segunda-feira, 22 de junho de 2026

«CARNE» | de David Szalay | VENCEDOR BOOKER PRIZE 2025

 



SINOPSE
István, ainda adolescente, vive com a mãe num tranquilo complexo de apartamentos na Hungria. Tímido e recém-chegado à cidade, é alheio aos rituais sociais praticados pelos colegas e rapidamente se vê isolado, sendo arrastado para uma sequência de acontecimentos que o deixam para sempre estranho aos outros, à vizinha que o seduz e depois à mãe e a si próprio. Assombrado pelo espectro de uma tragédia passada e pela apatia da modernidade, o confronto entre István e tudo aquilo que o envolve avança até que uma súbita nova tragédia volta a pôr em risco a vida que conhece.
Carne traça os contornos quase impercetíveis de um trauma não resolvido e das suas consequências, no contexto da precariedade e da violência de uma Europa cada vez mais globalizada; e fá-lo com uma lucidez incisiva, um pathos inabalável e uma humanidade surpreendente. Saiba mais.

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Sobre o livro, no semanário
Expresso , do que Pedro Mexia  com o titulo Gente Arbitrária escreve

«István é um adolescente húngaro solitário, calado e com “pouca apetência” pela sexualidade. Um diagnóstico sem grande fundamento, porque avançamos umas páginas e já o rapaz está envolvido com uma vizinha mais velha do que a mãe dele. Começa por ajudar com as compras, o convívio salta etapas muito depressa, e mais uns parágrafos e a senhora está a encher o peito de óleo de bebé para actividades amatórias. Este caso estabelece um padrão que se mantém ao longo de toda a história: sem que István faça quase nada por isso, sem que diga nada interessante, as mulheres caem-lhe nos braços. Mulheres muito diferentes, que vão do óbvio ao complicado e ao insólito, colegas de trabalho, uma empregada de bar, a mulher do patrão, a caseira deste.
David Szalay (n. 1974), britânico-canadiano de origem húngara, usa invariavelmente um registo conciso, factual, com descrições directas, incluindo as sexuais, nada excitantes e nada púdicas. O sexo, neste romance, deve mais ao desejo do que ao afecto. E um gesto carinhoso ou uma menção ao “amor” são sempre tidos como despropositados ou inconvenientes.
Em “Carne”, o adágio latino “post coitum omne animal triste” peca por defeito. Há sem dúvida excitação e gozo antes e durante os encontros, mas é sexo sem “aura”, um acto mecânico, a satisfação de uma necessidade. E István, para si mesmo, faz avaliações cruas ou cruéis sobre a anatomia e a idade das mulheres. Em entrevistas, David Szalay tem insistido que “Carne” é sobre a fisicalidade, não apenas a sexualidade. O predomínio de verbos e substantivos confirma isso mesmo, e esta passagem do livro define bem o alargamento temático: “(…) toda essa fisicalidade florescente é guardada no fundo de nós como uma espécie de segredo, ao mesmo tempo que é também a superfície que se apresenta ao mundo, de modo que ficamos absurdamente expostos, sem saber se o mundo sabe tudo ou nada sobre nós, porque não há forma de saber se estas experiências que estamos a viver são universais ou exclusivas.” (...)». 


domingo, 21 de junho de 2026

OLHAMOS PARA O QUE SE ESTÁ A PASSAR COM OS SUBSÍDIOS DE MÉRITO CULTURAL ATRAVÉS DO FUNDO DE FOMENTO CULTURAL E HÁ QUEM INTELIGENTEMENTE E COM TALENTO NOS LEVE AO PASSADO PARA MELHOR REFLETIRMOS | «Este País te mata lentamente» diz Sophia no «Camões e a tença» | NÃO PODEMOS PERMITIR QUE SE CONTINUE A MATAR LENTAMENTE NESTE FRÁGIL SETOR DA CULTURA E DAS ARTES ...

 

Tirado daqui, onde também
 podemos ouvir no «belo dizer»
de João Reis. 

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Comecemos por partilhar que temos alguma (muita) dificuldade em falar sobre o que se está a passar em torno dos Subsídios de Mérito Cultural através do Fundo de Fomento Cultural. Sentimos pudor. Medo de não conseguirmos a dignidade que as pessoas envolvidas nos merecem. Só elas deviam indicar até onde se pode ir. Contudo,  é matéria sobre a qual dispomos de algum conhecimento que nos permite dizer que o que se está a passar é abjeto  - sentimos obrigação de não temer as palavras. 
Em particular, sendo este um blogue em cujo conceito se acredita na força da cultura e da arte em defesa das igualdades não podiamos passar ao lado do que está a acontecer com autores e artistas a quem cortaram meios de sobrevivência ... É o que nos dizem na praça pública, e se nos incomoda ler, mais nos incomodaria se a comunicação social não nos pusesse a par do que está a passar: no século XXI !
Para sabermos mais, talvez recorrer a este post do blogue  Elitário Para Todos:




«Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA»

 



E da ONU Mulheres Brasil: 

«Nova York, 28 de abril de 2026. Às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio, a ONU Mulheres, TheNerve e parceiros lançam um novo relatório que destaca as formas crescentes e cada vez mais sofisticadas de violência online enfrentadas por mulheres na vida pública, especialmente mulheres jornalistas e profissionais de mídia.
De acordo com o relatório “Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA”, 12% das defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas, trabalhadoras da mídia e outras comunicadoras públicas relatam ter vivenciado o compartilhamento não consensual de imagens pessoais, incluindo conteúdo íntimo ou sexual. 6% dizem ter sido vítimas de “deepfakes”, enquanto quase uma em cada três recebeu investidas sexuais não solicitadas por meio de mensagens digitais.
O relatório revela que esse tipo de abuso é frequentemente deliberado e coordenado, desenhado para silenciar mulheres na vida pública ao mesmo tempo em que mina sua credibilidade profissional e sua reputação pessoal. Essa estratégia já está produzindo efeitos: 41% de todas as mulheres respondentes disseram que se autocensuram nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% relataram autocensura em seu trabalho profissional como resultado da violência online. Entre mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia, o cenário é ainda mais preocupante: 45% desse grupo relatou autocensura nas redes sociais em 2025, um aumento de 50% desde 2020, e quase 22% relataram autocensura em seu trabalho.
Outras tendências relevantes apontam para um aumento de ações legais e de denúncias às forças de segurança entre mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia. Em 2025, elas tinham o dobro de probabilidade de denunciar incidentes de violência online à polícia (22%) em comparação com 2020, quando esse índice era de 11%. Quase 14% agora estão tomando medidas legais contra perpetradores, facilitadores ou seus empregadores, acima dos 8% registrados em 2020, refletindo maior conscientização e uma pressão mais forte por responsabilização.
Essa violência tem um impacto grave na saúde e no bem-estar das mulheres. O relatório revela que quase um quarto (24,7%) das mulheres jornalistas e trabalhadoras da mídia entrevistadas foi diagnosticado com ansiedade ou depressão relacionada à violência online que vivenciaram, e quase 13% relataram diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
“A IA está tornando o abuso mais fácil e mais danoso, e isso está alimentando a erosão de direitos duramente conquistados em um contexto marcado pelo retrocesso democrático e pela misoginia em rede. Nossa responsabilidade é garantir que sistemas, leis e plataformas respondam com a urgência que essa crise exige”, afirmou Kalliopi Mingerou, chefe da Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres.
Persistem lacunas significativas na proteção legal contra a violência online. Como destacou o Banco Mundial no ano passado, menos de 40% dos países têm leis em vigor para proteger mulheres contra assédio virtual ou perseguição virtual. Como resultado, 44% das mulheres e meninas do mundo, aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas, continuam sem acesso à proteção legal.
O relatório “Tipping point: Online violence impacts, manifestations, and redress in the AI age” está disponível em Inglês e integra uma série mais ampla que examina como a violência online limita a participação das mulheres na vida pública na era da IA. O estudo foi encomendado pela ONU Mulheres no âmbito do Programa ACT para Acabar com a Violência contra as Mulheres, financiado pela União Europeia. Foi produzido em parceria com pesquisadoras e pesquisadores da Iniciativa de Integridade da Informação da TheNerve e da City St George’s, University of London, em colaboração com o International Center for Journalists e a UNESCO. As autoras e autores do relatório são: Dr. Julie Posetti, Kaylee Williams, Dr. Lea Hellmueller, Dr. Pauline Renaud, Nabeelah Shabbir e Dr. Nermine Aboulez».


sexta-feira, 19 de junho de 2026

«Segurar, Dar, Receber»

 



Ainda

«(...)Segurar, dar, receber revela uma reciprocidade que ecoa tanto o conceito de ajuda mútua de Piotr Kropotkin como a visão de Lynn Margulis da simbiose como força motriz da evolução e da criatividade.

Vivemos num mundo em que as disrupções económicas são celebradas como «destruição criativa» e em que a palavra «mútuo» surge mais frequentemente associada ao espectro da destruição nuclear mútua do que à ajuda mútua. É um mundo marcado por desigualdades extremas e por uma inquietante deriva para o autoritarismo de direita. Neste sentido, Segurar, dar, receber pretende ser um gesto discreto, mas firme, de resistência — um manifesto em favor da horizontalidade, da ajuda mútua, da simbiose e da reciprocidade.

A arte e a arquitetura raramente transformam diretamente o mundo, mas fazem-no de modo indireto, ao transformar a forma como o vemos e como nele vivemos.

O Anozero’26 destaca práticas artísticas e arquitetónicas que esbatem as fronteiras entre disciplinas e apresenta projetos que — implícita ou explicitamente — dão, retribuem, transmitem adiante e permanecem recetivos às pessoas e às interpretações. Uma arte hospitaleira, uma arquitetura generosa.

Se a arte, a arquitetura, artistas e arquitetos não podem mudar o mundo — apenas a forma como o experienciamos —, então o nosso papel, enquanto curadores, é enquadrar essas visões: tornar visível aquilo que a arte e a arquitetura reunidas neste evento contêm, guardam e têm para oferecer a quem o visita e, talvez, influenciar a forma como cada pessoa compreende o mundo». Leia na integra.


Na brochura disponível aqui


quinta-feira, 18 de junho de 2026

«Uma edição inédita de ‘As Mil e Uma Noites’ reconhece a possível autoria feminina da obra»





« Sob o título "Mulheres Anônimas", a ONU Mulheres Espanha apresentou uma nova edição do clássico universal "As Mil e Uma Noites", fruto de uma pesquisa que busca resgatar as vozes de mulheres invisibilizadas pela história e suscitar reflexões sobre igualdade, cultura e representatividade.

Essa pesquisa, conduzida ao longo de cinco meses por uma equipe multidisciplinar de especialistas, incluindo especialistas em psicolinguística, foi viabilizada graças à Dentsu Creative. A análise conclui que há quase 82% de probabilidade de que os primeiros textos de "As Mil e Uma Noites" tenham sido escritos por uma mulher. Este projeto visa promover a igualdade de gênero na esfera cultural e destacar as contribuições históricas de mulheres que foram invisibilizadas ou relegadas ao longo da história».

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Sobre a matéria, veja também‘Anónimo’ se convierte en ‘Anónima’: ONU Mujeres reivindica la autoría femenina de ‘Las mil y una noches’»


segunda-feira, 15 de junho de 2026

MULHERES EM DESTAQUE | MARIA MONTSERRAT ALVARADO |«O Papa Leão XIV nomeou Maria Montserrat Alvarado, atualmente presidente e diretora operacional da EWTN News, prefeita do Dicastério para a Comunicação a partir de novembro de 2026»

 



O Papa Leão XIV nomeou Maria Montserrat Alvarado, atualmente presidente e diretora operacional da EWTN News, prefeita do Dicastério para a Comunicação a partir de novembro de 2026.



«Nascida na Cidade do México, Alvarado obteve seus diplomas acadêmicos na Florida International University e na George Washington University. De 2009 a 2023, ocupou cargos de liderança no Becket Fund for Religious Liberty, dedicando-se a iniciativas voltadas à defesa da liberdade religiosa e à promoção da dignidade humana. Desde 2023, ocupa o cargo de presidente e diretora operacional da EWTN News, a divisão jornalística da Eternal Word Television Network, supervisionando plataformas de mídia internacionais que produzem conteúdos em sete idiomas por meio de televisão, rádio, imprensa, mídia digital e redes sociais.
Com a nomeação de Alvarado, o Papa Leão XIV dá continuidade ao processo de reforma e renovação da Cúria Romana iniciado pelo Papa Francisco, que tem confiado a fiéis leigos, homens e mulheres, cargos de liderança e responsabilidades a serviço da Igreja universal. Alvarado é a primeira mulher leiga a ser nomeada prefeita de um Dicastério da Santa Sé.
Instituído pelo Papa Francisco em 27 de junho de 2015, o Dicastério supervisiona os sistemas de comunicação, entre os quais Vatican News, Rádio Vaticano, L’Osservatore Romano, Vatican Media (serviços fotográficos, de áudio e vídeo), Sala de Imprensa da Santa Sé, Livraria Editora Vaticana, Tipografia Vaticana e Filmoteca Vaticana.
Alvarado sucederá a Paolo Ruffini, primeiro prefeito leigo de um Dicastério e que completará 70 anos no próximo mês de outubro.
Em declaração divulgada após o anúncio, Alvarado afirmou: “Embora essa nomeação tenha sido inesperada, a recebo com o sincero desejo de servir ao Santo Padre no início de seu pontificado. Sou grata a Paolo Ruffini por sua orientação nos últimos anos e estou ansiosa para continuar, com amizade e esperança, o importante trabalho de fortalecimento do Dicastério, para que ele possa continuar a servir a Igreja em Roma e em todos os lugares, a fim de comunicar Cristo ao mundo”». Daqui do Instagram do Vaticano.



domingo, 14 de junho de 2026

«Escola Feminina Rajkumari Ratnavat»

 




Como se vê a exposição da imagem termina hoje depois de ter sido prolongada. Está assim descrita:
«Esta exposição tem origem na extraordinária experiência de Hélène Guétary na Escola Feminina Rajkumari Ratnavati, situada na orla do Deserto de Thar, em Jaisalmer. Ao longo de três semanas, dezasseis alunas tornaram-se as protagonistas do conto visual de Hélène. Discutiam personagens e temas e participaram na escolha e prova 
de figurinos. A exposição retrata este ato partilhado 
de imaginação, onde a narrativa se transforma num gesto 
de afirmação e de construção do futuro.


Assim, aqui e agora funciona como ponto de partida para divulgarmos a Escola Feminina Rajkumari Ratnavat. Escolhemos: Escola para Garotas Rajkumari Ratnavati / Diana Kellogg Architects. De lá«Descrição enviada pela equipe de projeto. A Escola para Garotas é um projeto de arquitetura assinado por Diana Kellogg, do escritório  Diana Kellogg Architects, e foi financiado pelo CITTA, uma organização sem fins lucrativos que apoia o desenvolvimento de algumas das regiões marginalizadas mais desafiadoras economicamente e geograficamente do mundo. 
A Escola de Meninas Rajkumari Ratnavati atende mais de 400 meninas de famílias abaixo da linha da pobreza, residentes na mística região do Deserto de Thar de Jaisalmer em Rajasthan, na Índia, onde a alfabetização feminina mal chega a 32%. A escola, que atende do jardim de infância à classe 10,  será a primeira de um complexo de três edifícios, conhecido como Centro GYAAN, o qual também contará com o Medha , um espaço para exposições de arte e performances com biblioteca e museu, e com a Cooperativa de Mulheres, onde artesãs locais ensinarão às mães técnicas de tecelagem e bordados da região.
O Centro GYAAN tem como objetivo educar e empoderar mulheres, auxiliando-as a se tornarem economicamente independentes, podendo assim prover para suas famílias e fortalecer suas comunidades. Dessa forma, o Centro GYANN foi projetado por uma mulher e é dedicado à mulheres. A arquiteta Diana Kellogg buscou se inspirar em símbolos de força, resultando, portanto, em uma estrutura oval, que representa o poder da feminilidade, e o infinito, e ao mesmo tempo também remete à paisagem das dunas de Jaisalmer, dialogando com a paisagem local. (...)».


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Veja também no site de



sábado, 13 de junho de 2026

«Um Rio Chamado Tempo»


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SINOPSE
Um jovem estudante universitário regressa à sua ilha-natal para participar no funeral do seu avô Mariano. Enquanto aguarda pela cerimónia ele é testemunha de estranhas visitações na forma de pessoas e de cartas que lhe chegam do outro lado do mundo. São revelações de um universo dominado por uma espiritualidade que ele vai reaprendendo. À medida que se apercebe desse universo frágil e ameaçado, ele redescobre uma outra história para a sua própria vida e para a da sua terra.
A pretexto do relato das extraordinárias peripécias que rodeiam o funeral, este romance de Mia Couto traduz, de uma forma a um tempo irónica e profundamente poética, a situação de conflito vivida por uma elite ambiciosa e culturalmente distanciada da maioria rural.
Uma vez mais, a escrita de Mia Couto leva-nos para uma zona de fronteira entre diferentes racionalidades, onde perceções diversas do mundo se confrontam, dando conta do mosaico de culturas que é o seu país e das mudanças profundas que atravessam a sociedade moçambicana atual. Saiba mais.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

CONTINUANDO COM O «BRINCAR» | ontem dia 11 _ «No Dia Internacional do Brincar, a Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) apela a autarquias, escolas e organizações que trabalham com a infância que promovam este direito dos mais novos».

 

Leia no AbrilAbril


Começa assim:

«Há todo um Mapa do Brincar e um desafio por cumprir
A data, reconhecida pelas Nações Unidas para destacar a importância do brincar no desenvolvimento, bem-estar e felicidade das crianças, é comemorada anualmente a 11 de Junho. Neste sentido, a AMRS, que recentemente lançou o projecto «Uma Região a Brincar – Mapa de Lugares Conhecidos e a Descobrir», associa-se ao apelo da IPA Portugal e desafia as comunidades a «promoverem o princípio do brincar perante a incerteza».
Num contexto de crescentes desafios sociais, económicos, ambientais e emocionais, a Associação Portuguesa pelo Direito a Brincar (IPA Portugal) lembra que brincar não é apenas uma actividade agradável, mas antes um direito fundamental, consagrado no Artigo 31.º da Convenção sobre os Direitos da Criança, e essencial para o desenvolvimento saudável, bem-estar e felicidade dos mais novos. (...)».
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Entretanto



quinta-feira, 11 de junho de 2026

BRINCAR É FUNDAMENTAL

 








pode ver também neste endereço




GAUDI

 


Dezeen Debate features "impressive" Lego Sagrada Familia set - Veja aqui



Gaudí Centenary celebrates the legacy of an architect like no other - Veja aqui


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Fotogaleria

Basílica da Sagrada Família alcança o seu ponto mais alto com a bênção do Papa – veja as imagens

Leão XIV presidiu a uma missa no templo desenhado por Antoni Gaudí, que morreu há exactamente 100 anos e "reapareceu" no céu de Barcelona para aprovar a sua obra.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

NO 10 JUN 2026 |«A Ilha dos Amores»

 


SINOPSE
O passado português, como o de tantos outros países, é a história da conquista e da atrocidade, e eu diria que aquilo que de mais alto resta é a cultura, a obra imaterial que nos junta a todos, que nos faz pertencer uns aos outros. A partir de Os Lusíadas, de certa maneira, todos nós temos casa, temos esse espaço imaterial que expõe algo que nos implica de modo profundo. De nossos bravos feitos até nossos tremendos erros, o melhor passado que temos é o da poesia, o da arte, aquele que fez a sua memória na sofisticação da língua e dos talentos..
Este livro é uma maravilha inesgotável. Muito mais do que aquilo que conta. Como conta é que é a maravilha que jamais acabará.
Valter Hugo Mãe, do Prefácio. Mais.
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A Ilha dos amores

De uma os cabelos de ouro o vento leva
Correndo, e de outra as fraldas delicadas;
Acende-se o desejo, que se ceva
Nas alvas carnes súbito mostradas;
Uma de indústria cai, e já releva,
Com mostras mais macias que indignadas,
Que sobre ela, empecendo, também caia
Quem a seguiu pela arenosa praia. 

Outros, por outra parte, vão topar
Com as Deusas despidas, que se lavam:
Elas começam súbito a gritar,
Como que assalto tal não esperavam.
Umas, fingindo menos estimar
A vergonha que a força, se lançavam
Nuas por entre o mato, aos olhos dando
O que às mãos cobiçosas vão negando. 

Outra, como acudindo mais depressa
A vergonha da Deusa caçadora,
Esconde o corpo n’água; outra se apressa
Por tomar os vestidos, que tem fora.
Tal dos mancebos há, que se arremessa,
Vestido assim e calçado (que, coa mora
De se despir, há medo que ainda tarde)
A matar na água o fogo que nele arde. 

Qual cão de caçador, sagaz e ardido,
Usado a tomar na água a ave ferida,
Vendo no rosto o férreo cano erguido
Para a garcenha ou pata conhecida,
Antes que soe o estouro, mal sofrido
Salta n’água, e da presa não duvida,
Nadando vai e latindo: assim o mancebo
Remete à que não era irmã de Febo. 

Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavaleiro e namorado,
A quem amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora dele maltratado,
E tinha já por firme pressuposto
Ser com amores mal afortunado,
Porém não que perdesse a esperança
De ainda poder seu fado ter mudança, 

Quis aqui sua ventura, que corria
Após Efire, exemplo de beleza,
Que mais caro que as outras dar queria
O que deu para dar-se a natureza.
Já cansado correndo lhe dizia:
“Ó formosura indigna de aspereza,
Pois desta vida te concedo a palma,
Espera um corpo de quem levas a alma.[…} 

Já não fugia a bela Ninfa, tanto
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas que dizia.
Volvendo o rosto já sereno e santo,
Toda banhada em riso e alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor. 

Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vênus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.


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segunda-feira, 8 de junho de 2026

«AS COCANHA»

 



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Acrescentemos excertos do trabalho de
  João Lisboa no semanário Expresso desta semana - na Revista:


«Quando, após a Revolução Francesa de 1789, os revolucionários vitoriosos encarregaram o padre católico Henri Grégoire de estudar as línguas regionais, o seu relatório de 1794 tornar-se-ia a pedra angular das políticas que proibiam o uso de qualquer língua além do francês na vida pública, no ensino e nas escolas. Apesar disso, estas línguas continuaram a ser faladas nos bairros operários, nas fábricas, nas docas e nas zonas rurais fora de Paris.
É, numa delas, o occitano, que, desde a sua formação em 2014, as Cocanha — isto é, Caroline Dufau e Lila Fraysse — têm vindo a reinventar a música da Gasconha, do Languedoc e dos Pirenéus, a partir do trabalho sobre fragmentos do repertório tradicional. E foi a partir do contacto com os “Carmina Burana” — essa opulenta coleção de poemas e canções de Goliardos, libérrimos monges devassos medievais — que tropeçaram na primeira referência ao País de Cocanha: uma terra imaginária de liberdade e abundância, onde se prestava culto ao prazer e ao ócio, e o trabalho e a velhice eram desconhecidos. Algo como um jardim do paraíso pagão no qual, segundo se explica em “Cocanha — A História de Um País Imaginário” (de Hilário F. Júnior), “os cocanianos passam a vida a comer, beber e fazer sexo. A fundirem-se com a Natureza. Logo, a Cocanha não é uma festa qualquer, é um tipo especial, é a festa por excelência, uma orgia”.
(...)
As Cocanha, porém, em vez de o tratar como folclore de museu, injetam-lhe urgência e vitalidade. A sua música torna-se “um ato de recuperação da língua, da memória coletiva e da tradição, uma força subversiva e libertadora: a alegria coletiva como ato político”. Logo na faixa de abertura, ‘Remenanuèch’, estabelece-se a tonalidade global com uma intensidade quase punk, narrando a domesticação de um drac (dragão) metamórfico. ‘Adissiatz Palhassonaira’ conduz o diálogo vocal do duo para um território no qual cada cantora se ocupa de melodias e textos diferentes antes de convergirem numa microcoda translúcida. ‘Au Nòst’ Casalòt’ intensifica ainda mais a experiência com percussão como um metrónomo de metal corroído. ‘Jana D’Aimet’, última faixa e clímax absoluto do disco, é uma composição monstruosamente exigente em que passagens solenes irrompem em explosões vocais extáticas. Dufau e Fraysse gargalham, murmuram e uivam como se evocassem algo antigo e perigoso sob a superfície ardente da música. (...)». Se tiver acesso, na integra, aqui. Ainda de lá:





domingo, 7 de junho de 2026

NA VISITA DO PAPA A ESPANHA | os abusos na Igreja não estão a ser esquecidos ...|«FERIDA AINDA ABERTA»

 




Sobre o problema na RTP1:

Leão XIV diz que abusos na Igreja são "ferida ainda aberta"

O Papa disse este sábado que os abusos sexuais "são uma ferida ainda aberta" e que vai continuar a trabalhar pessoalmente, assim como toda a Igreja, neste problema. Uma mensagem transmitida no avião, a caminho de Madrid, onde iniciou uma visita de sete dias. Mais.

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ainda

e temos vídeo




quinta-feira, 4 de junho de 2026

AINDA PARECE MENTIRA MAS O TIAGO MIRANDA DEIXOU-NOS | o funeral foi hoje e dele fez parte uma bonita cerimónia na Basílica da Estrela onde estavam das pessoas que o Tiago gostaria que estivessem - da familia natural obviamente, tendo-se reconhecido facilmente colegas da Biblioteca Nacional e demais com quem lá se cruzou, e gente do meio artístico que soube granjear como ninguém ... , e outras presenças aconteceram porque quem conheceu o Tiago Miranda deve ter sentido essa necessidade

 



E de repente ficamos sem o TIAGO MIRANDA. Atordoados/as pela notícia enviada pelos familiares mais próximos começamos a fazer e a receber contactos numa das suas, digamos, comunidade de amigos. Era verdade, o Tiago Miranda deixou-nos. Terá morrido da que dizem ser «morte santa». Mas tão novo!, e com tanta energia! É isso, é dificil interiorizar.
Conhecemos o Tiago quando a DGARTES foi para a BIBLIOTECA NACIONAL, e logo no primeiro dia teve a iniciativa de se ir apresentar aos novos vizinhos. Para ele não havia barreiras entre organismos. O EM CADA ROSTO IGUALDADE já existia (no seu  ciclo institucional), e não passou muito tempo a inscrever-se para receber os «lembretes», à data diários, e prometeu contributos, tendo com sabedoria  percebido o conceito que se procurava desenvolver. Um exemplo:   




Bom, e assim começou o principio de uma bela amizade. No que diz respeito ao EM CADA ROSTO IGUALDADE continuou a ser leitor e a divulgá-lo até ao fim da sua vida. Por outro lado, as mensagens por e-mail que regularmente nos enviava muitas terão dado origem a posts. 
Claro, mais haveria (e não faltarão ocasiões) para se dizer sobre Tiago Miranda. Neste momento sintetizamos assim: ensinou-nos que não há apenas um «NORMAL» de vida. O dele era recheado de maneira harmoniosa pela sua ocupação profissional sendo de sublinhar o grande respeito que os «seus leitores» da BN lhe mereciam; depois havia o seu usufruto da arte - quem nos dera ter o conhecimento que ele tinha do que estava a acontecer diariamente -, e em especial o TEATRO. Não se limitava a estar presente na sala: conhecia o elenco com quem tirava fotos e tinha uma memória fabulosa sobre os espectáculos. O Tiago deixa-nos um repositório que merece atenção porque um bom espólio do ponto de vista dos «públicos». Era filho do tão cohecido constitucionalista Jorge Miranda, sem disso fazer alarde ia contudo dando-nos conta dos livros e tomadas de posição do seu pai. Sim, a família ocupava um espaço imenso na sua vida, e de vez em quando lá nos avisava que não participaria  nisto ou naquilo por ir visitar o(s) primo(s), fora de Lisboa, de transportes públicos, meio de mobilidade em que era perito. Nunca o vimos deixar de fazer o quer que fosse porque não tinha carro, mas aceitava boleias.
As imagens iniciais são a nosso ver «imagem de marca» de Tiago Miranda. Quando o viamos «engravatado» metiamo-nos sempre com ele ... Mas qualquer que fosse a fatiota havia ali uma «elegância» natural ... E uma educação «vinda de longe», mesmo quando era teimoso ...
Na vida de Tiago Miranda não terá havido momentos de tédio, antes pelo contrário: QUOTIDIANO CHEIO. TÃO CHEIO! - que, como não pudesse ser diferente, partilhava com quem se ia cruzando ... Mesmo quando de férias rumava a  Moledo.