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segunda-feira, 18 de abril de 2022

NO TEATRO D.MARIA II |«Ainda Marianas»

 


«Abril de 1972. Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa publicam Novas Cartas Portuguesas, tendo como ponto de partida as Cartas Portuguesas, romance epistolar publicado anonimamente, em 1669, e atribuído à freira Mariana Alcoforado. Em Novas Cartas Portuguesas, os textos escritos pelas três autoras – cuja autoria de cada uma nunca foi, até hoje, revelada – abordam temáticas tão diversas como a paixão, a clausura feminina, a escrita, o sentimento de isolamento e abandono, a guerra, fazendo um paralelo inequívoco e crítico da sociedade portuguesa de então. Em 1973, as autoras seriam levadas a julgamento pelo Estado Novo, que prontamente colocou a máquina da censura a trabalhar ao retirar o livro do mercado sob a acusação de este ser "insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública”. O processo judicial das "Três Marias” (nome por que ficaram conhecidas as escritoras), que apenas terminou aquando do 25 de Abril de 1974, teve repercussões políticas e sociais transfronteiriças, tendo sido apelidado, na época, como a primeira causa feminista internacional pela organização norte-americana National Organization for Women (NOW). Em 2022, 50 anos volvidos, Catarina Rôlo Salgueiro e Leonor Buescu trazem as Novas Cartas Portuguesas à cena, a par com documentação histórica da época, pretendendo convocar uma reflexão em torno da memória coletiva de um país, da sua gente e do seu tempo». Saiba mais.



segunda-feira, 24 de maio de 2021

TNDMII |«Top Girls»

 


«Resgatar ao silêncio a voz de um grupo de mulheres notáveis.

O primeiro gesto de Caryl Churchill, em Top Girls, é resgatar ao silêncio a voz de um grupo de mulheres notáveis que a História raramente refere.

Sentadas à mesma mesa, para jantar, encontram-se: a Papisa Joana (séc. IX), que chefiou a igreja católica disfarçada de homem; Isabella Bird (séc. XIX), viajante, investigadora, fotógrafa e escritora; Gret, pintada por Brueghel O Velho, que, liderando um exército de mulheres, enfrenta os demónios no inferno; Nijo (séc. XIII), dama japonesa educada na corte para ser concubina do Imperador e a paciente Griselda, personagem do conto X do Decameron de Boccaccio.

Depois, uma colagem de cenas aparentemente díspares, traça o percurso da ascensão ao poder de uma "mulher de sucesso” contemporânea.

Sete atrizes dão corpo a dezasseis personagens, numa peça que olha para uma sociedade estruturalmente patriarcal, onde questões de raça, género e classe ganham nova pertinência no período de crise global que atravessamos».

Saiba mais.