Excerto: «(...) Agora, historiadores, arquivistas e colecionadores, como os já mencionados Luís Futre e João Carlos Callixto, valorizam o pioneirismo de Zurita de Oliveira numa era em que a presença feminina na nascente cultura juvenil (que em Portugal foi batizada como Ié-Ié) não se manifestava para lá da plateia. Francisca Marvão reforça essa ideia: “Há uma frase no filme que me marcou muito: quando o Luís Futre fala da ‘paternidade’ do rock e a Ondina Pires corrige para ‘maternidade’. Isso diz muito. O que me impressionou foi imaginar uma mulher, nos anos 60, a fazer solos de guitarra elétrica em palco. Várias pessoas referiram isso".
"É preciso uma força enorme para o fazer naquela época, perante um público alargado. Mesmo hoje, depois de trabalhar com várias bandas femininas, já testemunhei situações desconfortáveis e de desvalorização. Por isso, imaginar o contexto da Zurita naquela altura leva-me a acreditar que o desafio foi ainda maior. Nesse sentido, ela representa uma força importante — sobretudo num período em que quase não encontramos mulheres a tocar e a compor no universo do rock”, remata. (...)».

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