terça-feira, 3 de março de 2026

FESTIVAL MULHERES EM MARCHA |«Mulheres em Marcha nasce no Seixal, na Margem Sul, e afirma-se como o primeiro festival de artes performativas de cariz feminista neste território. Não como rótulo, mas como campo de trabalho onde a criação artística se cruza com o pensamento crítico e com o contexto em que emerge, em diálogo com as pessoas que o habitam. Pensamo-lo com periodicidade bienal, porque acreditamos no tempo longo, na insistência e na possibilidade de regresso transformado.» |7 A 20 MARÇO | ENTRADA GRATUITA




«Ano Zero. É assim que começa o Festival Mulheres em Marcha. Um começo consciente e necessário. Não porque nada tenha existido antes, mas porque sentimos que urge marcar um ponto de partida claro num tempo em que a misoginia, não sendo nova, cresce, normaliza-se e ganha espaço na sociedade portuguesa. 
Nasce da atenção ao mundo que nos rodeia, da escuta das mulheres, da percepção de retrocessos inquietantes e da convicção de que a arte continua a ser um espaço fundamental de resistência, pensamento e transformação. 
Mulheres em Marcha nasce no Seixal, na Margem Sul, e afirma-se como o primeiro festival de artes performativas de cariz feminista neste território. Não como rótulo, mas como campo de trabalho onde a criação artística se cruza com o pensamento crítico e com o contexto em que emerge, em diálogo com as pessoas que o habitam. Pensamo-lo com periodicidade bienal, porque acreditamos no tempo longo, na insistência e na possibilidade de regresso transformado.
 Neste Ano Zero escolhemos colocar a escola pública no centro, entendida como lugar concreto de encontro, imaginação e futuro. 
O Festival Mulheres em Marcha acontece com o apoio da Câmara Municipal do Seixal e a parceria dos Estúdios Victor Córdon. Um reconhecimento da importância de criar espaço para práticas artísticas que interrogam o presente e ousam imaginar futuros mais justos.
Este é o Ano Zero. Um gesto inaugural. Um passo em frente. Um festival que caminha porque estar em marcha é, antes de tudo, uma condição. As mulheres estão e continuarão em marcha!».



Veja no site


«O estudo mostra que, embora Portugal esteja à frente, a igualdade plena está longe de ser alcançada. “Não chegamos à paridade. Continuamos perante uma disparidade de género muito acentuada”»

 



Sobre o Relatório no semanário Expresso,
 de André Manuel Correia: «Portugal é o país europeu com mais mulheres inventoras». Se tiver acesso é aqui. De lá:

«(...) Parte desta liderança portuguesa pode ser explicada pelos setores em que a participação feminina é mais significativa. Cristina Lopes Margarido sublinha áreas como indústria farmacêutica, biotecnologia, química e ciências da vida: “Há uma grande participação das mulheres nessas áreas. Isso explica até certo ponto o desempenho de Portugal, porque temos mais atividade inventiva precisamente nesses sectores”.

O estudo mostra que, embora Portugal esteja à frente, a igualdade plena está longe de ser alcançada. “Não chegamos à paridade. Continuamos perante uma disparidade de género muito acentuada”, observa a especialista, frisando que a diferença entre homens e mulheres no patenteamento ainda é significativa.

“À medida que a carreira evolui, notamos a falta de mulheres nas hierarquias e nas posições de liderança”, nota Cristina Lopes Margarido. E apesar de uma forte presença feminina ao nível do doutoramento, as mulheres continuam sub-representadas entre os doutorados com atividade de patenteamento, mostrando que a distinção entre ciência académica e inovação patenteada é nítida. “O potencial inventivo das mulheres é comparável ao dos homens nas publicações científicas. Aí, praticamente não há diferença de género”, explica. Todavia, a desigualdade torna-se mais evidente quando a investigação é transformada em patente ou produto inovador.

Apesar do crescimento da participação feminina nas equipas de investigação, as mulheres continuam a surgir com muito menor frequência como inventoras únicas nos pedidos de patente europeia. O dado sugere que a desigualdade não está apenas na presença, mas também no reconhecimento formal da autoria inventiva.(...)».




«Los Goya de las mujeres»

 


segunda-feira, 2 de março de 2026

EXPOSIÇÃO | «A Prova do Tempo» de Ana Paganini & Inês Gonçalves | NA LUMINA GALERIA | ATÉ 28 MARÇO 2026


«O título desta exposição de Ana Paganini e Inês Gonçalves, A Prova do Tempo, remete para aquilo que é uma das principais características da fotografia: cada imagem capta o agora, quando, em todas as ocasiões, aquilo que é fotografado sucede a um momento passado, que foi aquele que primeiro prendeu o olhar. A fotografia vive nestes dois tempos. Como poderão ver nas quatro séries que integram esta exposição de Ana Paganini e Inês Gonçalves, as duas fotógrafas fazem ver aquilo em que muitas vezes não se repara. “Não tenho uma filosofia, tenho uma câmara”, afirmava Saul Leiter, o grande fotógrafo norte-americano. Esta é uma frase que sintetiza aquilo que muitos fotógrafos têm dito: a máquina é apenas uma ferramenta do olhar, que fixa um momento. Na realidade, fotografar é reinterpretar aquilo que se vê.

As duas fotógrafas abordaram os mesmos temas: o mundo dos touros e das touradas e o ritual das procissões religiosas. Como podem ver nesta exposição da Lumina, fazem-no de forma diferente, cada uma com um olhar muito próprio. Inês Gonçalves fez estas fotografias ao longo dos anos 90 e Ana Paganini fotografou duas décadas depois, de 2018 para cá. Também esta diferença de tempos se relaciona com o próprio título da exposição, mostrando como, mesmo num significativo desfasamento temporal, há muitos pontos comuns. A este propósito gosto particularmente de uma ideia descrita por Susan Sontag: “a fotografia é testemunho”.

No mundo dos touros, Inês Gonçalves mostra em Toureiros sobretudo o que se passa antes da tourada, enquanto em Toiros de Morte Ana Paganini fixou o que se passa na corrida, dentro da praça de touros. São dois momentos do mesmo mundo e o segundo não vive sem o primeiro. Para além do contraste entre as imagens, as de Inês Gonçalves, predominantemente a preto e branco (na altura foram publicadas na revista Kapa), e as de Ana Paganini, predominantemente a cor, quase tudo poderia ter sido fotografado na mesma época, evidenciando o peso do tempo como guardião das tradições. Nas séries dedicadas às procissões existe também esta afinidade, que se sente na forma como a solenidade do ritual é vivida. Inês Gonçalves, que deu o nome Portugal a este trabalho, fotografou nos Açores, e a maior parte destas suas imagens são inéditas. Ana Paganini fotografou no Norte do país e, também, numa procissão realizada na Praia das Maçãs, registando aí um invulgar cenário de devoção. Esta sua série tem o título genérico Jesus’ Blood Never Failed On Me Yet e uma das fotografias ganhou um prémio e foi exposta na National Portrait Gallery, de Londres. Ana Paganini e Inês Gonçalves trabalharam, com duas décadas de diferença, temas semelhantes. Cada uma no seu tempo.

A Prova do Tempo é um nome particularmente adequado – as fotografias de Inês Gonçalves testemunham uma época e resistiram bem às quase três décadas que levam; e as fotografias de Ana Paganini levam-nos a compreender o que mudou para permitir a permanência das tradições. As duas fotógrafas acabam assim por, em tempos diferentes, estabelecer um diálogo entre o que observaram e retiveram. Afinal, o que é o tempo, senão a semente da memória? Miguel Esteves Cardoso tem, sobre o passar do tempo, uma frase que podia ser a legenda desta exposição: “Tudo é passado nas nossas vidas. O presente é apenas um poleiro com rodas, que o vento vai empurrando cada vez para mais longe.”

Manuel Falcão, Janeiro de 2026 - Saiba mais


*

*   *
Veja também


«AS MULHERES FAZEDORAS DA DEMOCRACIA» | 7 mar 2026 | 15:00 | BIBLIOTECA DE BELÉM | LISBOA

 





domingo, 1 de março de 2026

PARA RECORDAR E DAR A CONHECER ÀS CRIANÇAS DE AGORA | «FAZER UMA CANÇÃO» COM O MÚSICO ALEX D´ALVA TEIXEIRA | e «José Barata Moura foi filósofo, professor catedrático da Faculdade de Letras e reitor da Universidade de Lisboa. E, ao mesmo tempo, foi cantor e compositor, conhecido pelas músicas de intervenção e pelas canções infantis, que se tornaram verdadeiros clássicos, atravessando gerações até aos dias de hoje. Haverá alguém que não saiba cantar Olha a bola, Manel e Joana, come a papa? Haverá alguém que consiga resistir ao maravilhoso mundo do Fungagá da bicharada?» | NO TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE | 7 E 8 MARÇO 2026 | ALMADA

 


J

osé Barata Moura foi filósofo, professor catedrático da Faculdade de Letras e reitor da Universidade de Lisboa. E, ao mesmo tempo, foi cantor e compositor, conhecido pelas músicas de intervenção e pelas canções infantis, que se tornaram verdadeiros clássicos, atravessando gerações até aos dias de hoje. Haverá alguém que não saiba cantar Olha a bola, Manel e Joana, come a papa? Haverá alguém que consiga resistir ao maravilhoso mundo do Fungagá da bicharada? Estreado em 2021 no Festival Filo-Sofia, o espectáculo FAZER UMA CANÇÃO é uma homenagem a José Barata Moura. Sozinho em palco está o músico Alex D’Alva Teixeira, que vai falando sobre si ao mesmo tempo que recorda a vida e a obra de Moura e reinterpreta à sua maneira as canções que todos conhecemos. Há baile-funk e reggaeton neste espectáculo, que, dizem os criadores, é como uma aula sobre música, filosofia, política e amor. Saiba mais.

_____________________________

Nascido em Luanda, Angola, em 1990, com raízes brasileiras e africanas, ALEX D’ALVA TEIXEIRA cresceu em Portugal rodeado por diferentes referências musicais. É DJ, compositor e intérprete, vocalista do trio pop D’Alva, co-criador do projecto de rock experimental AlgumaCena, e até já participou no Festival da Canção, quer como compositor e letrista, quer como jurado.

PROMETE!




sábado, 28 de fevereiro de 2026

«ONU MULHERES» | hoje apenas para lembrar que a Organização existe | E O SITE É CONVIDATIVO MAS NA GENERALIDADE NÃO É EM PORTUGUÈS. POR ISSO MUITAS VEZES «VAMOS AO BRASIL» - PElA INTERNET




«Women’s rights mean nothing if we cannot defend them.

International Women’s Day 2026 comes at a time when justice systems are under strain. Conflict, repression, and political tensions are weakening the rule of law.  The result – women and girls have just 64 per cent of the legal rights of men.  Women are turned away, not believed, revictimized, or priced out of legal support. Equality never arrives». Veja aqui.

*
*   *
«Recorremos ao Brasil» para  post recente: 

A CAMINHO DO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES 2026| LEMA UN WOMEN | « Dia Internacional das Mulheres 2026: Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as mulheres e meninas»

 *

*   *