. Nasceram já dentro. Extraíram-lhes o diamante da loucura e eu sinto compaixão por eles.
O livro é de Catarina Gomes. Arrisquem lê-lo na praia com fatos de banho cintilantes. Foi interessante descobrir as personagens internadas no Hospital Miguel Bombarda que hoje emocionam Catarina Gomes. Ao visitar o local teve acesso a uma caixa com objetos insignificantes apreendidos aos pacientes, no processo de internamento. Chaves, carimbos, desenhos, pentes, ponteiros de relógio, cartas, papéis com palavras escritas no seu verso, documentos diversos, inclusive um bilhete de identidade cosido à mão. É por ele que Catarina começa. Revela-nos tudo o que descobriu sobre uma modista que enviuvou alguns meses após o casamento, nos anos 20. Perder o marido, que foi morrendo aos poucos, dentro de casa, com uma infeção que o comeu, deixou a modista sem meios de sobrevivência. Não havia dinheiros para médicos e, mesmo que houvesse, poderia não haver cura. Muitas mulheres na mendicidade e sem-abrigo eram resultado de estados de viuvez. (...) A  partir de pouco mais de meia dúzia de personagens, Catarina mostra-nos que os loucos do Miguel Bombarda podiam ser os excêntricos ou esquizofrénicos de hoje, que vivem livres, com medicação. Podia ser eu. Escrevo coisas duras e violentas. Sem orgulho algum, eu seria um belo exemplar de mulher a lobotomizar durante o século XX, até que o 25 de Abril nos libertou. Uma mulher livre, independente, que praticamente só fala com animais? Já me teriam dado caminho. Talvez não fosse impossível descobrir em mim um belo diamante da loucura.».


sábado, 25 de julho de 2026

«NADA»

 


Sobre a Exposição veja no blogue
 de Alexandre Pomar - 2026, Isabel Sabino,

Começa assim: 
«1. (dia 18)
Apetece dizer que é a exposição de uma jovem artista, embora se trate de uma professora catedrática aposentada da FBAUL, com uma já longa carreira que se pode considerar discreta, por se fazer fora das habituais e totalitárias escolhas institucionais.
Poderia falar de "imaturidade" no sentido que Witold Gombrowicz elogiava no seu romance "Ferdydurke", mas é mais fácil falar da frescura, agilidade e experiência/experimentação, ou vitalidade como que espontânea desta pintura nova com que a Isabel Sabino prossegue os seus caminhos. O contrário de uma obra estabilizada em processos, onde há invenção e surpresa tanto na maneira de fazer pintura como nas pistas descritivas e ficcionais que se oferecem.
A exposição intitula-se "Nada", o que inclui vários sentidos que se descobrem em andamento e em especial numa sala negra onde a luz é intermitente e os desenhos se apagam e se lêem numa escrita luminescente.
Há por aqui rios e mares de pintura por onde nadamos. Há paisagens, onde a natureza nos atrai pelos seus caminhos e que por vezes parece convulsiva, ameaçadora. De início não considerei que ao pintar o estado do mundo aqui se inclui também a reflexão sobre o seu fim anunciado, a representação da catástrofe possível. (...)». Contiune .

De lá também



sexta-feira, 24 de julho de 2026

RECORDAR ANA VIEIRA | «a indomesticada da arte portuguesa» | NO JORNAL PÚBLICO

 


do que lá se pode ler:

“Vai limpar os vidros das janelas, depois o chão, esfrega com uma escova, usa sabão, detergente, envolve-se neles, acaricia-se com eles, esfrega-se. Solta o cabelo, tira peças de roupa, transpira. (...) A certa altura, a rádio pára para dar uma notícia sensacional: um cientista descobriu um robô capaz de fazer o trabalho de casa. A mulher fica petrificada. Quando o marido chega a casa, ela está sentada, com as mãos cruzadas, o olhar ausente e nem o vê.”

Outra passagem:

«Leitora de Simone de Beauvoir, Virginia Woolf e Anaïs Nin​, o pensamento feminista informa Vieira desde os anos 60 — “para além de eu própria andar irritada nessa altura, com actividades domésticas que não me apetecia nada cumprir...” Sobre a condição feminina em Portugal, comenta: “Acho que a sociedade em geral é bastante machista, onde quer que se esteja. Nos grandes centros, onde é mais disfarçada, ou nas margens, onde é transparente. Onde posso criticar a mulher é de não reivindicar a sua situação de maioridade, seja ela qual for, e de não afirmar a sua diferença e a sua capacidade de ir mais ao fundo de si própria...” O confinamento da domesticidade (gaiolas, um aquário, o serviço de chá), o isolamento sob a ditadura e a insularidade promovem a contenção, o desejo reprimido, a privação sexual, e incendiam a febre escapista da imaginação».

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Entretanto, também no trabalho
 do Público, algo preocupante (o destaque é nosso)

«(...) Três investigadoras — Antonia Gaeta, Astrid Suzano e Sofia Gomes — lançaram-se ao trabalho, procurando, a partir do inventário existente, avaliar as necessidades de cada obra, proceder a restauros e sistematizar os planos de montagem das instalações de Ana Vieira. No final de 2021, o projecto Ana Vieira: Cadernos de Montagem ensaiou uma exposição na galeria Appleton em Lisboa, com o apoio do Banco de Arte Contemporânea Maria da Graça Carmona e Costa. Depois, o projecto consolidou documentação e foi restituindo as instalações ao país — no Centro de Arte Oliva (São João da Madeira), no gnration (Braga), no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (Guimarães) e no Museu de Arte Contemporânea de Elvas —, mantendo-se a investigação em curso.
Entretanto, em 2025, a Galeria Vera Cortês (Lisboa) assumiu a representação do espólio de Ana Vieira. A exposição A Estrutura Narrativa, com curadoria de Antonia Gaeta, patente até 5 de Setembro, assinala este compromisso. Acordo, no entanto, precário, uma vez que Vera Cortês anunciou, há um mês, o encerramento da actividade da galeria no final deste ano. (...)». 

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