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domingo, 28 de fevereiro de 2021

ÉRIC VUILLARD | «A Guerra dos Pobres»

 


SINOPSE

«Sabe-se desde Rousseau que a desigualdade tem uma história muito antiga e terrível. Essa história não terminou. A Guerra dos Pobres narra um episódio brutal e pouco conhecido dos grandes levantamentos populares.
No século XVI, a Reforma protestante ergue-se contra o poder e os privilégios. Mas depressa se estabiliza, se aburguesa. Os camponeses, os pobres das cidades, a quem se continua a prometer a igualdade no Céu, interrogam-se: «E porque não a igualdade já, na Terra?»
Segue-se uma luta furiosa entre os poderosos, os protestantes instalados e os outros, os miseráveis. À cabeça destes estão diversos teólogos. Um deles deixou memória, pela sua determinação e pelo vigor do estilo; chama-se Thomas Müntzer. Pôs a Alemanha a ferro e fogo.
A Guerra dos Pobres conta a sua história. A história de uma insurreição mediante o verbo. Ecoada pela força inventiva da escrita de Éric Vuillard». Saiba mais

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Livro de que nos lembrámos devido à crónica de Tolentino Mendonça no semanário Expresso desta semana.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA | «A literatura existe para dar uma hipótese à piedade e para que a versão dos vencidos possa ser escutada»

        

Termina assim: «(...)Num conto inédito, que acaba de ser editado em Itália, e que se intitula “Que Horas São Aí?”, é essa exatamente a intriga. Lojas que deixaram de existir e foram substituídas por outras, lacunas, distâncias e dobras que o tempo acentua, enigmas deixados em herança, ruas e sofrimentos que os mapas não assinalam. Face a isso, a tarefa da literatura é dupla: por um lado, tornar consciente em nós o impacto avassalador da vida, mas, por outro, tentar uma espécie de reparação. Que Tabucchi explica assim: a história é uma criatura glacial, não tem piedade de nada nem de ninguém. Mas a literatura existe para dar uma hipótese à piedade e para que a versão dos vencidos possa ser escutada».