segunda-feira, 14 de setembro de 2026

VOLTEMOS A ALICE NEEL

 


Durante décadas, Alice Neel (1900–1984) trabalhou com pouco reconhecimento institucional, fiel a uma pintura centrada na figura humana. Em “Beautifully Imperfect”, Serralves apresenta a primeira exposição da artista em Portugal, reunindo retratos onde vulnerabilidade, carácter e intensidade emocional prevalecem sobre a precisão anatómica ou a beleza idealizada. Neel pintava familiares, vizinhos, imigrantes, ativistas e figuras públicas com a mesma atenção radical. “Beautifully Imperfect” é organizada pela Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, com curadoria de Inês Grosso, curadora-chefe do Museu de Serralves. A exposição contou com o apoio da Terra Foundation for American Art, da FWA — Foundation for Women Artists, e de Charlotte Feng Ford.

O Roteiro da Exposição




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e na ARTE CAPITAL


«Enquanto “colecionadora de almas”, Alice Neel não se limitava a ver rostos e a representá-los de forma simultaneamente doce e fria; procurava também fixar aquilo que é inefável em cada pessoa, o que escapa à compreensão humana total – o espírito. É precisamente por considerar a beleza como algo profundo, inerente à alma humana e não à superfície da pele, que a sua pintura se revela singular. Existe uma beleza que não procura a perfeição. A beleza das pessoas reais, dos corpos que se mexem, vivem e amam, basta por si só. Mais do que retratos de indivíduos, são retratos de uma vida e de uma época e das relações que se estabelecem nos vários contextos económicos e socioculturais»
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e no blogue de Alexandre Pomar


e também neste endereço 
e no post que se lhe segue

De lá:

«Todas as retrospectivas que conheço, a do Pompidou em 2022, "Alice Neel: Un regard engagé" - https://www.centrepompidou.fr/.../agenda/evenement/JonpUmK - , que vi; a de Filadélfia, Whitney, Massachussetts, Minneapolis e Denver, itinerante em 2000-2001, de que trouxe o catálogo em 2000, quando o MoMA fazia o seu balanço do século em que ela não entrava; a recente de Turim, Pinacoteca Agnelli, 2025 até abril 2026, "Alice Neel: I Am the Century" - https://www.davidzwirner.com/.../alice-neel-i-am-the-century - , a produção mais aproximada da que mostra em Serralves, foram montagens cronológicas, com uma ou outra liberdade temática».

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«Não era uma desconhecida, não foi uma figura marginal que vivesse escondida nalguma reclusão voluntária, ou não; pelo contrário. Teve várias ocasiões de reconhecimento, desde os anos 20 em Havana, expôs com a frequência que era habitual nas décadas de 30-50, foi tendo críticas favoráveis em especial nos anos 60 e 70. A partir de finais de 50, depois do filme underground de Robert Frank e Alfred Leslie, em que apareceu como uma vulgar avó norte-americana, explorou a rede de relações artísticas de Manhattan e batalhou com notório voluntariasmo pelo reconhecimento. Mas ficava de fora sempre que se tratava das representações panorâmicas da pintura norte-americana ou dos balanços do século XX. Não por ser mulher (mas a cumplicidade da segunda vaga feminista foi importante); mas por fazer uma pintura de figuras quando o "abstracionismo" da Escola de Nova Iorque e o formalismo das vanguardas seguintes eram a regra. Não era também um caso de isolada notoriedade como foram antes e depois os realistas Edward Hopper (1882 – 1967) ou Andrew Wyeth (1917 – 2009). Mas acabou por se "bater" com eles, e também com o mito Pollock.
Neel movia-se entre as vanguardas do seu tempo, o realismo social da WPA, as abstrações, a Pop e os novos realistas. Não participou de nenhum estilo colectivo, nem teve a tutela de qualquer crítico - duas razões fortes para a exclusão.
Só em 1972 foi incluída na exposição anual do Whitney Museum, onde sempre cabiam todos; dois anos depois o mesmo Whitney dedicou-lhe a primeira retrospectiva, com um catálogo de 8 páginas... Começou a entrar no grande mercado ainda em vida, aos 82 anos, quando assinou um contrato com a Robert Miller Gallery, e hoje são três as grandes galerias internacionais que trabalham o seu enorme espólio (Legado ou Estate) com que se montam as retrospectivas que percorrem museus (ver nota anterior).
Expor no Metropolitan em 2021, no Pompidou em 2022 (agora em Serralves) é um passo decisivo na revisão da história da arte do século XX. Ela entra nessa história, que quis ser canónica, e outros (famosos e mediáticos que enchem os museus de arte contemporânea) passam a ser notas de rodapé, que estabeleceram um dia um record e se ficaram por essa marca, fugaz. Nada volta a ficar como dantes, mesmo se alguma crítica se fique pelo elogio de mais um nome, mais uma "descoberta" acrescentada a um calendário rotineiro.
É preciso ver o acontecimento Alice Neel, a revelação de uma carreira longa e consistente, pessoal e independente, diferente e irreverente, como mais uma ruptura decisiva com o mainstream museológico, montado na sucessão de estilos e de figuras que se sucedem como marcas progressivas (?) e progressistas (!), apontados a uma aridez crescente e/ou à comercialização de gadjets mais ou menos insólitos ou engraçados.

É insólito ver Alice Neel em Serralves, que se estabeleceu com o calendário Circa 1968 e ainda não sabe repensar-se, tal como era surpreendente vê-la no Pompidou em 2023 (sem ter nenhuma obra em colecções públicas francesas), como foi estranho ver a seguir, 2025, Suzanne Valadon (1865 – 1938). Mostra-se agora o que não se quis ver ou que se visse».

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«Alice Neel pintou muito desde os anos 40 e vendeu sempre muito pouco durante 55 anos (desde os anos 1930 até à morte em 1985 com a idade do século). Os seus modelos da Village e de Spanish Harlem - amigos, vizinhos e familiares -, depois os intelectuais e artistas de Manhattan que ela convencia a posarem para os seus retratos, não tinham meios para comprar os quadros (alguns ficaram-se por retratos desenhados, aliás de grande qualidade). Também não os oferecia, depois das quatro ou cinco sessões de pose necessárias. O retrato é sempre o género de menos sucesso comercial, quando não se trata de encomendas e de figuras mundanas - antes das suas parcerias com Basquiat, Warhol tornara-se um retratista mundano, nos anos 70, usando a sua equipa da Factory, o polaroid e a serigrafia, mas essa carreira foi em geral (bem) esquecida.
Em 1982, três anos antes de morrer, já famosa mas ainda marginal (outsider), Alice Neel assinou um contrato com a importante Robert Miller Gallery de NY. (https://www.robertmillergallery.com/) e expôs nesse ano "Non figurative works"; em 1984 40 quadros desde os anos 30».

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Resumindo, ALICE NEEL, uma MULHER
que importa conhecer. Devagar



domingo, 13 de setembro de 2026

PREC |«Cenografia no feminino _ para lá da invisibilidade»

 



O recorte com que começamos este post faz parte do livro da imagem que se lhe segue -  a propósito, talvez lhe interesse isto no blogue Elitário Para Todos. Tema e autora serão suficientes  para agarrar a nossa atenção.A página acima continua assim: «(...) A intervenção das mulheres no teatro em Portugal, nesse período, está longe de ser (re)conhecida. Procurar manifestações do trabalho das cenografas na documentação em arquivos institucionais ou pessoais e em testemunhos orais pode tornar visiveis as conexões entre áreas de atuação e as relações artísticas, profissionais e sociais através das quais participaram na construção da democracia. (...)».
Ora bem, para lá de aqui querermos  divulgar a obra e em especial a parte da Professora Maria João Brilhante não podemos deixar passar a ocasião para uma vez mais voltarmos à nossa: a ADMINISTRAÇÃO em especial o APARELHO ESTATAL DA ÁREA DA CULTURA tem de levar adiante a produção de informação passada, presente, e futura sobre as MULHERES NA CULTURA E NA ARTE. Em particular para o que vimos enunciando como «Artes da DGARTES». Não se comece do zero, procure-se o que já foi feito, planeado, programado ... 


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

«Despacho n.º 11130/2026 _ Cria o Grupo de Trabalho para a prevenção e combate às práticas nocivas, designadamente casamentos infantis precoces e forçados, mutilação genital feminina e crimes de honra»



Comecemos por dizer que temos alguma dificuldade em entrar na justificação do Despacho acima.De qualquer forma será um exemplo da ADMINISTRAÇÃO LEGALISTA que nos assiste que não defendemos. Estamos com a ADMINISTRAÇÃO GESTIONÁRIA. E nesta linha o Despacho até terá um lado positivo leva-nos à «floresta» de diplomas e organismos onde nos movemos e que «afogam», a nosso ver, a QUALIDADE na Gestão Pública que todos/as, obviamente, ambicionamos. Chegamos ao fim daquele longo despacho, atentando em especial naquela sistematização de «Considerando» - mais nos parecendo que estamos numa realidade académica - e vendo bem não se percebe (não percemos nós, claro) o que verdadeoramente se pretende com isto:


que nos leva a questionar deste modo: mas não há estruturas na ADMINISTRAÇÃO que tenham por missão isso mesmo? É da função de um GRUPO DE TRABALHO desenvolver atividades permanentes dos serviços? Ilustremos:

«(...) 2 — O Grupo de Trabalho tem a seguinte finalidade:

 a) Acompanhar a implementação das recomendações constantes do Livro Branco sobre Práticas Tradicionais Nefastas;
 b) Desenvolver uma abordagem integrada para a prevenção e o combate às práticas nocivas, centrada nos direitos humanos, mediante a definição de referenciais comuns de atuação para os diferentes setores e profissionais envolvidos;
 c) Avaliar a adequação do enquadramento legislativo nacional aplicável às práticas nocivas e formular propostas de aperfeiçoamento normativo, designadamente em matéria de prevenção e repressão dos casamentos infantis, precoces e forçados, à mutilação genital feminina e aos crimes de honra; (...)».

Não se ultrapassariam os «problemas» que certamente existem  praticando, de forma natural,  o que a GESTÃO PÚBLICA recomenda, por exemplo lançando mão da «ORÇAMENTAÇÃO POR PROGRAMAS»? Bom instrumento para operacionalizar a «TRANSVERSALIDADE» de que tanto se fala de maneira a que se evite que todos estejam a fazer o mesmo e haja o que ninguém faz.

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Bom, mas o impulso para este post provem da AUSÊNCIA DA CULTURA E DAS ARTES na constituição do Grupo de Trabalho:


Como se pode dispensar a FORÇA DA CULTURA E DA ARTE na luta contra os problemas aqui em causa? Ilustremos: uma digressão pelo PAÍS da Oferta Cultural que existe em que se abordam as situações subjacentes ao «Despacho» seria capaz de fazer «milagres». Ah, claro que todas estas iniciativas não cumprem se forem casuísticas  - têm de ser permanentes, continuadas, sistemáticas. «Vem nos livros» de Gestão Pública, e é confirmado no terreno. 


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

MULHERES EM DESTAQUE | «Patrícia Portela vence Grande Prémio de Romance e Novela 2025, com o livro “Manual para andar espantada por existir”»|LIVRO «PARA QUEM AINDA OUSA EXISTIR DE OLHOS ABERTOS E CORAÇÃO INQUIETO»

 


SINOPSE
Partindo das Aventuras de João Sem Medo, Patrícia Portela convida-nos a atravessar o muro da realidade e a redescobrir a importância da imaginação num tempo em que pensar, sentir e agir se tornaram atos de resistência.
Num desfile de encontros com personagens que ecoam o universo de José Gomes Ferreira, a atualidade da sua mensagem impõe-se: num mundo saturado de informação e acontecimentos, ousar saltar muros e desafiar o medo nunca foi tão necessário.
Este manual é um mapa para quem ainda ousa existir de olhos abertos e coração inquieto.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

LEV TOLSTÓI |«A Sonata de Kreutzer»

 


«(...)

A Sonata de Kreutzer, escrita em 1889, é, com A Morte de Ivan Iliitch, uma das mais importantes novelas de Tolstói.
«Misteriosa, a proximidade de Tolstói com o leitor é de todo desconcertante em A Sonata de Kreutzer.» [Harold Bloom]
«Quando [Tolstói] voltou de novo à arte da novela, a sua imaginação tinha adquirido o obscuro fervor da sua filosofia. A Morte de Ivan Iliitch e A Sonata de Kreutzer são obras-primas, mas obras-primas de um género singular; a sua terrível intensidade não resulta da predominância da visão imaginativa, mas da sua concentração; possuem, como as figuras reduzidas das pinturas de Bosch, violentas energias comprimidas.» [George Steiner]
«A Sonata de Kreutzer é uma obra-prima de estética magnificamente realizada que nos ensina a desprezar essa mestria e esse conseguimento: é essa a sua enganadora estratégia.» [Gary Saul Morson]
(...)» . Veja mais

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e da Comunidade Cultura e Arte

«(...) Esta obra tardia de Lev Tolstói (1828-1910), com a qualidade que podemos usufruir em “A morte de Ivan Ilitch”, surge na fase em que o autor mais se questiona sobre a vida e a sociedade. Num período muitíssimo precoce da emancipação da mulher na sociedade, desmonta algumas das expectativas impostas às mulheres em benefício do homem, mas que em muitas situações os prejudicam a ambos. O título da história remete para uma obra de Beethoven (Sonata No. 9 para Violino) que se revela elemento central da história e da ruptura de uma relação conturbada entre marido e mulher. A narrativa está dividida entre dois narradores, inicialmente na pessoa de um passageiro que se torna depois no ouvinte atento do personagem central, Pozdnyshev. (...)». Leia na integra.



domingo, 6 de setembro de 2026

«Novo projeto museográfico do Palácio Nacional de Sintra recupera uma dimensão pouco conhecida da história portuguesa: durante séculos, as rainhas foram senhoras de Sintra, administraram o território, receberam rendimentos, celebraram contratos e exerceram justiça»

«“Palácio das Rainhas” revela o poder das mulheres que governaram Sintra durante séculos

Novo projeto museográfico do Palácio Nacional de Sintra recupera uma dimensão pouco conhecida da história portuguesa: durante séculos, as rainhas foram senhoras de Sintra, administraram o território, receberam rendimentos, celebraram contratos e exerceram justiça. A presente renovação museográfica dá continuidade à transformação do modelo de visita iniciada pela Parques de Sintra no Palácio Nacional da Pena.


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

GLORIA STEINEM | “Ser feminista significa ver o mundo inteiro em vez de metade”, disse, citada pela Associated Press. “[Ser feminista] não devia precisar de um nome, e um dia não precisará.”

 



Quando Gloria Steinem fez 
80 anos fizemos este post:


Agora que nos deixa 
apenas dizer que faz sentido «cuidar o seu futuro».
 Ou seja,conhecer ou voltar à sua vida tão cheia.
 Neste momento triste a Comunicação 
Social por esse mundo fora fala-nos
 de Gloria Steinem. Por exemplo,
 no semanário Expresso:


Nós apenas queremos sugerir, a quem
 desconhece, uma visita ao seu



segunda-feira, 31 de agosto de 2026

FILIPA LOWNDES VICENTE |«A Arte Sem História _ Mulheres e cultura artística (séculos XVI-XX)»

 


SINOPSE

Este livro é uma reflexão sobre a forma como a história da arte tem vindo a estudar a prática artística feminina, sobretudo na Europa, entre os séculos XVI e XX. Nesse sentido, é também uma história da história da arte, uma história de como a arte produzida por mulheres foi, durante tanto tempo, ignorada e desvalorizada — uma arte sem história. E de como, nas últimas décadas, as abordagens feministas abriram caminho para que exista, finalmente, uma arte com história.

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«A escrita sobre o passado sempre se fez a partir do presente, de diferentes presentes, pois é feita por seres humanos que observam o passado a partir das suas posições individuais e sociais, e num determinado espaço e tempo. Os olhos procuram e veem aquilo que estão preparados para ver. É no presente que se encontra o que antes se desconhecia ou ignorava. E é no presente que são analisados temas e personagens históricos que, no passado, não eram considerados relevantes nem dignos de serem historicizados.»
Filipa Lowndes Vicente



domingo, 30 de agosto de 2026

ANA LUA CAIANO | uma jovem «antiga» que dá gosto ouvir e ler | «em novembro, chega “Devagar que a Vida é Curta”, novo capítulo de uma viagem muito personalizada pela música tradicional portuguesa, onde adufes, percussão e gaitas de foles têm tanto espaço como a eletrónica.»

 


e da entrevista ao Expresso a que se refere a imagem:

«(...)Mas é uma reflexão que surge da observação do que a rodeia, mais do que um desabafo autobiográfico? Porque o seu trabalho é diferente, envolvendo mais prazer do que a maioria dos empregos...

Sim, acaba por ser. Tenho muitos amigos que têm trabalhos das 9h às 17h, e vou observando. Mas, apesar de eu não ter um trabalho comum, às vezes existe o problema de o trabalho se confundir com o lazer. Às vezes, não consigo parar: estou à meia-noite a fazer coisas, porque gosto de as fazer. E também sinto essa necessidade de encontrar o descanso — mesmo quando se gosta de fazer o que se faz, também é importante parar, até porque muitas vezes a música surge de silêncio e espaços vazios. Quando estou sempre a trabalhar, sem descansar, isso também não é produtivo para a música.

Mia Couto escreveu: “A fadiga que sentimos não é tanto do trabalho acumulado, mas de um quotidiano feito de rotina e de vazio. O que mais cansa não é trabalhar muito. O que mais cansa é viver pouco. O que realmente cansa é viver sem sonhos.” É esse o espírito desta canção?

Vem ao encontro disso, sim. Se tivermos um trabalho das 9h às 17h, levamos uma hora a ir para o trabalho, uma hora a voltar, e depois já é hora de jantar e tem de se ir dormir cedo, para acordar cedo. Vejo pelos meus amigos, que tentam encontrar-se nos jantares, mas é complicado, porque estão sempre muito cansados. Felizmente há pessoas que gostam do seu trabalho, mas mesmo que se goste, se não há tempo para descansar, não há tempo para gostar nem para fazer as coisas bem. De certeza que, havendo mais um dia de descanso por semana, as pessoas gostariam mais de fazer aquilo que fazem. A falta de descanso e de valorização [diminuem a motivação]. E há muitas pessoas que recebem mails e mensagens de trabalho aos fins de semana — ignorar isso é difícil.

No presente contexto de debate das condições laborais, esta canção ganha um novo significado?

Penso que ganhou alguma importância [nesse contexto], e também quis que a música saísse no mês do 1º de Maio [Dia do Trabalhador] precisamente por falar sobre isso. Fico contente por estar a ser ligada a essa luta porque acho que há muito caminho a percorrer, e temos de lutar por melhores condições de vida, muito melhores do que já são. A música é só uma música, mas fico contente por estarem a pegar nela, por se reverem nela e por encontrarem nela alguma força. Gosto de pegar nestes temas mais difíceis e, quase como numa catarse, torná-los rítmicos, como uma forma de libertação do próprio tema da música. Ao longo do álbum, sinto que os vários temas, mesmo os mais pesados, são interpretados com energia ou com uma falsa animação, mas é desse contraste que eu gosto.

A morte está muito presente nas letras das canções. Não será muito comum ser um tema tão glosado na obra de uma artista de 27 anos?

Só me apercebi que o disco tinha tantos temas sobre morte — acho que são quase todos, tirando um — mesmo no final. Dei por mim a pensar: “Está um disco muito macabro”, mas não foi intencional. Nunca pensei fazer um disco sobre a morte, mas ela acabou por aparecer de várias formas. Se calhar sou um bocado pessimista, mas fiz, por exemplo, uma canção sobre emigração, sobre uma pessoa que vai lá para fora e quer voltar para Portugal, e está sempre a dizer que vai voltar, e depois acaba por morrer e não conseguir voltar. Vai ser um dos próximos singles. Essa é uma história que se encontra muito lá fora, de muita gente que já tem 60 anos e está sempre a dizer: “Vou voltar para o ano”, ou “vou tentar voltar”. Ouvimos muito essas histórias de pessoas que querem voltar e acabam por não conseguir. Também tenho uma canção sobre a guerra, inspirada no genocídio do povo palestiniano… São reflexões sobre o que fui vivendo e vendo nestes últimos anos, sobre as quais já queria ter escrito, mas ainda estava a acabar o outro disco e os álbuns demoram a ser feitos. (...). Se tiver acesso, leia na integra aqui.



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

«feministas mais ativas»

 


Certamente que as «feministas» - e qual será o conceito da Senhora Governante? - não deixarão de reagir às palavras da Senhora Ministra da Cultura, Juventude e Desporto (onde também está a Igualdade mas como se vê sem direito a figurar na designação). Pela nossa parte, fazendo parte das pessoas que se batem pela(s) igualdade(s) nomeadamente entre homens e mulheres até nos apetece sugerir que se altere a designação do que está  a cargo da Senhora Governante. De facto custa ver  a Igualdade «escondida» na estrutura do Governo. Depois, roubando nas palavras ditas na Universidade de Verão do PSD ousamos pedir intervenções instituconais «mais ativas» em linha com o que recentemente - mas que coincidência ! -  expusemos no Em Cada Rosto Igualdade:  

A «IGUALDADE DE GÉNERO» E CAUSAS EQUIVALENTES NO APARELHO ESTATAL


Ainda, que tal Senhora Governante, desencadear um levantamento de Obras e Debates, passados e presentes sobre «FEMINISMO»? E a força da Cultura e das Artes  na promoção das MULHERES. Obviamente, lá não faltará, por exemplo, isto:




ou isto:


E não descarte, Senhora Governante, para uma geração que tanto gosta de dizer «pela primeira vez», a criação de organização equivalente a esta:




Dentro do quadro institucional do momento, reafirmamos a sugestão que nos é tão cara: a elaboração de PLANOS do estratégico ao operacional na esfera das IGUALDADE(S) para o SETOR DA CULTURA. Ah, recuperando o que se foi fazendo ao longo dos anos ..., e deixado cair ... 


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

VOLTEMOS A GISÈLE PELICOT | «Um Hino à Vida»

 


SINOPSE

«Quero contar a minha história pelas minhas próprias palavras. Com este livro, espero passar uma mensagem de força e coragem a todos os que possam estar a passar por momentos difíceis. Que nunca sintam vergonha.»

Esta é a história de Gisèle Pelicot. A mulher que denunciou o marido e cinquenta abusadores em França, num caso chocante de violência sexual e abuso conjugal. Este livro é muito mais do que o relato de um crime que emocionou o mundo e desencadeou um debate global sobre culpa, vergonha e justiça. Nestas páginas, Gisèle Pelicot prova que quando o silêncio é quebrado, nasce uma força invulgar. Então, este livro é o relato dessa transformação da sua dor em força e a partilha de uma mensagem poderosa de esperança, superação, cura e empoderamento feminino. Em 2024, o nome de Gisèle Pelicot tornou-se símbolo de coragem e resistência ao recusar o anonimato e enfrentar publicamente o ex-marido, Dominique Pelicot, e outros cinquenta homens. Tinham passado apenas quatro anos desde que Giséle descobrira que o marido a drogava para que dezenas de homens abusassem dela enquanto permanecia inconsciente. Gisèle recusou esconder-se e decidiu transformar a vergonha em denúncia, não por si apenas, mas por todas as mulheres silenciadas.

Em "Um Hino à Vida", escrito com a romancista Judith Perrignon, Gisèle revisita a infância, o casamento, o horror da descoberta e o mediático julgamento que protagonizou. Esta é, acima de tudo, a história de uma reconstrução. A história de uma mulher que caminhou sobre o abismo e escolheu continuar viva, dando coragem a milhares de vítimas para recuperarem a própria voz. Saiba mais, veja críticas



domingo, 23 de agosto de 2026

A «IGUALDADE DE GÉNERO» E CAUSAS EQUIVALENTES NO APARELHO ESTATAL

 




Aconteceu assim, numa ida,  o que é habitual, ao Diário da República, neste dia cinzento de verão,   ao depararmos com o Despacho inicial acima  voltamos a pensar na REFORMA que há muito defendemos na esfera da «IGUALDADE» nas Administrações.  Naturalmente, também reparamos no REGIME DE SUBSTITUIÇÃO - questão para lá da CIG. A propósito este post:  «(...)admite a necessidade de “refundar” a CReSAP. Notando que 85% a 90% dos nomes indicados já estavam em regime de substituição, o que lhes deu uma vantagem face aos demais, evita criticar a politização dos processos, mas propõe que os governos assumam claramente os cargos que são políticos. E defende que os dirigentes públicos têm de assumir mais as suas responsabilidades.(...)». Lembramos que há muito, quando começámos a olhar para a matéria como obrigação profissional, muitos eram os serviços e pessoas que desconheciam a CIG. Hoje será diferente, mas não muito diferente. E contudo à CIG muito se deve (não fizeram mais do que a sua obrigação, dirão) dos avanços conseguidos. A esta Comissão estão ligados nomes de que justamente nos devemos orgulhar. Dito isto, a nosso ver, há muito a «reformar». A (re)inventar. A rendibilizar o que temos. De maneira a que a batalha da «igualdade» - aqui entendida para lá da de género mas sim estendida a causas equivalentes - seja empreendimento generalizado, transversal,desde logo a todas as Organizações Públicas que o devem imprimir ao Setor em que atuam. Em particular, clamamos pelo SETOR CULTURA, que podemos tomar para ilustração.
Neste quadro, olhemos, uma vez mais, para outros, começando pela Organização do próprio Governo e organizações de topo de âmbito ministerial ou correspondente. E, claro, a «Cultura».



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Já agora, indo ao início deste post, como compatibilizar «REGIME DE SUBSTITUIÇÃO» com IGUALDADE(S)?

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Já agora, apenas ilustrando, do que devia ser rendibilizado: 
 

FESTIVAL MULHERES EM MARCHA |«Mulheres em Marcha nasce no Seixal, na Margem Sul, e afirma-se como o primeiro festival de artes performativas de cariz feminista neste território. Não como rótulo, mas como campo de trabalho onde a criação artística se cruza com o pensamento crítico e com o contexto em que emerge, em diálogo com as pessoas que o habitam. Pensamo-lo com periodicidade bienal, porque acreditamos no tempo longo, na insistência e na possibilidade de regresso transformado.». Leia mais.

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E ENQUANTO FAZÍAMOS
ESTE POST, VEIO O SOL ... 
Nós que gostamos do VERÃO
rematamos com esta «opinião»