quarta-feira, 19 de agosto de 2026

RECORDEMOS GARCIA LORCA QUE MORREU NUM DIA 19 DE AGOSTO (OU SERÁ 18?)| «No 90.º aniversário da morte de Lorca, a cidade de Granada afadiga-se num vasto programa de atividades, que culminará, em outubro, com uma ação performativa e cívica a que foi dado o título genérico de Requiem for Lorca»

 


Excertos:
«(...)Tão envolto em mistério como o motivo é o local onde foi depositado o corpo, que permanece desconhecido 90 anos após a execução. Depois de muito se falar no barranco de Víznar, uma equipa de arqueólogos procedeu a escavações no local, encontrando19 fossas, de onde foram exumados mais de 170 cadáveres de ambos os sexos, mas não se concluiu que alguns deles fosse o do poeta. Hoje, o lugar está consagrado como Lugar de Memoria de Andaluzia, onde se pode ler inscrito na pedra: “Lorca eram todos”.
Esta é, aliás, uma demanda antiga. Em maio de 1960, a escritora Marguerite Yourcenar foi a Granada em busca do lugar de sepultura de Lorca. Em carta a uma das irmãs deste, Isabel, que conhecera nos Estados Unidos, a autora conta como se dirigiu a um grupo de mulheres, reunido à porta de uma igreja e encontrou um silêncio aterrorizado, mesmo da mais faladora: “O seu rosto mudou, perdeu toda a expressão, e respondeu-nos sem vacilar que não conhecia o nome desse senhor e que, em Viznar, ninguém fora morto.”
(...)

Viajemos agora nós para 2026: No 90.º aniversário da morte de Lorca, a cidade de Granada afadiga-se num vasto programa de atividades, que culminará, em outubro, com uma ação performativa e cívica a que foi dado o título genérico de Requiem for Lorca.

Mas também no Cinema e na Literatura há novidades. Cannes consagrou com o prémio de melhor realização o filme La bala negra, de Javier Calvo e Javier Ambrassi, a partir de um trabalho deixado inacabado pelo poeta e de uma peça homónima de Alberto Conejero. Estreia, em Espanha, a 25 de Setembro.

Entre as novidades editoriais há que destacar o aparecimento de uma compilação da correspondência da família, No te olvides de escribir. La familia García Lorca en sus cartas, que permite reconstituir a intimidade e o contexto emocional do poeta.

Também neste ano de efeméride “redonda”, o eterno biógrafo Ian Gibson publicou No me encontraron. La fosa de Lorca. Crónica de un olvido, um ensaio em torno da “perda” do corpo do poeta e do que esse vazio incomensurável significa, afinal, para a memória histórica de Espanha».

domingo, 16 de agosto de 2026

«Living conditions for LGBTI people in Nordic rural areas»

 


Abstract
«The research review shows that interest in the living conditions of queer people in rural areas in the Nordic countries has increased over the last 10–15 years. The research focuses in particular on settlement patterns, the experiences of young queer people, organisation and meeting places, as well as the significance of religion. The findings reveal both challenges and opportunities: whilst norms relating to gender and sexuality can create limitations, examples of a sense of belonging, local engagement and inclusive communities are also highlighted. At the same time, there are significant gaps in our knowledge, particularly regarding the peripheral areas of the Nordic region and how place affects the living conditions and quality of life of queer people». Aqui.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

«Alinhados pela Mesma Lã»

 



«(...)Alinhados pela Mesma Lã nasce de um gesto coletivo: sete artistas têxteis reuniram-se em torno de uma matéria-prima ancestral — a lã da ovelha Churra Algarvia — para escutar o território, abrandar o tempo e transformar o gesto. Durante meses, acompanhámos o ciclo da lã, da ovelha ao fio, atravessando cada etapa com as mãos, com o corpo e com o pensamento. O que aqui se apresenta é o resultado desse percurso: uma cartografia sensível feita de texturas, memórias e reinvenções.

Raça autóctone e única churra originária do sul de Portugal, a Churra Algarvia é uma presença discreta, mas resistente. A sua lã, de toque áspero e madeixas longas, carrega consigo histórias de uso doméstico, de economia rural, de saberes transmitidos em silêncio. Trabalhá-la exige tempo, exige escuta. E foi nesse tempo lento que nos alinhámos, pela mesma lã, pelo mesmo desejo de compreender e cuidar. (...)». Saiba mais.