segunda-feira, 6 de abril de 2026

«Tudo na natureza apenas continua»

 



SINOPSE

«Escrever, ensinar, jardinar, ir ao supermercado, cozinhar, tratar da roupa — são atividades que, situando-se no tempo, não rivalizam com os meus filhos, porque eles se tornaram intemporais.»
Vincent morreu com 16 anos. James morreu com 19 anos. Num intervalo de sete anos, os dois filhos de Yiyun Li escolheram o suicídio, a meio caminho entre a escola e a casa de família. Tudo na natureza apenas continua é um testemunho delicado, revolucionário, que tem origem no abismo, o novo habitat de uma escritora que escolhe professar a aceitação radical destas mortes trágicas.
Indefetível na eterna condição de mãe, eternamente ligada aos seus filhos, Yiyun Li faz germinar neste livro uma gramática só sua: austera, íntima, capaz de descrever uma das mais extremas experiências humanas, no ponto exato em que a linguagem costuma falhar.
Num exercício literário inigualável, Yiyun Li fixa para sempre o lugar dos seus filhos no mundo, porque «não há agora e outrora, agora e mais tarde; só agora e agora e agora e agora», mas somente agora e agora e agora e agora», como um tempo que nunca termina, apesar da tragédia. Saiba mais - leia excertos.


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Veja  também apreciações aqui. De lá, por exemplo:


«(...)

«Este livro transforma-nos.»
Observer

«Yiyun Li recusa o sentimentalismo; mesmo assim, o leitor pode sentir-se derrubado pela sua força emocional.»
Guardian

«Simultaneamente delicado e devastador. […] A terrível tragédia familiar que devastou Yiyun Li é contada de um modo sóbrio e a olhar o luto de frente, um pouco à maneira daquilo que Joan Didion conseguiu no inesquecível O ano do pensamento mágico
Carlos Vaz Marques

«Tudo na natureza apenas continua impõe um território literário raro e inquietante. […] Organiza se como um diário filosófico, por pequenos fragmentos que se encadeiam sem a finalidade de construir um percurso evolutivo ou teleológico típico de memórias de luto. […] Esse ritmo fragmentado e cíclico reflecte […] a experiência temporal de Li depois das mortes de Vincent e de James: a vida continua, mas parte dela permanece fora do tempo, suspensa pela dor incomensurável de perder dois filhos, experiências que não podem ser reconciliadas com finais consoladores. […] Li recusa explicar, interpretar ou moralizar o suicídio dos filhos. [Este livro] não dá respostas fáceis, nem pretende curar. A proposta é outra: permanece perto do real, quer vê-lo tal como é.»
Isabel Lucas, Público

«Yiyun Li nada esconde ou omite das suas próprias fragilidades, mas também nada escancara. A ideia não é procurar uma explicação para o que aconteceu, uma narrativa onde os factos encaixem. […] Não há aqui juízos de valor, não há lamentos, nem exercícios de autopiedade ou de vitimização. Apenas um voo rasante à vida dos filhos muito amados, para os quais construiu uma estrutura sólida, casulos que os protegiam da aspereza do mundo, mas não da possibilidade da catástrofe.»
José Mário Silva, Expresso

(...)».

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