SINOPSE
Publicada em livro em 1926, logo após A Montanha Mágica, a novela Desordem e Primeira Paixão é, de certa forma, o
contraponto de Thomas Mann a esse grande romance: da imponência dos Alpes e das
grandes ideias desce aqui à domesticidade burguesa e suas tensões familiares.
Mas ambos os textos espelhavam a viragem política que se sentia na Europa. À
volta da mesa do Professor Cornelius, as quatro crianças e a sua mulher
reúnem-se para acolher um conjunto de jovens amigos. Os efeitos da crise
económica não escapam à vista daquela casa respeitável, onde há apenas
couve-lombarda a imitar costeletas para a refeição e o mordomo enverga um
casaco demasiado curto. E no decorrer daquele encontro, uma dança deixará todos
em alvoroço, velhos e novos, senhores e criadagem, expondo uma reflexão a um só
tempo melancólica e humorística. Saiba mais.
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Sobre o livro no semanário
Expresso, na Revista, do que escreve
Pedro Mexia
«Na Alemanha de entre as guerras (a novela, publicada em 1926, segue-se ao monumental romance “A Montanha Mágica”), os Cornelius, grandes burgueses em visível decadência, dão uma festa para os miúdos. A confusão entre “grandes” e “pequenos”, e entre burgueses e serviçais (designados “mujiques” ou “bolchevistas”), provoca uma amável azáfama de chegadas, apresentações, lanches e dancinhas ao som do gramofone. Lá fora, no mundo, existem as dívidas de guerra, a inflação, a desvalorização da moeda, o radicalismo.
Como antídoto, o Professor Cornelius usa as aulas de História na universidade, onde lecciona a Espanha dos Filipes: “Sabe que os professores de História não amam a História por estar a acontecer, mas por ter acontecido; que odeiam as convulsões do presente, pois acham que não obedecem a lei alguma, que são incoerentes e irreverentes, pois consideram-nas, numa palavra, ‘a-históricas’, enquanto os seus corações pertencem ao passado coerente, devoto e histórico.”
A festa trará o pater familias de volta ao agora, quando uma das filhas, demasiado nova, se ‘apaixona’ por um conviva com quem dançou, um estudante de engenharia “garboso” e cortês, dado a alusões culturais, com as quais tenta animar a menina que, entretanto, adoece (sofre, diz alguém, de “instintos femininos”). (...)».
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Ainda, aproveitemos para saber mais
sobre Thomas Mann
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