sexta-feira, 24 de julho de 2026

RECORDAR ANA VIEIRA | «a indomesticada da arte portuguesa» | NO JORNAL PÚBLICO

 


do que lá se pode ler:

“Vai limpar os vidros das janelas, depois o chão, esfrega com uma escova, usa sabão, detergente, envolve-se neles, acaricia-se com eles, esfrega-se. Solta o cabelo, tira peças de roupa, transpira. (...) A certa altura, a rádio pára para dar uma notícia sensacional: um cientista descobriu um robô capaz de fazer o trabalho de casa. A mulher fica petrificada. Quando o marido chega a casa, ela está sentada, com as mãos cruzadas, o olhar ausente e nem o vê.”

Outra passagem:

«Leitora de Simone de Beauvoir, Virginia Woolf e Anaïs Nin​, o pensamento feminista informa Vieira desde os anos 60 — “para além de eu própria andar irritada nessa altura, com actividades domésticas que não me apetecia nada cumprir...” Sobre a condição feminina em Portugal, comenta: “Acho que a sociedade em geral é bastante machista, onde quer que se esteja. Nos grandes centros, onde é mais disfarçada, ou nas margens, onde é transparente. Onde posso criticar a mulher é de não reivindicar a sua situação de maioridade, seja ela qual for, e de não afirmar a sua diferença e a sua capacidade de ir mais ao fundo de si própria...” O confinamento da domesticidade (gaiolas, um aquário, o serviço de chá), o isolamento sob a ditadura e a insularidade promovem a contenção, o desejo reprimido, a privação sexual, e incendiam a febre escapista da imaginação».

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Entretanto, também no trabalho
 do Público, algo preocupante (o destaque é nosso)

«(...) Três investigadoras — Antonia Gaeta, Astrid Suzano e Sofia Gomes — lançaram-se ao trabalho, procurando, a partir do inventário existente, avaliar as necessidades de cada obra, proceder a restauros e sistematizar os planos de montagem das instalações de Ana Vieira. No final de 2021, o projecto Ana Vieira: Cadernos de Montagem ensaiou uma exposição na galeria Appleton em Lisboa, com o apoio do Banco de Arte Contemporânea Maria da Graça Carmona e Costa. Depois, o projecto consolidou documentação e foi restituindo as instalações ao país — no Centro de Arte Oliva (São João da Madeira), no gnration (Braga), no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (Guimarães) e no Museu de Arte Contemporânea de Elvas —, mantendo-se a investigação em curso.
Entretanto, em 2025, a Galeria Vera Cortês (Lisboa) assumiu a representação do espólio de Ana Vieira. A exposição A Estrutura Narrativa, com curadoria de Antonia Gaeta, patente até 5 de Setembro, assinala este compromisso. Acordo, no entanto, precário, uma vez que Vera Cortês anunciou, há um mês, o encerramento da actividade da galeria no final deste ano. (...)». 

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terça-feira, 21 de julho de 2026

DUAS RECOMENDAÇÕES DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA AO GOVERNO EM DIREÇÃO À IGUALDADE ENTRE «HOMENS E MULHERES»

 


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De repente, a reação que as Resoluções nos provocaram: mas o que recomendam não existe?! Por outro lado, embora não esteja na Designação da Governante tudo aponta que vão direitinhas à Ministra da Cultura, Juventude e Desporto:


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Aproveitemos e olhemos para isto



para fazermos uma sugestão aos Senhores Deputados: talvez mais uma Recomendação que leve o Governo a rever, de acordo com a teoria e a técnica, na esfera da Gestão Pública,  as suas ÁREAS DE GOVERNO, (ver a imagem acima) . Melhor dizendo, no que se refere á GOVERNANÇA que emerge do paradigma DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL:


Tal como estão as «áreas» pouco diferem dos Ministérios ou equivalentes.
Estamos em crer que bem ponderado, estudado,  a IGUALDADE (até porque «enche a boca» de todos/as) vai estar lá...
Ah, uma sugestão é de (re)visitar o pensamento e a ação de MARIA DE LURDES PINTASILGO sobre esta matéria e, em especial,  como o refletiu na sua «governança» quando foi Primeira Ministra. 


segunda-feira, 20 de julho de 2026

MACHADO DE ASSIS | «Singular Ocorrência e Outras Histórias de Mulheres»

 



SINOPSE
A arte do conto de Machado de Assis é incomparável. Uma das razões da sua superioridade é poder definir-se como arte de descrição, observação e compreensão das mulheres.
Esta antologia apresenta 15 exemplos superlativos recolhidos de diferentes momentos da evolução literária de Machado. Alguns são retratos extraordinários de figuras de mulher que ocupam o centro da história com a sua singularidade de carácter e acção.
Outros dão testemunho de um grupo muito particular de histórias surpreendentes de mulheres que simplesmente se cruzam com homens, e é quando as ocorrências singulares, as coincidências fortuitas, a incapacidade de compreender e o acaso sempre perverso os deixam alvoroçados, atarantados — inquietos.
O encantamento da imaginação e da audácia literária de Machado de Assis, esse é sempre infalíve
l. Saiba mais.



domingo, 19 de julho de 2026

«Grande Retrospectiva Agnès Varda 30.07_09.09»

 



Cinema Medeia Nimas - Lisboa

«Este Verão vai trazer-nos as muitas praias de Agnès, todo o maravilhoso cinema de Agnès Varda (1928-2019), na maior retrospectiva da cineasta levada a cabo em Portugal.
Varda foi uma mulher e uma artista com uma curiosidade sem igual e uma imensa liberdade, precursora da Nouvelle Vague e uma das poucas da sua geração a fazer carreira como realizadora. Prolífica e infatigável, generosa e versátil, visionária, filmava e estava ao mesmo tempo dentro dos seus filmes, e ao longo de seis décadas, com o seu olhar único, fez obras de uma grande originalidade, reinventando o cinema e acabando por se tornar um ícone, cuja obra continua a influenciar novas gerações de cineastas e artistas.
Recebeu vários prémios, entre eles o Louis Delluc e os Cesars, ou nos festivais de Cannes (onde seria também galardoada com uma Palma de Ouro honorária em 2015), Berlim e Locarno, nos European Film Awards e, em 2017, um Óscar à sua carreira.
A sua primeira longa, La Pointe courte (1954), representou, naquele tempo, como a própria Agnès reconheceria, a primeira manifestação de um fenómeno colectivo, de um movimento que, de qualquer forma, teria de aparecer. Uma década mais tarde, e depois de nos ter dados filmes icónicos como Cléo de 5 à 7 (1961), mudou-se, com Jacques Demy, o seu marido, para LA, e aí viveriam vários anos. Enquanto Paris começava a fervilhar com os acontecimentos do Maio de 68, do outro lado do Atlântico, Varda captava, em algumas das suas obras mais marcantes do seu “período americano” como Black Panthers (1968) e Lions Love (… and Lies) (1969), a cultura hippie e a agitação das lutas políticas.
 Já de novo em França, dar-nos-ia obras-primas como Sem Eira nem Beira (1985), Os Respigadores e a Respigadora (2000), ou As Praias de Agnès (2008).
Nesta operação conjunta entre a Leopardo Filmes e a Medeia Filmes, veremos a partir de 30 de Julho, e ao longo dos meses de Agosto e Setembro, no cinema Medeia Nimas, 36 filmes de Agnès Varda em novas cópias digitais restauradas: 20 longas-metragens (9 de ficção e 11 documentários), e 16 curtas, entre os seus grandes títulos e várias pérolas reencontradas.
Como diz Scorsese: “Têm (temos] de ver os filmes de Agnès Varda!”». Saiba mais.