Paula Rego | Lição de costura, 1986 | Tinta acrílica sobre papel montado em tela, 125x150 cm |Coleção particular em depósito Fundação D. Luís I/ Casa das Histórias Paula Rego | Inv. P307DEP
Costumes and Pictures:
O Vestuário na
O Vestuário na
obra de Paula Rego
Curadoria: CATARINA ALFARO
«Aos 16 anos, Paula Rego parte para Inglaterra a fim de completar a sua formação e, por decisão do pai, frequenta a escola The Grove, na região de Kent. Trata-se de uma finishing school, uma escola exclusivamente feminina, destinada a meninas da sociedade que eram aí educadas para serem boas esposas e donas de casa. Terá sido aí que aprendeu a costurar e a bordar, o que lhe permitiu fazer os seus “arranjos” de costura sempre que necessário. O seu encontro, nos anos 1950, com as últimas tendências da moda londrina, é descrito com entusiasmo nas cartas para a mãe (apresentadas na vitrine 1), onde manifesta a sua intenção de se vestir como as raparigas da capital inglesa. Paula desenha calças cigarrete, argolas compridas e sabrinas, descrevendo ao pormenor, através de desenhos, as peças de roupa que lhe parecem essenciais para acompanhar o último grito da moda. Nessa correspondência é referida uma ida a Paris, em abril de 1953, onde comprou novos acessórios de acordo com as novas tendências parisienses e cortou o cabelo, “pois a moda é definitivamente de cabelos curtos”, escreve.(...)». Continue a ler.
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Sobre a Exposição há um trabalho
no Público, a não perder
Na pintura de Paula Rego as
histórias podem nascer dos vestidos
e não vivem sem eles
Exposição mostra têxteis saídos do atelier da artista ao lado de obras em que aparecem. Estão lá o figurino preto de gola rendada da sua Jane Eyre e a saia ao xadrez que vestiu ao Padre Amaro.
Começa assim:
Muitos foram comprados em lojas de segunda mão, outros em teatros que se separavam de figurinos que, provavelmente, não teriam espaço para guardar. Uns foram adquiridos em viagens, outros oferecidos por quem a conhecia bem. Quando morreu, em 2022, Paula Rego tinha no seu estúdio de Camden, Londres, centenas de vestidos, adereços e outros objectos com que encenava as histórias que, depois, haveria de contar sobre tela ou papel. Centenas de peças que ajudariam a dar forma aos seus “bonecos”, assim lhes chamava, e às composições em que moravam, tudo para que ela dissesse o que queria dizer e o fizesse, sempre, de forma absolutamente livre.
Costumes and Pictures: O vestuário na obra de Paula Rego é a exposição que até 15 de Março mostra na sala zero da Casa das Histórias uma série de peças de roupa que nas suas mãos se transformaram em instrumentos de trabalho, em pretextos para efabular.
“Às vezes, a Paula queria trabalhar e não tinha uma história à mão… Nessas alturas, costumava contar, pedia à Lila [Nunes, sua modelo de sempre] que pusesse um vestido e a história aparecia”, lembra Catarina Alfaro, coordenadora da programação deste museu de Cascais consagrado à pintora portuguesa que se radicou no Reino Unido a partir da década de 1950, sem nunca ter perdido a ligação ao país em que nasceu e onde passava grandes temporadas em família. (...)».
“Às vezes, a Paula queria trabalhar e não tinha uma história à mão… Nessas alturas, costumava contar, pedia à Lila [Nunes, sua modelo de sempre] que pusesse um vestido e a história aparecia”, lembra Catarina Alfaro, coordenadora da programação deste museu de Cascais consagrado à pintora portuguesa que se radicou no Reino Unido a partir da década de 1950, sem nunca ter perdido a ligação ao país em que nasceu e onde passava grandes temporadas em família. (...)».


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