segunda-feira, 2 de março de 2026

EXPOSIÇÃO | «A Prova do Tempo» de Ana Paganini & Inês Gonçalves | NA LUMINA GALERIA | ATÉ 28 MARÇO 2026


«O título desta exposição de Ana Paganini e Inês Gonçalves, A Prova do Tempo, remete para aquilo que é uma das principais características da fotografia: cada imagem capta o agora, quando, em todas as ocasiões, aquilo que é fotografado sucede a um momento passado, que foi aquele que primeiro prendeu o olhar. A fotografia vive nestes dois tempos. Como poderão ver nas quatro séries que integram esta exposição de Ana Paganini e Inês Gonçalves, as duas fotógrafas fazem ver aquilo em que muitas vezes não se repara. “Não tenho uma filosofia, tenho uma câmara”, afirmava Saul Leiter, o grande fotógrafo norte-americano. Esta é uma frase que sintetiza aquilo que muitos fotógrafos têm dito: a máquina é apenas uma ferramenta do olhar, que fixa um momento. Na realidade, fotografar é reinterpretar aquilo que se vê.

As duas fotógrafas abordaram os mesmos temas: o mundo dos touros e das touradas e o ritual das procissões religiosas. Como podem ver nesta exposição da Lumina, fazem-no de forma diferente, cada uma com um olhar muito próprio. Inês Gonçalves fez estas fotografias ao longo dos anos 90 e Ana Paganini fotografou duas décadas depois, de 2018 para cá. Também esta diferença de tempos se relaciona com o próprio título da exposição, mostrando como, mesmo num significativo desfasamento temporal, há muitos pontos comuns. A este propósito gosto particularmente de uma ideia descrita por Susan Sontag: “a fotografia é testemunho”.

No mundo dos touros, Inês Gonçalves mostra em Toureiros sobretudo o que se passa antes da tourada, enquanto em Toiros de Morte Ana Paganini fixou o que se passa na corrida, dentro da praça de touros. São dois momentos do mesmo mundo e o segundo não vive sem o primeiro. Para além do contraste entre as imagens, as de Inês Gonçalves, predominantemente a preto e branco (na altura foram publicadas na revista Kapa), e as de Ana Paganini, predominantemente a cor, quase tudo poderia ter sido fotografado na mesma época, evidenciando o peso do tempo como guardião das tradições. Nas séries dedicadas às procissões existe também esta afinidade, que se sente na forma como a solenidade do ritual é vivida. Inês Gonçalves, que deu o nome Portugal a este trabalho, fotografou nos Açores, e a maior parte destas suas imagens são inéditas. Ana Paganini fotografou no Norte do país e, também, numa procissão realizada na Praia das Maçãs, registando aí um invulgar cenário de devoção. Esta sua série tem o título genérico Jesus’ Blood Never Failed On Me Yet e uma das fotografias ganhou um prémio e foi exposta na National Portrait Gallery, de Londres. Ana Paganini e Inês Gonçalves trabalharam, com duas décadas de diferença, temas semelhantes. Cada uma no seu tempo.

A Prova do Tempo é um nome particularmente adequado – as fotografias de Inês Gonçalves testemunham uma época e resistiram bem às quase três décadas que levam; e as fotografias de Ana Paganini levam-nos a compreender o que mudou para permitir a permanência das tradições. As duas fotógrafas acabam assim por, em tempos diferentes, estabelecer um diálogo entre o que observaram e retiveram. Afinal, o que é o tempo, senão a semente da memória? Miguel Esteves Cardoso tem, sobre o passar do tempo, uma frase que podia ser a legenda desta exposição: “Tudo é passado nas nossas vidas. O presente é apenas um poleiro com rodas, que o vento vai empurrando cada vez para mais longe.”

Manuel Falcão, Janeiro de 2026 - Saiba mais


*

*   *
Veja também


«AS MULHERES FAZEDORAS DA DEMOCRACIA» | 7 mar 2026 | 15:00 | BIBLIOTECA DE BELÉM | LISBOA

 





domingo, 1 de março de 2026

PARA RECORDAR E DAR A CONHECER ÀS CRIANÇAS DE AGORA | «FAZER UMA CANÇÃO» COM O MÚSICO ALEX D´ALVA TEIXEIRA | e «José Barata Moura foi filósofo, professor catedrático da Faculdade de Letras e reitor da Universidade de Lisboa. E, ao mesmo tempo, foi cantor e compositor, conhecido pelas músicas de intervenção e pelas canções infantis, que se tornaram verdadeiros clássicos, atravessando gerações até aos dias de hoje. Haverá alguém que não saiba cantar Olha a bola, Manel e Joana, come a papa? Haverá alguém que consiga resistir ao maravilhoso mundo do Fungagá da bicharada?» | NO TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE | 7 E 8 MARÇO 2026 | ALMADA

 


J

osé Barata Moura foi filósofo, professor catedrático da Faculdade de Letras e reitor da Universidade de Lisboa. E, ao mesmo tempo, foi cantor e compositor, conhecido pelas músicas de intervenção e pelas canções infantis, que se tornaram verdadeiros clássicos, atravessando gerações até aos dias de hoje. Haverá alguém que não saiba cantar Olha a bola, Manel e Joana, come a papa? Haverá alguém que consiga resistir ao maravilhoso mundo do Fungagá da bicharada? Estreado em 2021 no Festival Filo-Sofia, o espectáculo FAZER UMA CANÇÃO é uma homenagem a José Barata Moura. Sozinho em palco está o músico Alex D’Alva Teixeira, que vai falando sobre si ao mesmo tempo que recorda a vida e a obra de Moura e reinterpreta à sua maneira as canções que todos conhecemos. Há baile-funk e reggaeton neste espectáculo, que, dizem os criadores, é como uma aula sobre música, filosofia, política e amor. Saiba mais.

_____________________________

Nascido em Luanda, Angola, em 1990, com raízes brasileiras e africanas, ALEX D’ALVA TEIXEIRA cresceu em Portugal rodeado por diferentes referências musicais. É DJ, compositor e intérprete, vocalista do trio pop D’Alva, co-criador do projecto de rock experimental AlgumaCena, e até já participou no Festival da Canção, quer como compositor e letrista, quer como jurado.

PROMETE!




sábado, 28 de fevereiro de 2026

«ONU MULHERES» | hoje apenas para lembrar que a Organização existe | E O SITE É CONVIDATIVO MAS NA GENERALIDADE NÃO É EM PORTUGUÈS. POR ISSO MUITAS VEZES «VAMOS AO BRASIL» - PElA INTERNET




«Women’s rights mean nothing if we cannot defend them.

International Women’s Day 2026 comes at a time when justice systems are under strain. Conflict, repression, and political tensions are weakening the rule of law.  The result – women and girls have just 64 per cent of the legal rights of men.  Women are turned away, not believed, revictimized, or priced out of legal support. Equality never arrives». Veja aqui.

*
*   *
«Recorremos ao Brasil» para  post recente: 

A CAMINHO DO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES 2026| LEMA UN WOMEN | « Dia Internacional das Mulheres 2026: Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as mulheres e meninas»

 *

*   *





sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

«POTNIA THERON»| de Hélia Correia _ com encenação de Maria Joao Luís _ pelo Teatro da Terra |27 FEVEREIRO A 7 MARÇO | NO AUDITÓRIO MUNICIPAL DO FÓRUM CULTURAL DO SEIXAL



«POTNIA THERON do grego antigo “Senhora dos animais” é um epíteto e um motivo artístico milenar que descreve a divindade feminina com domínio absoluto sobre a natureza selvagem. O termo aparece pela primeira vez na Ilíada de Homero, para descrever a deusa Ártemis, sendo, no entanto, um conceito muito mais antigo, com raízes em divindades femininas da Idade do Bronze e até do Neolítico.
Hélia Correia escritora consagrada, escreve de um rasgo, este poema épico inédito, a partir da antiguidade clássica, para o espectáculo que Maria João Luís encena como uma opereta não convencional, abordando e reflectindo sobre as relações de forças entre os géneros masculino e feminino».

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O «8 MARÇO 2026» ORGANIZADO PELO MDM - MOVIMENTO DEMOCRÁTICO DE MULHERES | o lema - «Vida com dignidade. Direitos com igualdade».

 



Em Portugal o MDM-MOVIMENTO DEMOCRÁTICO DE MULHERES é uma referência. «A» referência para muitos e muitas. E aqui está em 2026 a assinalar como é sua prática o 8 DE MARÇO - o DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES. Pelo País. Com a MANIFESTAÇÃO NACIONAL EM LISBOA. Vem de longe o MDM: 
«É uma associação de mulheres, fundada em 1968. É um movimento de opinião e de intervenção que valoriza o legado histórico dos movimentos de mulheres que lutaram contra a opressão e as desigualdades».

Para este 2026 o que nos desafia:


*
*   *

«(...) Neste sentido, convoca mulheres de todas as idades, profissões e realidades para afirmar que «não aceitam ficar para trás, que não aceitam que os seus direitos sejam adiados, relativizados ou rasgados».

Além de Lisboa (14h30, Praça dos Restauradores), Porto (14h30, Praça da Batalha) e Coimbra (14h30, Ponte de Santa Clara), a manifestação nacional de mulheres sai à rua em cidades de Norte a Sul, como Aveiro (14h30, Avenida Dr. Lourenço Peixinho), Beja (14h, Largo de Santo Amaro), Bragança (15h, Praça da Sé), Faro (15h, Rotunda do Km 738), Portalegre (10h30, Praça da República), Torres Novas (14h30, Jardim Parque da Liberdade), Viana do Castelo (14h, Porta Mexia Galvão), Vila Real (15h, Praça Luís de Camões) e Viseu (14h30, Largo de Santa Catarina). (...)».

daqui:


«CFW - CONFERENCE FOR WOMEN»

 




Não é a primeira vez que trazemos a CONFERENCE FOR WOMEN  para o  Em Cada Rosto Igualdade. Assinalando a sua próxima iniciativa - 4 março - aqui estamos novamente a fazê-lo. Destacamos na identidade a cobertura nacional e a capacidade organizativa. Digamos, é uma organização «em grande»!,  com que se pode aprender ... E basta olhar para a maneira como estão na internet. Como reajustam a imagem e grafismo consoante o suporte utilizado. E há uma «sede» de onde tudo parte - tipo «casa» - o SITE. Ou seja, não se esgotam nas «redes sociais» mas que sabem utilizar como ninguém. E contactam com o mundo de maneira personalizada por e-mail a quem o solicitar, de forma cuidada e regular ... Somos com isso beneficiada.