domingo, 30 de agosto de 2026

ANA LUA CAIANO | uma jovem «antiga» que dá gosto ouvir e ler | «em novembro, chega “Devagar que a Vida é Curta”, novo capítulo de uma viagem muito personalizada pela música tradicional portuguesa, onde adufes, percussão e gaitas de foles têm tanto espaço como a eletrónica.»

 


e da entrevista ao Expresso a que se refere a imagem:

«(...)Mas é uma reflexão que surge da observação do que a rodeia, mais do que um desabafo autobiográfico? Porque o seu trabalho é diferente, envolvendo mais prazer do que a maioria dos empregos...

Sim, acaba por ser. Tenho muitos amigos que têm trabalhos das 9h às 17h, e vou observando. Mas, apesar de eu não ter um trabalho comum, às vezes existe o problema de o trabalho se confundir com o lazer. Às vezes, não consigo parar: estou à meia-noite a fazer coisas, porque gosto de as fazer. E também sinto essa necessidade de encontrar o descanso — mesmo quando se gosta de fazer o que se faz, também é importante parar, até porque muitas vezes a música surge de silêncio e espaços vazios. Quando estou sempre a trabalhar, sem descansar, isso também não é produtivo para a música.

Mia Couto escreveu: “A fadiga que sentimos não é tanto do trabalho acumulado, mas de um quotidiano feito de rotina e de vazio. O que mais cansa não é trabalhar muito. O que mais cansa é viver pouco. O que realmente cansa é viver sem sonhos.” É esse o espírito desta canção?

Vem ao encontro disso, sim. Se tivermos um trabalho das 9h às 17h, levamos uma hora a ir para o trabalho, uma hora a voltar, e depois já é hora de jantar e tem de se ir dormir cedo, para acordar cedo. Vejo pelos meus amigos, que tentam encontrar-se nos jantares, mas é complicado, porque estão sempre muito cansados. Felizmente há pessoas que gostam do seu trabalho, mas mesmo que se goste, se não há tempo para descansar, não há tempo para gostar nem para fazer as coisas bem. De certeza que, havendo mais um dia de descanso por semana, as pessoas gostariam mais de fazer aquilo que fazem. A falta de descanso e de valorização [diminuem a motivação]. E há muitas pessoas que recebem mails e mensagens de trabalho aos fins de semana — ignorar isso é difícil.

No presente contexto de debate das condições laborais, esta canção ganha um novo significado?

Penso que ganhou alguma importância [nesse contexto], e também quis que a música saísse no mês do 1º de Maio [Dia do Trabalhador] precisamente por falar sobre isso. Fico contente por estar a ser ligada a essa luta porque acho que há muito caminho a percorrer, e temos de lutar por melhores condições de vida, muito melhores do que já são. A música é só uma música, mas fico contente por estarem a pegar nela, por se reverem nela e por encontrarem nela alguma força. Gosto de pegar nestes temas mais difíceis e, quase como numa catarse, torná-los rítmicos, como uma forma de libertação do próprio tema da música. Ao longo do álbum, sinto que os vários temas, mesmo os mais pesados, são interpretados com energia ou com uma falsa animação, mas é desse contraste que eu gosto.

A morte está muito presente nas letras das canções. Não será muito comum ser um tema tão glosado na obra de uma artista de 27 anos?

Só me apercebi que o disco tinha tantos temas sobre morte — acho que são quase todos, tirando um — mesmo no final. Dei por mim a pensar: “Está um disco muito macabro”, mas não foi intencional. Nunca pensei fazer um disco sobre a morte, mas ela acabou por aparecer de várias formas. Se calhar sou um bocado pessimista, mas fiz, por exemplo, uma canção sobre emigração, sobre uma pessoa que vai lá para fora e quer voltar para Portugal, e está sempre a dizer que vai voltar, e depois acaba por morrer e não conseguir voltar. Vai ser um dos próximos singles. Essa é uma história que se encontra muito lá fora, de muita gente que já tem 60 anos e está sempre a dizer: “Vou voltar para o ano”, ou “vou tentar voltar”. Ouvimos muito essas histórias de pessoas que querem voltar e acabam por não conseguir. Também tenho uma canção sobre a guerra, inspirada no genocídio do povo palestiniano… São reflexões sobre o que fui vivendo e vendo nestes últimos anos, sobre as quais já queria ter escrito, mas ainda estava a acabar o outro disco e os álbuns demoram a ser feitos. (...). Se tiver acesso, leia na integra aqui.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

«feministas mais ativas»

 


Certamente que as «feministas» - e qual será o conceito da Senhora Governante? - não deixarão de reagir às palavras da Senhora Ministra da Cultura, Juventude e Desporto (onde também está a Igualdade mas como se vê sem direito a figurar na designação). Pela nossa parte, fazendo parte das pessoas que se batem pela(s) igualdade(s) nomeadamente entre homens e mulheres até nos apetece sugerir que se altere a designação do que está  a cargo da Senhora Governante. De facto custa ver  a Igualdade «escondida» na estrutura do Governo. Depois, roubando nas palavras ditas na Universidade de Verão do PSD ousamos pedir intervenções instituconais «mais ativas» em linha com o que recentemente - mas que coincidência ! -  expusemos no Em Cada Rosto Igualdade:  

A «IGUALDADE DE GÉNERO» E CAUSAS EQUIVALENTES NO APARELHO ESTATAL


Ainda, que tal Senhora Governante, desencadear um levantamento de Obras e Debates, passados e presentes sobre «FEMINISMO»? E a força da Cultura e das Artes  na promoção das MULHERES. Obviamente, lá não faltará, por exemplo, isto:




ou isto:


E não descarte, Senhora Governante, para uma geração que tanto gosta de dizer «pela primeira vez», a criação de organização equivalente a esta:




Dentro do quadro institucional do momento, reafirmamos a sugestão que nos é tão cara: a elaboração de PLANOS do estratégico ao operacional na esfera das IGUALDADE(S) para o SETOR DA CULTURA. Ah, recuperando o que se foi fazendo ao longo dos anos ..., e deixado cair ... 


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

VOLTEMOS A GISÈLE PELICOT | «Um Hino à Vida»

 


SINOPSE

«Quero contar a minha história pelas minhas próprias palavras. Com este livro, espero passar uma mensagem de força e coragem a todos os que possam estar a passar por momentos difíceis. Que nunca sintam vergonha.»

Esta é a história de Gisèle Pelicot. A mulher que denunciou o marido e cinquenta abusadores em França, num caso chocante de violência sexual e abuso conjugal. Este livro é muito mais do que o relato de um crime que emocionou o mundo e desencadeou um debate global sobre culpa, vergonha e justiça. Nestas páginas, Gisèle Pelicot prova que quando o silêncio é quebrado, nasce uma força invulgar. Então, este livro é o relato dessa transformação da sua dor em força e a partilha de uma mensagem poderosa de esperança, superação, cura e empoderamento feminino. Em 2024, o nome de Gisèle Pelicot tornou-se símbolo de coragem e resistência ao recusar o anonimato e enfrentar publicamente o ex-marido, Dominique Pelicot, e outros cinquenta homens. Tinham passado apenas quatro anos desde que Giséle descobrira que o marido a drogava para que dezenas de homens abusassem dela enquanto permanecia inconsciente. Gisèle recusou esconder-se e decidiu transformar a vergonha em denúncia, não por si apenas, mas por todas as mulheres silenciadas.

Em "Um Hino à Vida", escrito com a romancista Judith Perrignon, Gisèle revisita a infância, o casamento, o horror da descoberta e o mediático julgamento que protagonizou. Esta é, acima de tudo, a história de uma reconstrução. A história de uma mulher que caminhou sobre o abismo e escolheu continuar viva, dando coragem a milhares de vítimas para recuperarem a própria voz. Saiba mais, veja críticas



domingo, 23 de agosto de 2026

A «IGUALDADE DE GÉNERO» E CAUSAS EQUIVALENTES NO APARELHO ESTATAL

 




Aconteceu assim, numa ida,  o que é habitual, ao Diário da República, neste dia cinzento de verão,   ao depararmos com o Despacho inicial acima  voltamos a pensar na REFORMA que há muito defendemos na esfera da «IGUALDADE» nas Administrações.  Naturalmente, também reparamos no REGIME DE SUBSTITUIÇÃO - questão para lá da CIG. A propósito este post:  «(...)admite a necessidade de “refundar” a CReSAP. Notando que 85% a 90% dos nomes indicados já estavam em regime de substituição, o que lhes deu uma vantagem face aos demais, evita criticar a politização dos processos, mas propõe que os governos assumam claramente os cargos que são políticos. E defende que os dirigentes públicos têm de assumir mais as suas responsabilidades.(...)». Lembramos que há muito, quando começámos a olhar para a matéria como obrigação profissional, muitos eram os serviços e pessoas que desconheciam a CIG. Hoje será diferente, mas não muito diferente. E contudo à CIG muito se deve (não fizeram mais do que a sua obrigação, dirão) dos avanços conseguidos. A esta Comissão estão ligados nomes de que justamente nos devemos orgulhar. Dito isto, a nosso ver, há muito a «reformar». A (re)inventar. A rendibilizar o que temos. De maneira a que a batalha da «igualdade» - aqui entendida para lá da de género mas sim estendida a causas equivalentes - seja empreendimento generalizado, transversal,desde logo a todas as Organizações Públicas que o devem imprimir ao Setor em que atuam. Em particular, clamamos pelo SETOR CULTURA, que podemos tomar para ilustração.
Neste quadro, olhemos, uma vez mais, para outros, começando pela Organização do próprio Governo e organizações de topo de âmbito ministerial ou correspondente. E, claro, a «Cultura».



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Já agora, indo ao início deste post, como compatibilizar «REGIME DE SUBSTITUIÇÃO» com IGUALDADE(S)?

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Já agora, apenas ilustrando, do que devia ser rendibilizado: 
 

FESTIVAL MULHERES EM MARCHA |«Mulheres em Marcha nasce no Seixal, na Margem Sul, e afirma-se como o primeiro festival de artes performativas de cariz feminista neste território. Não como rótulo, mas como campo de trabalho onde a criação artística se cruza com o pensamento crítico e com o contexto em que emerge, em diálogo com as pessoas que o habitam. Pensamo-lo com periodicidade bienal, porque acreditamos no tempo longo, na insistência e na possibilidade de regresso transformado.». Leia mais.

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E ENQUANTO FAZÍAMOS
ESTE POST, VEIO O SOL ... 
Nós que gostamos do VERÃO
rematamos com esta «opinião»