segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

BIBLIOTECA DE BELÉM | «Reivindicações Femininas e a Conquista da Cidadania no Brasil» | 21 FEV 2026 | 15:00 | LISBOA

 


«VÉNUS EM CHAMAS_e Deus instrumentalizou a mulher»




«Despir as mulheres para as expor em público é um costume antigo
– e não estamos apenas a falar de roupa.
Há séculos que a existência das mulheres é terreno aberto para todo o género de delírios e desaforos dos homens. As suas vidas – terrenas ou espirituais – foram e são instrumentalizadas ao sabor das novas ordens e dos sistemas de poder que frequentemente contrariam a nossa natureza, com particular prejuízo para a metade feminina da humanidade.
Através de uma narrativa híbrida, entre reconstituição histórica ficcionada e investigação, Pedro Vieira escreve sobre sete mulheres que são todas as mulheres, sujeitas ao poder deles, cujas existências foram contadas e adulteradas para servir uma narrativa ardilosa que bloqueia com eficácia qualquer tentativa de emancipação coletiva.
Vénus em chamas recupera as histórias reais de Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena, imperatriz Teodora, Fillide Melandroni, Joana d’Arc, Harriet Tubman e irmã Lúcia, para refletir sobre a forma como a História e a Arte as apresentaram, representaram e imolaram, tantas vezes despindo-as de qualquer agência ou autoridade sobre si mesmas». 



domingo, 15 de fevereiro de 2026

«LOOKING AT LIFE» - através de imagens e muitas serão icónicas da revista LIFE

 





Ver lá, na Galeria, será outra coisa.
 Mas na internet também tem o seu encanto. 
É, mesmo, de visitar - aqui.
 
 

ACONTECEU a 29 jan 2026 _ apre­sen­tação pú­blica do pro­jecto de um painel de azu­lejos de Graça Mo­rais a ser ins­ta­lado no jardim junto ao Forte de Ca­xias

 


«O Município de Oeiras vai recordar e homenagear os milhares de presos políticos da Prisão de Caxias até 25 de Abril de 1974 através de um painel de azulejos da autoria da artista Graça Morais. (...)». Leia na integra.

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 E lê-se no jornal Avante! «(...) A ar­tista plás­tica su­bli­nhou que, com o mural, pre­tende evocar não só a me­mória dos presos mas, também, os prin­cí­pios e va­lores pelos quais lu­taram, pela li­ber­dade e contra o fas­cismo.
A no­tícia é dada pela URAP, que marcou pre­sença na ce­ri­mónia com uma de­le­gação de an­ti­fas­cistas, e que, pelas mãos do seu co­or­de­nador, José Pedro So­ares, en­tregou à ar­tista uma cópia do livro Ca­deia de Ca­xias – A Repressão e a Luta pela Liber­dade, edi­tado pela or­ga­ni­zação. (...)».





sábado, 14 de fevereiro de 2026

«biografias do amor»

 


Entretanto, do Glam Magazine

“Biografias do Amor” de Sérgio Godinho estreiam no festival “Montepio Às Vezes o Amor” - uma passagem: «(...) Numa tremenda demonstração de inquietude criativa e coragem artística, Sérgio Godinho irá, aos 80 anos e com mais de cinco décadas de actividade, arriscar um novo conceito de espectáculo levando ao plateau canções que o tempo não fez esquecer mas que, algumas delas, nunca antes foram apresentadas ao vivo. Efectivamente, desde “Romance de um dia na estrada” a “Tudo no amor”, a sua carreira será revista, desta feita através das suas “canções de amor”. (...)».Leia  na integra.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

«LIDERANÇA FEMININA PELA TRANSIÇÃO CLIMÁTICA JUSTA: RECOMENDAÇÕES PARA A COP30» | é o capitulo do Brasil da Women Leading On Climate (WLOC) |NESTE MOMENTO EM QUE NO NOSSO PAÍS - PORTUGAL - ESTAMOS A VIVER IMPACTOS DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS COM CHEIAS E VENTOS E COLAPSOS ... SEM FIM | POPULAÇÕES EM DESESPERO - SEM CHÃO NEM HABITAÇÃO NEM ...

 




Em síntese - «O Capítulo Brasil do WLOC organiza a contribuição brasileira à agenda global de clima e gênero, combinando liderança estratégica, diversidade territorial e rigor técnico para deixar um legado concreto na COP30 em Belém, mas com a intenção de ir muito além da Conferência no debate sobre o papel das mulheres nos desafios globais relacionados à agenda climática e de recursos naturais e na economia». Ora, a COP30 já aconteceu, as Recomendações continuam o seu caminho ... 
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Já agora, o documento acima, está no site da CBDS -
O CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) conecta empresas, governos e sociedade para impulsionar soluções sustentáveis que geram impacto real. Ainda:


De lá

«Together, we are transforming ambition into action for a sustainable and just future». 



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De entre trabalhos
 que  podíamos escolher,
para sabermos mais sobre
o que nos está a acontecer

Se tiver acesso

Destaque e começo: «O físico e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa avisa que as tempestades são o resultado 
das alterações climáticas. E deixa a receita para lidar com estes riscos nas infraestruturas, na água ou na literacia da população


As recentes tempestades que afetaram, e que ainda afetam, Portugal, como a “Kristin”, devem ser enquadradas não como episódios excecionais ou fortuitos, mas como expressões consistentes de um clima em mudança. A intensificação da precipitação em curtos períodos de tempo, as inundações fluviais e costeiras, a maior severidade de ventos extremos, a maior frequência e severidade de ondas de calor, secas e incêndios e a crescente varia­bilidade climática inserem-se num padrão amplamente documentado pela comunidade científica para o Sul da Europa e, em particular, para Portugal. Neste contexto, os impactos observados no território nacional são consequência evidente da severidade dos fenómenos, amplificada pela interação entre uma perigosidade climática crescente e um conjunto de vulnerabilidades estruturais acumuladas ao longo de décadas.

Em Portugal, tal como noutros paí­ses europeus, tem-se assistido a um aumento cumulativo da exposição da população, das infraestruturas críticas e das atividades económicas aos extremos climáticos. Esta exposição interseta-se com fragilidades significativas ao nível do ordenamento do território, da resiliência infraestrutural, da organização institucional e da capacidade de antecipação e resposta ao risco. O resultado traduz-se em impactos económicos diretos e indiretos cada vez mais elevados, em perturbações no funcionamento de serviços essenciais e em riscos acrescidos para a saúde pública, particularmente entre os grupos socialmente mais vulneráveis. (...).


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

«SONHOS DE INVERNO _ e Outros Contos»

 


SINOPSE
«Dexter era inconscientemente orientado pelos seus sonhos de Inverno. Com a idade,a natureza e a fragência desses sonhos foi-se alterando, mas a essência permaneceu. Foram eles que o levaram a abandonar o seu emprego num campo de golfe quando Judy Jones, de onze anos, lhe pediu para ser seu caddy. Mais atrde, judy vai ser a bela e cruel adolescente que o submete aos seus desejos. Neste conto, como em quase todos os seus livros, Scott Fitzgerald parece descrever um baile em que escolheu a rapariga mais bela, mas ficando de fora, com o rosto colado à vidraça, atento ao menor aceno e vendo finalmente a dançarina ser arrastada para a tranquila solidez de um lar americano. E quando sabe dela mais tarde, o espanto de a ver confundida com outras mulheres que também já foram belas ecoa como um irremediável adeus à juventude. Os outros quatro contos aqui reunidos reflectem o impacto da Grande Depressão de 1929 na vida de Scott Fitzgerald, que se transmite aos seus personagens». Saiba mais. 




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

«Violência doméstica: o mais grave problema de segurança interna»

 


Começa assim: «Edite Silva, 30 anos. Este é o nome da mulher morta a tiro na madrugada de segunda-feira, 2 de fevereiro, pelo ex-namorado, num parque de estacionamento em Lisboa. Mais um caso de desfecho fatal numa história de violência doméstica — notoriamente o mais grave problema de segurança interna em Portugal (e já veremos os números que o provam).
O machismo na sociedade portuguesa, com as suas manifestações em particular no sistema de justiça, representa uma das mais poderosas continuidades da ditadura para a democracia. Sendo atualmente conhecidas cada vez menos sentenças do género “medieval”, esse machismo judicial manifesta-se, porém, de outra forma: pelo uso e abuso de mecanismos que fazem com que a violência doméstica continue a ser, quase 52 anos depois do 25 de Abril, muito do que afinal sempre foi: um crime sem castigo. É disto que este texto trata, explicando-se no início o contexto em que foi escrito.
Em novembro do ano passado, fui convidado para participar num debate no XIX Congresso Nacional de Psiquiatria sobre estigma e doença mental, sendo o ponto de partida um romance de Maria Teresa Horta. O texto que se segue sistematiza as notas que preparei para essa intervenção.
“A Paixão segundo Constança H.” tem como personagem central uma mulher que vive, nas palavras da escritora, uma paixão “obsessiva” e fortemente erotizada por um homem. Isso leva a que seja rotulada de “louca” ou “desequilibrada” — o tal estigma de que falava o tema deste debate.
Se Constança era louca ou não, e se o que a levou à suposta loucura foi o estigma ou o ciúme (ou ambas as coisas), foi matéria sobre a qual não me quis pronunciar — deixei-a aos especialistas. Sei, porém, que a diabolização do erotismo feminino não é de hoje nem de ontem — perde-se na memória dos tempos.
Na Inquisição, o clitóris era conhecido como “o bico do seio do diabo”. As acusações de bruxaria estiveram muitas vezes ligadas a acusações de sexualidade feminina desenfreada. As vítimas geralmente não tinham um papel definido na sociedade: eram solteiras, viúvas, indigentes. Mulheres vistas como livres — ou seja, perigosas. Nesses tempos queimavam-nas. A Inquisição, convém não esquecer, esteve presente em Portugal durante 300 anos, do século XVI ao século XIX, cerca de um terço do nosso tempo de existência enquanto nação independente. Várias tragédias marcaram a História de Portugal, e esta foi garantidamente uma das mais duradouras. (..)».
Conclui assim:  «(...) Terminamos como começámos. Dizendo que não se trata só de números — trata-se de nomes, também. Edite Silva era o nome da mulher assassinada esta semana. Seguem-se os nomes das 20 mulheres mortas em 2025 que a OMA conseguiu compilar, a partir de notícias publicadas na imprensa: Aimonedos Santos, Alzira Madureira, Arelys Rojas, Carmina Silva, Carolina Barbosa, Daniela Padrino, Fernanda Júlia da Silva, Fernanda Lopes, Gurpreet Kaur, Hermínia Costa, Ilda Rodrigues, Isabel Afonso, Ivone Silveira, Kátia Azevedo, Maria de Fátima Almeida, Maria Gorete Medeiros Aguiar, Raquel Lourenço, Rosa Sousa, Sara Catalarrana e Sónia Marisa Escobar».
De lá esta imagem:
FOTO GETTY IMAGES

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

«A Mulher e a Medicina»


«Levantem a mão se alguma vez viram os vossos sintomas totalmente ignorados por um médico!... Elinor Cleghorn mergulha na história de como o sistema médico falhou com as mulheres – desde a Grécia Antiga até aos problemas modernos, e de como as mulheres são muitas vezes vistas como fontes não fiáveis do que sentem nos próprios corpos.» Cosmopolitan

Em A Mulher e a Medicina, Elinor Cleghorn escreve uma história pioneira sobre a saúde das mulheres – desde o «útero errante» da Grécia Antiga à ascensão dos julgamentos de bruxas na Europa; do surgimento da histeria como diagnóstico amplo para distúrbios difíceis de identificar à evolução da compreensão sobre hormonas, menstruação, menopausa ou a endometriose – reunida numa obra abrangente e fascinante.

É um legado revoltante de sofrimento, mistificação e erros de diagnóstico que revela como a ciência, moldada por um mundo de homens, falhou em compreender e cuidar do corpo feminino. Repleto de estudos de caso e exemplos de mulheres que sofreram, desafiaram e reescreveram a ortodoxia médica, este livro faz um apelo urgente por uma medicina mais íntegra, que valorize os testemunhos e as experiências das mulheres, libertando-as de séculos de desinformação e negligência.

«A Mulher e a Medicina apresenta uma história de como a anatomia, a fisiologia e a psicologia femininas foram abordadas ao longo dos séculos. A mensagem é clara: oiçam as mulheres.» Science Magazine

«Este livro é um apelo à ação para qualquer mulher que sinta que os médicos não abordaram devidamente a sua doença ou dor.» The Washington Post


domingo, 8 de fevereiro de 2026

ANA TEIXEIRA |«À Flor da Pele»

 


Ana Teixeira

À flor da pele

artes
16 janeiro a 14 fevereiro 2026
vários horários
Sociedade Nacional de Belas-Artes

«Desenvolvida entre 2010 e 2023, À Flor da  Pele reúne um corpo de trabalho singular onde fotografia, teatro e  paisagem se entrelaçam. O ponto de partida é o evento criado pelo Teatro o Bando, Ao Relento, uma exposição de máquinas de cena e figurinos desenhada ao longo de um percurso pela Serra do Louro, que acabaram por permanecer no território muito além do espetáculo.
Ao longo de vários anos,  Ana Teixeira regressou a este lugar, encontrando objetos transformados pelo vento, pela luz e pela erosão, revelando o ciclo natural da mudança na natureza, onde nada cessa: tudo se transfigura».



«A Genealogia da Moral»

 



«Este é um texto que mergulha profundamente nos subsolos da nossa cultura, no seu mais reconditamente escondido, porventura naquela parte maldita e desprezada que algumas ciências humanas têm vindo a desocultar. O curioso e não menos irónico é que essa parte não é apenas um segmento importante, sem o qual qualquer reconstituição da globalidade era impossível».

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noutra Edição


«Nietzsche procura nesta obra explicar e complementar a sua obra anterior, Para além de Bem e Mal, para uma filosofia do futuro, compondo-a de três ensaios:
O primeiro ensaio, "Bem e Mal - Bom e Mau", trata da essência e origem do Cristianismo, o qual nasce do ressentimento e do Espírito, numa recção e insurreição contra a prevalência dos valores aristocráticos.
Em "A «Falta», a «má consciência»...", fundamenta a crueldade como inerente à própria civilização e não susceptível de ser irradicada.
Em "Qual é o fim de todo o ideal ascético", até ao aparecimento de Zaratustra, a verdadeira potência consistia numa força maléfica que ditava os comportamentos da Humanidade.
No texto de A Genealogia da Moral, a fundamentação do ressentimento, a origem do ascetismo proporcionando uma vitória moral sobre aqueles a quem a sorte ou o poder favorece, justificam os valores da servidão que sobrepõem os heróicos, causa histórica da vitória de uma cultura semita sobre uma cultura romana». Veja aqui.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

«To advance the Nordic co-operation in data gathering on LGBTI+ people related to health and wellbeing, the Finnish Institute for Health and Welfare (THL) organized a two-day seminar in Helsinki in October 2025»

 



«Abstract
To advance the Nordic co-operation in data gathering on LGBTI+ people related to health and wellbeing, the Finnish Institute for Health and Welfare (THL) organized a two-day seminar in Helsinki in October 2025. The participants represented public institutions and statistical authorities, university researchers, and civil society organizations from all Nordic countries. The seminar report includes a summary of presentations and panel discussions held at the seminar. Their topics were:history and current pressures, anti-gender politics and influencingLGBTI-related reporting in official statisticsLGBTI-related data gathering in national surveyslimitations of public data gathering compared to targeted surveys and qualitative researchlegal and ethical aspects and concernshow to improve the methodology, reporting and resourcesenhancing Nordic collaboration».


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

CARLA QUEVEDO | «João Canijo, realizador de cinema, foi sobretudo um realizador interessado em retratar mulheres, mostrando no cinema as suas vidas de sacrifício, de entrega sem exigir nada em troca. Santas ou vítimas são mulheres que não querem ver o pior dos homens que amam e que não se libertam dessa condição de lado B a que parecem condenadas»| A NOSSO VER UM RETRATO DE JOÃO CANIJO A DIVULGAR ...

 


FOTO ana baião
Por Carla Quevedo

Vidas Perfeitas

1957-2026 Realizador de “Sangue do meu Sangue”, “Fátima” e “Viver Mal/Mal Viver”, foi reconhecido e premiado, tendo sido galardoado com um Urso de Prata em Berlim

João Canijo, o cineasta do lado B português


A ideia de que Portugal tem um lado B foi introduzida pelo Presidente da República, nas cerimónias fúnebres do realizador João Canijo. À saída da Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, Marcelo Rebelo de Sousa explicava que Canijo “olhava para o lado B de Portugal, para o lado B de todos nós portugueses, para o lado B dos emigrantes, dos imigrantes, dos que tinham uma vida menos feliz, mais complicada, mais lateral, para não dizer mais marginalizada”. A ideia dilui-se um pouco, mas não deixa de ser certeira.

João Canijo, realizador de cinema, foi sobretudo um realizador interessado em retratar mulheres, mostrando no cinema as suas vidas de sacrifício, de entrega sem exigir nada em troca. Santas ou vítimas são mulheres que não querem ver o pior dos homens que amam e que não se libertam dessa condição de lado B a que parecem condenadas. João Canijo morreu a 30 de janeiro, em Vila Viçosa, em casa, de ataque cardíaco.

João Altavilla Canijo nasceu a 10 de dezembro de 1957, no Porto. Estudou História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, um curso que abandonou dois anos depois do início. Era o cinema que o interessava, e por aí seguiu como se fosse uma inevitabilidade. Foi assistente de realização de Manoel de Oliveira, Wim Wenders, e outros até que em 1988 se estreia com a longa-metragem “Três Menos Eu”, com argumento escrito a meias com Paulo Tunhas e com Rita Blanco como protagonista.

Na década de 90 realiza “Filha da Mãe”, de 1991, também com Rita Blanco, atriz que acompanha quase toda a vida de João Canijo, participando da maioria dos seus filmes. Mais do que ter atores ou atrizes fetiche, João Canijo escolhe sempre as mesmas atrizes e atores, mas não por serem atrizes ou atores com personagens previamente pensadas e delineadas num argumento escrito. “Ganhar a Vida”, de 2001, foi rodado em quatro semanas e meia, depois de Rita Blanco viver um mês num bairro nos arredores de Paris. Esta espécie de experiência imersiva interessa a Canijo, para que os atores se possam adaptar a uma situação, a um contexto, quase sofrendo um efeito de contágio, como refere numa entrevista a Filipe Roque do Vale.

Admite que o seu tema de eleição é Portugal e os portugueses, mas na verdade o que parece mais importante para João Canijo é trabalhar com as pessoas de quem mais gosta: Márcia Breia, Rita Blanco, Teresa Madruga, Teresa Tavares, Ana Bustorff, Anabela Moreira, Beatriz Batarda, Cleia Almeida, e também Nuno Lopes, Rafael Morais, entre outros. Por isso não faz castings, porque conhece as atrizes e os atores com quem quer trabalhar, e daí a repetição de pessoas em situações, essas sim, diferentes. Para descobrir atrizes novas, faz castings e aí, sim, vai à procura de temperamento e garra.
“Sangue do meu Sangue”, de 2011, é talvez dos seus filmes mais aclamados, sobre mulheres que vivem no bairro Padre Cruz, em Carnide, numa zona da cidade onde as tragédias ocupam o quotidiano. O filme é premiado e chega a ser candidato a uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas acaba por não ser selecionado. Fica, porém, para a história como o seu filme mais conhecido. Numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro, Canijo refere famosamente: “Os pobres são muito mais interessantes do que os ricos. Se calhar porque estão mais próximos da Humanidade. Se calhar porque não têm tempo para refletir sobre a existência. Vivem, simplesmente.” E o que mais poderia interessar a um cineasta crente na autenticidade do que “viver simplesmente”? «(...)». Se tiver acesso na integra aqui.

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Lembramos a perturbação que nos causou «O Sangue do meu sangue». Não parávamos de falar do filme ... E, ainda que ficção, tudo acontecia aqui tão perto




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Detemo-nos nesta passagem do trabalho de Carla Quevedo: «Por isso não faz castings, porque conhece as atrizes e os atores com quem quer trabalhar, e daí a repetição de pessoas em situações, essas sim, diferentes. Para descobrir atrizes novas, faz castings e aí, sim, vai à procura de temperamento e garra». E talvez os nossos Governantes possam também reparar nisso  -  e no demais no mesmo sentido - e incorporar o ensinamento que daí vem na reformulação do existente com vista  à criação de um verdadeiro SERVIÇO PÚBLICO DE CULTURA, onde uma REDE DE ORGANIZAÇOES ESTÁVEIS TÊM DE PONTUAR - como acontece noutros Países que nos dizem referência -  não se estando dependente de procedimentos concursais. Não se imagina tal coisa, por exemplo, para as Escolas ou para os Hospitais ... Porque tem de ser diferente para a Cultura e as Artes? As EQUIPAS, desde logo as CRIATIVAS, precisam disso para depois nos darem a EXCELÊNCIA na Cultura ... A propósito, recorrendo à Inteligência Artificial recordemos: «Winston Churchill via a cultura e as artes como elementos fundamentais da identidade nacional e civilizacional, famosa pela suposta resposta "Então para que é que estamos a fazer esta guerra?" quando sugeriram cortar no orçamento da cultura. Defendia a cultura como base do soft power e a tradição europeia/ocidental da liberdade».
 



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

COMBATE À POBREZA | PRIMEIRA ESTRATÉGIA DA UE |«O documento define a pobreza como uma violação da dignidade humana e um obstáculo ao pleno exercício dos direitos humanos. Propõe como objectivo central a erradicação da pobreza na UE até 2035, sublinhando que esta meta deve estar integrada em todas as políticas sectoriais relevantes»| O DEPUTADO PORTUGUÊS JOÃO OLIVEIRA É O RELATOR

 


Reprodução 

«O documento define a pobreza como uma violação da dignidade humana e um obstáculo ao pleno exercício dos direitos humanos. Propõe como objectivo central a erradicação da pobreza na UE até 2035, sublinhando que esta meta deve estar integrada em todas as políticas sectoriais relevantes. 
Entre as principais recomendações destacam-se o reforço do investimento em serviços públicos gratuitos, universais e de alta qualidade; a melhoria das condições de trabalho, promoção de salários justos, pleno emprego e conciliação entre vida pessoal e profissional; ou o acesso universal a sistemas públicos de segurança social. 
De acordo com o comunicado emitido pelo gabinete do deputado comunista. o relatório considera, ainda, que a pobreza reflecte a distribuição desigual da riqueza, só podendo ser erradicada se houver uma distribuição mais justa da riqueza, enfrentando as suas múltiplas causas estruturais e expressões que se perpetuam ao longo da vida e das gerações. Assumindo o objectivo da erradicação da pobreza na UE até 2035, o documento sublinha que este objectivo deve ser considerado em todas as políticas sectoriais relevantes da UE. 
A proposta também apela a uma reorientação significativa do orçamento da UE, priorizando respostas aos problemas sociais agravados pelo aumento do custo de vida. O texto será votado no Parlamento Europeu ainda este mês, podendo marcar um rumo social mais ambicioso para a União Europeia».

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o documento na integra, 
o destaque é nosso


A CAMINHO DO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES 2026| LEMA UN WOMEN | « Dia Internacional das Mulheres 2026: Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as mulheres e meninas»

 




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da «ONU MULHERES BRASIL»: Dia Internacional das Mulheres 2026: Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as mulheres e meninas.

Em 8 de março de 2026, una-se a mulheres e meninas em todo o mundo para exigir direitos iguais e justiça igual, para garantir, exercer e desfrutar plenamente desses direitos.

Ao iniciarmos o segundo quarto do século XXI, nenhum país fechou as lacunas legais entre homens e mulheres. Neste momento, em 2026, as mulheres possuem apenas 64 por cento dos direitos legais que os homens detêm no mundo. Em áreas fundamentais da vida, incluindo trabalho, renda, segurança, família, propriedade, mobilidade, negócios e aposentadoria, a lei sistematicamente coloca as mulheres em desvantagem. De normas sociais prejudiciais a legislações discriminatórias, mulheres e meninas continuam enfrentando obstáculos profundamente enraizados, e até retrocessos, no caminho para a justiça igualitária. Se o progresso seguir no ritmo atual, serão necessários 286 anos para eliminar as lacunas de proteção legal. Isso não é um prazo. É rendição.

Sem sistemas de justiça que funcionem para as mulheres, direitos tornam-se uma promessa que nunca se concretiza.

O Dia Internacional das Mulheres 2026, sob o tema “Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as mulheres e meninas”, marca um momento para amplificar nossa determinação coletiva. Independentemente de quão enraizado esteja o sexismo ou de quão desafiador seja o cenário político, nos recusamos a recuar ou abandonar nosso mandato. Em vez disso, avançamos juntas, pelos direitos e pelo empoderamento de todas as mulheres e meninas.

Neste ano, o chamado do Dia Internacional das Mulheres é pela ação para desmontar as barreiras estruturais à justiça igualitária, incluindo leis discriminatórias, proteções legais frágeis, práticas nocivas e normas sociais que corroem os direitos de mulheres e meninas.

“Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem discriminação, à igual proteção da lei.”


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

CYNTIA CRUZ | «Melancolia de Classe»

 


SINOPSE
«Conjugando memórias pessoais, teoria cultural e uma assinalável veia polémica, Cynthia Cruz analisa como a escolha entre assimilação ou aniquilação teve um papel importante na vida de músicos, artistas, escritores e cineastas vindos da classe trabalhadora.
Ainda há classes sociais, evidentemente; com todos os efeitos que isso tem em termos culturais e no âmbito da saúde mental. O que significa hoje fazer parte da classe trabalhadora num mundo de classe média? É ser um fantasma».

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Sobre o livro no semanário Expresso, de 23 jan 2026, de Luís M. Faria,  «A (falsa) desaparição dos pobres»:
«Em tempos conheci um homem de origens modestas que, tendo progredido em termos profissionais e económicos graças ao seu talento, casou-se com uma pessoa famosa e convidou para a cerimónia uma boa amostra da elite lisboeta. Só não convidou os pais. Esse desejo de ocultar as origens é relativamente comum. Na maioria dos casos, presume-se, não gera especial desconforto psicológico ao sujeito. Mas, às vezes, a perda da ligação às raízes produz um estado que Cynthia Cruz descreve como “melancolia”.
O seu ponto de referência não é o que chamamos de ‘pequena burguesia’. Cruz viveu na pobreza e aí permaneceu mesmo quando começou a ter experiências com a classe média, no liceu e em prestigiadas instituições de ensino superior. Tornou-se poetisa, romancista e ensaísta, e ensinou em universidades, mas o sentimento de alienação nunca a abandonou.

Em “Melancolia de Classe”, decidiu explorá-lo a partir da sua experiência e da obra de artistas como Mark Linkous, Jason Molina e Amy Winehouse, ou da menos conhecida Barbara Loden, que foi mulher do realizador Elia Kazan. A certa altura, Loden empreendeu um filme sobre as lutas de uma personagem feminina. Não foi fácil. “Loden demorou sete anos a começar a filmar ‘Wanda’ devido à falta de financiamento e de contactos sociais, bem como à sua falta de confiança. Essa falta de confiança era o resultado de uma vida inteira a dizerem-lhe, explícita ou implicitamente, que era burra e não tinha importância”, escreve Cruz.

“A vergonha que resulta desta interiorização é depois vista por quem não pertence à classe trabalhadora como prova de mau caráter.” Ou seja, há uma ocultação que reflete o desaparecimento das classes sociais como tema do discurso político, nesta época neoliberal em que todos somos supostos pertencer à classe média. Uma ilusão conveniente».