sexta-feira, 21 de agosto de 2026

FILME | EM EXIBIÇÃO | «Elisa»

 

sinopse

Depois de dez anos na prisão pelo homicídio da sua irmã, Elisa mal se lembra do crime. O Professor Alaoui, um reputado criminólogo, reabre o seu caso e ajuda-a a reviver memórias reprimidas, que a poderão aproximar da redenção. 
Saiba mais


Festival de Veneza 2025 – Selecção Oficial em Competição - Prémio SIGNIS

Prémios David di Donatello 2026 – Nomeações para Melhor Actriz Principal (Barbara Ronchi) e Melhor Argumento Adaptado

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 Veja a Folha de Sala


«A segurança da pessoa idosa deve ser entendida como um processo permanente de prevenção, capacitação, participação, preparação e aprendizagem. Mais do que proteger pessoas vulneráveis, importa criar organizações capazes de reduzir a sua vulnerabilidade»

 







quinta-feira, 20 de agosto de 2026

FESTIVAL MÚLTIPLO

 



«O FESTIVAL MÚLTIPLO propõe 3 dias de atuações musicais e intervenções artísticas, de 21 a 23 agosto, em Lisboa. Com este festival anual a Zaratan – Arte Contemporânea celebra “o espírito de luta dos espaços independentes (…) contra a homogeneização cultural e fora das lógicas comerciais…”.

“Em oposição à típica migração das massas para os grandes festivais de verão”, a Zaratan propõe-nos um pequeno festival feito por agentes locais, que “permite habitar o centro histórico e manter vivos projetos independentes de alto valor artístico”». Veja aqui.


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

RECORDEMOS GARCIA LORCA QUE MORREU NUM DIA 19 DE AGOSTO (OU SERÁ 18?)| «No 90.º aniversário da morte de Lorca, a cidade de Granada afadiga-se num vasto programa de atividades, que culminará, em outubro, com uma ação performativa e cívica a que foi dado o título genérico de Requiem for Lorca»

 


Excertos:
«(...)Tão envolto em mistério como o motivo é o local onde foi depositado o corpo, que permanece desconhecido 90 anos após a execução. Depois de muito se falar no barranco de Víznar, uma equipa de arqueólogos procedeu a escavações no local, encontrando19 fossas, de onde foram exumados mais de 170 cadáveres de ambos os sexos, mas não se concluiu que alguns deles fosse o do poeta. Hoje, o lugar está consagrado como Lugar de Memoria de Andaluzia, onde se pode ler inscrito na pedra: “Lorca eram todos”.
Esta é, aliás, uma demanda antiga. Em maio de 1960, a escritora Marguerite Yourcenar foi a Granada em busca do lugar de sepultura de Lorca. Em carta a uma das irmãs deste, Isabel, que conhecera nos Estados Unidos, a autora conta como se dirigiu a um grupo de mulheres, reunido à porta de uma igreja e encontrou um silêncio aterrorizado, mesmo da mais faladora: “O seu rosto mudou, perdeu toda a expressão, e respondeu-nos sem vacilar que não conhecia o nome desse senhor e que, em Viznar, ninguém fora morto.”
(...)

Viajemos agora nós para 2026: No 90.º aniversário da morte de Lorca, a cidade de Granada afadiga-se num vasto programa de atividades, que culminará, em outubro, com uma ação performativa e cívica a que foi dado o título genérico de Requiem for Lorca.

Mas também no Cinema e na Literatura há novidades. Cannes consagrou com o prémio de melhor realização o filme La bala negra, de Javier Calvo e Javier Ambrassi, a partir de um trabalho deixado inacabado pelo poeta e de uma peça homónima de Alberto Conejero. Estreia, em Espanha, a 25 de Setembro.

Entre as novidades editoriais há que destacar o aparecimento de uma compilação da correspondência da família, No te olvides de escribir. La familia García Lorca en sus cartas, que permite reconstituir a intimidade e o contexto emocional do poeta.

Também neste ano de efeméride “redonda”, o eterno biógrafo Ian Gibson publicou No me encontraron. La fosa de Lorca. Crónica de un olvido, um ensaio em torno da “perda” do corpo do poeta e do que esse vazio incomensurável significa, afinal, para a memória histórica de Espanha».

domingo, 16 de agosto de 2026

«Living conditions for LGBTI people in Nordic rural areas»

 


Abstract
«The research review shows that interest in the living conditions of queer people in rural areas in the Nordic countries has increased over the last 10–15 years. The research focuses in particular on settlement patterns, the experiences of young queer people, organisation and meeting places, as well as the significance of religion. The findings reveal both challenges and opportunities: whilst norms relating to gender and sexuality can create limitations, examples of a sense of belonging, local engagement and inclusive communities are also highlighted. At the same time, there are significant gaps in our knowledge, particularly regarding the peripheral areas of the Nordic region and how place affects the living conditions and quality of life of queer people». Aqui.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

«Alinhados pela Mesma Lã»

 



«(...)Alinhados pela Mesma Lã nasce de um gesto coletivo: sete artistas têxteis reuniram-se em torno de uma matéria-prima ancestral — a lã da ovelha Churra Algarvia — para escutar o território, abrandar o tempo e transformar o gesto. Durante meses, acompanhámos o ciclo da lã, da ovelha ao fio, atravessando cada etapa com as mãos, com o corpo e com o pensamento. O que aqui se apresenta é o resultado desse percurso: uma cartografia sensível feita de texturas, memórias e reinvenções.

Raça autóctone e única churra originária do sul de Portugal, a Churra Algarvia é uma presença discreta, mas resistente. A sua lã, de toque áspero e madeixas longas, carrega consigo histórias de uso doméstico, de economia rural, de saberes transmitidos em silêncio. Trabalhá-la exige tempo, exige escuta. E foi nesse tempo lento que nos alinhámos, pela mesma lã, pelo mesmo desejo de compreender e cuidar. (...)». Saiba mais.



quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ACONTECEU EM BRASÍLIA NA APRESENTAÇÃO DO «O SÉCULO DOS IMBECIS»| Valter Hugo Mãe defende que futuro está nas mulheres e critica poder masculino




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«Numa pequena vila, Agilulfo – marquês deslocado no tempo da Repúblcia – vive entre a lucidez e a ignorância, fascinando uma comunidade rendida ao absurdo. Esta história reflete sobre a fragilidade humana e a estranha resistência ao conhecimento num século dominado pela informação». Saiba mais.



segunda-feira, 10 de agosto de 2026

«“Desconectados”: uma coleção para pensar o impacto do digital na nossa vida»

 




«Arrancou a «25 de julho a coleção “Desconectados”, um projeto editorial que analisa os efeitos do digital nas nossas relações sociais, na saúde mental, no ensino e na educação, e na forma como vivemos. Porque estar conectado não significa estar dependente. 
Resultado de uma parceria entre o Expresso e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, o projeto “Desconectados” irá lançar, ao longo de quatro semanas, uma coleção de livros sobre os desafios da era digital. Cada volume combina investigação jornalística, testemunhos e dados relevantes, organizados em torno de quatro grandes eixos: redes sociais, adolescência, saúde mental e educação digital». 
 

domingo, 9 de agosto de 2026

AMANHÃ NO NIMAS EM LISBOA «A COLECIONADORA» | do ciclo “Reflexos da Nouvelle Vague” no âmbito da Grande Retrospectiva Agnés Varda

 

Ciclo "Agnès Varda – A Nouvelle Vague e os seus Reflexos"

24.0705.09

Cinema Medeia Nimas - Lisboa

«No contexto da Grande Retrospectiva Agnès Varda, teremos um ciclo a que demos por título “Reflexos da Nouvelle Vague”, com obras dos cineastas que foram “referências” para os realizadores deste movimento: Renoir, Bresson, Rossellini, Nicholas Ray e Tati; e dos “companheiros” desta bela aventura: Godard, Rohmer, Rivette, Chabrol e Rozier (e, naturalmente, Truffaut, cuja obra completa vimos a mostrar desde o início de Julho); e alguns contemporâneos que trabalharam na sua margem: em primeiro lugar, Jacques Demy, o Jacquot de Nantes, companheiro e cúmplice de Agnès, sobre o qual ela realizaria alguns filmes, Jean-Pierre Melville e Louis Malle».

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Amanhã



sexta-feira, 7 de agosto de 2026

«Trabalho de Clara Peeters antes atribuído a Brueghel ressurge em Oslo e destaca o papel fundamental de mulheres na história da arte barroca»

 


Natureza-morta com caça e uvas, pintada por Clara Peeters por volta de 1620, obra redescoberta após permanecer esquecida no acervo do Museu Nacional da Noruega. Foto: Børre Høstland/Museu Nacional

«Pintura de pioneira da natureza-morta é descoberta em depósito de museu

Trabalho de Clara Peeters antes atribuído a Brueghel ressurge em Oslo e destaca o papel fundamental de mulheres na história da arte barroca



quinta-feira, 6 de agosto de 2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

ELIZABETH SMART |«Junto à Grand Central Station Sentei-Me e Chorei»

 



SINOPSE
Inspirado no intenso caso amoroso da autora com o poeta George Barker, Junto à Grand Central Station Sentei-Me e Chorei tornou-se um verdadeiro livro de culto e um clássico da literatura.
Um dia, enquanto folheava os livros numa livraria de Londres, Elizabeth Smart deparou-se com um pequeno volume de poesia de George Barker - e, apenas através da palavra escrita, apaixonou-se perdidamente pelo poeta. Após três anos de demanda do seu amado, Lawrence Durrell dá-lhe o endereço de Barker.
Assim começa a lenda do caso amoroso Elizabeth-George que está na base da escrita deste livro - uma das histórias de amor mais extraordinárias, intensas e trágicas do nosso tempo. Elizabeth e Barker tiveram quatro filhos, no entanto, ele permaneceu legalmente casado com a sua mulher, mas isto torna-se irrelevante perante a genialidade com que tão vulgar episódio da vida é contado.
Partindo da sua experiência pessoal, Smart transforma-a em arte, exibindo na sua escrita uma forte intenção estética e um elaborado trabalho de linguagem. A sua prosa poética faz com que este livro notável, publicado originalmente em 1945, seja hoje amplamente reconhecido como um clássico da literatura que mantém toda a sua pungência, beleza e poder. Saiba mais.



sábado, 1 de agosto de 2026

COMEÇAR AGOSTO COM GRAÇA MORAIS

 




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Excertos da entrevista
ao semanário Expresso


Nasceu perto da primavera, está entre os maiores artistas portugueses de sempre. É uma pintora do sofrimento e da natureza, do heroísmo e da maldade, do mundo rural e da História. Das mulheres, dos bichos, da beleza. Vive ligada a Trás-os-Montes e ao mundo, a ferver de ideias

POR João Pacheco (TEXTO) Jornalista e José Fonseca Fernandes (FOTOGRAFIAS)

Entre as aldeias de Vieiro e de Freixiel há menos de dez quilómetros de caminho, por terras transmontanas. Um dia, o rapaz encostou o cavalo à varanda da casa e a rapariga saltou. Cavalgaram numa fuga rumo à capela de Freixiel e ali se casaram, contra a vontade familiar. Foram avós juntos e em 1948 nasceu uma neta que viria a ser pintora. “A grande personagem da minha vida foi o avô Pinto”, diz agora Graça Morais. A neta do avô Pinto vive entre Lisboa e Trás-os-Montes, rodeada de fragas, vinha e olivais. Já viveu no Porto, em Guimarães, em Paris e em Bragança, onde o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais mostra até 17 de outubro a exposição “Anjos do Apocalipse”. Esta conversa durou horas e aconteceu no Palácio Anjos, em Algés, onde a pintora tem uma grande exposição até 16 de agosto. Com espaço para uma homenagem aos presos políticos da prisão de Caxias. Com caras marcadas por isto de vivermos. Com morte e espanto. O mesmo espanto com que contará como precisa de assistir ao arranque das batatas, em Trás-os-Montes. “A rama é bonita e depois saem dez, 20 batatas pequenas e grandes, com raízes e terra. Vou pintar e desenhar este mistério da criação.” (...).

Nos seus primeiros anos como pintora, ser mulher fez diferença?

Começou logo por fazer diferença quando saí com uma nota alta e não fui convidada para ser [professora] assistente nas Belas Artes, no Porto. Alguns homens com notas mais baixas foram convidados, mas a escola do Porto não tinha mulheres professoras. Tinha metido na cabeça que queria era pintar, não sofri com essa exclusão. 

Foi dar aulas onde?

Fui dar aulas primeiro para o Soares dos Reis, nas Artes Decorativas. Tinha uma nota alta e fui colocada. Não gostei nada, não estava preparada para dar aulas a pessoas em cursos profissionais. As Belas Artes não nos preparavam para dar aulas, preparavam-nos para ser artistas e sobretudo artistas medíocres. Isto dito é um bocado chato, mas é assim. Em Belas Artes, grandes pintores foram meus professores. Os melhores artistas davam aulas na Escola, tínhamos essa vantagem. O que não quer dizer que fossem os melhores professores. Faziam um esforço, mas só depois de viajar muito é que me apercebi das minhas falhas. A minha ignorância era imensa. Quando ia a Paris, quando ia a Londres, pensava: “Eu já devia saber isto tudo.” Ainda hoje, quando vou a exposições e vejo filmes sobre artistas, penso: “Mas como é que só agora com 70 anos estou a saber estas coisas?” As escolas deveriam ser mais exigentes, mostrar mais coisas. (...)

A matança do porco é muito importante na sua pintura.

É, porque reunia a família. As fotografias que fiz já são da altura em que a matança do porco começou a ser proibida. Era um encontro da família, em que todos eram úteis. Nós matávamos mais do que um porco. E na altura havia muita pobreza. Não digo miséria, porque as pessoas todas tinham uma casa, nem que fosse humilde. Agora nas aldeias é uma diferença enorme, não vê ninguém a passar mal. Os velhos vão para os lares, são bem tratados, mas estão isolados. Custa muito ver as mulheres que pintei e que estão ali naquelas fotografias. Só uma está viva. A maior parte foi colocada em lares em Vila Flor ou perto, completamente sozinhas. A família, a maior parte dela, não as vai ver. (...)».

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«8 páginas merecidas.
Graça Morais não faz uma pintura amável, 'delicada', decorativa, fácil, lúdica ou bonitinha. Mas tem uma imensa multidão de admiradores e uma grande projecção mediática que não passa pela "crítica especializada". Muita da sua pintura é crua, invulgar, estranha mesmo, desafiadora, singular e mais idiossincrática que alinhada por estilos formais vulgarizados, ancorada em realidades locais distantes, vindas de profundezas culturais de Trás-os-Montes sem ser folclórica, e sem deixar de ser uma produção culta com marcantes afinidades internacionais.
As suas entrevistas ajudam a abrir caminhos para melhor se entenderem os seus temas e as suas figuras, por quem é distante das suas raízes, e as suas preocupações face ao estado do mundo, mas para lá das descrições e interpretações tudo se joga na intensidade visível da pintura e dos seus materiais, na veemência sensorial dos retratos, humanos e animais, na força das imagens que estabelecem cumplicidades entre personagens e espectadores.
João Pacheco faz uma boa entrevista na presente edição da Revista (31 de Julho) e já tinha apresentado na Revista de 4 de Abril - "A beleza da natureza, o horror da guerra, a memória da mãe" - a antologia que se vê ainda no Palácio Anjos, ate 13 de setembro.
A chamada crítica vive de patrocinar casos menores e arreda-se, como acontece no Público, e os museus mais institucionais nunca lhe abriram as portas. Face à arte que "reflecte" sobre ideias de arte e repete as receitas secas de estilos colectivos com décadas de envelhecimento, o mundo da Graça Morais (mulher e pintora de figuras) é uma diferença violenta. Demasiado difícil? demasiado admirada? demasiado popular? demasiado grande? ».