domingo, 26 de julho de 2026

«A partir de pouco mais de meia dúzia de personagens, Catarina mostra-nos que os loucos do Miguel Bombarda podiam ser os excêntricos ou esquizofrénicos de hoje, que vivem livres, com medicação. Podia ser eu»

 


SINOPSE
Uma caixa de objectos abandonados no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda contém as pistas para resgatar do esquecimento a vida de doentes que ao longo de décadas ali permaneceram confinados.
Coisas de Loucos teve origem na descoberta acidental de uma caixa de objectos de antigos doentes do primeiro hospital psiquiátrico português, o Miguel Bombarda.
Catarina Gomes inicia então uma série de investigações para encontrar os «loucos» a quem pertenciam esses objectos abandonados. Nascidos entre o final do século xix e o começo do século xx, muitos foram admitidos em «Rilhafoles», nome original do Bombarda. Os psicofármacos e a terapia ocupacional não tinham ainda sido inventados, e por isso o único «tratamento» que receberam foi o do isolamento.
Mas antes de serem forçadas ao confinamento estas pessoas tiveram família, amores, trabalho, tiveram planos de futuro. São essas suas vidas que Catarina aqui resgata do esquecimento. Saiba mais.

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Chegámos ao livro acima através da crónica de Isabela Figueiredo que acabámos de ler - não perdemos semanalmente. Excertos: 
«Quem me conhece bem sabe que eu nasci com um íman que atrai malucos de toda a espécie. Para me pedirem dinheiro, para conversarem comigo, para que confirme que têm razão relativamente a uma ação que pretendem fazer, mas que lhes é proibida. Talvez nos farejemos. Se há um maluco a cruzar-se no meu caminho, certo é que há de vir ter comigo.
(...) Atraída pelo mundo dos malucos, acabei de ler uma obra de Catarina Gomes, intitulada “Coisas de Loucos. O Que Eles Deixaram no Manicómio”. Tenho ido para a praia com este livro atrás. Atrai olhares, posso garantir. Devem dizer: “Está ali uma mulher sozinha a ler um livro sobre loucos, de fato de banho rosa espampanante.” Uau! Os seres humanos vivem no interior de jaulas de que não se dão conta. Nasceram já dentro. Extraíram-lhes o diamante da loucura e eu sinto compaixão por eles.
O livro é de Catarina Gomes. Arrisquem lê-lo na praia com fatos de banho cintilantes. Foi interessante descobrir as personagens internadas no Hospital Miguel Bombarda que hoje emocionam Catarina Gomes. Ao visitar o local teve acesso a uma caixa com objetos insignificantes apreendidos aos pacientes, no processo de internamento. Chaves, carimbos, desenhos, pentes, ponteiros de relógio, cartas, papéis com palavras escritas no seu verso, documentos diversos, inclusive um bilhete de identidade cosido à mão. É por ele que Catarina começa. Revela-nos tudo o que descobriu sobre uma modista que enviuvou alguns meses após o casamento, nos anos 20. Perder o marido, que foi morrendo aos poucos, dentro de casa, com uma infeção que o comeu, deixou a modista sem meios de sobrevivência. Não havia dinheiros para médicos e, mesmo que houvesse, poderia não haver cura. Muitas mulheres na mendicidade e sem-abrigo eram resultado de estados de viuvez. (...) A  partir de pouco mais de meia dúzia de personagens, Catarina mostra-nos que os loucos do Miguel Bombarda podiam ser os excêntricos ou esquizofrénicos de hoje, que vivem livres, com medicação. Podia ser eu. Escrevo coisas duras e violentas. Sem orgulho algum, eu seria um belo exemplar de mulher a lobotomizar durante o século XX, até que o 25 de Abril nos libertou. Uma mulher livre, independente, que praticamente só fala com animais? Já me teriam dado caminho. Talvez não fosse impossível descobrir em mim um belo diamante da loucura.».


sábado, 25 de julho de 2026

«NADA»

 


Sobre a Exposição veja no blogue
 de Alexandre Pomar - 2026, Isabel Sabino,

Começa assim: 
«1. (dia 18)
Apetece dizer que é a exposição de uma jovem artista, embora se trate de uma professora catedrática aposentada da FBAUL, com uma já longa carreira que se pode considerar discreta, por se fazer fora das habituais e totalitárias escolhas institucionais.
Poderia falar de "imaturidade" no sentido que Witold Gombrowicz elogiava no seu romance "Ferdydurke", mas é mais fácil falar da frescura, agilidade e experiência/experimentação, ou vitalidade como que espontânea desta pintura nova com que a Isabel Sabino prossegue os seus caminhos. O contrário de uma obra estabilizada em processos, onde há invenção e surpresa tanto na maneira de fazer pintura como nas pistas descritivas e ficcionais que se oferecem.
A exposição intitula-se "Nada", o que inclui vários sentidos que se descobrem em andamento e em especial numa sala negra onde a luz é intermitente e os desenhos se apagam e se lêem numa escrita luminescente.
Há por aqui rios e mares de pintura por onde nadamos. Há paisagens, onde a natureza nos atrai pelos seus caminhos e que por vezes parece convulsiva, ameaçadora. De início não considerei que ao pintar o estado do mundo aqui se inclui também a reflexão sobre o seu fim anunciado, a representação da catástrofe possível. (...)». Contiune .

De lá também



sexta-feira, 24 de julho de 2026

RECORDAR ANA VIEIRA | «a indomesticada da arte portuguesa» | NO JORNAL PÚBLICO

 


do que lá se pode ler:

“Vai limpar os vidros das janelas, depois o chão, esfrega com uma escova, usa sabão, detergente, envolve-se neles, acaricia-se com eles, esfrega-se. Solta o cabelo, tira peças de roupa, transpira. (...) A certa altura, a rádio pára para dar uma notícia sensacional: um cientista descobriu um robô capaz de fazer o trabalho de casa. A mulher fica petrificada. Quando o marido chega a casa, ela está sentada, com as mãos cruzadas, o olhar ausente e nem o vê.”

Outra passagem:

«Leitora de Simone de Beauvoir, Virginia Woolf e Anaïs Nin​, o pensamento feminista informa Vieira desde os anos 60 — “para além de eu própria andar irritada nessa altura, com actividades domésticas que não me apetecia nada cumprir...” Sobre a condição feminina em Portugal, comenta: “Acho que a sociedade em geral é bastante machista, onde quer que se esteja. Nos grandes centros, onde é mais disfarçada, ou nas margens, onde é transparente. Onde posso criticar a mulher é de não reivindicar a sua situação de maioridade, seja ela qual for, e de não afirmar a sua diferença e a sua capacidade de ir mais ao fundo de si própria...” O confinamento da domesticidade (gaiolas, um aquário, o serviço de chá), o isolamento sob a ditadura e a insularidade promovem a contenção, o desejo reprimido, a privação sexual, e incendiam a febre escapista da imaginação».

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Entretanto, também no trabalho
 do Público, algo preocupante (o destaque é nosso)

«(...) Três investigadoras — Antonia Gaeta, Astrid Suzano e Sofia Gomes — lançaram-se ao trabalho, procurando, a partir do inventário existente, avaliar as necessidades de cada obra, proceder a restauros e sistematizar os planos de montagem das instalações de Ana Vieira. No final de 2021, o projecto Ana Vieira: Cadernos de Montagem ensaiou uma exposição na galeria Appleton em Lisboa, com o apoio do Banco de Arte Contemporânea Maria da Graça Carmona e Costa. Depois, o projecto consolidou documentação e foi restituindo as instalações ao país — no Centro de Arte Oliva (São João da Madeira), no gnration (Braga), no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (Guimarães) e no Museu de Arte Contemporânea de Elvas —, mantendo-se a investigação em curso.
Entretanto, em 2025, a Galeria Vera Cortês (Lisboa) assumiu a representação do espólio de Ana Vieira. A exposição A Estrutura Narrativa, com curadoria de Antonia Gaeta, patente até 5 de Setembro, assinala este compromisso. Acordo, no entanto, precário, uma vez que Vera Cortês anunciou, há um mês, o encerramento da actividade da galeria no final deste ano. (...)». 

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terça-feira, 21 de julho de 2026

DUAS RECOMENDAÇÕES DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA AO GOVERNO EM DIREÇÃO À IGUALDADE ENTRE «HOMENS E MULHERES»

 


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De repente, a reação que as Resoluções nos provocaram: mas o que recomendam não existe?! Por outro lado, embora não esteja na Designação da Governante tudo aponta que vão direitinhas à Ministra da Cultura, Juventude e Desporto:


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Aproveitemos e olhemos para isto



para fazermos uma sugestão aos Senhores Deputados: talvez mais uma Recomendação que leve o Governo a rever, de acordo com a teoria e a técnica, na esfera da Gestão Pública,  as suas ÁREAS DE GOVERNO, (ver a imagem acima) . Melhor dizendo, no que se refere á GOVERNANÇA que emerge do paradigma DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL:


Tal como estão as «áreas» pouco diferem dos Ministérios ou equivalentes.
Estamos em crer que bem ponderado, estudado,  a IGUALDADE (até porque «enche a boca» de todos/as) vai estar lá...
Ah, uma sugestão é de (re)visitar o pensamento e a ação de MARIA DE LURDES PINTASILGO sobre esta matéria e, em especial,  como o refletiu na sua «governança» quando foi Primeira Ministra. 


segunda-feira, 20 de julho de 2026

MACHADO DE ASSIS | «Singular Ocorrência e Outras Histórias de Mulheres»

 



SINOPSE
A arte do conto de Machado de Assis é incomparável. Uma das razões da sua superioridade é poder definir-se como arte de descrição, observação e compreensão das mulheres.
Esta antologia apresenta 15 exemplos superlativos recolhidos de diferentes momentos da evolução literária de Machado. Alguns são retratos extraordinários de figuras de mulher que ocupam o centro da história com a sua singularidade de carácter e acção.
Outros dão testemunho de um grupo muito particular de histórias surpreendentes de mulheres que simplesmente se cruzam com homens, e é quando as ocorrências singulares, as coincidências fortuitas, a incapacidade de compreender e o acaso sempre perverso os deixam alvoroçados, atarantados — inquietos.
O encantamento da imaginação e da audácia literária de Machado de Assis, esse é sempre infalíve
l. Saiba mais.