quinta-feira, 28 de maio de 2026

DOS OUTROS | Celebração das artes na qualidade de vida das pessoas | HEALING ARTS SCOTLAND

 



Healing Arts Scotland

«A busy programme of events has been announced for Healing Arts Scotland. The celebration of the role of the arts to improve health and wellbeing takes place from 15th to 19th June».





quarta-feira, 27 de maio de 2026

«O cardeal português D. José Tolentino Mendonça afirmou hoje que a primeira encíclica de Leão XIV constitui um apelo urgente à proteção da “fragilidade” humana, perante a ilusão algorítmica»

 


Vaticano: Cardeal José Tolentino Mendonça elogia encíclica papal e apela a «humanidade vivida na fragilidade»


segunda-feira, 25 de maio de 2026

PARA SABERMOS SOBRE «CATHERINE OPIE _ TO BE SEEN» | visitar o site da National Portrait Gallery, Londres | ler o artigo de Constança Babo da ArteCapital

 



Excertos do trabalho de Constança Babo

«(...)Reconhecida, sobretudo, pela forma como retrata e apresenta diferentes identidades, comunidades e estruturas de poder, Opie é a autora de uma vasta e impressionante obra. Nos últimos 35 anos, tem-se dedicado sobretudo à fotografia de retrato em diversos contextos e sob diferentes formatos, apresentando, sempre, uma estética cuidada, recorrentemente inspirada em movimentos artísticos da pintura clássica e visualidades próprias do tradicional estúdio de fotografia. Recorre, portanto, a uma linguagem visual institucional, isto é, de acordo com padrões formais e tradicionais de composição e figuração. No entanto, retrata aqueles que foram habitualmente excluídos desse género de representação, pretendendo dar-lhes visibilidade. Representa comunidades LGBTQ+, famílias queer, a subcultura leather (estética erótica, liderada por gays, das décadas 40 e 50, nos EUA), adolescentes e habitantes dos subúrbios pobres. Os sujeitos surgem centrados, imóveis, adequadamente iluminados, numa formalidade semelhante aos antigos retratos de nobreza e aristocracia, ou, nos dias de hoje, da realeza e de figuras políticas. Mas os corpos, as tatuagens e o vestuário revelam os seus contextos e enquadramentos sociais e culturais. Deste modo, a fotógrafa desafia, desvirtua e reconfigura o retrato, género primordial da prática fotográfica e um dos mais importantes da história da pintura. (...).
Assinale-se, porém, que a relação com a pintura barroca comporta também um caráter crítico, na medida em que Opie questiona as responsabilidades e as funções políticas e religiosas recorrentemente atribuídas à arte. Recorde-se que, durante séculos, a arte esteve ao serviço da igreja, foi utilizada para educar o povo e apropriada enquanto meio de propaganda e de poder, de partidos e movimentos políticos.
Na exposição, encontram-se outras referências do campo artístico, nomeadamente, da pintura renascentista. A principal e assinalada pela artista é Hans Holbein, pintor suíço-alemão do século XVI cuja tarefa fora retratar a corte de Henrique VIII. Como explica a fotógrafa, "a devastação causada pelo VIH/SIDA afetou a nossa comunidade” e “usei Holbein como uma força orientadora para documentar a minha comunidade e torná-la a minha própria família real". Opie regista aqueles que lhe são próximos, nos seus próprios espaços, como é exemplo o seu trabalho do início da década de 2000, realizado no bairro onde então vivia, em Los Angeles. Note-se, porém, que mesmo as cenas e os ambientes domésticos estão alinhados com a política de visibilidade de Opie, pretendendo remeter para a problemática da homofobia persistente na cultura americana durante a administração Bush.
Já os “Surfistas” (2003) de Malibu, retratados como se emergissem do oceano, absorvidos pela paisagem, com iluminação, tonalidade e composição próximas do Romantismo, representam a interseção entre identidades individuais e coletivas. Quanto às "Paisagens do Futebol Americano”, de 2007 a 2009, dão continuidade à problematização da estrutura social americana, sendo que os retratos dos jovens jogadores, do ensino secundário, denunciam as pressões dos estereótipos de masculinidade atlética. Outros motivos políticos desdobram-se ao longo do último corredor da exposição, onde diversas divisões e alianças são colocadas em confronto e em diálogo através de imagens do centenário do Jamboree dos Escuteiros na Virgínia, na Reserva Nacional Escoteira da Família Bechtel, do Festival de Música Feminina de Michigan, festival de música e cultura feminina, comícios do Tea Party e a tomada de posse do Presidente Barack Obama. Por fim, uma fotografia do Papa Francisco à janela, no Vaticano, enquadramento este que o insere no que Opie entende ser a “arquitetura do poder”. O título deste retrato do antigo chefe da Igreja Católica, “No Apology (June 5,2021)”, faz referência ao reconhecimento papal tardio das mortes de crianças das Primeiras Nações do Canadá sob a administração da igreja. (...)».
É A FORÇA DA ARTE!, NO CASO DA FOTOGRAFIA.

 

sábado, 23 de maio de 2026

«Foi o Preto»


SINOPSE
Logo após um jogo de futebol do clube que apoia, José Lima é surpreendido nos arredores do estádio pela polícia e por um grupo de civis, que o acusam de ter participado em desacatos com adeptos da equipa adversária. Meses mais tarde, o que então parecera apenas um equívoco lamentável transformar-se-á num calvário. José é detido em casa, suspeito de tentativa de homicídio, e levado para a prisão por um crime que não cometeu.
Passada no Portugal dos anos 90, e tendo como pano de fundo a cultura cabo-verdiana e as feridas dos tempos coloniais, Foi o Preto é uma história crua sobre racismo e injustiça, narrada com mestria, contenção e autoridade. Saiba mais.

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«(...) Em “Foi o Preto” Delgado conta-nos a história de José Lima, cabo-verdiano inocentemente acusado de tentativa de homicídio numa bulha de estádio onde foi assistir a uma partida de futebol. Como é que esse homem foi preso, embora inocente, e como superou a situação? A interessante relação entre os membros da sua família enquanto está na prisão. O seu mundo interior, mas também o da mãe, irmãos e amigos. Como é a vida de um afrodescendente de subúrbio? O que vê, ouve, sente. É um livro importante para se compreen­der o “não racismo-racista” dos portugueses. Deveria ser de leitura obrigatória nas aulas de Educação Cívica ou de EMRC. É que ainda há muito boa gente com dificuldade em se sentar ao lado de um negro nos transportes públicos, tal como a minha prima. (...)»
Isabela Figueiredo - no semanário Expresso desta semana.