A maior igualdade social aproxima os comportamentos das raparigas do dos rapazes. O problema é que o metabolismo enzimático da rapariga é muito menor do que o do rapaz, o que faz com que os efeitos do álcool sejam muito mais nefastos para elas. A intoxicação aguda acontece de forma mais rápida e surgem outros problemas, como uma maior vulnerabilidade a situações de violência sexual. Precisamos de melhorar a literacia sobre os consumos de álcool e os riscos associados, sublinhando os riscos acrescidos no sexo feminino. Nesse sentido, vão ser definidas, ao longo deste ano e do próximo, campanhas de prevenção específicas.
O consumo por parte das mulheres é também mais estigmatizado.
Sim. Há muita vergonha, culpa e um encobrimento muito maior dos casos de dependência nas mulheres, o que dificulta ainda mais o acesso às unidades de tratamento. A Unidade de Alcoologia do Porto já tem um programa terapêutico dirigido ao sexo feminino e estamos a criar uma resposta semelhante em Lisboa, que deverá estar operacional até ao verão. A ideia é facilitar o acesso e fazer com que as mulheres se sintam mais à vontade para procurar ajuda.
São precisas mais medidas para reduzir o consumo de álcool?
Mais do que criar novas medidas, a nossa grande preocupação é a fiscalização, que não está a ser eficazmente implementada, já que continuam a existir menores a aceder a bebidas alcoólicas. Quando saímos à noite o que mais vemos são jovens a beber. (...)».
















