quinta-feira, 22 de outubro de 2026

AS PIONEIRAS DO CINEMA PORTUGUES NUM MUNDO DE HOMENS |«Estas mulheres fizeram, por sua vez, filmes de uma variedade copiosa: épicos românticos, documentários paisagísticos, filmes infantojuvenis amadores, dramas góticos, filmes científicos, travelogues, cinema de propaganda, diários e filmes-poema, entre outros»

 


Começa assim:«Quando, em abril de 1974, as chaimites de Salgueiro Maia derrubaram as portas da ditadura, a liberdade que chegou, também para o cinema português, não encontrou mulheres realizadoras. Atrizes sim, claro, assistentes de montagem ou anotadoras, também, mas o poder dos filmes era masculino. É certo que nos dez anos anteriores, havia alguns nomes femininos em posições de autoria — caso, por exemplo, de Alice Ogando (creditada como autora do argumento de “A Maluquinha de Arroios”, adaptando uma peça de André Brun), Ivone de Moura (terá colaborado na realização de “Nem Amantes, Nem Amigos”), Cecília Delgado (coargumentista de “Canção da Saudade”) ou Gisela da Conceição (integrando a equipa que escreveu “O Cerco”). Eram esparsas incursões num universo onde só homens havia nos postos de comando. E se existisse um retrovisor e nos puséssemos a olhar para trás, era uma densa multidão masculina a fazer nevoeiro, quase nada de mulheres havia. A romper essa cortina temos, agora, o livro “Pioneiras do Cinema Português”, grosso volume (480 páginas) publicado pela Cinemateca Portuguesa, com organização de Ricardo Vieira Lisboa, também autor de alguns dos textos nele incluídos. Nele emergem três nomes fundamentais no curso do cinema português na primeira metade do século XX: Maria Emília Castelo Branco, Virgínia de Castro e Almeida e Bárbara Virgínia. E não estão sós.
É certo que desde o seminal “Filmes, Figuras e Factos da História do Cinema Português 1896–1949”, de Manuel Félix Ribeiro (editado em 1983, após o falecimento do seu autor) se conhecia, com apreciável detalhe, o contributo dessas personalidades femininas. Todavia, esse é um livro a que se levantam objeções de rigor ou lacunas de informação — a merecer tanto relevo quanto a obra de Félix Ribeiro foi desbravadora, monumental e única (ninguém jamais ousou fazer algo sequer parecido). Agora se firmam novos dados.  (...)»

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«(...)O livro está dividido em três partes, sendo a primeira consagrada ao discurso destas cineastas (com entrevistas e ensaios das próprias). A segunda é composta por nove ensaios inéditos (de José Machado, Sofia Sampaio, Bárbara Murakami de Albuquerque, Paulo Cunha, Manuela Penafria, Maria do Carmo Piçarra e Ricardo Vieira Lisboa). Finalmente, a terceira parte é dedicada aos testemunhos de familiares e de realizadores contemporâneos que retrataram algumas destas pioneiras (Ana Sofia Pereira, Luísa Sequeira, Catarina Alves Costa, Gonçalo Tocha, Nádia Henriques, Ricardo Leite e Cláudia Rita Oliveira).(...)».


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