segunda-feira, 1 de junho de 2026

ALICE BRITO |«Perdeu-se Relógio de Senhora»



SINOPSE
Portugal, anos de fascismo. As vidas de três mulheres vão-se desvendando, inscritas num tempo com pouca cor, sob o olhar vigilante da polícia política e de uma moral repressiva, num país sob a sombra da guerra colonial e já farto da ditadura.
Por um acaso do destino, estas três mulheres, que tinham tudo para não se cruzar, acabarão a partilhar a mesma casa, um apartamento na Duque d'Ávila, em Lisboa. E, embora a vida de cada uma tenha seguido, até ao momento desse acaso, o seu percurso distinto, sobre todas elas pesou a pata da ditadura. Assim no-lo diz uma narradora sagaz, que vai recuperando a memória de como se vivia, alertando para os perigos de não se saber olhar para trás e lembrando Abril, esse mês em que se matou a sede. Saiba mais.
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Sobre o livro escreve Ana Bárbara Pedrosa no semanário Expresso: 

«Lê-se de forma escorreita. A prosa de Alice Brito é limpa, boa, direta ao osso.
E lá dentro está o mundo: gente que, sem ascender ao épico, nos mostra o estado de um país.O leitor põe-se no cerne da ditadura salazarista, não entre os ministros ou os ativistas organizados, mas entre o povo que fazia este país. E, no mesmo movimento, Alice Brito reconstrói o passado e explica o passo a passo de como chegámos ao presente. Em vez do épico, dos chavões, do maniqueísmo, temos o delinear da forma como o autoritarismo se imiscuiu no espaço íntimo. Não só não é coisa pouca, como já é mesmo quase tudo. (...)». Se tiver acesso aqui.
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e o destaque dado a entrevista
da autora ao jornal Observador



NESTE DIA MUNDIAL DA CRIANÇA | sugestões de livros para procurar nomeadamente na Feira do Livro de Lisboa

 


Livros para o Dia da Criança

Sugestões para procurar na Feira do Livro de Lisboa

Veja na AGENDA CULTURAL DA CML



quinta-feira, 28 de maio de 2026

DOS OUTROS | Celebração das artes na qualidade de vida das pessoas | HEALING ARTS SCOTLAND

 



Healing Arts Scotland

«A busy programme of events has been announced for Healing Arts Scotland. The celebration of the role of the arts to improve health and wellbeing takes place from 15th to 19th June».





quarta-feira, 27 de maio de 2026

«O cardeal português D. José Tolentino Mendonça afirmou hoje que a primeira encíclica de Leão XIV constitui um apelo urgente à proteção da “fragilidade” humana, perante a ilusão algorítmica»

 


Vaticano: Cardeal José Tolentino Mendonça elogia encíclica papal e apela a «humanidade vivida na fragilidade»


segunda-feira, 25 de maio de 2026

PARA SABERMOS SOBRE «CATHERINE OPIE _ TO BE SEEN» | visitar o site da National Portrait Gallery, Londres | ler o artigo de Constança Babo da ArteCapital

 



Excertos do trabalho de Constança Babo

«(...)Reconhecida, sobretudo, pela forma como retrata e apresenta diferentes identidades, comunidades e estruturas de poder, Opie é a autora de uma vasta e impressionante obra. Nos últimos 35 anos, tem-se dedicado sobretudo à fotografia de retrato em diversos contextos e sob diferentes formatos, apresentando, sempre, uma estética cuidada, recorrentemente inspirada em movimentos artísticos da pintura clássica e visualidades próprias do tradicional estúdio de fotografia. Recorre, portanto, a uma linguagem visual institucional, isto é, de acordo com padrões formais e tradicionais de composição e figuração. No entanto, retrata aqueles que foram habitualmente excluídos desse género de representação, pretendendo dar-lhes visibilidade. Representa comunidades LGBTQ+, famílias queer, a subcultura leather (estética erótica, liderada por gays, das décadas 40 e 50, nos EUA), adolescentes e habitantes dos subúrbios pobres. Os sujeitos surgem centrados, imóveis, adequadamente iluminados, numa formalidade semelhante aos antigos retratos de nobreza e aristocracia, ou, nos dias de hoje, da realeza e de figuras políticas. Mas os corpos, as tatuagens e o vestuário revelam os seus contextos e enquadramentos sociais e culturais. Deste modo, a fotógrafa desafia, desvirtua e reconfigura o retrato, género primordial da prática fotográfica e um dos mais importantes da história da pintura. (...).
Assinale-se, porém, que a relação com a pintura barroca comporta também um caráter crítico, na medida em que Opie questiona as responsabilidades e as funções políticas e religiosas recorrentemente atribuídas à arte. Recorde-se que, durante séculos, a arte esteve ao serviço da igreja, foi utilizada para educar o povo e apropriada enquanto meio de propaganda e de poder, de partidos e movimentos políticos.
Na exposição, encontram-se outras referências do campo artístico, nomeadamente, da pintura renascentista. A principal e assinalada pela artista é Hans Holbein, pintor suíço-alemão do século XVI cuja tarefa fora retratar a corte de Henrique VIII. Como explica a fotógrafa, "a devastação causada pelo VIH/SIDA afetou a nossa comunidade” e “usei Holbein como uma força orientadora para documentar a minha comunidade e torná-la a minha própria família real". Opie regista aqueles que lhe são próximos, nos seus próprios espaços, como é exemplo o seu trabalho do início da década de 2000, realizado no bairro onde então vivia, em Los Angeles. Note-se, porém, que mesmo as cenas e os ambientes domésticos estão alinhados com a política de visibilidade de Opie, pretendendo remeter para a problemática da homofobia persistente na cultura americana durante a administração Bush.
Já os “Surfistas” (2003) de Malibu, retratados como se emergissem do oceano, absorvidos pela paisagem, com iluminação, tonalidade e composição próximas do Romantismo, representam a interseção entre identidades individuais e coletivas. Quanto às "Paisagens do Futebol Americano”, de 2007 a 2009, dão continuidade à problematização da estrutura social americana, sendo que os retratos dos jovens jogadores, do ensino secundário, denunciam as pressões dos estereótipos de masculinidade atlética. Outros motivos políticos desdobram-se ao longo do último corredor da exposição, onde diversas divisões e alianças são colocadas em confronto e em diálogo através de imagens do centenário do Jamboree dos Escuteiros na Virgínia, na Reserva Nacional Escoteira da Família Bechtel, do Festival de Música Feminina de Michigan, festival de música e cultura feminina, comícios do Tea Party e a tomada de posse do Presidente Barack Obama. Por fim, uma fotografia do Papa Francisco à janela, no Vaticano, enquadramento este que o insere no que Opie entende ser a “arquitetura do poder”. O título deste retrato do antigo chefe da Igreja Católica, “No Apology (June 5,2021)”, faz referência ao reconhecimento papal tardio das mortes de crianças das Primeiras Nações do Canadá sob a administração da igreja. (...)».
É A FORÇA DA ARTE!, NO CASO DA FOTOGRAFIA.