domingo, 3 de maio de 2026

«Autobiografia da minha mãe»

 


SINOPSE

«No momento em que Xuela Richardson abria os olhos para o mundo, a mãe despedia-se dele. Aproximando-se do fim da própria vida, Xuela rememora sem tabus a infância na ilha de Dominica, marcada a ferros pela ausência da mãe, pelo abandono de quem deveria zelar por ela, pelo desajuste com a autoridade e a discriminação. e pela solidão arrebatadora, que a transforma numa mulher incapaz de amar a família, os homens, os colonizadores, os poderosos, os filhos que decide não ter. A cada novo passo, o seu caminho entrelaça-se irremediavelmente com o da progenitora.

Jamaica Kincaid, excelsa representante da literatura caribenha, traça com inebriante lirismo o retrato de uma vida ensombrada pelo vento negro e sombrio dos fantasmas». Saiba mais.

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Sobre o livro do que escreve
Ana Bárbara Pedrosa 
no semanário Expresso da semana passada

«(...) Ao longo do romance, vemos a vulnerabilidade da ausência da mãe, intensificada pelo ato do pai, que entregou Xuela aos cuidados da mesma mulher a quem pagava para lavar a roupa: nisto, há uma criança tratada como um estorvo, num lugar em que a violência é vista como a forma natural de estar. A escrita de Kincaid é uma coisa bela. A prosa flui de frase em frase, levando-nos à vida. Não há adornos nem palavras escusadas. Tudo é densidade psicológica, construção de ambiente, relação entre personagens. Lê-la é ver a eficácia narrativa. Nas primeiras páginas, já há um gancho que alicia o leitor até às últimas. É impossível que quem a lê se desligue de Xuela: não pela bondade de não lhe querer intensificar o abandono, mas porque a autora é exímia na forma de criar personagens, mostrando-as como gente a sério. Os pequenos relatos têm densidade emocional (sejam sobre a mão que a criança mordeu, assim que lhe nasceu o meu primeiro dente, seja sobre a relação distante com o pai), e a forma como intercala presenças com ausência funciona de forma magistral. Ao longo do romance, não há um lugar de substituição dos cuidados maternos — e não há nada, verdade seja dita, que vá garantir que a mãe fosse cuidar bem. Ainda assim, assistimos a um crescimento árido, e à forma rígida como este produz aridez. Um romance conciso, denso, cirúrgico, que confirma Kincaid como uma das grandes 
autoras da contemporaneidade».

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Sobre a autora -Jamaica Kincaid - disse
 Susan Sontag:«Uma escritora irresistível e avassaladora»

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e hoje é o DIA DA MÃE





sábado, 2 de maio de 2026

«Quem Tem Medo de Zurita Oliveira?”, de acordo com o programa oficial, “celebra a vida e a obra de uma música, intérprete, compositora e autora que muitos reconhecem como a pioneira do rock & roll em Portugal”»

 



Excerto: «(...) Agora, historiadores, arquivistas e colecionadores, como os já mencionados Luís Futre e João Carlos Callixto, valorizam o pioneirismo de Zurita de Oliveira numa era em que a presença feminina na nascente cultura juvenil (que em Portugal foi batizada como Ié-Ié) não se manifestava para lá da plateia. Francisca Marvão reforça essa ideia: “Há uma frase no filme que me marcou muito: quando o Luís Futre fala da ‘paternidade’ do rock e a Ondina Pires corrige para ‘maternidade’. Isso diz muito. O que me impressionou foi imaginar uma mulher, nos anos 60, a fazer solos de guitarra elétrica em palco. Várias pessoas referiram isso".


"É preciso uma força enorme para o fazer naquela época, perante um público alargado. Mesmo hoje, depois de trabalhar com várias bandas femininas, já testemunhei situações desconfortáveis e de desvalorização. Por isso, imaginar o contexto da Zurita naquela altura leva-me a acreditar que o desafio foi ainda maior. Nesse sentido, ela representa uma força importante — sobretudo num período em que quase não encontramos mulheres a tocar e a compor no universo do rock”, remata. (...)».



quarta-feira, 29 de abril de 2026

EXPOSIÇÃO | «JOALHARIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA - UMA SELEÇÃO DA COLEÇÃO DE ARTES DO AR.CO» | inaugura no próximo dia 4 - no Instituto Camões - Lisboa

 


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Esta iniciativa orientada pelo Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual (Catarina Silva e Pedro Tropa) por proposta do Instituto Camões consiste na elaboração de uma exposição gráfica itinerante representativa da Joalharia Contemporânea Portuguesa, a partir da Colecção de Artes do Ar.Co.
A exposição será disponibilizada em suporte digital de forma a poder ser produzida por delegações/instituições em Portugal e no estrangeiro, acompanhada quando possível da exposição física de algumas peças, como é o caso da presente iniciativa.
Artistas Selecionados: Sara Bettencourt, Paula Crespo, Cristina Filipe, Leonor Hipólito, Artur Madeira, João Martins, Marília Maria Mira, Paula Paour, Tereza Seabra, Alexandra Serpa Pimentel, Catarina Silva, Diana Silva, Manuela de Sousa, Manuel Vilhena.


«DAMAS» | « filme sobre enfermeiras portuguesas na I Guerra Mundial chega esta semana aos cinemas»

 

Leia aqui

Começa assim: «Documentário histórico de Cláudia Alves revela e encena um episódio praticamente desconhecido de uma das guerras mais mortíferas do século XX.

"Damas" é o título de um documentário histórico sobre mulheres muito à frente do seu tempo que tem estreia nacional na quinta-feira. 

Dirigido por Cláudia Alves, o filme, que teve estreia mundial no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), no México, em 2025, constrói "um olhar sensível e contemporâneo sobre um episódio pouco conhecido da participação feminina portuguesa na Primeira Guerra Mundial", destaca o comunicado oficial. (...)». Continue.