domingo, 4 de outubro de 2026

«O Livrinho dos Versos para Rir» | de José Viale Moutinho e Fedra Santos | nesta ocasião triste da morte recente do autor ...| E no começo de um novo ano escolar onde para todos as idades poderá ser recordado a propósito e a despropósito ...

 


Este livro reúne uma mão cheia de quadras populares, colhidas de norte a sul do país, e revelam o peculiar sentido de humor do povo português. Ilustração de Fedra Santos.

Plano Nacional de Leitura — LER+
Livro recomendado para Educação Pré-Escolar, destinado a leitura em voz alta.

Saiba mais, por exemplo, aqui


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o Autor José Viale Moutinho
faleceu recentemente - veja aqui
de lá: «(...)Nascido no Funchal em 1945, José Viale Moutinho foi jornalista no Diário de Notícias e Jornal de Notícias, investigador e escritor com vasta obra publicada, reconhecida em Portugal e no estrangeiro, sendo considerado um dos grandes contistas portugueses contemporâneos. (...)».


e o que Fernanda Câncio escreveu


Começa assim: «“Olha, meu amigo, afinal, este mundo não é exactamente aquilo que estávamos à espera.” A frase, entre aspas, assinada “JVM”, acolhe o visitante do blogue com o seu nome, José Viale Moutinho, como o texto que, designado de “arremedo autobiográfico”, leva o título “Poderei não ter sido assim”. A data da escrita coincide com os 60 anos “ainda agora cumpridos”, em que, garante, continua “apaixonado e não só pela vida.” Mais de duas décadas depois, a jornalista a quem coube decifrá-lo para esta espécie de obituário vai encontrar ali as pistas que este madeirense, nascido a 12 de junho de 1945, “quando os canhões começavam a calar-se pela segunda vez em todo o mundo”, lhe entendeu deixar.
Que diz de si Viale? "Andei pelo mundo, entre bruxas da Chã de Ferreira e meigas galegas, escutei histórias mágicas por toda a parte, até contei caveiras nos tzompantlis e bailei o danzón em Veracruz, escrevi muitos livros, e apetece-me continuar a escrevê-los. Vivi intensamente o 25 de Abril, conheci a Liberdade. (...) Poderia contar mais coisas, mesmo sobre amigos deportados em campos de concentração nazis, mas para quê? E aqueles que ficaram pelo caminho?" 
Mas vamos ao início: fruto da união de “um homem do Douro, extraordinário efabulador, desinteressado das vinhas e dos olivais da família, dele” e de “uma inglesa, que levara como dote, uns brincos de sua mãe e memórias de uma riqueza palaciana, carregada de preconceitos, inclusive de classe”, viveu desde cedo, no Norte, “entre montes de livros” e o fascínio pelos mistérios — representado pelo quarto dos santos da casa dos avós, onde ardiam velas num oratório, mais um “santíssimo exército” de santos e anjos “a vigiar a fé” da avó e de “todas as velhas murmuradeiras”. (...)».
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Outros livros
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Resumo

Excerto:

«Chegam sons de risos e cantigas,
Palavras novas para brincar,
Ouvir, saber e até adivinhar!
É a grande festa das formigas!

Vou eu, pais, tios e amigos,
O cão, o gato e o papa-figos,
Vamos todos festejar
Pois as formigas deixam-nos entrar!»

sábado, 3 de outubro de 2026

DO JORNAL PÚBLICO |« Colecção Fotógrafas Luso-Afro-Brasileiras»

 


«Colecção Fotógrafas Luso-Afro-Brasileiras
Curadoria de Ângela Berlinde
Uma colecção original que surge para corrigir a invisibilidade e subvalorização da produção fotográfica feminina e onde a condição feminina surge retratada sob a sua própria lente. Uma celebração histórica dos olhares singulares de dez fotógrafas luso-afro-brasileiras, que, quando cruzados com a escrita de convidadas, se tornam ainda mais valiosos.
A obra e o impacto destas fotógrafas são apresentados em livros com formato leporello, com caderno de texto separado. Isto torna cada livro um objecto valioso e exclusivo, não só pelo conteúdo, mas também pela forma». Saiba mais. 


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

«Rita Redshoes lançou, a 25 de setembro, um novo longa-duração, FALA, composto exclusivamente por canções escritas por autoras portuguesas. Disponível em todas as plataformas digitais»

 



«A Rita Redshoes tem um disco novo. Chama-se “Fala” e é um disco que põe muitas mulheres a falar através da voz e visão artística da Rita.
As canções são escritas por autoras mulheres, um conjunto de mulheres que admiro e de quem sou fã.
A sensibilidade musical da Rita está a par da sua sensibilidade enquanto ser humano. A Rita é amor e generosidade e bem-querer ao próximo. Eu sei, porque já o vi várias vezes ao longos dos anos em que a conheço.
Deu-me a alegria de lhe escrever uma canção, “Sei” e poder estar presente no seu disco. Eu dei-lhe uma canção mal tocada à guitarra e muito mal gravada pelo telemóvel e ela devolveu-me uma interpretação de uma profundidade tal que me deixa emocionada. Ninguém se não ela poderia cantar esta canção desta forma.
Estou feliz por poder estar presente na sua obra e mais feliz ainda por poder estar presente na sua vida». Ana Bacalhau

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

NO MUSEU NACIONAL SOARES DOS REIS | «Matéria de Sonhos»

 


A atenção que a EXPOSIÇÃO nos captou veio de artigo do EXpresso, do jornalista Valdemar Cruz, a que se refere a imagem. Se tiver acesso, veja aqui.
Começa assim:«É mulher. É portuguesa. É uma estudiosa. A partir daqui ergue-se uma barreira quanto à identidade da proprietária das 226 peças de joalharia portuguesa produzidas entre os séculos XVII e XIX patentes em “Matéria de Sonhos”, no Museu Nacional Soares dos Reis.
É a primeira apresentação pública, em contexto expositivo, da “Coleção IFC”. A curadora Rosa Maria Mota apresenta-a como “um dos mais relevantes conjuntos privados” alguma vez reunidos em Portugal nesta área. (...)».



segunda-feira, 28 de setembro de 2026

«MATAMOS STELLA E OUTROS CONTOS»|«Um livro que aborda o horror quotidiano da família heterossexual, a sua violência e a perversidade das suas relações»

 



SINOPSE

Matamos Stella reúne a melhor ficção breve de Marlen Haushofer. Perfeita amostra dos temas obsidiantes na obra da autora — a hipocrisia social («Tarte crumble e café com leite»), vidas encurraladas («I’ll be glad when you’re dead»), crueldades impossíveis («Miúdos»), traumas da guerra («Uma Lealdade Terrível» e «Os Willows») —, abre com a novela cativante sobre culpa sem possibilidade de perdão que dá o título a este volume. «Matamos Stella» (1958) é a confissão de uma mulher cuja vida é perturbada pela chegada de uma jovem ao seio familiar. Entre o fascínio e a repulsa, esboça-se um crime colectivo, um retrato claustrofóbico de um matrimónio e, acima de tudo, uma alegoria sobre a passividade opressiva e letal numa sociedade de aparências.
«Um livro que aborda o horror quotidiano da família heterossexual, a sua violência e a perversidade das suas relações.»
Asymptote
«Matamos Stella» revela-se um conto cada vez mais misterioso à medida que progride. O equivalente literário a uma súbita imersão em águas geladas — lancinante, revelador.
New York Times
Saiba mais


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

FILIPA LOWNDES VICENTE | «Este livro é, de certa forma, uma história da História da Arte. Ou seja, não é um elenco de mulheres artistas, nem uma história da arte feita apenas com mulheres. Isso já foi feito a partir dos anos 70. Existem hoje muitas histórias da arte que fazem esse trabalho, e ainda bem que existem. Mas a minha preocupação não é tanto fazer esse elenco de mulheres artistas, mas perceber por que razão elas não foram incluídas na história da arte durante tantos séculos»

 

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e voltemos ao livro


«A INVISIBILIDADE FEMININA NA HISTÓRIA DA ARTE

Este livro é uma reflexão sobre a forma como a história da arte tem vindo a estudar a prática artística feminina, sobretudo na Europa, entre os séculos XVI e XX.

Nesse sentido, é também uma história da história da arte, uma história de como a arte produzida por mulheres foi, durante tanto tempo, ignorada e desvalorizada — uma arte sem história. E de como, nas últimas décadas, as abordagens feministas abriram caminho para que exista, finalmente, uma arte com história.

«Muitos são os perfis femininos que a autora convoca para demonstrar que existe um défice insuportável em torno do papel das mulheres criadoras. Fá‑lo com equilíbrio, rigor e uma paixão controlada que lhe confere honra e credibilidade. Deve ser lido por mulheres e homens. Este é um livro que promove metamorfose no pensamento e legitima uma reavaliação cultural.»

— Lídia Jorge

14 anos depois da primeira, esta edição revista inclui um novo prefácio da autora». Saiba mais.

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

«pela paixão da luz»

 


«algo sempre acontece
na árvore da linguagem
se cai uma sílaba nasce uma folha
se cai uma folha brota uma ave
um melro-preto para iluminar
de melodia o crepúsculo
e depois os frutos palavras doces
se cai um fruto cresce outra árvore
à revelia das regras da língua
em combustão vagarosa
gera a árvore da linguagem
um idioma contumaz e irrepetível
nem os antigos poetas obscuros
que molhavam a pena no mosto
saberiam grafar na tela de papir.»

Francisco Duarte Mangas
no seu facebook

a que chegámos levada
 pelos sempre magnificos
 SINAIS de Fernando Alves. Hoje:

Os frescos outonos de outrora

de lá:

«(...) Folheamos este verão, esta "luz de alumbramento", os poemas de Francisco Duarte Mangas guardados num livro de girassóis, suas magníficas gravuras que parecem seguir os nossos dedos ao virar das páginas onde cabe, à justa, a nossa mão espalmada. Cada brevíssimo poema pede a arte de olhar um campo de girassóis, ou a de olhar as nuvens, ou a de olhar os gatos, artes familiares dessa outra de saber olhar para a árvore.
Num dos poemas deste livro, Francisco Duarte Mangas chama ao girassol "submarino da terra" e "espião pacifista", tanto o esforço da planta "pela paixão da luz". E isso me conduz, sem o fio coerente com que "remotos camponeses (...) mediam o tempo" ao campo de girassóis que os ucranianos plantaram, já lá vão trinta anos, numa base militar desactivada, num gesto simbólico pelo desarmamento nuclear. (...)».


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS|«Menopausa, Informação é poder»

 


«De repente, (quase) tudo muda: a pele, o sono, a memória, o humor. A menopausa é uma transformação inevitável, mas imprevisível, que afeta, agora mesmo, mais de dois milhões de mulheres portuguesas. A maioria vive-a em desconforto, pois há gerações que se mantém um modelo de resistência estoica ao que o corpo grita e o tabu social silencia.
Este livro retrata a experiência da menopausa a partir de relatos na primeira pessoa e entrevistas a médicos especialistas. Mostra e questiona a desinformação, a falta de apoio laboral, a metamorfose do cérebro e o peso da transformação hormonal. Do impacto na sexualidade à urgência de políticas públicas, cabem nestas páginas os calores e a tristeza difusa, mas também a liberdade e a reinvenção, as realidades múltiplas de uma fase que alguns chamam já uma "segunda puberdade"». Saiba mais.


domingo, 20 de setembro de 2026

«Inaugurou no sábado a nova exposição de Fátima Mendonça, Dias de tédio e a dança com o lobo mau. A visitar até dia 31 de outubro»

 


«2026 Fátima Mendonça na 111

 É uma pintura que conta histórias, no caso o lobo e o capuchinho vermelho, ou que se apropria de fragmentos desse conto para tratar questões pessoais (e não só pessoais... há perigos reais, medos colectivos, ameaças que rondam). Se o medo está presente, e é o lobo, esta é uma história de luta contra o medo, e de libertação. O lobo dança mascarado com o rabo de fora, numa cena de sedução enganadora, mas a faca está prestes a espetar-se-lhe nas costas, alerta. Há sangue que é preciso lavar - no quadro maior, o retábulo da vitória, o banho purificador (um dos raros e grandes banhos femininos modernos), ficam ao lado as etapas do perigo vencido, e a fera dá lugar ao gato doméstico. Havia - em dois menores formatos sobrepostos - ameaças na floresta escura, o lobo e outros olhos ameaçadores, mas a menina do capuz vermelho está firme e determinada, é o rosto forte da coragem. Adiante o lobo é, afinal, um cavalo de pau com que se pode brincar - a ameaça era real ou só imaginária? A Fátima Mendonça que responda: é uma pintura feminina. (...)». Continue.



sábado, 19 de setembro de 2026

MULHERES EM DESTAQUE | Shakira - em Madrid | Céline Dion - em Paris

 



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Ao acaso da comunicação social: «O maior monumento da cidade de Paris iluminou-se com o nome de Céline Dion, para celebrar o regresso da cantora, que esteve longe dos palcos durante seis anos, devido ao diagnóstico de Síndrome da Pessoa Rígida. (...)» ;
Mais recente : «Céline Dion não está apenas de volta aos palcos. Está a mexer com a economia francesa.
Os concertos da cantora em Paris poderão gerar um impacto económico de até mil milhões de euros.
Para perceber a dimensão: o chamado ‘efeito Céline’ poderá representar o equivalente a um quinto do impacto económico dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, sem contar com as infraestruturas.
Tudo por causa dos concertos de Céline Dion na Paris La Défense Arena.
E não estamos a falar apenas de bilhetes.
Os fãs gastam em hotéis, restaurantes, transportes, lojas e turismo.
Cerca de 30% do público deverá chegar do estrangeiro. E há fãs que poderão gastar, em média, até 1.500 euros para assistir ao regresso da cantora.
Os hotéis já estão a sentir o efeito. As reservas chegaram a aumentar 400% após o anúncio dos espetáculos.
Céline Dion está de volta. E Paris já está a fazer as contas». Tirado daqui.

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«A cantora colombiana, de 49 anos, atua até 11 de outubro num recinto temporário, com capacidade para 50.000 espetadores, montado no sul da capital e batizado como “estádio Shakira”, segundo a promotora Live Nation.
Sem novas datas anunciadas na Europa, as autoridades de Madrid esperam um impacto económico significativo com o regresso da artista a Espanha. A cidade já recebeu, em maio e junho, os dez concertos de Bad Bunny, outra das grandes estrelas da música latina.
Shakira não atuava em Espanha desde 2018, vários anos antes de se tornar pública, em 2022, a separação do ex-futebolista espanhol Gerard Piqué, histórico defesa do Barcelona. «(...)».Saiba mais.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

«Conheça o programa da 16.ª Grande Conferência Liderança Feminina, que a Executiva vai realizar a 14 e 15 de outubro, em Lisboa»

 

Veja aqui

e talvez começar neste endereço

«Ao longo deste encontro vamos falar de ambição, carreira, longevidade, sucesso profissional, e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Vamos debater temas que marcam a agenda de qualquer decisor, como a inovação, a inteligência artificial, o silêncio nas salas do poder e a liderança inclusiva. Mas, acima de tudo, vamos falar de pessoas».

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Se nos é permitido, naturalmente que a INICIATIVA é da EXECUTIVA e está de acordo com a sua MISSÃO,
mas ocorreu-nos que alguém se poderia inspirar na CONFERÊNCIA e realizar algo equivalente para as ORGANIZAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS - (já agora isto não apareceu do nada, em tempos investigámos aquela realidade  no Mestrado em Gestão do ISEG fixada com a designação «Organizações sem Fins Lucrativos e a sua Gestão Estratégica» de que foi Orientador o saudoso Professor Rogério Fernandes Ferreira) - onde para muitos/as está o designado TERCEIRO SETOR  e lá podemos encontar  o que, quiçá, se poderia vir a designar por «EXECUTIVAS ALTERNATIVAS».
Mais, no mundo dos Negócios, no nosso País dominado por pequenas e médias empresas - e micros - também haverá o que poderemos chamar por executivas? Por CEOs? Líderes? Bom, mas sobre isso a anfitriã - Bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados - poderá, a nosso ver, dizer como ninguém ...

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Coordenadas



quinta-feira, 17 de setembro de 2026

«A Barata Gigi na Rua do Benformoso»

 


SINOPSE
Um livro que diverte, ensina e, acima de tudo, aproxima, ao mostrar que a convivência com a diferença é não só possível, mas essencial para compreendermos melhor o mundo à nossa volta.
Na Rua do Benformoso há pessoas de todas as nacionalidades. Que o diga a Gigi, uma fala-barata que se mudou para lá há pouco tempo e que se farta de aprender coisas sobre o mundo todo. Saiba mais.

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no lançamento do livro

Veja aqui
de lá

«A Gigi passou o fim de tarde da passada sexta-feira na Livraria Buchholz, em Lisboa, rodeada de humanos. Não é coisa que uma barata faça todos os dias, sobretudo quando os humanos se juntam para falar dela, da sua vida, das suas ambições e até das relações complicadas entre as duas espécies.

A ocasião justificava o risco. Tiago Salazar apresentava A Barata Gigi na Rua do Benformoso, o seu novo livro, e Maria do Rosário Pedreira, que o edita há muitos anos, estava ali para fazer as apresentações. Este é, aliás, o primeiro livro infantil do autor que publica, embora depressa se percebesse que chamar-lhe apenas livro infantil talvez seja uma forma demasiado arrumada de colocar Gigi numa prateleira.

Maria do Rosário Pedreira falou da coragem de Tiago Salazar pelos temas que levou para o livro e da importância de A Barata Gigi na Rua do Benformoso como ponto de partida para pensar coisas que, à primeira vista, talvez não pareçam próprias de uma barata. Discriminação, pertença, origem, diferença. Temas grandes para um bicho pequeno. 
A Gigi ouviu tudo.
João Ferreira, amigo do autor, começou pelas palavras. A Gigi nunca saiu de Portugal, mas conhece bastante do mundo. Basta-lhe andar pela Rua do Benformoso e ouvir. Ali, cada porta pode dar para um país, cada conversa pode trazer uma língua diferente e cada pessoa transporta consigo um pedaço de outra geografia.
E então apareceu uma questão que uma barata talvez compreenda melhor do que muitos humanos: afinal, de onde somos?o pequeno. (...) . Leia na integra.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E IGUALDADE | temos de juntar recursos para organizarmos o nosso conhecimento ...

 



O que recebemos por e-mail das GATES NOTES:

«This year’s Goalkeepers Report is about AI

The risks are real, but so is the opportunity to improve lives.

Every year, the Gates Foundation publishes the Goalkeepers Report to track progress on the world’s biggest health and development challenges. This year’s report is about how AI can help us tackle them.


I recently shared a memo about the risks this technology is introducing, and they deserve serious attention. World leaders aren’t moving fast enough to address them. But if we can come together to manage those risks, there’s also an immense opportunity to transform health, agriculture, and education, especially for people who are often last to benefit from innovations that could improve their lives.


I’ve lived through waves of technological change that felt, in the moment, like the most significant thing happening on earth. This one is even bigger. Every month, the gap between the billion people who already use AI and the seven billion who don’t gets wider. But it can go the other way. AI will either be the worst source of injustice in history—or the greatest equalizer ever invented. The decisions that are made in the next 12 to 18 months will determine what happens.


In this year’s Goalkeepers Report, I lay out what it will take to get this right, and what AI companies, governments, and philanthropies must start doing to make that happen. I also share essays from four people who’ve already started using these tools to support their work in clinics, classrooms, and fields. I hope you’ll take the time to read».

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

VOLTEMOS A ALICE NEEL

 


Durante décadas, Alice Neel (1900–1984) trabalhou com pouco reconhecimento institucional, fiel a uma pintura centrada na figura humana. Em “Beautifully Imperfect”, Serralves apresenta a primeira exposição da artista em Portugal, reunindo retratos onde vulnerabilidade, carácter e intensidade emocional prevalecem sobre a precisão anatómica ou a beleza idealizada. Neel pintava familiares, vizinhos, imigrantes, ativistas e figuras públicas com a mesma atenção radical. “Beautifully Imperfect” é organizada pela Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, com curadoria de Inês Grosso, curadora-chefe do Museu de Serralves. A exposição contou com o apoio da Terra Foundation for American Art, da FWA — Foundation for Women Artists, e de Charlotte Feng Ford.

O Roteiro da Exposição




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e na ARTE CAPITAL


«Enquanto “colecionadora de almas”, Alice Neel não se limitava a ver rostos e a representá-los de forma simultaneamente doce e fria; procurava também fixar aquilo que é inefável em cada pessoa, o que escapa à compreensão humana total – o espírito. É precisamente por considerar a beleza como algo profundo, inerente à alma humana e não à superfície da pele, que a sua pintura se revela singular. Existe uma beleza que não procura a perfeição. A beleza das pessoas reais, dos corpos que se mexem, vivem e amam, basta por si só. Mais do que retratos de indivíduos, são retratos de uma vida e de uma época e das relações que se estabelecem nos vários contextos económicos e socioculturais»
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e no blogue de Alexandre Pomar


e também neste endereço 
e no post que se lhe segue

De lá:

«Todas as retrospectivas que conheço, a do Pompidou em 2022, "Alice Neel: Un regard engagé" - https://www.centrepompidou.fr/.../agenda/evenement/JonpUmK - , que vi; a de Filadélfia, Whitney, Massachussetts, Minneapolis e Denver, itinerante em 2000-2001, de que trouxe o catálogo em 2000, quando o MoMA fazia o seu balanço do século em que ela não entrava; a recente de Turim, Pinacoteca Agnelli, 2025 até abril 2026, "Alice Neel: I Am the Century" - https://www.davidzwirner.com/.../alice-neel-i-am-the-century - , a produção mais aproximada da que mostra em Serralves, foram montagens cronológicas, com uma ou outra liberdade temática».

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«Não era uma desconhecida, não foi uma figura marginal que vivesse escondida nalguma reclusão voluntária, ou não; pelo contrário. Teve várias ocasiões de reconhecimento, desde os anos 20 em Havana, expôs com a frequência que era habitual nas décadas de 30-50, foi tendo críticas favoráveis em especial nos anos 60 e 70. A partir de finais de 50, depois do filme underground de Robert Frank e Alfred Leslie, em que apareceu como uma vulgar avó norte-americana, explorou a rede de relações artísticas de Manhattan e batalhou com notório voluntariasmo pelo reconhecimento. Mas ficava de fora sempre que se tratava das representações panorâmicas da pintura norte-americana ou dos balanços do século XX. Não por ser mulher (mas a cumplicidade da segunda vaga feminista foi importante); mas por fazer uma pintura de figuras quando o "abstracionismo" da Escola de Nova Iorque e o formalismo das vanguardas seguintes eram a regra. Não era também um caso de isolada notoriedade como foram antes e depois os realistas Edward Hopper (1882 – 1967) ou Andrew Wyeth (1917 – 2009). Mas acabou por se "bater" com eles, e também com o mito Pollock.
Neel movia-se entre as vanguardas do seu tempo, o realismo social da WPA, as abstrações, a Pop e os novos realistas. Não participou de nenhum estilo colectivo, nem teve a tutela de qualquer crítico - duas razões fortes para a exclusão.
Só em 1972 foi incluída na exposição anual do Whitney Museum, onde sempre cabiam todos; dois anos depois o mesmo Whitney dedicou-lhe a primeira retrospectiva, com um catálogo de 8 páginas... Começou a entrar no grande mercado ainda em vida, aos 82 anos, quando assinou um contrato com a Robert Miller Gallery, e hoje são três as grandes galerias internacionais que trabalham o seu enorme espólio (Legado ou Estate) com que se montam as retrospectivas que percorrem museus (ver nota anterior).
Expor no Metropolitan em 2021, no Pompidou em 2022 (agora em Serralves) é um passo decisivo na revisão da história da arte do século XX. Ela entra nessa história, que quis ser canónica, e outros (famosos e mediáticos que enchem os museus de arte contemporânea) passam a ser notas de rodapé, que estabeleceram um dia um record e se ficaram por essa marca, fugaz. Nada volta a ficar como dantes, mesmo se alguma crítica se fique pelo elogio de mais um nome, mais uma "descoberta" acrescentada a um calendário rotineiro.
É preciso ver o acontecimento Alice Neel, a revelação de uma carreira longa e consistente, pessoal e independente, diferente e irreverente, como mais uma ruptura decisiva com o mainstream museológico, montado na sucessão de estilos e de figuras que se sucedem como marcas progressivas (?) e progressistas (!), apontados a uma aridez crescente e/ou à comercialização de gadjets mais ou menos insólitos ou engraçados.

É insólito ver Alice Neel em Serralves, que se estabeleceu com o calendário Circa 1968 e ainda não sabe repensar-se, tal como era surpreendente vê-la no Pompidou em 2023 (sem ter nenhuma obra em colecções públicas francesas), como foi estranho ver a seguir, 2025, Suzanne Valadon (1865 – 1938). Mostra-se agora o que não se quis ver ou que se visse».

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«Alice Neel pintou muito desde os anos 40 e vendeu sempre muito pouco durante 55 anos (desde os anos 1930 até à morte em 1985 com a idade do século). Os seus modelos da Village e de Spanish Harlem - amigos, vizinhos e familiares -, depois os intelectuais e artistas de Manhattan que ela convencia a posarem para os seus retratos, não tinham meios para comprar os quadros (alguns ficaram-se por retratos desenhados, aliás de grande qualidade). Também não os oferecia, depois das quatro ou cinco sessões de pose necessárias. O retrato é sempre o género de menos sucesso comercial, quando não se trata de encomendas e de figuras mundanas - antes das suas parcerias com Basquiat, Warhol tornara-se um retratista mundano, nos anos 70, usando a sua equipa da Factory, o polaroid e a serigrafia, mas essa carreira foi em geral (bem) esquecida.
Em 1982, três anos antes de morrer, já famosa mas ainda marginal (outsider), Alice Neel assinou um contrato com a importante Robert Miller Gallery de NY. (https://www.robertmillergallery.com/) e expôs nesse ano "Non figurative works"; em 1984 40 quadros desde os anos 30».

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Resumindo, ALICE NEEL, uma MULHER
que importa conhecer. Devagar