SINOPSE
Para produzir «homens a sério», a sociedade patriarcal exige deles um sacrifício: serem violentos. Consigo próprios e com quem lhes é próximo. Só então se tornam dominantes, intensificando ressentimentos e mutilando a sua vida afectiva.
A Vontade de Mudar é uma das primeiras obras feministas a reflectir sobre a «crise da masculinidade». Ao interpelar as inquietações mais comuns entre os homens — o medo da intimidade, o desgosto amoroso, o isolamento, a exigência do trabalho, a virilidade e o desempenho sexual —, bell hooks oferece-nos uma visão transformadora do que poderia ser uma masculinidade liberta.
E um mundo onde mulheres e homens podem ser partes de um todo. Saiba mais.
A Vontade de Mudar é uma das primeiras obras feministas a reflectir sobre a «crise da masculinidade». Ao interpelar as inquietações mais comuns entre os homens — o medo da intimidade, o desgosto amoroso, o isolamento, a exigência do trabalho, a virilidade e o desempenho sexual —, bell hooks oferece-nos uma visão transformadora do que poderia ser uma masculinidade liberta.
E um mundo onde mulheres e homens podem ser partes de um todo. Saiba mais.
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de lá:
«(...)É muito interessante verificar que o masculinismo segue a par de um discurso, proveniente das áreas da psicologia e da sociologia, que nos fala da “crise da masculinidade”. Nos Estados Unidos, já foi considerada uma epidemia nacional de solidão e isolamento social a que terão sucumbido muitos jovens do sexo masculino. O sintoma mais evidente e mais generalizado deste mal-estar é o insucesso escolar. É hoje um dado comum, tanto na Europa como nos Estados Unidos, que as raparigas têm mais sucesso escolar e já começam a ser maioritárias em áreas técnicas e científicas que sempre tinham sido lugares da hegemonia masculina. O conceito de crise da masculinidade é usado para descrever duas coisas diferentes, mas que estão relacionadas: a vulnerabilidade gera a agressividade. Um olhar histórico sobre o fenómeno do masculinismo facilmente verifica (não faltam estudos sobre esta matéria) que ele foi um pilar estrutural do fascismo italiano e do nacional-socialismo.
Há pouco tempo, a editora Orfeu Negro editou um livro de bell hooks (1952-2021; as letras minúsculas são uma marca autoral), uma figura importante do black feminism, que tem por título A Vontade de Mudar. Homens, Masculinidade e Amor. Ao contrário de um feminismo radical que põe os homens à distância, bell hooks advoga a necessidade de o feminismo trabalhar em conjunto com eles. A sua tese é a de que é preciso passar de uma masculinidade patriarcal, que mutila a vida afectiva dos homens, os distancia do amor e os torna inaptos a verbalizar as suas emoções (podemos ver aqui a razão pela qual passam mais facilmente ao acto), para uma masculinidade feminista. Este livro situa-se no horizonte dos estudos sobre os homens, os men’s studies.
É certo que esta ideia de uma actual crise da masculinidade precisa de ser relativizada, já que tem uma longa história e até já foi estudada como um mito. Comum a todos os seus surgimentos é a ideia de que as mulheres estão a ocupar o lugar “legítimo” dos homens. Mas nestas questões há um domínio importante do simbólico, isto é, da linguagem. Ainda que no plano efectivo a dominação masculina não tenha recuado tanto como nos querem fazer crer, é muito importante que os homens passem agora por uma provação da qual se tinham isentado: perderam o poder exclusivo da nomeação e são agora eles os nomeados. É quase uma vingança histórica».
É certo que esta ideia de uma actual crise da masculinidade precisa de ser relativizada, já que tem uma longa história e até já foi estudada como um mito. Comum a todos os seus surgimentos é a ideia de que as mulheres estão a ocupar o lugar “legítimo” dos homens. Mas nestas questões há um domínio importante do simbólico, isto é, da linguagem. Ainda que no plano efectivo a dominação masculina não tenha recuado tanto como nos querem fazer crer, é muito importante que os homens passem agora por uma provação da qual se tinham isentado: perderam o poder exclusivo da nomeação e são agora eles os nomeados. É quase uma vingança histórica».


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