sexta-feira, 25 de setembro de 2026

FILIPA LOWNDES VICENTE | «Este livro é, de certa forma, uma história da História da Arte. Ou seja, não é um elenco de mulheres artistas, nem uma história da arte feita apenas com mulheres. Isso já foi feito a partir dos anos 70. Existem hoje muitas histórias da arte que fazem esse trabalho, e ainda bem que existem. Mas a minha preocupação não é tanto fazer esse elenco de mulheres artistas, mas perceber por que razão elas não foram incluídas na história da arte durante tantos séculos»

 

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e voltemos ao livro


«A INVISIBILIDADE FEMININA NA HISTÓRIA DA ARTE

Este livro é uma reflexão sobre a forma como a história da arte tem vindo a estudar a prática artística feminina, sobretudo na Europa, entre os séculos XVI e XX.

Nesse sentido, é também uma história da história da arte, uma história de como a arte produzida por mulheres foi, durante tanto tempo, ignorada e desvalorizada — uma arte sem história. E de como, nas últimas décadas, as abordagens feministas abriram caminho para que exista, finalmente, uma arte com história.

«Muitos são os perfis femininos que a autora convoca para demonstrar que existe um défice insuportável em torno do papel das mulheres criadoras. Fá‑lo com equilíbrio, rigor e uma paixão controlada que lhe confere honra e credibilidade. Deve ser lido por mulheres e homens. Este é um livro que promove metamorfose no pensamento e legitima uma reavaliação cultural.»

— Lídia Jorge

14 anos depois da primeira, esta edição revista inclui um novo prefácio da autora». Saiba mais.

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

«pela paixão da luz»

 


«algo sempre acontece
na árvore da linguagem
se cai uma sílaba nasce uma folha
se cai uma folha brota uma ave
um melro-preto para iluminar
de melodia o crepúsculo
e depois os frutos palavras doces
se cai um fruto cresce outra árvore
à revelia das regras da língua
em combustão vagarosa
gera a árvore da linguagem
um idioma contumaz e irrepetível
nem os antigos poetas obscuros
que molhavam a pena no mosto
saberiam grafar na tela de papir.»

Francisco Duarte Mangas
no seu facebook

a que chegámos levada
 pelos sempre magnificos
 SINAIS de Fernando Alves. Hoje:

Os frescos outonos de outrora

de lá:

«(...) Folheamos este verão, esta "luz de alumbramento", os poemas de Francisco Duarte Mangas guardados num livro de girassóis, suas magníficas gravuras que parecem seguir os nossos dedos ao virar das páginas onde cabe, à justa, a nossa mão espalmada. Cada brevíssimo poema pede a arte de olhar um campo de girassóis, ou a de olhar as nuvens, ou a de olhar os gatos, artes familiares dessa outra de saber olhar para a árvore.
Num dos poemas deste livro, Francisco Duarte Mangas chama ao girassol "submarino da terra" e "espião pacifista", tanto o esforço da planta "pela paixão da luz". E isso me conduz, sem o fio coerente com que "remotos camponeses (...) mediam o tempo" ao campo de girassóis que os ucranianos plantaram, já lá vão trinta anos, numa base militar desactivada, num gesto simbólico pelo desarmamento nuclear. (...)».


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS|«Menopausa, Informação é poder»

 


«De repente, (quase) tudo muda: a pele, o sono, a memória, o humor. A menopausa é uma transformação inevitável, mas imprevisível, que afeta, agora mesmo, mais de dois milhões de mulheres portuguesas. A maioria vive-a em desconforto, pois há gerações que se mantém um modelo de resistência estoica ao que o corpo grita e o tabu social silencia.
Este livro retrata a experiência da menopausa a partir de relatos na primeira pessoa e entrevistas a médicos especialistas. Mostra e questiona a desinformação, a falta de apoio laboral, a metamorfose do cérebro e o peso da transformação hormonal. Do impacto na sexualidade à urgência de políticas públicas, cabem nestas páginas os calores e a tristeza difusa, mas também a liberdade e a reinvenção, as realidades múltiplas de uma fase que alguns chamam já uma "segunda puberdade"». Saiba mais.


domingo, 20 de setembro de 2026

«Inaugurou no sábado a nova exposição de Fátima Mendonça, Dias de tédio e a dança com o lobo mau. A visitar até dia 31 de outubro»

 


«2026 Fátima Mendonça na 111

 É uma pintura que conta histórias, no caso o lobo e o capuchinho vermelho, ou que se apropria de fragmentos desse conto para tratar questões pessoais (e não só pessoais... há perigos reais, medos colectivos, ameaças que rondam). Se o medo está presente, e é o lobo, esta é uma história de luta contra o medo, e de libertação. O lobo dança mascarado com o rabo de fora, numa cena de sedução enganadora, mas a faca está prestes a espetar-se-lhe nas costas, alerta. Há sangue que é preciso lavar - no quadro maior, o retábulo da vitória, o banho purificador (um dos raros e grandes banhos femininos modernos), ficam ao lado as etapas do perigo vencido, e a fera dá lugar ao gato doméstico. Havia - em dois menores formatos sobrepostos - ameaças na floresta escura, o lobo e outros olhos ameaçadores, mas a menina do capuz vermelho está firme e determinada, é o rosto forte da coragem. Adiante o lobo é, afinal, um cavalo de pau com que se pode brincar - a ameaça era real ou só imaginária? A Fátima Mendonça que responda: é uma pintura feminina. (...)». Continue.