segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

CYNTIA CRUZ | «Melancolia de Classe»

 


SINOPSE
«Conjugando memórias pessoais, teoria cultural e uma assinalável veia polémica, Cynthia Cruz analisa como a escolha entre assimilação ou aniquilação teve um papel importante na vida de músicos, artistas, escritores e cineastas vindos da classe trabalhadora.
Ainda há classes sociais, evidentemente; com todos os efeitos que isso tem em termos culturais e no âmbito da saúde mental. O que significa hoje fazer parte da classe trabalhadora num mundo de classe média? É ser um fantasma».

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Sobre o livro no semanário Expresso, de 23 jan 2026, de Luís M. Faria,  «A (falsa) desaparição dos pobres»:
«Em tempos conheci um homem de origens modestas que, tendo progredido em termos profissionais e económicos graças ao seu talento, casou-se com uma pessoa famosa e convidou para a cerimónia uma boa amostra da elite lisboeta. Só não convidou os pais. Esse desejo de ocultar as origens é relativamente comum. Na maioria dos casos, presume-se, não gera especial desconforto psicológico ao sujeito. Mas, às vezes, a perda da ligação às raízes produz um estado que Cynthia Cruz descreve como “melancolia”.
O seu ponto de referência não é o que chamamos de ‘pequena burguesia’. Cruz viveu na pobreza e aí permaneceu mesmo quando começou a ter experiências com a classe média, no liceu e em prestigiadas instituições de ensino superior. Tornou-se poetisa, romancista e ensaísta, e ensinou em universidades, mas o sentimento de alienação nunca a abandonou.

Em “Melancolia de Classe”, decidiu explorá-lo a partir da sua experiência e da obra de artistas como Mark Linkous, Jason Molina e Amy Winehouse, ou da menos conhecida Barbara Loden, que foi mulher do realizador Elia Kazan. A certa altura, Loden empreendeu um filme sobre as lutas de uma personagem feminina. Não foi fácil. “Loden demorou sete anos a começar a filmar ‘Wanda’ devido à falta de financiamento e de contactos sociais, bem como à sua falta de confiança. Essa falta de confiança era o resultado de uma vida inteira a dizerem-lhe, explícita ou implicitamente, que era burra e não tinha importância”, escreve Cruz.

“A vergonha que resulta desta interiorização é depois vista por quem não pertence à classe trabalhadora como prova de mau caráter.” Ou seja, há uma ocultação que reflete o desaparecimento das classes sociais como tema do discurso político, nesta época neoliberal em que todos somos supostos pertencer à classe média. Uma ilusão conveniente».


domingo, 1 de fevereiro de 2026

«Universidade do Texas manda professor censurar ‘O Banquete’, de Platão _ instituição alinhada à diretrizes do governo trump considera que obra de filósofo grego tem trechos que promovem ‘ideologia de gênero’»


Mosaico que mostra a escola de Platão — Foto: Reprodução


«Universidade do Texas manda professor censurar ‘O Banquete’, de Platão


Passagem: «O professor de filosofia da Universidade Texas A&M Martin Peterson foi avisado na semana passada pela chefe do seu departamento, Kristi Sweet, de que deve deve “remover ou abandonar” trechos sobre questões raciais e de gênero de “O banquete”, de Platão (427- 347 a.C.) em um curso introdutório de filosofia. Ou lecionar um curso diferente. Localizada na cidade de College Station, a Texas A&M é uma das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos, com mais de 50 mil alunos.
A censura à obra de um dos fundadores da cultura ocidental — e que foi particularmente admirado por autores neoconservadores como Irving Kristol (1920-2009), considerado o fundador do movimento, e Leo Strauss (1899-1973) — faz parte de uma revisão dos currículos da universidade para cumprir a nova política de que nenhum curso deve “promover ideologia racial ou de gênero, ou tópicos relacionados à orientação sexual ou identidade de gênero”.
A norma só admite exceções com aprovação prévia do reitor interino Simon North. No fim de 2025, o reitor Mark Welsh foi forçado a renunciar, acusado de promover a “ideologia transgênero” (contrária à perspectiva conservadora do governo Donald Trump) por não demitir um professor que havia feito comentários sobre gênero e sexualidade em uma aula de literatura infantil. (...)».  Continue.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

«LUTARAM E RESISTIRAM» | veja no Blogue «Silêncios e Memórias» _ uma fonte de informação nomeadamente sobre «mulheres» que assim podemos conhecer de maneira organizada

 





Sempre que visitamos o blogue «SILÊNCIOS E MEMÕRIAS» sentimos um impulso para «avisar toda a gente» que ele existe. E aqui estamos uma vez mais a lembrá-lo. Diz-nos sobre Homens e Mulheres que lutaram e resistiram. Ilustrando, ao acaso, olhemos para o que podemos saber sobre Sara Beirão, na imagem acima. De lá:

«Filha do médico Francisco de Vasconcelos de Carvalho Beirão, a jornalista e escritora Sara de Vasconcelos Carvalho Beirão nasceu em Tábua em 30 de Julho de 1880. 
Para além da notoriedade enquanto autora foi, desde a Monarquia, propagandista republicana e militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.
A sua estreia no jornalismo deu-se no periódico Tabuense fundado pelo pai, servindo-se do pseudónimo Álvaro de Vasconcelos. Passou por Coimbra, onde colaborou no jornal Humanidade e, quando se fixou em Lisboa, manteve colaboração diversificada na imprensa: Boletim da Câmara Municipal de LisboaO Comércio do PortoDiário de CoimbraDiário de LisboaDiário de NotíciasEvaFigueirenseIlustraçãoJornal da MulherJornal de NotíciasModas e BordadosPortugal FemininoO Primeiro de JaneiroO SéculoO Século IlustradoSerõesVértice
Assinou textos em jornais brasileiros - Diário Português e Vida Carioca - e proferiu conferências sobre temas educativos e femininos. (...)».

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Gostamos de pensar que com gestos simples, como um post, podemos contribuir para «NOMEIA TODOS OS NOMES. LUTARAM E RESISTIRAM» como nos diz 
 António Borges Coelho 
 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

«Costumes and Pictures: O Vestuário na obra de Paula Rego»

 


Paula Rego | Lição de costura, 1986 | Tinta acrílica sobre papel montado em tela, 125x150 cm |Coleção particular em depósito Fundação D. Luís I/ Casa das Histórias Paula Rego | Inv. P307DEP

Costumes and Pictures:
O Vestuário na
 obra de Paula Rego

Curadoria: CATARINA ALFARO

«Aos 16 anos, Paula Rego parte para Inglaterra a fim de completar a sua formação e, por decisão do pai, frequenta a escola The Grove, na região de Kent. Trata-se de uma finishing school, uma escola exclusivamente feminina, destinada a meninas da sociedade que eram aí educadas para serem boas esposas e donas de casa. Terá sido aí que aprendeu a costurar e a bordar, o que lhe permitiu fazer os seus “arranjos” de costura sempre que necessário. O seu encontro, nos anos 1950, com as últimas tendências da moda londrina, é descrito com entusiasmo nas cartas para a mãe (apresentadas na vitrine 1), onde manifesta a sua intenção de se vestir como as raparigas da capital inglesa. Paula desenha calças cigarrete, argolas compridas e sabrinas, descrevendo ao pormenor, através de desenhos, as peças de roupa que lhe parecem essenciais para acompanhar o último grito da moda. Nessa correspondência é referida uma ida a Paris, em abril de 1953, onde comprou novos acessórios de acordo com as novas tendências parisienses e cortou o cabelo, “pois a moda é definitivamente de cabelos curtos”, escreve.(...)». Continue a ler.

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Sobre a Exposição há um trabalho 
no Público, a não perder 


Na pintura de Paula Rego as
histórias podem nascer dos vestidos
 e não vivem sem eles

Exposição mostra têxteis saídos do atelier da artista ao lado de obras em que aparecem. Estão lá o figurino preto de gola rendada da sua Jane Eyre e a saia ao xadrez que vestiu ao Padre Amaro.


Começa assim:
Muitos foram comprados em lojas de segunda mão, outros em teatros que se separavam de figurinos que, provavelmente, não teriam espaço para guardar. Uns foram adquiridos em viagens, outros oferecidos por quem a conhecia bem. Quando morreu, em 2022, Paula Rego tinha no seu estúdio de Camden, Londres, centenas de vestidos, adereços e outros objectos com que encenava as histórias que, depois, haveria de contar sobre tela ou papel. Centenas de peças que ajudariam a dar forma aos seus “bonecos”, assim lhes chamava, e às composições em que moravam, tudo para que ela dissesse o que queria dizer e o fizesse, sempre, de forma absolutamente livre.
Costumes and Pictures: O vestuário na obra de Paula Rego é a exposição que até 15 de Março mostra na sala zero da Casa das Histórias uma série de peças de roupa que nas suas mãos se transformaram em instrumentos de trabalho, em pretextos para efabular.
“Às vezes, a Paula queria trabalhar e não tinha uma história à mão… Nessas alturas, costumava contar, pedia à Lila [Nunes, sua modelo de sempre] que pusesse um vestido e a história aparecia”, lembra Catarina Alfaro, coordenadora da programação deste museu de Cascais consagrado à pintora portuguesa que se radicou no Reino Unido a partir da década de 1950, sem nunca ter perdido a ligação ao país em que nasceu e onde passava grandes temporadas em família. (...)».