sexta-feira, 3 de julho de 2026

A PARTIR DE DADOS ACABADOS DE REVELAR PELO INE | sobre a conciliação da vida familar com a profissional | UMA VEZ MAIS A DIFERENÇA ENTRE HOMENS E MULHERES

 


Excertos:
«Quase um quarto das mulheres portuguesas entre os 18 e os 74 anos que ainda trabalham teve de alterar a sua vida profissional de alguma forma para conciliar essa actividade com as responsabilidades familiares, nomeadamente as de tomar conta de filhos, netos ou de outros membros da família dependentes. Foram 24,1% daquelas mulheres a fazê-lo, enquanto no caso dos homens na mesma situação apenas 13,6% admitem ter feito alguma alteração à sua vida profissional, demonstrando que o peso dos cuidados prestados a crianças, deficientes ou idosos ainda recai de forma muito mais acentuada sobre elas.
Os dados foram revelados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e resultam do módulo de 2025 do Inquérito ao Emprego dedicado à “Conciliação da vida profissional com a vida familiar”. O objectivo, esclarece o INE, foi avaliar o “grau de limitação mútua das responsabilidades profissionais e familiares, pretendendo conhecer as estratégias adoptadas e os constrangimentos sentidos pelas pessoas nesse esforço de conciliação”. Neste sentido, foram analisadas quatro grandes áreas: a prestação de cuidados a crianças; prestação de cuidados a familiares doentes, debilitados ou com deficiência; flexibilidade da organização do trabalho; interrupção da carreira (licenças parentais).

No caso da organização laboral, apesar de 80,3% dos inquiridos de ambos os sexos terem indicado que a conciliação da vida profissional com a familiar não provocou qualquer alteração no trabalho, entre os restantes 19,1% que admitiram ter feito alguma alteração (0,6% não respondeu), a percentagem de mulheres é bastante mais elevada do que a dos homens. E, entre essas alterações, a mais representativa é uma alteração ao horário de trabalho – 7,2% fizeram-no (uma resposta dada por 6,1% dos homens e 8,3% das mulheres) –, enquanto 3,3% dizem ter mudado de trabalho ou empregador e 2,8% terem reduzido o horário. Também nestas áreas, as mulheres estão sempre mais representadas do que os homens: 4,3% reduziram o horário de trabalho e apenas 1,1% dos homens disseram tê-lo feito, enquanto 4,2% das mulheres dizem ter mudado de emprego ou empregador, havendo apenas 2,3% dos homens a indicar esta alteração. (...). Se puder não perca  o trabalho na integra.

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e no jornal online AbrilAbril


Recorte: «(...)Para o MDM, estes números são a prova de que não há «conciliação» possível sem uma rede pública de creches, apoio à terceira idade, pessoas com deficiência e cuidados continuados em todo o País. Tal como não há «conciliação possível», admite, «com a precariedade que torna qualquer pedido de flexibilidade um risco de despedimento», obrigando as famílias, «e dentro delas as mulheres, a substituir aquilo que devia ser resposta organizada do Estado». (...)».



quarta-feira, 1 de julho de 2026

«LEME» | de Madalena Sá Fernandes

 


SINOPSE

A história crua de uma relação tóxica. Uma narrativa que não deixa pedra sobre pedra nos pilares da resiliência de uma criança subjugada ao negro poder do seu padrasto.
Leme é o relato da vivência de uma rapariga que assiste, durante anos, à erosão dos pilares que sustentam as ligações humanas: vê a mãe subjugada à violência do homem com quem mantém uma relação amorosa disfuncional; vive na pele a distorção dos papéis desempenhados por pais e filhos; alimenta-se da solidão para ultrapassar um quotidiano de medo e fúria; disputa um lugar só para si no meio do caos familiar; aprende a reconhecer o consolo das pequenas vitórias; e, por fim, reconstrói-se a si e às suas memórias.
Nenhuma criança conhece de antemão os nomes das coisas, mas todas as crianças reconhecem instintivamente o perigo. Para a protagonista desta história, o perigo tem o nome de um homem, e é sinónimo de obsessão, desequilíbrio, solidão, desamparo, poucas certezas e muitas dúvidas. Leme é um golpe de escrita para regressar à vida. Uma cintilação plena de vida e um soco no escuro que nos engole: eis um livro que aponta diretamente aos limites do bem e do mal. Saiba mais.



domingo, 28 de junho de 2026

EM FRANÇA NO «PALAIS GALLIERA» CONTINUA EXPOSIÇÃO SOBRE «A HISTÓRIA DA MODA» | e há muito para ver «online»

 


Robe Comme des Garçons. Prêt-à-porter, automne-hiver 2016. CC0 Paris Musées / Palais Galliera, musée de la Mode de Paris


«Depuis décembre 2025, le Palais Galliera inaugure une série d’expositions consacrées aux savoir-faire. Au cours de trois expositions successives, qui aborderont les métiers et techniques de la mode sous différents angles, le musée met en lumière la richesse de ses collections et propose un nouveau regard sur l’histoire de la mode du XVIIIe siècle à nos jours.
Cette première exposition est consacrée aux savoir-faire de l’ornementation – tissage, impression, broderie, dentelle, fleurs artificielles – qui permettent d’ennoblir et de décorer vêtements et accessoires. Ces techniques sont abordées à travers le thème de la fleur, motif incontournable dans l’art du textile et la mode depuis le XVIIIe siècle. Ses multiples déclinaisons permettent d’apprécier les jeux de matières, le traitement des couleurs, des volumes, ou le placement des motifs qu’il inspire au gré des saisons. Du textile broché d’un gilet du XVIIIe siècle à l’impression au laser d’un ensemble Balenciaga, d’une dentelle de Chantilly au camélia de Gabrielle Chanel, l’exposition met en avant la grande variété des techniques, tout en interrogeant leur symbolique et leurs usages».

E no site do Ministério da Cultura informam-nos isto:  «Savez-vous que la haute-couture et plusieurs savoir-faire de la mode sont reconnus au titre du patrimoine culturel immatériel ? Au Palais Galliera, une 1ère exposition sur les techniques de la mode met l’accent sur les ornementations».






sábado, 27 de junho de 2026

PATRÍCIA PORTELA |«HOJE, 3 de Maio»


Sinopse
«Viver uma guerra à distância é como olhar para este quadro. É estar lá sem estar dentro, é estar de fora sem estar cá fora. Vivo à distância. a guerra à distância. o horror à distância. a morte à distância. o medo à distância. o desastre à distância. É tudo uma mera notícia.»
Hoje, 3 de Maio é um romance escrito a partir do quadro Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808, de Francisco José de Goya y Lucientes. Um retrato de quem fuzila e de quem é fuzilado numa Europa que permanece, até hoje, presa num tempo de guerra. Saiba mais.
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sobre a obra da comunicação social


No Público, desde logo, a chamada 
na primeira página. Depois, no Ípsilon. Assim:



A AberturaA partir de um quadro de Goya, sobre um acontecimento de 1808, Patrícia Portela fez um romance extraordinário. Hoje, 3 de Maio tem a guerra como fundo mas é, sobretudo, uma interrogação acerca de nós.


Ainda, mais estes excertos: « (...) Hoje, 3 de Maio não é um romance histórico, está bem longe dessa ideia. Com uma mestria rara, Patrícia Portela conseguiu dar várias visões dos acontecimentos que o quadro de Francisco de Goya retrata, como era seu propósito, mas em simultâneo deambular pela Europa do tempo da Guerra Peninsular e pela Europa dos dias de hoje. Para isso introduziu, com finíssima ironia, uma personagem feminina, ao mesmo tempo estranha e familiar, que se passeia pela Madrid do nosso tempo, que trabalha para uma instituição europeia... Mas dessa personagem falaremos mais adiante. Cada coisa a seu tempo. O que nos interessa agora é como é que um livro com acção em 1808 nos consegue fazer ver o presente, pensar o tempo de hoje a partir de Goya.

(...) Patrícia Portela escreveu um romance improvável. Parte da descrição de uma pintura de Goya, e sem nunca a perder de vista, nem aos seus elementos exteriores, nem ao Museu do Prado, vai-nos levando pelo olhar (o livro é profusamente ilustrado) até aos dias de hoje, às guerras da Ucrânia e a Gaza. O narrador, uma voz anónima que tudo sabe, vai reflectindo (ou faz o leitor reflectir) acerca de assuntos inesperados, como os pensamentos de Einstein, de Henri Bergson, ou em acontecimentos como a divisão da Coreia. Todos nós encarnamos numa Europa de camisa branca sobre uma pele incomodada por pruridos. (...)». Se tiver acesso a entrevista na integra aqui.

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e do semanário Expresso



Começa assim: «A imagem é poderosíssima. À direita do quadro, um pelotão de fuzilamento, formado por soldados que não mostram a cara, aponta as espingardas a um grupo de condenados que aguarda, junto a uma pilha de mortos, o seu momento final. De entre eles, destaca-se um homem de camisa muito branca, peito oferecido às balas, braços erguidos, chagas nas palmas das mãos, olhar desolado diante da ignomínia. Em “Os Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808”, pintado seis anos após o acontecimento que retrata, Francisco de Goya não capta apenas o massacre de centenas de madrilenos revoltosos às mãos do exército francês, no monte do Príncipe Pio. Capta a essência de todos os fuzilamentos que já houve e esse instante terrível, abismo entre a vida e a morte, que é o instante que precede os disparos. (...)». Termina deste modo: «(...) Além da grandeza literária do romance e da sua escrita magnífica, “Hoje, 3 de Maio” distingue-se ainda como um belíssimo objeto estético. Nas inúmeras reproduções de pormenores do quadro, e no jogo com outros trabalhos do artista (como a série de gravuras “Os Desastres da Guerra”), 
a obra-prima de Goya vai-nos surgindo ampliada, desdobrada, num sofisticado jogo de espelhos entre pintura e literatura». Se tiver acesso, na integra, neste endereço. 

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Em suma, de Patrícia Portela obra a não perder. E como efeito «colateral» talvez uma visita ao Museu do Prado  e sabermos mais sobre GOYA.  




sexta-feira, 26 de junho de 2026

NA GULBENKIAN | Jardim de Verão

 


FESTIVAL

Jardim de Verão Gulbenkian

 

Sáb e dom, até 12 jul 2026, Entrada gratuita

 

É já no sábado que começa o Jardim de Verão, que este ano volta a contar com a curadoria de Dino D’Santiago (música) e tem Alexandra Matos e Luís Almeida como curadores dos filmes e conversas. O pontapé de saída será no Grande Auditório, com o pop e o jazz de Bokor. No resto do fim de semana, haverá mais três concertos, dois DJ sets, a projeção dos dois primeiros episódios da série Novas Narrativas de Caça (seguidos de conversas) e uma oficina para famílias. Consulte a programação completa. Veja aqui.