sábado, 6 de junho de 2020

FILME | «Retrato de uma Rapariga em Chamas»



«França, finais do século XVIII. Marianne (Noémie Merlant) tem como tarefa fazer um retrato de Héloïse (Adèle Haenel), uma jovem aristocrata acabada de sair do convento. A pintura será posteriormente oferecida ao homem a quem ela foi prometida. Inconformada com um casamento que não deseja, Héloïse recusa-se a posar. Por esse motivo, Marianne finge ser sua dama de companhia, absorvendo cada detalhe durante o dia. À noite, em segredo, vai construindo a imagem que retém da jovem noiva. Esses momentos vão criar uma forte intimidade entre as duas, cuja proximidade forçada acaba por se transformar em amor. 
Apresentado em competição no Festival de Cinema de Cannes, onde recebeu o prémio de Melhor Argumento e a Queer Palm, um drama histórico escrito e realizado por Céline Sciamma ("Maria-Rapaz", "Bando de Raparigas")». PÚBLICO.









sexta-feira, 5 de junho de 2020

MIA COUTO | «(...)Contaram-me que um grupo de curandeiros se apresentou no Ministério da Saúde para dizer: os nossos antepassados não conhecem esta doença, não nos podem guiar, por isso estamos aqui para que nos digam como ajudar. Esta posição de humildade e empatia é algo que me comoveu. (...)»



Jornal Expresso | 30 MAIO 2020

Outro excerto:
«(…)
As autoridades de saúde moçambicanas têm apostado na prevenção. Quais as medidas mais importantes?
Será preciso tempo para medir a eficiência de um conjunto de medidas tão diversas. As de mais difícil aplicação têm que ver com uma cultura profundamente corporal e gregária. Por vezes, tivemos de ir mais longe do que o chamado “bom senso”. Por exemplo, desaconselhamos a praia, mesmo não estando em regime de confinamento. Houve quem nos criticasse porque a praia é um lugar vasto, onde há espaço para manter a distância e se pode apanhar sol num espaço aberto. Mas essa é a privacidade que uma minoria busca na praia. A grande maioria vai para “ficar junto”. Essa tendência é um valor, uma celebração instituída. As pessoas em Moçambique despedem-se com um “estamos juntos”. E não limitam a saudação de um encontro a um simples aperto de mão. Enquanto dura a conversa ficam de mãos dadas. O corpo todo fala, os abraços pedem mais do que os braços. (...)».


quinta-feira, 4 de junho de 2020

JORGE PALMA | NO DIA EM QUE FAZ 70 ANOS | o seu «Bairro do Amor»







Bairro Do Amor
No bairro do amor a vida e um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
P'ra gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?
Epá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair um pouco
Eu sei que tu compreendes bem
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar
O bairro do amor é
Fonte: Musixmatch

PASTORAL DA CULTURA | «Trata-se de "um gesto simples, mas repleto de significado, e inspirado na convicção de que a arte e a medicina são unificadas por um fim mais alto: assumir o cuidado pela pessoa humana, na sua integralidade"».



terça-feira, 2 de junho de 2020

«O maior problema de Portugal é a pobreza»




Excerto
«(…)Como é que o professor, que gosta tanto da velhice - não da sua, mas no sentido da "sagesse", da sabedoria - olhou para o confinamento radical dos lares em Portugal?
Foi uma surpresa muito negativa. A quantidade de pessoas muito velhinhas que estão muito abaixo do tal nível do "ser e estar vivo" deixou-me muito surpreendido. Na minha família, dos dois lados, nunca ninguém foi para os lares. Todos quiseram sempre ficar em casa. Em Portugal, é terrível, porque a nossa experiência é muito marcada pelas nossas possibilidades económicas. (…)».



JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE |«À Beira do Mar de Junho»




«(…)
E será de unidade em unidade, de memória em memória, de objeto em objeto, que À Beira do Mar de Junho irá recompor a sua paisagem singular de afetos, partindo do lastro de ausência deixado pelas coisas e pela passagem inexorável do tempo. Daí que os demonstrativos desempenhem na poesia uma função, talvez, timidamente desesperada: o real foge-nos, emudece-nos, ainda que diante a possibilidade de recombinações e acrobacias verbais para entulhar o horror ao vazio e ao silêncio – mas escrevendo-se “este rosto” sonha-se com uma proximidade, um efeito de evidência. A palavra fixa ilusoriamente o que está por natureza em insolvente travessia, garantindo-nos uma sobrevivência, uma pequena vida excedente à tirania da morte: “Olhar limpo tudo / o que não vai morrer / connosco”. (...)».