sábado, 27 de junho de 2026

PATRÍCIA PORTELA |«HOJE, 3 de Maio»


Sinopse
«Viver uma guerra à distância é como olhar para este quadro. É estar lá sem estar dentro, é estar de fora sem estar cá fora. Vivo à distância. a guerra à distância. o horror à distância. a morte à distância. o medo à distância. o desastre à distância. É tudo uma mera notícia.»
Hoje, 3 de Maio é um romance escrito a partir do quadro Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808, de Francisco José de Goya y Lucientes. Um retrato de quem fuzila e de quem é fuzilado numa Europa que permanece, até hoje, presa num tempo de guerra. Saiba mais.
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sobre a obra da comunicação social


No Público, desde logo, a chamada 
na primeira página. Depois, no Ípsilon. Assim:



A AberturaA partir de um quadro de Goya, sobre um acontecimento de 1808, Patrícia Portela fez um romance extraordinário. Hoje, 3 de Maio tem a guerra como fundo mas é, sobretudo, uma interrogação acerca de nós.


Ainda, mais estes excertos: « (...) Hoje, 3 de Maio não é um romance histórico, está bem longe dessa ideia. Com uma mestria rara, Patrícia Portela conseguiu dar várias visões dos acontecimentos que o quadro de Francisco de Goya retrata, como era seu propósito, mas em simultâneo deambular pela Europa do tempo da Guerra Peninsular e pela Europa dos dias de hoje. Para isso introduziu, com finíssima ironia, uma personagem feminina, ao mesmo tempo estranha e familiar, que se passeia pela Madrid do nosso tempo, que trabalha para uma instituição europeia... Mas dessa personagem falaremos mais adiante. Cada coisa a seu tempo. O que nos interessa agora é como é que um livro com acção em 1808 nos consegue fazer ver o presente, pensar o tempo de hoje a partir de Goya.

(...) Patrícia Portela escreveu um romance improvável. Parte da descrição de uma pintura de Goya, e sem nunca a perder de vista, nem aos seus elementos exteriores, nem ao Museu do Prado, vai-nos levando pelo olhar (o livro é profusamente ilustrado) até aos dias de hoje, às guerras da Ucrânia e a Gaza. O narrador, uma voz anónima que tudo sabe, vai reflectindo (ou faz o leitor reflectir) acerca de assuntos inesperados, como os pensamentos de Einstein, de Henri Bergson, ou em acontecimentos como a divisão da Coreia. Todos nós encarnamos numa Europa de camisa branca sobre uma pele incomodada por pruridos. (...)». Se tiver acesso a entrevista na integra aqui.

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e do semanário Expresso



Começa assim: «A imagem é poderosíssima. À direita do quadro, um pelotão de fuzilamento, formado por soldados que não mostram a cara, aponta as espingardas a um grupo de condenados que aguarda, junto a uma pilha de mortos, o seu momento final. De entre eles, destaca-se um homem de camisa muito branca, peito oferecido às balas, braços erguidos, chagas nas palmas das mãos, olhar desolado diante da ignomínia. Em “Os Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808”, pintado seis anos após o acontecimento que retrata, Francisco de Goya não capta apenas o massacre de centenas de madrilenos revoltosos às mãos do exército francês, no monte do Príncipe Pio. Capta a essência de todos os fuzilamentos que já houve e esse instante terrível, abismo entre a vida e a morte, que é o instante que precede os disparos. (...)». Termina deste modo: «(...) Além da grandeza literária do romance e da sua escrita magnífica, “Hoje, 3 de Maio” distingue-se ainda como um belíssimo objeto estético. Nas inúmeras reproduções de pormenores do quadro, e no jogo com outros trabalhos do artista (como a série de gravuras “Os Desastres da Guerra”), 
a obra-prima de Goya vai-nos surgindo ampliada, desdobrada, num sofisticado jogo de espelhos entre pintura e literatura». Se tiver acesso, na integra, neste endereço. 

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Em suma, de Patrícia Portela obra a não perder. E como efeito «colateral» talvez uma visita ao Museu do Prado  e sabermos mais sobre GOYA.  




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