segunda-feira, 16 de março de 2026

PELO TEATRO DA RAINHA |«Esta é uma peça sobre o abuso sexual, o machismo extremo, sobre a chamada violência doméstica, infelizmente tão comum entre nós»| E REVISITAMOS O QUE PODERIA O TEATRO EM «PLANOS DE IGUALDADE» INSTITUCIONALMENTE PREVISTOS


 

A HISTÓRIA DE UM PARRICÍDIO

«Angus Cerini é australiano, talvez o grau de desconhecimento da sua dramaturgia rime com a distância. É, no entanto, um autor híper premiado, um dramaturgo inovador – palavra gasta que aqui vale -, isto é, não só mete o corpo no que escreve – é performer, faz dança – mas sobretudo é capaz de inventar toda uma comunidade local pela voz entretecida de uma surpreendente narrativa a três – escrita para três atrizes que dão corpo a uma família, duas filhas e uma mãe.

A Árvore que Sangra é a história de um parricídio. Mãe e filhas matam o pai. O caso é claro: reféns de um abusador alcoólatra capaz de todas as violências, mesmo violar uma das filhas, chegou o momento de o parar. O caso pode não espantar – não espantará, não será o desígnio da peça? – num mundo que mergulhou na violência genocida e na destruição total.

Genial nesta peça é além do tema – com a intensidade do “crime” da tragédia, das medeiasédipos, das clitemnestras – o modo de a pôr em cena contando uma história logo lendária para arquivar na memória vivificada de uma comunidade e logo do mundo, dada a condição especificamente humana do acontecimento e dos seus autores. Estamos diante de um teatro antropológico, diante da ideia de reunir uma comunidade num serão – como no teatro se faz – para testemunhar limites e excessos, para aprender que a desumanidade é própria dos humanos e só a memória nos pode redimir desses excessos, da sua repetição.

Deste modo, as três atrizes, cometido o crime, vão encenando entre elas as formas de o relatar – ou de o esconder da – à comunidade e vão dando corpo às figuras que vão surgindo, o carteiro que é polícia, a vizinha, o vizinho, etc. É na narrativa e, portanto, de modo estranhado na medida em que as três figuras femininas são todas as personagens, que assistimos ao surgir de uma cumplicidade pelo acto de libertação cometido pelas três mulheres. Fez-se justiça humana.

Esta é uma peça sobre o abuso sexual, o machismo extremo, sobre a chamada violência doméstica, infelizmente tão comum entre nósFernando Mora Ramos». Saiba mais





«Mãe e filha tiranizadas por um pai abusador e violento, sempre violento, decidem matá-lo. Reféns na sua própria casa são diariamente abusadas, abusadas no sentido literal. Violentadas. Violadas. O pai abusador exibe diante das três oprimidas o seu sexo como um animal que impõe a sua lei sexual. Pete, bêbado e inútil, é um falocrata militante. Uma besta. Um assassino cruel. Mata por prazer e revanche, como acontece com uma ninhada de cães. É um ser associal no meio de uma comunidade que o vai tolerando. Um tirano. Escraviza mãe e filhas. Estamos diante de um quadro de terror, um campo de concentração familiar em que o capataz é o pai». Saiba mais.
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A peça em cena do Teatro da Rainha leva-nos aos Planos da Igualdade dos Ministérios e equivalentes e ao de cada Organismo. Procuramos no monte de documentos o que teríamos sobre o assunto e do Relatório acima este excerto:
Olhando em volta, a nosso ver, continua válida a ideia subjacente ao  «Vá ao Teatro, ganhe Igualdade», ou seja, criar projeto próprio que leve a «diferentes territórios» a força da cultura e das artes, na circunstância do Teatro,  sobre o PROBLEMA DA IGUALDADE começando por «rendibilizar» as criações existentes bem ilustradas pela «Árvore que sangra» do Teatro da Rainha ... 
E apetece-nos voltar a lembrar do que já se escreveu sobre a CASA DE BONECAS de Ibsen:


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