quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

«Uma situação que ainda não acabou e que Denilson Baniwa pinta, misturando antigos petróglifos – tais como animais totémicos e símbolos de pertença – com os temas das explorações de hoje em dia: o tráfico de seres humanos, o comércio de mulheres, o abandono das tradições, para abraçar as novas culturas trazidas pelo “mercado livre”»





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Frontera, em espanhol, sublinha a miscigenação de línguas que ocorre, por exemplo, nas áreas da região do Alto Rio Negro – terra natal de Denilson -, que através dessa palavra pretende também chamar a atenção para o processo de descimentos”, ou seja, a migração compulsória de indígenas da Amazónia que se deslocaram para trabalhar em indústrias extrativas, num regime de exploração da sua mão de obra e dos seus saberes. Contudo, a exploração dos povos nativos não aconteceu somente através do trabalho, mas igualmente pela ocupação das suas terras, num processo de violência perpetrada ao longo de séculos, que tinha como finalidade a transformação dos povos indígenas em escravos. Uma situação que ainda não acabou e que Denilson Baniwa pinta, misturando antigos petróglifos – tais como animais totémicos e símbolos de pertença – com os temas das explorações de hoje em dia: o tráfico de seres humanos, o comércio de mulheres, o abandono das tradições, para abraçar as novas culturas trazidas pelo mercado livre”. Um universo que Denilson delineou também no conceito da exposição Nakoada, palavra utilizada pelo povo Baniwa para identificar uma estratégia de guerra para elaborar novas possibilidades de permanência no mundo: se antigamente essa prática era usada para lidar com outros povos nativos, hoje é preciso repensar na Nakoada em relação às culturas não-indígenas. (...)». Leia na integra na UMbigo.

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