domingo, 11 de janeiro de 2026

A FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE MULHERES - FDIM - FAZ 80 ANOS | a propósito no jornal Avante! de Isabel Cruz «A FDIM e a luta das mulheres do século XXI»

 



De lá, continuando a imagem:

«(...) A FDIM e o Ano In­ter­na­ci­onal da Mu­lher (1975)

Os prin­ci­pais con­tri­butos da FDIM nas Na­ções Unidas foram de­ci­sivos: o Dia In­ter­na­ci­onal da Cri­ança (1949) e o Ano In­ter­na­ci­onal da Cri­ança (1979); a pro­posta do Ano In­ter­na­ci­onal da Mu­lher (1972), ponto de par­tida das ac­ções em grande es­cala para me­lhorar o es­ta­tuto das mu­lheres em todo o mundo; a cri­ação na ONU de pro­gramas e fundos es­pe­ci­a­li­zados; a Con­venção sobre a Eli­mi­nação de Todas as Formas de Dis­cri­mi­nação contra as Mu­lheres (1979), o mais im­por­tante “tra­tado das mu­lheres” até à data.
Em todos os con­ti­nentes, as or­ga­ni­za­ções de mu­lheres fi­li­adas na FDIM man­ti­veram uma in­tensa ac­ti­vi­dade na luta pela paz e co­e­xis­tência pa­cí­fica, e pelo de­sar­ma­mento nu­clear, e uma in­ter­venção firme para com­bater a opressão das mu­lheres contra o im­pe­ri­a­lismo e o co­lo­ni­a­lismo, e de luta pelos di­reitos po­lí­ticos, eco­nó­micos, so­ciais e cul­tu­rais. A FDIM as­si­nala este ano o 80.º ani­ver­sário com uma ac­ti­vi­dade inin­ter­rupta.
Si­len­ciada e de­tur­pada pela do­mi­nante his­to­ri­o­grafia fe­mi­nista ne­o­li­beral oci­dental, o con­tri­buto da FDIM para a causa eman­ci­pa­dora das mu­lheres a nível mun­dial foi ex­tra­or­di­nário, mas a “Guerra Fria” ainda per­siste.
Con­tudo, este si­lêncio es­ma­gador não apaga o ver­da­deiro le­gado his­tó­rico da FDIM, a mais in­flu­ente das or­ga­ni­za­ções in­ter­na­ci­o­nais de mu­lheres do pe­ríodo pós-1945, a força mo­triz das mais im­por­tantes ini­ci­a­tivas mun­diais adop­tadas por e para as mu­lheres, na se­gunda me­tade do sé­culo XX.
Mu­lheres por­tu­guesas e o seu con­tri­buto na FDIM
Apesar do grande risco du­rante o fas­cismo, as mu­lheres por­tu­guesas par­ti­ci­param nos Con­gressos e reu­niões da FDIM, desde o seu Con­gresso fun­dador com a pre­sença de Maria Lamas na qua­li­dade de pre­si­dente do Con­selho Na­ci­onal das Mu­lheres Por­tu­guesas, e nos con­gressos da FDIM até ao 7.º – o Con­gresso Mun­dial do Ano In­ter­na­ci­onal da Mu­lher (Berlim, RDA, 1975), in­te­grada na de­le­gação por­tu­guesaiv como con­vi­dada de honra.
Vá­rias no­tí­cias no Avante! re­latam as ini­ci­a­tivas e apelos da FDIM em de­fesa da Paz mun­dialv, contra a bomba ató­mica e a cri­ação da NATO, além da maior par­ti­ci­pação das mu­lheres por­tu­guesas nas co­mis­sões em de­fesa da Paz, apesar desta ser “pa­lavra proi­bida” pelo fas­cismovi.
A FDIM re­a­lizou cam­pa­nhas contra as pri­sões po­lí­ticas do fas­cismo e, no seu 6.º Con­gresso (Hel­sín­quia, 1969), Sofia Fer­reira, membro do Co­mité Cen­tral do PCP, foi con­vi­dada a in­te­grar a Mesa do Con­gresso, ca­lo­ro­sa­mente aco­lhida pelas con­gres­sistas de todo mundo, a quem agra­deceu a cons­tante so­li­da­ri­e­dadevii (7). Além de Maria Lamas, par­ti­ci­param Maria Luísa da Costa Dias, Maria José Ri­beiro, Ce­cília Areosa Feio, Dulce Re­belo e Maria da Pi­e­dade Mor­ga­dinho, da Rádio Por­tugal Livreviii.
Após a sua fun­dação em 1968, o Mo­vi­mento De­mo­crá­tico de Mu­lheres – MDM passou a estar fi­liado na FDIM, e a con­tri­buir com a sua acção para os ob­jec­tivos co­muns. (...)».

 




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