segunda-feira, 8 de junho de 2026

«AS COCANHA»

 



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Acrescentemos excertos do trabalho de
  João Lisboa no semanário Expresso desta semana - na Revista:


«Quando, após a Revolução Francesa de 1789, os revolucionários vitoriosos encarregaram o padre católico Henri Grégoire de estudar as línguas regionais, o seu relatório de 1794 tornar-se-ia a pedra angular das políticas que proibiam o uso de qualquer língua além do francês na vida pública, no ensino e nas escolas. Apesar disso, estas línguas continuaram a ser faladas nos bairros operários, nas fábricas, nas docas e nas zonas rurais fora de Paris.
É, numa delas, o occitano, que, desde a sua formação em 2014, as Cocanha — isto é, Caroline Dufau e Lila Fraysse — têm vindo a reinventar a música da Gasconha, do Languedoc e dos Pirenéus, a partir do trabalho sobre fragmentos do repertório tradicional. E foi a partir do contacto com os “Carmina Burana” — essa opulenta coleção de poemas e canções de Goliardos, libérrimos monges devassos medievais — que tropeçaram na primeira referência ao País de Cocanha: uma terra imaginária de liberdade e abundância, onde se prestava culto ao prazer e ao ócio, e o trabalho e a velhice eram desconhecidos. Algo como um jardim do paraíso pagão no qual, segundo se explica em “Cocanha — A História de Um País Imaginário” (de Hilário F. Júnior), “os cocanianos passam a vida a comer, beber e fazer sexo. A fundirem-se com a Natureza. Logo, a Cocanha não é uma festa qualquer, é um tipo especial, é a festa por excelência, uma orgia”.
(...)
As Cocanha, porém, em vez de o tratar como folclore de museu, injetam-lhe urgência e vitalidade. A sua música torna-se “um ato de recuperação da língua, da memória coletiva e da tradição, uma força subversiva e libertadora: a alegria coletiva como ato político”. Logo na faixa de abertura, ‘Remenanuèch’, estabelece-se a tonalidade global com uma intensidade quase punk, narrando a domesticação de um drac (dragão) metamórfico. ‘Adissiatz Palhassonaira’ conduz o diálogo vocal do duo para um território no qual cada cantora se ocupa de melodias e textos diferentes antes de convergirem numa microcoda translúcida. ‘Au Nòst’ Casalòt’ intensifica ainda mais a experiência com percussão como um metrónomo de metal corroído. ‘Jana D’Aimet’, última faixa e clímax absoluto do disco, é uma composição monstruosamente exigente em que passagens solenes irrompem em explosões vocais extáticas. Dufau e Fraysse gargalham, murmuram e uivam como se evocassem algo antigo e perigoso sob a superfície ardente da música. (...)». Se tiver acesso, na integra, aqui. Ainda de lá:





domingo, 7 de junho de 2026

NA VISITA DO PAPA A ESPANHA | os abusos na Igreja não estão a ser esquecidos ...|«FERIDA AINDA ABERTA»

 




Sobre o problema na RTP1:

Leão XIV diz que abusos na Igreja são "ferida ainda aberta"

O Papa disse este sábado que os abusos sexuais "são uma ferida ainda aberta" e que vai continuar a trabalhar pessoalmente, assim como toda a Igreja, neste problema. Uma mensagem transmitida no avião, a caminho de Madrid, onde iniciou uma visita de sete dias. Mais.

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ainda

e temos vídeo




quinta-feira, 4 de junho de 2026

AINDA PARECE MENTIRA MAS O TIAGO MIRANDA DEIXOU-NOS | o funeral foi hoje e dele fez parte uma bonita cerimónia na Basílica da Estrela onde estavam das pessoas que o Tiago gostaria que estivessem - da familia natural obviamente, tendo-se reconhecido facilmente colegas da Biblioteca Nacional e demais com quem lá se cruzou, e gente do meio artístico que soube granjear como ninguém ... , e outras presenças aconteceram porque quem conheceu o Tiago Miranda deve ter sentido essa necessidade

 



E de repente ficamos sem o TIAGO MIRANDA. Atordoados/as pela notícia enviada pelos familiares mais próximos começamos a fazer e a receber contactos numa das suas, digamos, comunidade de amigos. Era verdade, o Tiago Miranda deixou-nos. Terá morrido da que dizem ser «morte santa». Mas tão novo!, e com tanta energia! É isso, é dificil interiorizar.
Conhecemos o Tiago quando a DGARTES foi para a BIBLIOTECA NACIONAL, e logo no primeiro dia teve a iniciativa de se ir apresentar aos novos vizinhos. Para ele não havia barreiras entre organismos. O EM CADA ROSTO IGUALDADE já existia (no seu  ciclo institucional), e não passou muito tempo a inscrever-se para receber os «lembretes», à data diários, e prometeu contributos, tendo com sabedoria  percebido o conceito que se procurava desenvolver. Um exemplo:   




Bom, e assim começou o principio de uma bela amizade. No que diz respeito ao EM CADA ROSTO IGUALDADE continuou a ser leitor e a divulgá-lo até ao fim da sua vida. Por outro lado, as mensagens por e-mail que regularmente nos enviava muitas terão dado origem a posts. 
Claro, mais haveria (e não faltarão ocasiões) para se dizer sobre Tiago Miranda. Neste momento sintetizamos assim: ensinou-nos que não há apenas um «NORMAL» de vida. O dele era recheado de maneira harmoniosa pela sua ocupação profissional sendo de sublinhar o grande respeito que os «seus leitores» da BN lhe mereciam; depois havia o seu usufruto da arte - quem nos dera ter o conhecimento que ele tinha do que estava a acontecer diariamente -, e em especial o TEATRO. Não se limitava a estar presente na sala: conhecia o elenco com quem tirava fotos e tinha uma memória fabulosa sobre os espectáculos. O Tiago deixa-nos um repositório que merece atenção porque um bom espólio do ponto de vista dos «públicos». Era filho do tão cohecido constitucionalista Jorge Miranda, sem disso fazer alarde ia contudo dando-nos conta dos livros e tomadas de posição do seu pai. Sim, a família ocupava um espaço imenso na sua vida, e de vez em quando lá nos avisava que não participaria  nisto ou naquilo por ir visitar o(s) primo(s), fora de Lisboa, de transportes públicos, meio de mobilidade em que era perito. Nunca o vimos deixar de fazer o quer que fosse porque não tinha carro, mas aceitava boleias.
As imagens iniciais são a nosso ver «imagem de marca» de Tiago Miranda. Quando o viamos «engravatado» metiamo-nos sempre com ele ... Mas qualquer que fosse a fatiota havia ali uma «elegância» natural ... E uma educação «vinda de longe», mesmo quando era teimoso ...
Na vida de Tiago Miranda não terá havido momentos de tédio, antes pelo contrário: QUOTIDIANO CHEIO. TÃO CHEIO! - que, como não pudesse ser diferente, partilhava com quem se ia cruzando ... Mesmo quando de férias rumava a  Moledo. 


terça-feira, 2 de junho de 2026

GREVE GERAL | 3 JUN 2026 | o que reclama a «Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP-IN »

 




«British Flowers»






«na sociedade da Idade do Bronze a mulher teria mais prestígio do que se julgava»

 


Se tiver acesso aqui

Excertos:

«(...)Em traços gerais, concluiu que há nestas 57 sepulturas “mais mulheres do que homens e que elas levavam, na morte, um espólio mais rico, mais diversificado, que podia até ter armas”, embora num reduzido número de casos, explica. Seriam armas usadas em tarefas domésticas ou estariam estas mulheres envolvidas em algum tipo de combate? “Não há informação sobre se terão ou não sido usadas, porque para isso seria preciso fazer estudos mais específicos”, ressalva Marta Borges.

“O que parece provável é que tenham uma função simbólica, que estejam ligadas a uma diferenciação de estatuto social, o que nos permite começar a redefinir o papel das mulheres neste período do Bronze Médio no Baixo Alentejo. Se há armas nos seus túmulos, temos de repensar o paradigma de análise do século XX, que liga a importância da mulher à fertilidade e à casa, e a fecha em actividades domésticas. A sua função social tem mesmo de ser analisada de forma mais complexa, porque não é determinada só pelo sexo biológico. O papel de homens e mulheres não é estanque.” (...)».