sábado, 13 de fevereiro de 2021

CONVERSAS COM SERRALVES|Nalini Malani|19 FEV 2021|18:00 |ACESSO GRATUITO|INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA

 




«Com Nalini Malani, artista, e Philippe Vergne, Diretor do Museu.

 Serralves apresenta pela primeira vez em Portugal o trabalho da conceituada artista internacional Nalini Malani (Carachi, 1946). Esta exposição ocorre após a atribuição à artista de uma das mais prestigiantes distinções no mundo da arte contemporânea: o Prémio Joan Miró em 2019. Amplamente conhecida pelas suas pinturas e desenhos, a mostra em Serralves apresenta exclusivamente as suas animações desenvolvidas entre finais dos anos 1960 e a atualidade.

 Nesta conversa com a artista partiremos do núcleo de obras da sua autoria, patentes na exposição que Serralves lhe dedica, sob o título UTOPIA!? para tocar em temas que percorrem a sua já longa carreira. Foi no final da década de 1960, numa cena artística indiana dominada por homens, que Nalini Malani emergiu como uma voz provocatória e feminista, igualmente pioneira no trabalho com meios artísticos como o cinema experimental, a pintura, o vídeo e a instalação.   Em diálogo com uma das personalidades mais marcantes do panorama artístico contemporâneo internacional, abordaremos as facetas distintas do seu percurso, procurando saber como encara o futuro da arte perante os desafios do mundo de hoje». Daqui.

E sobre a exposição: neste endereço.


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Da entrevista que Nalini Malani  deu a Alexandra Carita publicada no  Expresso desta semana:


«(...)

Tem vindo a falar de feminismo, violência, racismo, desigualdade social... Estes temas ainda traduzem as suas preocupações?

Sim. Acho que, como Hannah Arendt disse, temos de deixar este mundo melhor, para o darmos ao futuro. Somos convidados do planeta. Tenho 75 anos... O que deixo eu aos outros? Gandhi disse que temos o suficiente para as nossas necessidades, mas não temos o suficiente para a nossa ganância. A ganância é o pior. Quanto dinheiro podemos juntar só para nós? O que fazemos com tantos diamantes e tanto dinheiro? Quanto é que se pode comer? É uma loucura. Toda esta ideia de capitalismo tóxico está a arruinar a Terra. E isso tem a ver com a masculinidade.

Como foi crescer numa Índia tão masculina?

Muito duro. Aqui, as mulheres são quase cidadãos de segunda classe. Não têm voz. Mesmo hoje, as mulheres são tratadas como crianças. Porém, e voltando à agricultura, 75% do trabalho agrícola é feito por mulheres. E o nosso ministro diz que essas pobres mulheres, que também se manifestam, devem voltar para casa com as crianças. Elas tiveram de levantar-se e dizer que tinham o direito de estar ali. “Sabemos o que é melhor para nós. Não nos infantilizem.” Isso é o mais importante, não infantilizar as pessoas. Tudo soa tão amável e paternalista. É como se nos dessem uma pancadinha nas costas e nos dissessem: vão para casa descansar, vocês são mulheres. No entanto, não há respeito pelas mulheres. Há violações a cada minuto.

Já fez um trabalho a propósito de uma violação coletiva, em 2018, com o título “Can You Hear Me”.

Foi o caso de uma criança de 8 anos que foi violada em Caxemira por oito homens adultos. Durante uma semana não lhe deram de comer, só drogas, até que a violaram, lhe bateram com a cabeça numa pedra e a asfixiaram. Esse trabalho era uma animação de homenagem a essa criança. 

(...)»

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Saiba mais no site da artista.



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