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quinta-feira, 13 de março de 2025

NO TEATRO SÃO LUIZ EM LISBOA |«Deseja-se Fernanda!»

 


«Em 2025, a Escola de Mulheres celebra 30 anos da sua criação e assinala cinco anos sobre a morte de Fernanda Lapa. O título do espetáculo não é inocente. Deseja-se Mulher, de Almada Negreiros, foi a primeira encenação profissional da Fernanda Lapa. “Como é que a Fernanda encenaria hoje um espetáculo em sua homenagem?”, interroga-se Cucha Carvalheiro, que faz a encenação de Deseja-se Fernanda!. “Obviamente recusaria tal encomenda, ainda por cima feita pela companhia que fundou… e, no entanto, para nós, seus cúmplices artísticos em tantos trabalhos, quanto desejaríamos que nos guiasse neste desafio que a Escola de Mulheres nos lançou… Deseja-se um espetáculo que, longe dos encómios e saudosismos que ela sempre recusou, celebre uma vida e obra de mérito, que ela encarou com inquietação e entusiasmo, alegria e vitalidade, humor e compaixão. E música, claro!”. Saiba mais.





sábado, 15 de fevereiro de 2025

DA SAUDOSA FERNANDA LAPA | «Todos nós temos de reivindicar o direito à Cultura, à Criação e à fruição da Arte. E aí, como em todas as esferas da nossa sociedade, as mulheres não podem ser tratadas como cidadãos de segunda»

 

 


Eventualmente, será porque estamos a caminho do 8 MARÇO - o dia internacional das mulheres -,  ao prepararmos uma intervenção numa conversa para assinalarmos o de 2025 encontramos sem procurar um texto de FERNANDA LAPA - que saudades, deixou-nos em 2020. De impulso, voltemos a ele divulgando-o no EM CADA ROSTO IGUALDADE. Aqui fica, tal como está aqui:

«Em ambiente de discussão do financiamento às artes faz sentido olhar para uma intervenção da nossa saudosa Fernanda Lapa: centra-se no espaço ocupado pelas mulheres na cultura e nas artes. Assunto que noutros países é devidamente estudado para que possa haver politicas públicas plenas. Um excerto:

 «(…) Sou, sobretudo, uma mulher das Artes de Palco e em 1995, em colaboração com outras mulheres de Teatro resolvemos criar uma Companhia que rompesse com o estado de coisas a que estavam remetidas as mulheres no teatro português. Quase nunca nenhum texto de autoria feminina era representado, havia pouquíssimas encenadoras e estas ficavam na maior parte dos casos sempre à espera de serem convidadas pelos Directores das Companhias. A maioria das peças representadas davam da mulher imagens estereotipadas ou idealizadas e os elencos eram maioritariamente masculinos. As actrizes esperavam ser convidadas e nunca tinham hipótese de escolher os textos que gostariam de representar. Na maior parte das Companhias as mulheres tinham funções de secretariado, eram bilheteiras, costureiras ou empregadas de limpeza. Havia muito poucas mulheres em funções técnicas, tais como Luminotécnica, Sonoplastia, construção de Cenários, etc., profissões tradicionalmente masculinas.

Resolvemos, pois, como já disse, criar a Escola de Mulheres-Oficina de Teatro, companhia que privilegiasse o trabalho feminino e desse da mulher uma imagem consentânea com a realidade. A recepção desta Companhia por parte dos poderes públicos foi, desde logo, hostil. No primeiro pedido de apoio junto da Secretaria de Estado da Cultura (PSD) nem sequer obtivemos resposta. Só após o primeiro espectáculo apresentado a convite da Fundação Gulbenkian conseguimos ter algum eco junto da Comunicação Social e, consequentemente do poder político.

23 anos após a criação da Companhia continuamos a ser a estrutura menos financiada dos chamados apoios sustentados, sem hipótese de divulgar o nosso trabalho visto os custos de publicidade serem incomportáveis e em consequência disso, ficando cada vez mais invisíveis. Apesar de todas as campanhas ministeriais, em prole da igualdade de género, é impossível alguém afirmar que ela existe no teatro português. Desde a criação da nossa Companhia, algumas outras de iniciativa feminina foram nascendo, uma ou outra foi crescendo, mas nenhuma com apoios sólidos e, no último Concurso vimos desaparecer três delas, sendo que a Directora da mais antiga até tinha recebido, em 2017, a Distinção Mulheres Criadoras de Cultura na categoria Teatro, da CIG.

O exemplo do teatro repete-se nas várias áreas da Cultura.

Cultura é perversamente confundida com entretenimento ou Indústria Cultural e as televisões fazem isso muito bem. Vemos muitas mulheres, na maior parte jovens e bonitas, repetindo clichés e apresentadas nos vários canais como mulheres da cultura e da arte. Vemos, por outro lado, as jovens artistas no desemprego ou subemprego, obrigadas a aceitar trabalhos que as não dignificam como criadoras – como referia uma jovem colega, a necessidade de encher o frigorífico sobrepõe-se à opção de escolha, e por tudo isto somos obrigadas a repetir até à exaustão – Minhas amigas temos de dar a volta a isto.

Todos nós temos de reivindicar o direito à Cultura, à Criação e à fruição da Arte. E aí, como em todas as esferas da nossa sociedade, as mulheres não podem ser tratadas como cidadãos de segunda. As mulheres são inquestionavelmente a maioria na área da cultura em Portugal. Continuam a não existir estudos e diagnósticos, que tornem visível a dimensão da sua ocultação, das consequências das políticas realizadas na área da cultura, na renovada desvalorização das suas competências e saberes e postos em causa o seu estatuto e os seus direitos.

É preciso ter consciência que não só perdem estas mulheres, enquanto criadoras de cultura, mas perdem todas as mulheres portuguesas no seu direito à fruição cultural. Perde o País! (…)». Leia na integra.».


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E quem sabe estas palavras aproveitem à nova GOVERNANTE PARA A IGUALDADE. Senhora Secretária de Estado Adjunta e da Igualdade, não esqueça a CULTURA. Recupere memória e leve a que se faça o que ainda não foi feito, e que é básico acontecer. Acredite na força da cultura e das artes para a mudança. Ilustrando, lembremos Ibsen e sua «Casa de Bonecas» e o impacto que teve nas Politicas Públicas. 


domingo, 9 de agosto de 2020

NA MORTE DE FERNANDA LAPA (2) | A «Escola de Mulheres-Oficina de Teatro»






Na morte de Fernanda Lapa muito tem sido assinalada a sua intervenção na esfera da luta das mulheres, e de facto ela foi ampla e sólida, e merece ser conhecida nomeadamente para poder ser continuada. Mas tem  de estar inserida na sua vida total. Fique-se com uma ideia do seu percurso,  por exemplo,  através  daqui (um outro blogue onde colaboramos). E, sim, destaquemos, porque merece ser sublinhado: 

Havemos de voltar à Fernanda Lapa, naturalmente.


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

NA MORTE DE FERNANDA LAPA (1)


Na morte de Fernanda Lapa fomos «roubar» o 
 registo acima  ao blogue O Tempo das Cerejas.
Muitos serão os que se reveem naquelas palavras. 
E aquela foto onde está acompanhada …, uma pérola.


 

domingo, 5 de janeiro de 2020

MULHERES EM DESTAQUE | Fernanda Lapa


O percurso de vida de Fernanda Lapa justifica, como dizer, um destaque permanente. Mas de momento destaquemos a peça que vai estrear - Sem Flores nem Coroas - e o seu papel no Centenário Bernardo Santareno a que a encenadora se refere na entrevista à revista Sábado - veja imagem acima.
E em particular sobre o Centenário:



Saiba mais no site do Centenário e no seu Blogue.