Excertos:
«Quase um quarto das mulheres portuguesas entre os 18 e os 74 anos que ainda trabalham teve de alterar a sua vida profissional de alguma forma para conciliar essa actividade com as responsabilidades familiares, nomeadamente as de tomar conta de filhos, netos ou de outros membros da família dependentes. Foram 24,1% daquelas mulheres a fazê-lo, enquanto no caso dos homens na mesma situação apenas 13,6% admitem ter feito alguma alteração à sua vida profissional, demonstrando que o peso dos cuidados prestados a crianças, deficientes ou idosos ainda recai de forma muito mais acentuada sobre elas.
Os dados foram revelados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e resultam do módulo de 2025 do Inquérito ao Emprego dedicado à “Conciliação da vida profissional com a vida familiar”. O objectivo, esclarece o INE, foi avaliar o “grau de limitação mútua das responsabilidades profissionais e familiares, pretendendo conhecer as estratégias adoptadas e os constrangimentos sentidos pelas pessoas nesse esforço de conciliação”. Neste sentido, foram analisadas quatro grandes áreas: a prestação de cuidados a crianças; prestação de cuidados a familiares doentes, debilitados ou com deficiência; flexibilidade da organização do trabalho; interrupção da carreira (licenças parentais).
No caso da organização laboral, apesar de 80,3% dos inquiridos de ambos os sexos terem indicado que a conciliação da vida profissional com a familiar não provocou qualquer alteração no trabalho, entre os restantes 19,1% que admitiram ter feito alguma alteração (0,6% não respondeu), a percentagem de mulheres é bastante mais elevada do que a dos homens. E, entre essas alterações, a mais representativa é uma alteração ao horário de trabalho – 7,2% fizeram-no (uma resposta dada por 6,1% dos homens e 8,3% das mulheres) –, enquanto 3,3% dizem ter mudado de trabalho ou empregador e 2,8% terem reduzido o horário. Também nestas áreas, as mulheres estão sempre mais representadas do que os homens: 4,3% reduziram o horário de trabalho e apenas 1,1% dos homens disseram tê-lo feito, enquanto 4,2% das mulheres dizem ter mudado de emprego ou empregador, havendo apenas 2,3% dos homens a indicar esta alteração. (...). Se puder não perca o trabalho na integra.
*
* *
e no jornal online AbrilAbril

Recorte: «(...)Para o MDM, estes números são a prova de que não há «conciliação» possível sem uma rede pública de creches, apoio à terceira idade, pessoas com deficiência e cuidados continuados em todo o País. Tal como não há «conciliação possível», admite, «com a precariedade que torna qualquer pedido de flexibilidade um risco de despedimento», obrigando as famílias, «e dentro delas as mulheres, a substituir aquilo que devia ser resposta organizada do Estado». (...)».