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segunda-feira, 15 de abril de 2024

MARIA VELHO DA COSTA | «Cravo»

 


SINOPSE

Publicado em 1976, Cravo é um conjunto de vinte e dois textos (entre a crónica, a poesia, o manifesto ou o ensaio) ligados pelo impacto do 25 de Abril de 1974. Nos 50 anos desta data histórica, este é um livro imprescindível para compreender Portugal: vinte e dois textos para pensar o país, a revolução, as mulheres e a condição dos escritores. Saiba mais.


terça-feira, 31 de outubro de 2023

MARIA VELHO DA COSTA|«O Mapa Cor de Rosa - Cartas de Londres»

 


«Este conjunto de «cartas», como as designa a autora, foram escritas no rescaldo do 25 de Abril, a partir de Londres, onde Maria Velho da Costa era leitora de português (King’s College) e vivia desde 1980. Aqui, escreve sobre e para Portugal, descrevendo os hábitos, tiques e outros aspetos da portugalidade». Saiba masis aqui, onde pode ler algumas crónicas 

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Pedro Mexia no semanário Expresso de 20 OUT 2023 faz a  critica ao livro. De lá:

«Publicadas em “A Capital” entre 1980 e 1982, quando a autora leccionava no King’s College, e coligidas em livro em 1984, estas “cartas de Londres”, às quais não falta a mordacidade queirosia­na, têm sentimentos divididos. A uma mulher de esquerda em inícios de 1980 não pode agradar a Inglaterra da Sra. Thatcher, o estado da luta de classes, os recalcamentos pós-coloniais, a boda dos príncipes de Gales, a nostalgia “Brideshead”. Em contrapartida, admira os costumes ingleses, ou aceita-os quando os estranha: a pompa e circunstância gémea de uma vivência urbana campestre, as manifs e os mercados, o brutalismo e as bétulas, a domesticidade cosmopolita, os teatros, os “Sunday papers”.
E a verve, a auto-ironia, o pudor altivo, o distanciamento crítico, a emoção contida. Céptica quanto ao romance inglês, que lhe parece um entretém sossegado, admite que isso não se aplique a quem vem de fora, como Doris Lessing. Politicamente, presta atenção à guerra das Malvinas, que considera uma farsa, e recorda-se que “vêm aí os ingleses” era um eufemismo para menstruação. À medida que avança a custo num novo romance, “Lúcialima”, a cronista declara que “a ficção defende e a crónica desabriga”. (...)». 



domingo, 24 de maio de 2020

MARIA VELHO DA COSTA






Maria Velho da Costa morreu.Neste momento triste  recordemos um dos posts que fizemos no Em Cada Rosto Igualdade (no primeiro endereço) quando foi distinguida com Prémio Vida Literária APE. De lá um excerto do seu discurso:"Os regimes totalitários sabem que a palavra e o seu cume de fulgor, a literatura e a poesia, são um perigo. Por isso queimam, ignoram e analfabetizam, o que vem dar à mesma atrofia do espírito, mais pobreza na pobreza". 
E lá lembramos também:


«Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas migam sêmeas e restos de comida azeda. Elas chamam ainda escuro os homens e os animais e as crianças. Elas enchem lancheiras e tarros e pastas de escola com latas e buchas e fruta embrulhada num pano limpo. Elas lavam os lençóis e as camisas que hão-de suar-se outra vez. Elas esfregam o chão de joelhos com escova de piaçaba e sabão amarelo e correm com os insectos a que não venham adoecer os seus enquanto dormem. Elas brigam nos mercados e praças por mais barato. Elas contam centavos. Elas costuram e enfiam malhas em agulhas de pau com as lãs que hão-de manter no corpo o calor da comida que elas fazem. Elas vêm com um cântaro de água à cinta e um molho de gravetos na cabeça.(…)». Ouçamos:




Com a morte de Maria Velho da Costa, mais tristeza nestes dias tristes. Felizmente temos os seus livros para cuidarmos o seu futuro.