terça-feira, 14 de julho de 2026

ARTESANATO | «(...)Uma das últimas áreas a ver ser reconhecido o seu valor foi o artesanato (encarado socialmente e culturalmente como uma actividade menor). O artesanato português, e as matérias-primas a elas associadas, têm vindo a crescer na sua valorização, e surgem agora (os artesãos) como parceiros fundamentais, a colaborarem lado a lado com os designers.(...)»


Sam Baron x Maria. © Armando Jorge Mota Ribeiro
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LISBON BY DESIGN E LISBON DESIGN WEEK

CARLA CARBONE


29/06/2026


«(...) Pouco a pouco a divisão das áreas foi-se atenuando. E hoje encontramos frequentemente eventos de design onde comungam pacificamente, e proactivamente, o artesanato, as artes plásticas e o design. Uma das últimas áreas a ver ser reconhecido o seu valor foi o artesanato (encarado socialmente e culturalmente como uma actividade menor). O artesanato português, e as matérias-primas a elas associadas, têm vindo a crescer na sua valorização, e surgem agora (os artesãos) como parceiros fundamentais, a colaborarem lado a lado com os designers. O medo da perda de identidade material e da extinção de algumas técnicas tradicionais, levou a que os designers abraçassem a causa da conservação e preservação do artesanato. As potencialidades dos saberes ancestrais e diversidade dos materiais constituíram, também, um incentivo para a sua adopção e aplicação criativa na disciplina do design. Património, identidade, regionalidade, ecologia, passaram a ser referenciais nas escolhas projectuais dos designers.(...)». Leia aqui.


segunda-feira, 13 de julho de 2026

«A VONTADE DE MUDAR» | é uma das primeiras obras feministas a reflectir sobre a «crise da masculinidade»

 


SINOPSE

Para produzir «homens a sério», a sociedade patriarcal exige deles um sacrifício: serem violentos. Consigo próprios e com quem lhes é próximo. Só então se tornam dominantes, intensificando ressentimentos e mutilando a sua vida afectiva.
A Vontade de Mudar é uma das primeiras obras feministas a reflectir sobre a «crise da masculinidade». Ao interpelar as inquietações mais comuns entre os homens — o medo da intimidade, o desgosto amoroso, o isolamento, a exigência do trabalho, a virilidade e o desempenho sexual —, bell hooks oferece-nos uma visão transformadora do que poderia ser uma masculinidade liberta.
E um mundo onde mulheres e homens podem ser partes de um todo. Saiba mais.

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se puder a não perder aqui

de lá:

«(...)É muito interessante verificar que o masculinismo segue a par de um discurso, proveniente das áreas da psicologia e da sociologia, que nos fala da “crise da masculinidade”. Nos Estados Unidos, já foi considerada uma epidemia nacional de solidão e isolamento social a que terão sucumbido muitos jovens do sexo masculino. O sintoma mais evidente e mais generalizado deste mal-estar é o insucesso escolar. É hoje um dado comum, tanto na Europa como nos Estados Unidos, que as raparigas têm mais sucesso escolar e já começam a ser maioritárias em áreas técnicas e científicas que sempre tinham sido lugares da hegemonia masculina. O conceito de crise da masculinidade é usado para descrever duas coisas diferentes, mas que estão relacionadas: a vulnerabilidade gera a agressividade. Um olhar histórico sobre o fenómeno do masculinismo facilmente verifica (não faltam estudos sobre esta matéria) que ele foi um pilar estrutural do fascismo italiano e do nacional-socialismo.
Há pouco tempo, a editora Orfeu Negro editou um livro de bell hooks (1952-2021; as letras minúsculas são uma marca autoral), uma figura importante do black feminism, que tem por título A Vontade de Mudar. Homens, Masculinidade e Amor. Ao contrário de um feminismo radical que põe os homens à distância, bell hooks advoga a necessidade de o feminismo trabalhar em conjunto com eles. A sua tese é a de que é preciso passar de uma masculinidade patriarcal, que mutila a vida afectiva dos homens, os distancia do amor e os torna inaptos a verbalizar as suas emoções (podemos ver aqui a razão pela qual passam mais facilmente ao acto), para uma masculinidade feminista. Este livro situa-se no horizonte dos estudos sobre os homens, os men’s studies.
É certo que esta ideia de uma actual crise da masculinidade precisa de ser relativizada, já que tem uma longa história e até já foi estudada como um mito. Comum a todos os seus surgimentos é a ideia de que as mulheres estão a ocupar o lugar “legítimo” dos homens. Mas nestas questões há um domínio importante do simbólico, isto é, da linguagem. Ainda que no plano efectivo a dominação masculina não tenha recuado tanto como nos querem fazer crer, é muito importante que os homens passem agora por uma provação da qual se tinham isentado: perderam o poder exclusivo da nomeação e são agora eles os nomeados. É quase uma vingança histórica».

sábado, 11 de julho de 2026

NO VERÃO | viver a diabetes em equilibrio | VEJA NO MAIS RECENTE NÚMERO DA REVISTA DA APDP

 


«Já está disponível a nova edição da nossa revista DIABETES - VIVER EM EQUILÍBRIO.
O verão chegou e, com ele, a vontade de aproveitar cada momento ao ar livre. Por isso, este número destaca um tema incontornável: viver a diabetes no verão, com recomendações para que possa desfrutar da praia em segurança.
Mas há muito mais para explorar.
Descubra como a natureza pode ser uma verdadeira aliada na sua saúde, no artigo A natureza como receita, que revela o poder do verde na prevenção e no equilíbrio do bem-estar.
Damos também voz a Tadej Battelino, presidente da Federação Internacional da Diabetes - Europa, numa entrevista que traz uma perspetiva europeia sobre os desafios e o futuro da diabetes.
Para quem procura cuidar do corpo com mais intensidade, o artigo Treino de Força mostra como ganhar mais força pode significar ganhar mais saúde.
Deixamos, ainda, sugestões para piqueniques saudáveis, com sabores, escolhas inteligentes e dicas para aproveitar o ar livre sem descuidar da alimentação.
Inspire-se a Viver em Equilíbrio». Leia aqui.





sexta-feira, 10 de julho de 2026

SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA | «No acórdão de fixação de jurisprudência, o tribunal superior debruçou-se sobre um processo cujo acórdão condenatório do arguido acusado de um crime de violência doméstica (...)»

 


«(...)“O pleno das secções criminais do Supremo Tribunal de Justiça acordou ontem [quarta-feira], 8 de julho de 2026, que o tribunal pode valorar, em julgamento, as declarações para memória futura prestadas nas fases de inquérito ou de instrução por testemunha que seja vítima de crime de violência doméstica e que tenha em relação ao arguido algum vínculo familiar ou matrimonial (…) e que no julgamento se recuse a depor”, lê-se na nota esta quinta-feira divulgada pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ). (...)». Leia na integra.


quinta-feira, 9 de julho de 2026

«Museu Aurélia e Sofia de Souza, nova designação da Casa Marta Ortigão Sampaio»

 


«(...)A inauguração integra duas exposições inéditas:

“Diálogo Duplo”, com curadoria de Rita Roque, reúne obras de Aurélia e Sofia de Souza e de artistas contemporâneas convidadas, na Rocha, Catarina Vasconcelos, Isabel Carvalho, Luísa Mota e Sofia Leitão, propondo um diálogo entre diferentes tempos, práticas e linguagens artísticas.

“Seabranano e Seabrina”, de Constança Meira, com curadoria de Raquel Henriques da Silva, desenvolve uma instalação centrada na memória, herança e narrativa, a partir de objetos, documentos, fotografias e cartas reinterpretadas, construindo um universo afetivo entre passado e presente.

Este novo ciclo reforça o museu como espaço de investigação, criação contemporânea e reflexão crítica sobre o papel das mulheres na arte e na cultura.(...)». Saiba mais. 



quarta-feira, 8 de julho de 2026

«VIDAS PERFEITAS»

 


SINOPSE

«Ter estado vivo é imprescindível para ser objeto de um obituário. Morrer é só o momento em que a história de uma pessoa acaba e recomeça para ser contada. Prefácio de Miguel Esteves Cardoso.
Um obituário é o resumo de uma vida que merece ser contada. Isso acontece com o último chefe da máfia italiana Matteo Messina Denaro, a dançarina Chita Rivera, a ativista dos direitos das aves Karen Davis, a psicóloga Isca Wittenberg, o historiador José Mattoso, os atores Robert Redford, Brigitte Bardot ou Diane Keaton, o discreto filósofo Paulo Tunhas, o inclassificável Luís Fernando Verissimo, a insolente Rita Lee, os escritores Martin Amis e Mario Vargas Llosa, André Jordan («o pai do turismo em Portugal»), as musas Jane Birkin e Astrud Gilberto, o realizador António-Pedro Vasconcelos, os poetas Nuno Júdice e Adília Lopes, Mary Quant (que popularizou a minissaia), a pioneira economista Teodora Cardoso, entre muitos outros.
Todos eles têm em comum não serem personagens de ficção, mas pessoas de carne e osso que tiveram vidas que merecem ser publicadas numa página de jornal. Algumas tiveram vidas breves, outras foram más pessoas, outras influenciaram os acontecimentos no mundo, outras dedicaram a sua vida aos outros.
Foram «Vidas Perfeitas», nome da coluna de obituários do semanário Expresso, que Carla Quevedo agora transforma em livro». Saiba mais.
 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

NA VISÃO |«grande entrevista a Lídia Jorge para recordar, agora que foi distinguida com o Prémio Camões»

 





EXCERTO: «(...)De ser mulher e reclamar um espaço no mundo e uma voz. Não sente que há uma ameaça a isso? Eu acho que houve muito mais sinais de continuidade do que de rutura. De facto, as mulheres hoje… Bem, não é preciso descrever o que alcançaram, não é? Mas do ponto de vista da relação, da sua representação, houve uma grande continuidade.

Ou seja, nós continuamos a ser mais oprimidas do que aquilo que é o discurso oficial sobre nós próprias? Sem dúvida. E mesmo aquilo que nós ocupamos propriamente. Aliás, há dias estive num museu, em Berlim, e fiquei parva porque havia 50 homens célebres, num museu enorme. Eu tirei fotografias e fotografias disso. Não havia uma mulher. Num museu moderníssimo em Berlim. Uma única.
Ou seja, nós talvez tenhamos mais uma ilusão de conquista do que uma conquista real? Há conquistas reais. Basta ver a minha vida para eu dizer sim. A da minha filha. A sua vida. A vida das mulheres de hoje. Não se compara com aquilo que foi. Mas do ponto de vista dos arquétipos fundamentais, eu acho que é muito difícil. Porque há uma coisa importante, que nós não queremos dizer, mas que é a diferença biológica. Há uma diferença biológica, que as mulheres ainda não conseguiram converter em alguma coisa de profundamente apreciável. Numa vantagem. E acho que estamos a viver um momento de transição. É que nós ganhámos uma formação diferente, mas acontece uma coisa que eu acho extraordinária: é que para alcançarem o poder, as mulheres ainda usam exatamente os mesmos métodos do homem. Quer dizer, continuamos a subir por humilhação, por esforço de poder, por esmagamento do outro, por uma competição desenfreada, pelos vícios que conduzem ao poder.
É como se o mundo fosse todo desenhado à medida do homem e nós temos de nos encaixar?Nós encaixarmos aí. Ainda não subvertemos o discurso nem subvertemos, digamos, as regras. Então é difícil também, porque as regras não podem ser feitas de maneira a destronar o outro do seu sítio. Não pode ser. Porque, em princípio – e já posso explicar-lhe um pouco porque eu sinto isso… –, eu acho que qualquer mulher que é adulta, que é culta, que tem um pensamento livre e poético, não quer destronar o homem. Nós amamos o homem. Quer dizer, nós amamos o filho, amamos o amante, amamos o marido, nós não queremos destroná-lo. Mas, ao mesmo tempo, eles tendem a dar-nos um lugar. E nós não sabemos como fazer isso. Quer dizer, é uma luta de: se tu avanças, eu perco, se tu perdes, eu avanço. Na altura em que eu comecei a escrever, a publicar, nos anos 1980, as feministas de então achavam que nós não éramos feministas, que nós éramos feministas do futuro. Isto é, feministas que queríamos aquilo que hoje as feministas querem, o que hoje o terceiro ou o quarto feminismo quer, que é caminhar com os homens sem retirar aquilo que é a sua essência. Nós não queremos isso, nós queremos que eles se mantenham como são, mas queremos ocupar o nosso próprio espaço. Quero que nos respeitem por aquilo que nós somos, por aquilo que nós conseguimos. E se somos mais inteligentes e mais capazes, que nos digam que vocês são. Se não somos, que digam que vocês não são. Isto é alguma coisa que exige uma maturidade das sociedades, que neste momento está completamente abalada. Quer dizer, havia um caminho a percorrer, que neste momento, por tudo o que nós sabemos, está a ser abalado e que tem um aspeto de retrocesso extraordinário. Existe, de facto, o regresso à agressão no namoro, primitivo, quase animal, que é uma coisa extraordinária. E a maneira como as mulheres estão a autorrepresentar-se, neste momento, outra vez, as mulheres jovens, como sendo do domínio do caseiro, do domínio do maternal.
Há uma grande diferença em relação aos anos 80.Nos anos 80, havia a ideia da mulher profissional, da mulher que tinha de competir. Depois, tentou-se encontrar um equilíbrio entre isso e um lado mais feminino.
E, neste momento, é como se esse lado feminino impedisse o resto.Exatamente. Como se nós tivéssemos de voltar para dentro de casa. É um bocadinho… é terrível. E, sobretudo, a submissão. Não ter voz, submeter-se. Falar como o ventríloquo do outro. Há uma coisa que me parece que é muito importante e que é que as mulheres não assumam a agressividade que os homens têm no diálogo. E isso está a ser muito difícil. Elas, quando querem afirmar-se, afirmam-se por uma gritaria que as despromove. Não pela sensatez, não pelo saber, mas, muitas vezes, pela gritaria. Não é só a perspetiva pública, é dentro de casa. Dentro de casa, nos espaços de intimidade, volta-se outra vez a ver a mulher a gritar. A ter uma atitude histérica de gritaria para se afirmar.
Essa palavra histérica tem um peso político-histórico muito grande. Foi uma arma, muitas vezes, contra nós. Foi, e continua a ser. Mas é preciso perceber que a palavra histérico vem de histeros, que é útero. Mas é mental. Portanto, os homens também o têm. Também há homens histéricos. E as pessoas também não sabem, muitas vezes, o que é histeria. Pensam que a histeria é apenas a gritaria. Não, não é. Não é só isso. Quer dizer, quando há bocadinho eu falei da palavra histeria, falei no sentido corriqueiro. Agora, do outro ponto de vista, o que significa é que a pessoa tem uma incapacidade de viver o prazer em si própria. E, portanto, digamos, não é capaz de se realizar. Tem de ter uma imaginação fora de si para realizar um bem-estar da alma. (...)». Leia na integra.



domingo, 5 de julho de 2026

« L'AVENTURA»

 


SINOPSE
«É o nosso filme de Verão, esta viagem à Sardenha de uma família francesa, que apaixonou a crítica e os espectadores. O cinema de Sophie Letourneur, entre a ficção e a realidade, e com um apurado sentido de mise-en-scène, revela-se em todo o seu esplendor neste filme divertido, terno, e por vezes melancólico, que capta a essência das férias estivais». Saiba mais.

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No Ípsilon, no trabalho da imagem,
sobre o filme:

«Para Vasco Câmara, este filme - L'Aventura, da realizadora francesa Sophie Letourneur - é "um dos acontecimentos cinematográficos do ano em Portugal". Foi, por isso, para nós o ponto de partida para uma conversa sobre o cinema realizado por mulheres e a forma como, não só este ano mas este ano de uma maneira muito evidente, nos tem trazido algumas das melhores surpresas.
No caso deste filme, o Verão, mas um Verão, em viagem por Itália, colado à pele das pequenas coisas que são as férias: crianças que fazem birras, quartos alugados que não são o que se esperava, uma filha mais velha que exige atenção, a decisão de onde se vai comer, o que se vai comer, a que praia se vai, tudo o que corre mal, e também o que corre bem, os momentos de tédio e, de repente, algo que os faz rir todos juntos. E, no meio disto, um casal (ela é a própria Sophie Letourneur, ele é o actor e músico Philippe Katherine) que se vai afastando. Nada de dramático. A vida, afinal. Mas não é fácil filmá-la assim, tão perto do que é a banalidade do quotidiano, e é isso que torna o trabalho de Sophie Letourneur tão extraordinário - antes deste filme houve outro, Voyages en Italie (2023) também as férias, também Itália, o mesmo casal, outro momento. (...)».
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sábado, 4 de julho de 2026

MULHERES EM DESTAQUE | Inês Lourenço

 


«A Casa de Nuvem é uma antologia da poesia da autora.
A sua obra é marcada por um olhar desassombrado e ácido relativamente a poderes e instituições, a começar pela própria poesia, bem como pela capacidade de exercitar uma reflexão em torno da memória e de questões de natureza existencial».

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no JN


sexta-feira, 3 de julho de 2026

A PARTIR DE DADOS ACABADOS DE REVELAR PELO INE | sobre a conciliação da vida familiar com a profissional | UMA VEZ MAIS A DIFERENÇA ENTRE HOMENS E MULHERES

 


Excertos:
«Quase um quarto das mulheres portuguesas entre os 18 e os 74 anos que ainda trabalham teve de alterar a sua vida profissional de alguma forma para conciliar essa actividade com as responsabilidades familiares, nomeadamente as de tomar conta de filhos, netos ou de outros membros da família dependentes. Foram 24,1% daquelas mulheres a fazê-lo, enquanto no caso dos homens na mesma situação apenas 13,6% admitem ter feito alguma alteração à sua vida profissional, demonstrando que o peso dos cuidados prestados a crianças, deficientes ou idosos ainda recai de forma muito mais acentuada sobre elas.
Os dados foram revelados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e resultam do módulo de 2025 do Inquérito ao Emprego dedicado à “Conciliação da vida profissional com a vida familiar”. O objectivo, esclarece o INE, foi avaliar o “grau de limitação mútua das responsabilidades profissionais e familiares, pretendendo conhecer as estratégias adoptadas e os constrangimentos sentidos pelas pessoas nesse esforço de conciliação”. Neste sentido, foram analisadas quatro grandes áreas: a prestação de cuidados a crianças; prestação de cuidados a familiares doentes, debilitados ou com deficiência; flexibilidade da organização do trabalho; interrupção da carreira (licenças parentais).

No caso da organização laboral, apesar de 80,3% dos inquiridos de ambos os sexos terem indicado que a conciliação da vida profissional com a familiar não provocou qualquer alteração no trabalho, entre os restantes 19,1% que admitiram ter feito alguma alteração (0,6% não respondeu), a percentagem de mulheres é bastante mais elevada do que a dos homens. E, entre essas alterações, a mais representativa é uma alteração ao horário de trabalho – 7,2% fizeram-no (uma resposta dada por 6,1% dos homens e 8,3% das mulheres) –, enquanto 3,3% dizem ter mudado de trabalho ou empregador e 2,8% terem reduzido o horário. Também nestas áreas, as mulheres estão sempre mais representadas do que os homens: 4,3% reduziram o horário de trabalho e apenas 1,1% dos homens disseram tê-lo feito, enquanto 4,2% das mulheres dizem ter mudado de emprego ou empregador, havendo apenas 2,3% dos homens a indicar esta alteração. (...). Se puder não perca  o trabalho na integra.

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e no jornal online AbrilAbril


Recorte: «(...)Para o MDM, estes números são a prova de que não há «conciliação» possível sem uma rede pública de creches, apoio à terceira idade, pessoas com deficiência e cuidados continuados em todo o País. Tal como não há «conciliação possível», admite, «com a precariedade que torna qualquer pedido de flexibilidade um risco de despedimento», obrigando as famílias, «e dentro delas as mulheres, a substituir aquilo que devia ser resposta organizada do Estado». (...)».



quarta-feira, 1 de julho de 2026

«LEME» | de Madalena Sá Fernandes

 


SINOPSE

A história crua de uma relação tóxica. Uma narrativa que não deixa pedra sobre pedra nos pilares da resiliência de uma criança subjugada ao negro poder do seu padrasto.
Leme é o relato da vivência de uma rapariga que assiste, durante anos, à erosão dos pilares que sustentam as ligações humanas: vê a mãe subjugada à violência do homem com quem mantém uma relação amorosa disfuncional; vive na pele a distorção dos papéis desempenhados por pais e filhos; alimenta-se da solidão para ultrapassar um quotidiano de medo e fúria; disputa um lugar só para si no meio do caos familiar; aprende a reconhecer o consolo das pequenas vitórias; e, por fim, reconstrói-se a si e às suas memórias.
Nenhuma criança conhece de antemão os nomes das coisas, mas todas as crianças reconhecem instintivamente o perigo. Para a protagonista desta história, o perigo tem o nome de um homem, e é sinónimo de obsessão, desequilíbrio, solidão, desamparo, poucas certezas e muitas dúvidas. Leme é um golpe de escrita para regressar à vida. Uma cintilação plena de vida e um soco no escuro que nos engole: eis um livro que aponta diretamente aos limites do bem e do mal. Saiba mais.



domingo, 28 de junho de 2026

EM FRANÇA NO «PALAIS GALLIERA» CONTINUA EXPOSIÇÃO SOBRE «A HISTÓRIA DA MODA» | e há muito para ver «online»

 


Robe Comme des Garçons. Prêt-à-porter, automne-hiver 2016. CC0 Paris Musées / Palais Galliera, musée de la Mode de Paris


«Depuis décembre 2025, le Palais Galliera inaugure une série d’expositions consacrées aux savoir-faire. Au cours de trois expositions successives, qui aborderont les métiers et techniques de la mode sous différents angles, le musée met en lumière la richesse de ses collections et propose un nouveau regard sur l’histoire de la mode du XVIIIe siècle à nos jours.
Cette première exposition est consacrée aux savoir-faire de l’ornementation – tissage, impression, broderie, dentelle, fleurs artificielles – qui permettent d’ennoblir et de décorer vêtements et accessoires. Ces techniques sont abordées à travers le thème de la fleur, motif incontournable dans l’art du textile et la mode depuis le XVIIIe siècle. Ses multiples déclinaisons permettent d’apprécier les jeux de matières, le traitement des couleurs, des volumes, ou le placement des motifs qu’il inspire au gré des saisons. Du textile broché d’un gilet du XVIIIe siècle à l’impression au laser d’un ensemble Balenciaga, d’une dentelle de Chantilly au camélia de Gabrielle Chanel, l’exposition met en avant la grande variété des techniques, tout en interrogeant leur symbolique et leurs usages».

E no site do Ministério da Cultura informam-nos isto:  «Savez-vous que la haute-couture et plusieurs savoir-faire de la mode sont reconnus au titre du patrimoine culturel immatériel ? Au Palais Galliera, une 1ère exposition sur les techniques de la mode met l’accent sur les ornementations».






sábado, 27 de junho de 2026

PATRÍCIA PORTELA |«HOJE, 3 de Maio»


Sinopse
«Viver uma guerra à distância é como olhar para este quadro. É estar lá sem estar dentro, é estar de fora sem estar cá fora. Vivo à distância. a guerra à distância. o horror à distância. a morte à distância. o medo à distância. o desastre à distância. É tudo uma mera notícia.»
Hoje, 3 de Maio é um romance escrito a partir do quadro Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808, de Francisco José de Goya y Lucientes. Um retrato de quem fuzila e de quem é fuzilado numa Europa que permanece, até hoje, presa num tempo de guerra. Saiba mais.
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sobre a obra da comunicação social


No Público, desde logo, a chamada 
na primeira página. Depois, no Ípsilon. Assim:



A AberturaA partir de um quadro de Goya, sobre um acontecimento de 1808, Patrícia Portela fez um romance extraordinário. Hoje, 3 de Maio tem a guerra como fundo mas é, sobretudo, uma interrogação acerca de nós.


Ainda, mais estes excertos: « (...) Hoje, 3 de Maio não é um romance histórico, está bem longe dessa ideia. Com uma mestria rara, Patrícia Portela conseguiu dar várias visões dos acontecimentos que o quadro de Francisco de Goya retrata, como era seu propósito, mas em simultâneo deambular pela Europa do tempo da Guerra Peninsular e pela Europa dos dias de hoje. Para isso introduziu, com finíssima ironia, uma personagem feminina, ao mesmo tempo estranha e familiar, que se passeia pela Madrid do nosso tempo, que trabalha para uma instituição europeia... Mas dessa personagem falaremos mais adiante. Cada coisa a seu tempo. O que nos interessa agora é como é que um livro com acção em 1808 nos consegue fazer ver o presente, pensar o tempo de hoje a partir de Goya.

(...) Patrícia Portela escreveu um romance improvável. Parte da descrição de uma pintura de Goya, e sem nunca a perder de vista, nem aos seus elementos exteriores, nem ao Museu do Prado, vai-nos levando pelo olhar (o livro é profusamente ilustrado) até aos dias de hoje, às guerras da Ucrânia e a Gaza. O narrador, uma voz anónima que tudo sabe, vai reflectindo (ou faz o leitor reflectir) acerca de assuntos inesperados, como os pensamentos de Einstein, de Henri Bergson, ou em acontecimentos como a divisão da Coreia. Todos nós encarnamos numa Europa de camisa branca sobre uma pele incomodada por pruridos. (...)». Se tiver acesso a entrevista na integra aqui.

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e do semanário Expresso



Começa assim: «A imagem é poderosíssima. À direita do quadro, um pelotão de fuzilamento, formado por soldados que não mostram a cara, aponta as espingardas a um grupo de condenados que aguarda, junto a uma pilha de mortos, o seu momento final. De entre eles, destaca-se um homem de camisa muito branca, peito oferecido às balas, braços erguidos, chagas nas palmas das mãos, olhar desolado diante da ignomínia. Em “Os Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808”, pintado seis anos após o acontecimento que retrata, Francisco de Goya não capta apenas o massacre de centenas de madrilenos revoltosos às mãos do exército francês, no monte do Príncipe Pio. Capta a essência de todos os fuzilamentos que já houve e esse instante terrível, abismo entre a vida e a morte, que é o instante que precede os disparos. (...)». Termina deste modo: «(...) Além da grandeza literária do romance e da sua escrita magnífica, “Hoje, 3 de Maio” distingue-se ainda como um belíssimo objeto estético. Nas inúmeras reproduções de pormenores do quadro, e no jogo com outros trabalhos do artista (como a série de gravuras “Os Desastres da Guerra”), 
a obra-prima de Goya vai-nos surgindo ampliada, desdobrada, num sofisticado jogo de espelhos entre pintura e literatura». Se tiver acesso, na integra, neste endereço. 

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Em suma, de Patrícia Portela obra a não perder. E como efeito «colateral» talvez uma visita ao Museu do Prado  e sabermos mais sobre GOYA.  




sexta-feira, 26 de junho de 2026

NA GULBENKIAN | Jardim de Verão

 


FESTIVAL

Jardim de Verão Gulbenkian

 

Sáb e dom, até 12 jul 2026, Entrada gratuita

 

É já no sábado que começa o Jardim de Verão, que este ano volta a contar com a curadoria de Dino D’Santiago (música) e tem Alexandra Matos e Luís Almeida como curadores dos filmes e conversas. O pontapé de saída será no Grande Auditório, com o pop e o jazz de Bokor. No resto do fim de semana, haverá mais três concertos, dois DJ sets, a projeção dos dois primeiros episódios da série Novas Narrativas de Caça (seguidos de conversas) e uma oficina para famílias. Consulte a programação completa. Veja aqui.



quinta-feira, 25 de junho de 2026

«selvajaria»

 

no DN - 25 JUN 2026



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Sobre o problema a que se referem as imagens acima já fizemos postOLHAMOS PARA O QUE SE ESTÁ A PASSAR COM OS SUBSÍDIOS DE MÉRITO CULTURAL ATRAVÉS DO FUNDO DE FOMENTO CULTURAL E HÁ QUEM INTELIGENTEMENTE E COM TALENTO NOS LEVE AO PASSADO PARA MELHOR REFLETIRMOS | «Este País te mata lentamente» diz Sophia no «Camões e a tença» | NÃO PODEMOS PERMITIR QUE SE CONTINUE A MATAR LENTAMENTE NESTE FRÁGIL SETOR DA CULTURA E DAS ARTES .... À medida que o assunto continua a merecer a atenção da comunicação social mais nos convencemos que o problema merece ser aprofundado, nomeadamente a Senhora Governante com responsabilidades na Cultura e por conseguinte  no processo dos «Subsídios com base no Mérito Cultural» aqui em causa talvez deva começar por entrar no espirito do diploma de 1982 e reparar em especial no que acima sublinhamos. Todos estaremos de acordo que é fundamental fazer RELATÓRIO GLOBAL sobre a «história» da aplicação do Decreto-lei aqui em análise. Mas entretanto não podemos deixar «morrer à fome» quem neste momento para que isso não aconteça precise do parco apoio do Estado. Aliás, vem nos manuais: não se pode acabar com uma intervenção estatal sem que haja alternativa, ainda por cima em questão de tal melindre ... Daí que se compreenda o titulo «selvajaria».
Ainda, pelo que se vai sabendo, e indo à origem, esta «politica» tem a ver com a ESPECIFICIDADE DA CULTURA E DA ARTE. Mais, mesmo que sem o tal estudo que diagnosticamos como essencial,  não será dificil concluir, dada a fragilidade do setor, que o futuro não está acautelado. Ou seja, é de prever que vamos continuar a ter candidatos ao «Subsidio de Mérito Cultural», e cada vez mais novos. A propósito, haverá idade para isso? E haverá quem nem sequer saiba da possibilidade de apoio? Assumimos aqui o que temos subscrito em diversas ocasiões com diferentes «estatutos»: Reinvindique-se um PLANO NACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO CULTURAL onde o ENVELHECIMENTO ATIVO não seja esquecido. Mais, não se tenha medo de debater o que o Jornal de Letras  (que já não temos) trouxe para a Primeira Página e de que fez dossier: 
  

  
acrescentemos


quarta-feira, 24 de junho de 2026

«Cinema de Intervenção: 50 Anos Depois|24-26 Jun., Lisboa»

 



«Este programa assinala 50 anos desde a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção, um encontro de nove dias que decorreu no Estoril, em Maio de 1976, reunindo mais de 150 filmes comprometidos politicamente, de diversas geografias do Norte e Sul Global.

Praticamente esquecida hoje, a Mostra foi um projecto ambicioso, abertamente militante, que articulou diferentes lutas de todo o mundo através do cinema e, desse modo, interrelacionou redes de solidariedade antifascistas, anti-racistas, operárias e feministas na Europa com as lutas anticoloniais e anti-imperialistas de outras geografias. Nesse contexto, o cinema era inseparável da colectividade e da imaginação política, das práticas de ver, fazer e pensar em conjunto através de imagens.

Ao longo de três dias, levantar-se-á uma série de questões em torno da capacidade do cinema para intervir na realidade política actual, bem como reflexões acerca das infra-estruturas, antigas e novas, através das quais as práticas cinematográficas contemporâneas poderão produzir formas de colectividade e de mobilização concretas».


segunda-feira, 22 de junho de 2026

«CARNE» | de David Szalay | VENCEDOR BOOKER PRIZE 2025

 



SINOPSE
István, ainda adolescente, vive com a mãe num tranquilo complexo de apartamentos na Hungria. Tímido e recém-chegado à cidade, é alheio aos rituais sociais praticados pelos colegas e rapidamente se vê isolado, sendo arrastado para uma sequência de acontecimentos que o deixam para sempre estranho aos outros, à vizinha que o seduz e depois à mãe e a si próprio. Assombrado pelo espectro de uma tragédia passada e pela apatia da modernidade, o confronto entre István e tudo aquilo que o envolve avança até que uma súbita nova tragédia volta a pôr em risco a vida que conhece.
Carne traça os contornos quase impercetíveis de um trauma não resolvido e das suas consequências, no contexto da precariedade e da violência de uma Europa cada vez mais globalizada; e fá-lo com uma lucidez incisiva, um pathos inabalável e uma humanidade surpreendente. Saiba mais.

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Sobre o livro, no semanário
Expresso , do que Pedro Mexia  com o titulo Gente Arbitrária escreve

«István é um adolescente húngaro solitário, calado e com “pouca apetência” pela sexualidade. Um diagnóstico sem grande fundamento, porque avançamos umas páginas e já o rapaz está envolvido com uma vizinha mais velha do que a mãe dele. Começa por ajudar com as compras, o convívio salta etapas muito depressa, e mais uns parágrafos e a senhora está a encher o peito de óleo de bebé para actividades amatórias. Este caso estabelece um padrão que se mantém ao longo de toda a história: sem que István faça quase nada por isso, sem que diga nada interessante, as mulheres caem-lhe nos braços. Mulheres muito diferentes, que vão do óbvio ao complicado e ao insólito, colegas de trabalho, uma empregada de bar, a mulher do patrão, a caseira deste.
David Szalay (n. 1974), britânico-canadiano de origem húngara, usa invariavelmente um registo conciso, factual, com descrições directas, incluindo as sexuais, nada excitantes e nada púdicas. O sexo, neste romance, deve mais ao desejo do que ao afecto. E um gesto carinhoso ou uma menção ao “amor” são sempre tidos como despropositados ou inconvenientes.
Em “Carne”, o adágio latino “post coitum omne animal triste” peca por defeito. Há sem dúvida excitação e gozo antes e durante os encontros, mas é sexo sem “aura”, um acto mecânico, a satisfação de uma necessidade. E István, para si mesmo, faz avaliações cruas ou cruéis sobre a anatomia e a idade das mulheres. Em entrevistas, David Szalay tem insistido que “Carne” é sobre a fisicalidade, não apenas a sexualidade. O predomínio de verbos e substantivos confirma isso mesmo, e esta passagem do livro define bem o alargamento temático: “(…) toda essa fisicalidade florescente é guardada no fundo de nós como uma espécie de segredo, ao mesmo tempo que é também a superfície que se apresenta ao mundo, de modo que ficamos absurdamente expostos, sem saber se o mundo sabe tudo ou nada sobre nós, porque não há forma de saber se estas experiências que estamos a viver são universais ou exclusivas.” (...)».