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De Lia Pereira, temos um trabalho no semanário Expresso sobre o disco que começa assim:
«No início de 2025, Luísa Sobral separou-se do marido, com quem tem quatro filhos. Embora diga que não consegue escrever canções quando está “mergulhada na tristeza”, precisando de algum “distanciamento” para ver a mágoa “com poesia”, a inspiração acabaria por chegar com brevidade. Em “Cartas de Desamor”, o seu oitavo álbum, surge ‘O Nosso Fim’, escrita na ressaca da separação. “Dias depois de me separar, fui dar um concerto na Estónia. Quando estávamos a voltar, no aeroporto havia um daqueles pianos que às vezes há [nesses locais], para as pessoas tocarem. E eu escrevi ‘O Nosso Fim’ nesse piano.” Conhecida pela facilidade com que cria canções, tanto para si como para outros artistas, Luísa Sobral não deixou que a nova fase da sua vida lhe maculasse o ritmo. Até porque, como reconhece, é uma pessoa “positiva por natureza”. No sucessor do mais jovial “DanSando”, de 2022, escreve sobre o seu desamor, espelhado no título, mas não só. “Este disco é um desamor meu, mas também um desamor da sociedade, porque há muitas canções que nem são sobre mim”, diz. “O título nasce de um disco da Maria Bethânia, em que ela canta canções e diz poemas do Fernando Pessoa. Esse disco foi muito importante na minha infância, e o poema de que mais me lembrava era, obviamente, o de todas as cartas de amor serem ridículas. Isso fez-me pensar em cartas de desamor”, conclui, confirmando que o mito de a inspiração brotar com mais facilidade em tempos de desaire se aplica a si. “Tenho plena noção de que sou melhor a escrever canções tristes”, afirma. “Depois de muita terapia, percebi que guardo a alegria para a vida e a tristeza para as canções.”
Desengane-se, porém, quem pensar que “Cartas de Desamor” é um disco macambúzio. Inicialmente, Luísa Sobral trabalhou com um produtor brasileiro. “Tudo o que ele me enviava era bonito, mas para mim não fazia sentido”, conta. “Mas, mesmo não ficando [até ao final], foi ele que me ajudou a encontrar o meu som.” A conselho deste colaborador, a artista começou a explorar a parte percussiva, o que a levou a aproximar-se da música tradicional portuguesa. “A ‘Felicidade’, por exemplo”, diz, referindo-se à faixa que encerra o álbum. “Comecei essa canção com percussão, e isso levou-me para esse lugar [de alegria], mas quando começo a escrever com guitarra, voz ou piano, vou sempre para um lugar mais triste. Não sei porquê, mas é assim desde que comecei a escrever canções, aos 12 anos.” (...)»
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