quarta-feira, 19 de junho de 2024

MUSEU DE LAMEGO | «boas raparigas»

 


«A EXPOSIÇÃO

Boas Raparigas. Lamego nas décadas de 1930-1950 por Manuel Pinheiro da Rocha parte de um conjunto de imagens recolhidas em Lamego, pelo fotógrafo Manuel Pinheiro da Rocha, um alfaiate que nasce em Lamego, na freguesia de Britiande, em 1893, e que aos 18 anos de idade se muda para o Porto, onde se fixa na rua de Santa Catarina, como alfaiate e amador de fotografia, por influência do fotógrafo Domingos de Alvão, que tinha o seu estabelecimento no mesmo prédio da alfaiataria.

Na fotografia, era primoroso. Um génio. Tinha as melhores lentes, pois dizia que a máquina estava para o fotógrafo como o pincel para o pintor, escreveria o filho, Fernando Pinheiro da Rocha, sobre o pai. Com efeito, a amizade com o fotógrafo e outros conhecidos artistas do seu tempo, como Joaquim Lopes, Acácio Lino, Jaime Isidoro, Teixeira Lopes ou António Fernandes, com quem habitualmente dava passeios para pintar e fotografar, seriam decisivos para o seu percurso na fotografia. Foi sócio fundador da Associação Fotográfica do Porto e presidente do Grémio Português de Fotografia. Participou em inúmeros salões de Fotografia, realizado não só em Portugal, mas também pela Europa e EUA, e expos individualmente, na Galeria António Carneiro (1953), no Clube de Lamego (1956) e na Sociedade de Belas-Artes de Lisboa (1962). Colaborou em várias publicações: Boletim da Casa Regional da BeiradouroA Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e no livro Porto Capital do Norte – Origem de Portugal (1963). No cinema, colaborou no documentário de Arthur Duarte e João Moreira, Barqueiros do Douro e na revista Movimento sobre Cinema.

Sem nunca perder de mira as suas raízes, Manuel Pinheiro da Rocha deslocava-se frequentemente a Lamego, fazendo-se acompanhar da inseparável câmara fotográfica, para nos deixar um legado imenso, de valor documental inestimável, sobre Lamego nas décadas de 1930-1950.

Em 2023, por iniciativa da Junta de Freguesia de Britiande, com um sentido de homenagem a um filho da terra e, simultaneamente, rememorar a antiga vila de Britiande, Manuel Pinheiro da Rocha regressou às origens, através de uma exposição, com curadoria do Museu de Lamego, que teve lugar na renovada Casa do Povo, composta por um expressivo conjunto de imagens de Britiande, de sua autoria, que se conservam no Centro Português de Fotografia.

Dando continuidade ao trabalho de divulgação em Lamego da obra de Manuel Pinheiro da Rocha, a exposição “Boas Raparigas” divide-se entre fotografia de reportagem, de retrato e paisagem, datada das décadas de 1930-1950, para nos devolver imagens de uma cultura visual da Mulher disseminada durante o Estado Novo, suas representações e papéis sociais, sustentados por uma estética e sensibilidade marcadamente masculinas.

Exposição patente até 27 de outubro de 2024.


A PEÇA DE TEATRO

Memórias de uma Falsificadora

Evoca a vida de Margarida Tengarrinha, sobretudo o longo período em que viveu na clandestinidade (1954-1974): o seu trabalho como falsificadora, a mudança constante de casa e de identidade, a morte do companheiro – José Dias Coelho – brutalmente assassinado pela PIDE, a separação das filhas, o isolamento da família e dos amigos. Numa relação de grande proximidade com o público, recorrendo a artefactos muito simples, uma atriz – habituada a fazer-se passar por outras pessoas – recria os passos mais importantes do percurso de Margarida e dá voz à perspetiva das mulheres sobre a vida na clandestinidade. Uma vida cheia de privações, mas que, ainda assim, a autora considera uma vida feliz, plena de sentido. Numa altura em que vários terrores ameaçam a democracia, é urgente lembrar algumas coisas que já aconteceram, mas não deviam ainda acontecer – não depois da revolução. É uma oportunidade de recordar a História recente de Portugal e lembrar que nem sempre vivemos em democracia. É preciso lembrar para que a História não se repita!

Adaptação e Encenação | Joaquim Horta

Interpretação | Catarina Requeijo

Apoios aos figurinos | Marisa Carboni

Coprodução | Horta – produtos culturais; São Luiz Teatro Municipal; Museu do Aljube – Resistência e Liberdade; Truta


A CONVERSA

Boas Raparigas

A fechar o evento, uma conversa no feminino, moderada pelo historiador Nuno Resende (FLUP), em torno da exposição e da peça de teatro, para reflexão sobre a Mulher antes e depois do 25 de Abril. Participam, a diretora do Museu de Lamego, Alexandra Falcão, a atriz Catarina Requeijo, Marina Valle, professora e delegada da Liga Portuguesa Contra o Cancro – núcleo de Lamego, e Rita Maltez, advogada, voluntária do EPHEMERA, Arquivo de José Pacheco Pereira e autora do livro Amorzinho, best-seller das edições Ephemera.


A entrada é gratuita».

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domingo, 16 de junho de 2024

«SIZA» | na Gulbenkian

 



Se nos é permitido, 
com o devido respeito 
 pelas outras obras,
 mas porque a vimos há anos,
aquela DAMA DE CHANDOR 
inesquecível!




Do site da Gulbenkian: «O ciclo encerra-se com o documentário A Dama de Chandor (1999), filmado em Goa por Catarina Mourão, três décadas depois de o território ter alcançado a independência face ao poder colonial português. O filme conta a história de Aida de Menezes Bragança, uma mulher de 80 anos herdeira de uma casa senhorial «perdida» numa pequena aldeia goesa, e do seu esforço para preservar a sua casa, as suas memórias e a sua identidade. Através de Aida e da sua casa, Catarina Mourão faz um retrato de Goa e da sua diversidade cultural».


EXPOSIÇÃO |«A Família Humana, Paralelos e Contrapontos»

 


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sexta-feira, 14 de junho de 2024

«femicídio»

 


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Não há forma de os números chegarem a zero. Em média, cinco mulheres ou meninas são mortas, por hora, no mundo, por alguém da sua família, de acordo com dados das Nações Unidas, divulgados pelo The Conversation. Frequentemente, estes homicídios estão ligados ao facto de serem mulheres. Alguns países estão a aprovar leis para criminalizar especificamente o femicídio, um ato de extrema violência à escala global contra mulheres e meninas, que apesar de na sua maioria ser um crime praticado pelo parceiro ou familiares, muitas vezes, ocorre para além da esfera privada. 

África registou o maior número absoluto de homicídios relacionados com parceiros e familiares de mulheres, segundo um relatório de 2022 das Nações Unidas, com cerca de 20 mil vítimas; seguida de 18 400 na Ásia; 7900 nas Américas; 2300 na Europa; e 200 na Oceânia.   
A Costa Rica foi o primeiro país a aprovar uma lei que tornou o femicídio num crime legalmente definido, em 2007, punível com 20 a 35 anos de prisão. Chipre integrou, em 2022, o femicídio como um crime distinto e um fator agravante na imposição de penas. Nesse mesmo ano, o exemplo foi seguido por Malta, onde este crime pode levar a prisão perpétua. Em 18 dos 33 países da América Latina e Caraíbas foi criada uma legislação que classifica o femicídio como um crime de ódio distinto. A Croácia é o mais recente país a integrar o femicídio como um crime autónomo punível com dez ou mais anos de prisão. 

Mais de uma década depois da ONU ter introduzido uma diretiva, em 2013, apelando aos Estados para tomarem medidas contra homicídios de mulheres e meninas com base no género, as leis, por si só, têm-se revelado insuficientes para reduzir o femicídio, como revela um relatório da Queen Mary University of London, que usou como caso de estudo o México. Um dos principais problemas é a inexatidão dos números, uma vez que apenas são contabilizadas como femicídio as mortes perpetuadas por companheiros ou familiares, quando muitas delas são resultado de mutilações genitais, crimes de ódio ou violações».  Recorte da Newsletter  da Executiva desta semana.