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domingo, 6 de julho de 2025

NO FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA | a partir do livro de Peter Handke, Prémio Nobel da Literatura 2019, «Um adeus mais-que-perfeito» _ em especial fala-nos de mulheres vistas como «impertinentes e levianas caso ousassem ter voz»

 



SINOPSE - «Em Um Adeus Mais-Que-Perfeito Peter Handke narra-nos o que sabe, ou o que julga saber, sobre a vida e a morte da mãe, antes que, nas suas palavras, “a mudez apática, a extrema mudez” da tristeza se apodere dele para sempre.
Ainda assim, a experiência da mudez, que marca por igual o sofrimento e o amor, reside no coração da breve mas inesquecível elegia do autor, que nos dá um livro severo, escrupuloso e comovente. Uma obra singular, de um dos maiores escritores contemporâneos». Saiba mais.

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De lá:

 «(...)A história da mãe de Handke é parte da História da Europa Central: atravessou o surgimento do nazismo, a II Grande Guerra, e a austeridade e o sofrimento que se seguiram. O livro fala do que foi ser mulher no contexto austríaco da época, num mundo rural, pequeno-burguês e católico, onde as mulheres eram vistas como impertinentes e levianas caso ousassem ter voz. (...)».

Já vimos o espetáculo, e naquele silêncio que apenas se ouve numa sala de teatro, as palavras de Handke chegam-nos com uma força maior ... A peça fala-nos de «mulheres». Ousamos: mulheres e homens, não percam este espetáculo que estreou no Festival de Teatro de Almada, a decorrer. Aqui sentimos  da força da cultura e da arte nas transformações que se desejam na esfera da(s) igualdade(s). Para a tão ambicionada «gender equality»...



segunda-feira, 3 de julho de 2023

40.º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA | começa amanhã | 4-18 . JULHO. 2023 | FESTA!

 



Quase ao acaso três dos muitos espectáculos

 


Veja a programação completa dos espectáculos


Mas o FESTIVAL DE ALMADA é  FESTA com uma miríade de iniciativas que se engrandecem entre si.



Subinhemos, querendo destacar-se: o que se andou para aqui chegar! Ah, a exposição tem a marca de José Manuel Castanheira.

 



sexta-feira, 8 de julho de 2022

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA 2022 | OUTRA ESCOLHA |«Eu sou a minha própria mulher»

 


"Eu sou a minha própria mulher" estreou nos EUA em 2003. Vencedora de múltiplos prémios, incluindo o Pulitzer de Teatro e o Tony Award, a peça conta-nos a fascinante biografia de Charlotte von Mahlsdorf, uma pessoa transgénero que viveu sob o regime nazi, primeiro, e depois na Berlim oriental da República Democrática Alemã. A história desta persona cruza-se com a do próprio autor do texto, que conhece Charlotte em 1992. Doug Wright procura conciliar a admiração que nutre pela personalidade encantatória de alguém que, perante dois regimes opressores, nunca teve medo de assumir quem era, com alguns actos colaboracionistas da própria protagonista revelados anos mais tarde.
Envergando um vestido preto simples e elegante, e ostentando um colar de pérolas clássico, Charlotte surge-nos rodeada de réplicas dos objectos da vida quotidiana expostos no museu-antiquário que criou nos anos 60, e em cuja cave abrigou na década seguinte várias celebrações da comunidade homossexual berlinense. Sozinha em cena, esta personagem real desdobra-se nas pessoas que atravessaram a sua vida: vedetas de televisão, familiares e até o próprio autor da peça. Graças a esta nuance, é a própria perspectiva do que ouvimos em palco que se altera, ao darmo-nos conta de que no discurso de Charlotte a verdade e a fantasia se misturam. Uma tour de force do actor Marco D'Almeida, com direcção de Carlos Avilez (homenageado pelo Festival em 2013), "Eu sou a minha própria mulher" confronta-nos com a problemática do julgamento moral de quem viveu sob um regime totalitário.
Saiba mais


segunda-feira, 5 de julho de 2021

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA | OUTRA SUGESTÃO | «Duas Personagens»

 


«Duas irmãs são abandonadas pela companhia de teatro da qual são proprietárias. Ficam sem suporte, sem rede, sem comunidade, sem estrutura. Ainda assim, the show must go on.

A primeira versão de The two character play, uma das obras tardias de Tennessee Williams (1911-1983), surge no contexto da luta pelos direitos civis nos EUA, no tempo em que alguns ídolos, tal como agora, eram retirados dos pedestais, em que se destruíam estátuas, e as minorias oprimidas exigiam igualdade. Na nossa versão, duas actrizes têm de fazer um espectáculo sozinhas. Criam, fazem a dramaturgia, decidem as luzes, a música, o cenário, os figurinos. Não se trata de fazer uma apologia da centralidade da função do actor em detrimento de todas as outras. Pelo contrário, é uma experiência de sobrevivência, revelando que o colectivo continua a ser a base fundamental do teatro – tal como a comunidade é a base da sociedade.

O texto contém também uma profunda reflexão sobre o próprio teatro, sobre os actores, os dramaturgos, sobre as estruturas que sustentam o teatro. A visão de Williams é bastante pessimista, não colocando o ónus do desencontro entre o teatro e o público apenas no público, mas sobretudo no teatro, no seu carácter hermético, na sua incapacidade para comunicar com o presente.

Depois de termos sobrevivido a uma crise pandémica com as salas de espectáculos fechadas durante meses, voltamos para fazer teatro. Mas que teatro? O teatro serve para quê?» (Carla Galvão e Sara de Castro)». Saiba mais.




segunda-feira, 28 de junho de 2021

FESTIVAL DE ALMADA | 02 -25 de Julho de 2021

 


Veja os espetáculos aqui


Logo no dia 2: Aurora Negra




«
Aurora Negra conta, na primeira pessoa do plural, as memórias de mulheres negras no Portugal pós-colonial e por descolonizar. Três actrizes desfolham um arquivo com nomes de vivos e mortos, com línguas e lugares múltiplos, músicas do despontar da nossa juventude, numa celebração da jornada e subjectividade colectiva de uma geração afro-portuguesa contemporânea. O humor é omnipresente, em jeito de sátira, prenhe de ironia e, sobretudo, da alegria de se estar e ser na sua própria pele. “Meu corpo eu te autorizo a ocupar qualquer lugar”. O que Aurora Negra faz e é em si um statement, uma busca pelo rompimento das malhas da invisibilidade e do estereótipo racial nas artes performativas. O espectáculo venceu a segunda edição da Bolsa Amélia Rey Colaço. Há um porvir que amanhece, um Portugal negro que toma a boca de cena.» (Cristina Roldão). Saiba mais.


sábado, 18 de julho de 2020

PALAVRAS QUE VÊM DO FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA 2020 | «Há uma grande onda social que tenta dividir, fragilizar, estigmatizar, politizar e radicalizar falsamente ofeminismo»





Excertos do artigo do Público: «(…)Tambem por isso, sublinham, "há hoje uma grande onda social que tenta dividir, fragilizar, estigmatizar, politizar e radicalizar falsamente" o feminismo, para manter o conservadorismo intacto no poder. Dai que Frida Kahlo surja, as tantas, transformada em objecto de feminismo pop, esvaziada de conteudo e "convertida numa chavena de cafe". "E, assim, desaparece como elemento de luta", aponta Agnes. Rebota aponta no sentido contrario: quer repor a luta e garantir que as vozes nao se calam e os assassinios nao sao esquecidos (...)  Future Lovers, acredita Gimenez, "ajuda-nos a compreender melhor o facto de recordarmos profundamente como eramos noutros momentos da vida, porque nos recorda, entre outras coisas, como podiamos ter sido e não somos".  (...)».
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quinta-feira, 16 de julho de 2020

NO FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA | «A Criada Zerlina» | DE 22 A 26 DE JUL 2020






«Zerlina é uma das mais famosas criadas de sempre. A sua história, de aparência simples, é formada por uma sobreposição de camadas que a tornam não apenas complexa como plural. A personagem, que surge num dos contos de Os inocentes (de 1950, que não por acaso os franceses traduziram por Os irreponsáveis), nasceu às mãos do escritor austríaco modernista Hermann Broch (1886-1951), um autor para quem a definição de arte tinha de assentar numa filiação relativamente à quintessência da humanidade, e jamais no belo pelo belo.
Num exercício retrospectivo, Zerlina expõe uma história de paixão atravessada pelo ressentimento sexual e classista, por um erotismo primitivo e por uma obsessão ética. Zerlina integra a vasta galeria daqueles em quem a brutalidade jamais cedeu à civilização, e que por essa razão transportam, sem consciência disso, as bandeiras mais tenebrosas, e desde logo a do nazismo, que Broch, judeu perseguido, dissecou nas suas razões ocultas.
Jeanne Moreau interpretou Zerlina em 1986 no Théâtre des Bouffes-du-Nord, numa famosa encenação de Klaus Michael Grüber. Em Portugal, a Zerlina mais famosa é a de Eunice Muñoz (dirigida por João Perry em 1988). Agora é a vez de Luísa Cruz, num desempenho que lhe valeu um Globo de Ouro em 2019, sendo dirigida pelo cineasta João Botelho, naquela que constituiu a sua estreia como encenador teatral». Saiba mais