domingo, 28 de junho de 2026

EM FRANÇA NO «PALAIS GALLIERA» CONTINUA EXPOSIÇÃO SOBRE «A HISTÓRIA DA MODA» | e há muito para ver «online»

 


Robe Comme des Garçons. Prêt-à-porter, automne-hiver 2016. CC0 Paris Musées / Palais Galliera, musée de la Mode de Paris


«Depuis décembre 2025, le Palais Galliera inaugure une série d’expositions consacrées aux savoir-faire. Au cours de trois expositions successives, qui aborderont les métiers et techniques de la mode sous différents angles, le musée met en lumière la richesse de ses collections et propose un nouveau regard sur l’histoire de la mode du XVIIIe siècle à nos jours.
Cette première exposition est consacrée aux savoir-faire de l’ornementation – tissage, impression, broderie, dentelle, fleurs artificielles – qui permettent d’ennoblir et de décorer vêtements et accessoires. Ces techniques sont abordées à travers le thème de la fleur, motif incontournable dans l’art du textile et la mode depuis le XVIIIe siècle. Ses multiples déclinaisons permettent d’apprécier les jeux de matières, le traitement des couleurs, des volumes, ou le placement des motifs qu’il inspire au gré des saisons. Du textile broché d’un gilet du XVIIIe siècle à l’impression au laser d’un ensemble Balenciaga, d’une dentelle de Chantilly au camélia de Gabrielle Chanel, l’exposition met en avant la grande variété des techniques, tout en interrogeant leur symbolique et leurs usages».

E no site do Ministério da Cultura informam-nos isto:  «Savez-vous que la haute-couture et plusieurs savoir-faire de la mode sont reconnus au titre du patrimoine culturel immatériel ? Au Palais Galliera, une 1ère exposition sur les techniques de la mode met l’accent sur les ornementations».






sábado, 27 de junho de 2026

PATRÍCIA PORTELA |«HOJE, 3 de Maio»


Sinopse
«Viver uma guerra à distância é como olhar para este quadro. É estar lá sem estar dentro, é estar de fora sem estar cá fora. Vivo à distância. a guerra à distância. o horror à distância. a morte à distância. o medo à distância. o desastre à distância. É tudo uma mera notícia.»
Hoje, 3 de Maio é um romance escrito a partir do quadro Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808, de Francisco José de Goya y Lucientes. Um retrato de quem fuzila e de quem é fuzilado numa Europa que permanece, até hoje, presa num tempo de guerra. Saiba mais.
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sobre a obra da comunicação social


No Público, desde logo, a chamada 
na primeira página. Depois, no Ípsilon. Assim:



A AberturaA partir de um quadro de Goya, sobre um acontecimento de 1808, Patrícia Portela fez um romance extraordinário. Hoje, 3 de Maio tem a guerra como fundo mas é, sobretudo, uma interrogação acerca de nós.


Ainda, mais estes excertos: « (...) Hoje, 3 de Maio não é um romance histórico, está bem longe dessa ideia. Com uma mestria rara, Patrícia Portela conseguiu dar várias visões dos acontecimentos que o quadro de Francisco de Goya retrata, como era seu propósito, mas em simultâneo deambular pela Europa do tempo da Guerra Peninsular e pela Europa dos dias de hoje. Para isso introduziu, com finíssima ironia, uma personagem feminina, ao mesmo tempo estranha e familiar, que se passeia pela Madrid do nosso tempo, que trabalha para uma instituição europeia... Mas dessa personagem falaremos mais adiante. Cada coisa a seu tempo. O que nos interessa agora é como é que um livro com acção em 1808 nos consegue fazer ver o presente, pensar o tempo de hoje a partir de Goya.

(...) Patrícia Portela escreveu um romance improvável. Parte da descrição de uma pintura de Goya, e sem nunca a perder de vista, nem aos seus elementos exteriores, nem ao Museu do Prado, vai-nos levando pelo olhar (o livro é profusamente ilustrado) até aos dias de hoje, às guerras da Ucrânia e a Gaza. O narrador, uma voz anónima que tudo sabe, vai reflectindo (ou faz o leitor reflectir) acerca de assuntos inesperados, como os pensamentos de Einstein, de Henri Bergson, ou em acontecimentos como a divisão da Coreia. Todos nós encarnamos numa Europa de camisa branca sobre uma pele incomodada por pruridos. (...)». Se tiver acesso a entrevista na integra aqui.

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e do semanário Expresso



Começa assim: «A imagem é poderosíssima. À direita do quadro, um pelotão de fuzilamento, formado por soldados que não mostram a cara, aponta as espingardas a um grupo de condenados que aguarda, junto a uma pilha de mortos, o seu momento final. De entre eles, destaca-se um homem de camisa muito branca, peito oferecido às balas, braços erguidos, chagas nas palmas das mãos, olhar desolado diante da ignomínia. Em “Os Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808”, pintado seis anos após o acontecimento que retrata, Francisco de Goya não capta apenas o massacre de centenas de madrilenos revoltosos às mãos do exército francês, no monte do Príncipe Pio. Capta a essência de todos os fuzilamentos que já houve e esse instante terrível, abismo entre a vida e a morte, que é o instante que precede os disparos. (...)». Termina deste modo: «(...) Além da grandeza literária do romance e da sua escrita magnífica, “Hoje, 3 de Maio” distingue-se ainda como um belíssimo objeto estético. Nas inúmeras reproduções de pormenores do quadro, e no jogo com outros trabalhos do artista (como a série de gravuras “Os Desastres da Guerra”), 
a obra-prima de Goya vai-nos surgindo ampliada, desdobrada, num sofisticado jogo de espelhos entre pintura e literatura». Se tiver acesso, na integra, neste endereço. 

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Em suma, de Patrícia Portela obra a não perder. E como efeito «colateral» talvez uma visita ao Museu do Prado  e sabermos mais sobre GOYA.  




sexta-feira, 26 de junho de 2026

NA GULBENKIAN | Jardim de Verão

 


FESTIVAL

Jardim de Verão Gulbenkian

 

Sáb e dom, até 12 jul 2026, Entrada gratuita

 

É já no sábado que começa o Jardim de Verão, que este ano volta a contar com a curadoria de Dino D’Santiago (música) e tem Alexandra Matos e Luís Almeida como curadores dos filmes e conversas. O pontapé de saída será no Grande Auditório, com o pop e o jazz de Bokor. No resto do fim de semana, haverá mais três concertos, dois DJ sets, a projeção dos dois primeiros episódios da série Novas Narrativas de Caça (seguidos de conversas) e uma oficina para famílias. Consulte a programação completa. Veja aqui.



quinta-feira, 25 de junho de 2026

«selvajaria»

 

no DN - 25 JUN 2026



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Sobre o problema a que se referem as imagens acima já fizemos postOLHAMOS PARA O QUE SE ESTÁ A PASSAR COM OS SUBSÍDIOS DE MÉRITO CULTURAL ATRAVÉS DO FUNDO DE FOMENTO CULTURAL E HÁ QUEM INTELIGENTEMENTE E COM TALENTO NOS LEVE AO PASSADO PARA MELHOR REFLETIRMOS | «Este País te mata lentamente» diz Sophia no «Camões e a tença» | NÃO PODEMOS PERMITIR QUE SE CONTINUE A MATAR LENTAMENTE NESTE FRÁGIL SETOR DA CULTURA E DAS ARTES .... À medida que o assunto continua a merecer a atenção da comunicação social mais nos convencemos que o problema merece ser aprofundado, nomeadamente a Senhora Governante com responsabilidades na Cultura e por conseguinte  no processo dos «Subsídios com base no Mérito Cultural» aqui em causa talvez deva começar por entrar no espirito do diploma de 1982 e reparar em especial no que acima sublinhamos. Todos estaremos de acordo que é fundamental fazer RELATÓRIO GLOBAL sobre a «história» da aplicação do Decreto-lei aqui em análise. Mas entretanto não podemos deixar «morrer à fome» quem neste momento para que isso não aconteça precise do parco apoio do Estado. Aliás, vem nos manuais: não se pode acabar com uma intervenção estatal sem que haja alternativa, ainda por cima em questão de tal melindre ... Daí que se compreenda o titulo «selvajaria».
Ainda, pelo que se vai sabendo, e indo à origem, esta «politica» tem a ver com a ESPECIFICIDADE DA CULTURA E DA ARTE. Mais, mesmo que sem o tal estudo que diagnosticamos como essencial,  não será dificil concluir, dada a fragilidade do setor, que o futuro não está acautelado. Ou seja, é de prever que vamos continuar a ter candidatos ao «Subsidio de Mérito Cultural», e cada vez mais novos. A propósito, haverá idade para isso? E haverá quem nem sequer saiba da possibilidade de apoio? Assumimos aqui o que temos subscrito em diversas ocasiões com diferentes «estatutos»: Reinvindique-se um PLANO NACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO CULTURAL onde o ENVELHECIMENTO ATIVO não seja esquecido. Mais, não se tenha medo de debater o que o Jornal de Letras  (que já não temos) trouxe para a Primeira Página e de que fez dossier: 
  

  
acrescentemos


quarta-feira, 24 de junho de 2026

«Cinema de Intervenção: 50 Anos Depois|24-26 Jun., Lisboa»

 



«Este programa assinala 50 anos desde a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção, um encontro de nove dias que decorreu no Estoril, em Maio de 1976, reunindo mais de 150 filmes comprometidos politicamente, de diversas geografias do Norte e Sul Global.

Praticamente esquecida hoje, a Mostra foi um projecto ambicioso, abertamente militante, que articulou diferentes lutas de todo o mundo através do cinema e, desse modo, interrelacionou redes de solidariedade antifascistas, anti-racistas, operárias e feministas na Europa com as lutas anticoloniais e anti-imperialistas de outras geografias. Nesse contexto, o cinema era inseparável da colectividade e da imaginação política, das práticas de ver, fazer e pensar em conjunto através de imagens.

Ao longo de três dias, levantar-se-á uma série de questões em torno da capacidade do cinema para intervir na realidade política actual, bem como reflexões acerca das infra-estruturas, antigas e novas, através das quais as práticas cinematográficas contemporâneas poderão produzir formas de colectividade e de mobilização concretas».


segunda-feira, 22 de junho de 2026

«CARNE» | de David Szalay | VENCEDOR BOOKER PRIZE 2025

 



SINOPSE
István, ainda adolescente, vive com a mãe num tranquilo complexo de apartamentos na Hungria. Tímido e recém-chegado à cidade, é alheio aos rituais sociais praticados pelos colegas e rapidamente se vê isolado, sendo arrastado para uma sequência de acontecimentos que o deixam para sempre estranho aos outros, à vizinha que o seduz e depois à mãe e a si próprio. Assombrado pelo espectro de uma tragédia passada e pela apatia da modernidade, o confronto entre István e tudo aquilo que o envolve avança até que uma súbita nova tragédia volta a pôr em risco a vida que conhece.
Carne traça os contornos quase impercetíveis de um trauma não resolvido e das suas consequências, no contexto da precariedade e da violência de uma Europa cada vez mais globalizada; e fá-lo com uma lucidez incisiva, um pathos inabalável e uma humanidade surpreendente. Saiba mais.

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Sobre o livro, no semanário
Expresso , do que Pedro Mexia  com o titulo Gente Arbitrária escreve

«István é um adolescente húngaro solitário, calado e com “pouca apetência” pela sexualidade. Um diagnóstico sem grande fundamento, porque avançamos umas páginas e já o rapaz está envolvido com uma vizinha mais velha do que a mãe dele. Começa por ajudar com as compras, o convívio salta etapas muito depressa, e mais uns parágrafos e a senhora está a encher o peito de óleo de bebé para actividades amatórias. Este caso estabelece um padrão que se mantém ao longo de toda a história: sem que István faça quase nada por isso, sem que diga nada interessante, as mulheres caem-lhe nos braços. Mulheres muito diferentes, que vão do óbvio ao complicado e ao insólito, colegas de trabalho, uma empregada de bar, a mulher do patrão, a caseira deste.
David Szalay (n. 1974), britânico-canadiano de origem húngara, usa invariavelmente um registo conciso, factual, com descrições directas, incluindo as sexuais, nada excitantes e nada púdicas. O sexo, neste romance, deve mais ao desejo do que ao afecto. E um gesto carinhoso ou uma menção ao “amor” são sempre tidos como despropositados ou inconvenientes.
Em “Carne”, o adágio latino “post coitum omne animal triste” peca por defeito. Há sem dúvida excitação e gozo antes e durante os encontros, mas é sexo sem “aura”, um acto mecânico, a satisfação de uma necessidade. E István, para si mesmo, faz avaliações cruas ou cruéis sobre a anatomia e a idade das mulheres. Em entrevistas, David Szalay tem insistido que “Carne” é sobre a fisicalidade, não apenas a sexualidade. O predomínio de verbos e substantivos confirma isso mesmo, e esta passagem do livro define bem o alargamento temático: “(…) toda essa fisicalidade florescente é guardada no fundo de nós como uma espécie de segredo, ao mesmo tempo que é também a superfície que se apresenta ao mundo, de modo que ficamos absurdamente expostos, sem saber se o mundo sabe tudo ou nada sobre nós, porque não há forma de saber se estas experiências que estamos a viver são universais ou exclusivas.” (...)». 


domingo, 21 de junho de 2026

OLHAMOS PARA O QUE SE ESTÁ A PASSAR COM OS SUBSÍDIOS DE MÉRITO CULTURAL ATRAVÉS DO FUNDO DE FOMENTO CULTURAL E HÁ QUEM INTELIGENTEMENTE E COM TALENTO NOS LEVE AO PASSADO PARA MELHOR REFLETIRMOS | «Este País te mata lentamente» diz Sophia no «Camões e a tença» | NÃO PODEMOS PERMITIR QUE SE CONTINUE A MATAR LENTAMENTE NESTE FRÁGIL SETOR DA CULTURA E DAS ARTES ...

 

Tirado daqui, onde também
 podemos ouvir no «belo dizer»
de João Reis. 

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Comecemos por partilhar que temos alguma (muita) dificuldade em falar sobre o que se está a passar em torno dos Subsídios de Mérito Cultural através do Fundo de Fomento Cultural. Sentimos pudor. Medo de não conseguirmos a dignidade que as pessoas envolvidas nos merecem. Só elas deviam indicar até onde se pode ir. Contudo,  é matéria sobre a qual dispomos de algum conhecimento que nos permite dizer que o que se está a passar é abjeto  - sentimos obrigação de não temer as palavras. 
Em particular, sendo este um blogue em cujo conceito se acredita na força da cultura e da arte em defesa das igualdades não podiamos passar ao lado do que está a acontecer com autores e artistas a quem cortaram meios de sobrevivência ... É o que nos dizem na praça pública, e se nos incomoda ler, mais nos incomodaria se a comunicação social não nos pusesse a par do que está a passar: no século XXI !
Para sabermos mais, talvez recorrer a este post do blogue  Elitário Para Todos: