no DN - 25 JUN 2026
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no DN - 25 JUN 2026
«Este programa assinala 50 anos desde a
Mostra Internacional de Cinema de Intervenção, um encontro de nove dias que
decorreu no Estoril, em Maio de 1976, reunindo mais de 150 filmes comprometidos
politicamente, de diversas geografias do Norte e Sul Global.
Praticamente esquecida hoje, a Mostra
foi um projecto ambicioso, abertamente militante, que articulou diferentes
lutas de todo o mundo através do cinema e, desse modo, interrelacionou redes de
solidariedade antifascistas, anti-racistas, operárias e feministas na Europa
com as lutas anticoloniais e anti-imperialistas de outras geografias. Nesse
contexto, o cinema era inseparável da colectividade e da imaginação política,
das práticas de ver, fazer e pensar em conjunto através de imagens.
Ao longo de três dias, levantar-se-á uma
série de questões em torno da capacidade do cinema para intervir na realidade
política actual, bem como reflexões acerca das infra-estruturas, antigas e
novas, através das quais as práticas cinematográficas contemporâneas poderão
produzir formas de colectividade e de mobilização concretas».
Vivemos num mundo em que as disrupções económicas são celebradas como «destruição criativa» e em que a palavra «mútuo» surge mais frequentemente associada ao espectro da destruição nuclear mútua do que à ajuda mútua. É um mundo marcado por desigualdades extremas e por uma inquietante deriva para o autoritarismo de direita. Neste sentido, Segurar, dar, receber pretende ser um gesto discreto, mas firme, de resistência — um manifesto em favor da horizontalidade, da ajuda mútua, da simbiose e da reciprocidade.
A arte e a arquitetura raramente transformam diretamente o mundo, mas fazem-no de modo indireto, ao transformar a forma como o vemos e como nele vivemos.
O Anozero’26 destaca práticas artísticas e arquitetónicas que esbatem as fronteiras entre disciplinas e apresenta projetos que — implícita ou explicitamente — dão, retribuem, transmitem adiante e permanecem recetivos às pessoas e às interpretações. Uma arte hospitaleira, uma arquitetura generosa.
Se a arte, a arquitetura, artistas e arquitetos não podem mudar o mundo — apenas a forma como o experienciamos —, então o nosso papel, enquanto curadores, é enquadrar essas visões: tornar visível aquilo que a arte e a arquitetura reunidas neste evento contêm, guardam e têm para oferecer a quem o visita e, talvez, influenciar a forma como cada pessoa compreende o mundo». Leia na integra.