domingo, 28 de novembro de 2021

DOSTOIEVSKI |«A Submissa»

 



«Esta narrativa, publicada pela primeira vez em 1876, fala-nos das recordações de um prestamista cuja mulher se suicidou. O corpo da mulher está estendido sobre a mesa enquanto o monólogo decorre. O narrador tenta compreender o que se passou.

Pouco a pouco, vão-se delineando as causas do que aconteceu. A submissa morreu porque o marido matou o seu amor. Ela era demasiado casta e pura para poder ser a esposa que o homem desejava.

Na verdade, este tinha a psicologia de um ressentido contra a sociedade, o que levou a transformar o seu amor em tirania». +.



sábado, 27 de novembro de 2021

«A produtividade das mulheres»

 

Excerto: «(...) O primeiro resultado marcante é a diferença entre o percurso da produtividade por género. Até ao casamento, homens e mulheres são semelhantes. Mas, depois, entre os 28 e os 40 anos, a produtividade das mulheres não aumenta, enquanto que a dos homens sim. Depois, a partir dos 40, a produtividade das mulheres começa a aumentar enquanto que a dos homens estagna. Os economistas mostram que a diferença está concentrada nas cientistas que se casam e têm filhos. A sua produtividade retoma o crescimento aproximadamente 15 anos depois do casamento, quando para muitas, as crianças precisam de menos atenção. Isto implica que, quando olhamos para cientistas com mais de 50 anos, as mulheres são tão ou mais produtivas do que os homens. Mas, quando olhamos para os cientistas entre os 35 e 40 anos, os homens estão acima das mulheres e a diferença entre eles está no seu máximo. Ou seja, é na idade em que os cientistas são julgados e promovidos a professores (as posições seniores) que a diferença entre eles e elas é maior. Isto provavelmente explica porque é que na geração coberta pelo estudo, 62% dos pais foram promovidos mas isso só aconteceu com 38% das mães (e, já agora, num outro grupo de estudo 54% das mulheres sem filhos foram promovidas). Explica também porque é que as mulheres cientistas escolhem ter filhos com uma probabilidade que é só 2/3 daquela que verificamos para os homens cientistas, e só metade se casa com uma frequência que é metade da dos homens.

Estes resultados refletem o panorama dos anos 50 e 60, que é a amostra do estudo. Com amostras mais pequenas e maior dificuldade em separar o efeito causal dos filhos, outros estudos usando amostras mais recentes descobrem resultados qualitativamente consistentes (se bem que não no tamanho). Durante 2020, quando fechámos as escolas, a produtividade das mães cientistas caiu muito mais do que a dos homens. Alguns inquéritos mostram que as mães com filhos com menos de seis anos perderam 17% mais tempo do aquelas com filhos mais velhos. Por sua vez, como já escrevi neste espaço, os dados dos países nórdicos mostram que mesmo com licenças de maternidade generosas e creches públicas, ainda há um efeito grande e permanente da natalidade no salário das mães em relação aos pais ou às mulheres sem filhos.

Para pôr estes resultados no seu contexto, hoje, na população entre os 25 e os 34 anos, em todos os países da OCDE sem uma única exceção, há mais mulheres com um curso superior do que homens. As mulheres são a maioria dos estudantes de direito ou medicina ou dos programas de doutoramento. É já praticamente certo que a maioria das mulheres no futuro próximo se vai provavelmente casar com um homem que ganha menos do que ela. Não me parece que elas vão aceitar que ter filhos implique que os papéis se invertam, e passem eles a ganhar mais. Ou a natalidade vai cair (ainda mais?), ou o papel de pais, mães e Estado na educação das crianças vai-se alterar muito. É difícil imaginar que isto não implique mudanças na organização do trabalho, incluindo no trabalho à distância e no teletrabalho, com uma influência mais profunda e prolongada do que a da pandemia. Uma tendência que se vê já é mulheres que se casam mais tarde e têm filhos depois dos 40 (quando já ascenderam aos cargos seniores) usando os avanços na inseminação artificial. A pandemia pode ser o ponto de viragem em que estas mudanças se tornam mais visíveis. Mas, mais cedo ou mais tarde, elas iam acontecer».

A propósito, e referido no artigo: 






sexta-feira, 26 de novembro de 2021

«This ‘feminisation from the top’ hides, however, the continuing difficulties many women encounter in their journey within the trade union movement.»


«(...)

Continuing difficulties

This ‘feminisation from the top’ hides, however, the continuing difficulties many women encounter in their journey within the trade union movement. Some traditionally male-dominated unions are still struggling to advance equality and diversity—including the GMB, which was the subject of an independent report describing it as ‘institutionally sexist’ in 2020.

Graham’s election as head of Unite took place amid a smear campaign of ‘disgraceful’ online abuse, including disparaging mocked-up pictures, associated with her refusal to stand aside for two more prominent male rivals. And she managed to get elected without the backing of any regional secretary, challenging the internal system of co-option. (...)» - Na integra.






NO MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA | «OBRA CONVIDADA ALONSO SÁNCHEZ COELLO Infanta Isabel Clara Eugénia com Magdalena Ruiz Museo Nacional del Prado, Madrid»

 

«(...)A figura da infanta, com uma das mãos apoiada na cabeça de Magdalena Ruiz, remete para outros retratos femininos da dinastia dos Habsburgos. A inclusão da imagem paterna – um retrato dentro do retrato, reproduzindo o busto em alabastro de Pompeo Leoni – servia para reforçar o porte majestático do modelo. A presença da anciã – uma criada muito próxima, vinculada à corte espanhola durante o reinado de Carlos V e de Isabel de Portugal – é igualmente um elemento que reforça o sentido da tradição e da continuidade familiar.
A composição revela, por outro lado, curiosas referências filoportuguesas: a infanta exibe uma indumentária com as cores do cerimonial luso (ouro sobre branco) e Magdalena Ruiz – que, em 1581, acompanhara Filipe II a Portugal – ostenta, por sua vez, um colar de coral – eventual recordação dessa viagem – e sustém entre as mãos dois pequenos macacos, oriundos da América amazónica». Leia na integra.


terça-feira, 23 de novembro de 2021

REVISTA «ZUM 21»

 


«(...)

Inspirada pelo movimento Black Lives Matter, a artista e curadora Deborah Willis relembra as imagens de injustiça e esperança que marcaram sua vida e exalta o poder da fotografia como ferramenta de protesto, construção de memória e defesa dos direitos das pessoas negras nos EUA. Fotos de Carrie Mae Weems, Bruce Davidson, Gordon Parks e Andre D. Wagner.

O movimento #MeToo inspirou Laia Abril a pesquisar as raízes comuns dos casos de violência sexual contra mulheres. Em Do estupro (2021), novo capítulo de Uma história da misoginia, inaugurada com um projeto sobre o aborto, a fotógrafa espanhola reúne testemunhos, objetos e documentos para denunciar a cultura do estupro no mundo todo.

A revista traz também o relato inédito da pesquisadora Glicéria Tupinambá em A visão do manto. Orientada por fotografias e sonhos, a artista conta como voltou a confeccionar o manto tupinambá, artefato há séculos desaparecido da vida dos indígenas. Fotos de Lívia Melzi, Fernanda Liberti e Glicéria Tupinambá. (...). Leia na integra.