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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

PONHA NA AGENDA | DA COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA |«Estamos ainda a três semanas da estreia d' "A bunda preta da Chuvinha", mas já existe um vídeo promocional que entreabre o pano desta peça especialmente dirigida aos adolescentes, com música tocada ao vivo»

 


«'Chuvinha' é o nome artístico de uma cantora cujo estilo musical se situa entre o afro-beat e o hip-hop. Estamos num estúdio de gravação e, para desespero dos produtores, a própria Chuvinha tarda em chegar à sessão: será que vai comparecer? Os músicos que a acompanham já estão a postos, e vão-se entretendo com picardias entre si. A identidade destes jovens é construída à imagem das figuras que vêem na televisão e que ‘seguem’ nas redes sociais. Os seus heróis são os músicos anti-sistema cuja imagética reproduzem como podem — e que não fazem mais do que instigá-los à revolta, sem lhes apontarem caminhos. As referências destes rapazes não vão muito além dos subúrbios em que cresceram. Querem expressar-se, mas não sabem como: falam de si próprios na terceira pessoa, como os jogadores de futebol. E, no entanto, todos ambicionam o êxito, sem que algum deles seja capaz de concretizar o que os faz sonhar — para além, claro, das roupas de marca, das jóias espampanantes, e dos carros potentes em que desfilam os seus ídolos nos telediscos. A dada altura Chuvinha entra de roldão pelo estúdio adentro, escoltada por um polícia. Esta peça é também sobre as peripécias e as tensões que envolvem a gravação do seu hit mais ‘poderoso’: A bunda preta da Chuvinha. E ainda sobre o desastre, que assalta estes jovens quando as suas frustrações fazem com que a raiva cresça de forma incontrolável — e não atinja o alvo certo». Saiba mais.


segunda-feira, 24 de abril de 2023

NO TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE|«Music-hall»|E O CICLO DE CONVERSAS RELACIONADO

 


Veja aqui

«MUSIC-HALL

Texto de Jean-Luc Lagarce | Encenação de Rogério de Carvalho

COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA

Em cena, deparamo-nos com uma cantora de music-hall em decadência. Ladeada pelos seus dois acólitos e validos, os seus dois Boys, eis-nos perante uma Rapariga que nos revela as suas desventuras cénicas. Conta-nos a sua história, a um tempo divertida e patética, que não é mais que o percurso de uma por assim-dizer vedeta que, na verdade, toda a vida só actuou em salas de segunda ordem. Torna-se, por isso, praticamente inevitável identificarmo-nos com esta artista claudicante que, apesar das dificuldades técnicas e da falta de público, nunca abdica dos seus ensejos de criação e da sua vontade de representar. (...)».

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E temos as CONVERSAS COM O PÚBLICO. Na do próximo sábado destaquemos a participação de IO APPOLONI, uma mulher que, a nosso ver, continua a  merecer visibilidade.


«Io Apolloni
Nasceu em Itália, em 1945. Adquiriu a nacionalidade portuguesa em 1975. Concluiu o curso de interpretação da Escola Experimental de Cinematografia de Roma. A EECR atribuiu como prémio aos finalistas uma ida ao Festival de Cinema de Veneza e aí Io conhece o espanhol Cesário Gonçalves, que lhe propõe participar num filme, a rodar em Espanha, pelo realizador Manuel Mur Oti. É a longa-metragem Louca Juventude (1965) onde contracena com Joselito. No mesmo ano participa no filme, Jenny, a Mulher Proibida, de Juan Bardem e em Comizi d’amore, de Pier Paolo Pasolini, e estreia-se como cantora no Casino de Gibraltar. E ainda é convidada a vir a Portugal para participar na revista Sopa no Mel. A partir daí desenvolveu uma forte actividade artística em Portugal tendo participado em diversas Revistas no Teatro Maria Vitória, Teatro Monumental, Teatro Capitólio, Teatro Villaret e Teatro ABC. Participou em mais de uma dezena de filmes em Portugal. Participou ainda em dezenas de séries de televisão. Para além da carreira de actriz, é empresária e especialista em doces tendo editado o livro Os doces da Io, em 1997, e em 2018 a sua autobiografia Uma Vida Agridoce».


sábado, 5 de novembro de 2022

HOJE ÀS 18:00 NO TMJB COMEÇA O CICLO DE CONVERSAS A PROPÓSITO DA PEÇA EM CENA «O MEDO DEVORA A ALMA» | destacamos a participação de Maria Teresa Horta num dos dias mas valorizando o todo | AVALIE POR SI

 


E sobre a peça, a critica de Domingos Lobo, no jornal Avante!, faz-nos uma descrição abrangente que nos leva ao valor do que nos é possível aceder com o espectáculo. Vejamos um excerto:

Ainda, de Domingos Lobo, mais esta passagem:

«Emmi e Ali casam e ar­rastam nesse acto co­ra­joso todos os cla­mores, ódios e frus­tra­ções de uma so­ci­e­dade pro­fun­da­mente do­ente, ainda fe­rida no seu or­gulho de raça su­pe­rior, her­dado do seu fu­nesto e trá­gico pas­sado. São ainda os restos dos dis­cursos do ódio, das ob­so­letas som­bras que per­sistem num país a tentar li­bertar-se dos es­pec­tros que o li­mitam, que irão cons­truir o cerco em torno dos amantes. Mais do que a es­tra­nheza da di­fe­rença de idades entre os amantes, é o ódio em re­lação ao Outro, o es­tranho, o es­tran­geiro, esse lixo que, em­bora útil, está a in­vadir de novo o es­paço limpo de uma Ale­manha a er­guer-se do seu ato­leiro his­tó­rico. Para os ale­mães, os mar­ro­quinos são cães, dirá Ali. Temos de ser bons, dirá por sua vez Emmi, se não a vida não vale nada.

Não é o dis­curso entre o bem e o mal que Fas­s­binder en­cena neste texto car­re­gado de si­nais per­tur­ba­dores sobre o tempo dos mons­tros é, so­bre­tudo, uma pa­rá­bola as­ser­tiva e cí­nica sobre o modo como os ou­tros nos olham, in­vadem a nossa in­ti­mi­dade e nos tentam con­trolar e sub­meter; con­finar em novos guetos o nosso di­reito à li­ber­dade e as es­co­lhas que fa­zemos, mesmos quando essas de­cli­na­ções são ge­radas pelo ódio ao que é di­fe­rente, ao que pensa e age de modo di­verso, às suas crenças, há­bitos e cul­tura. Essa gente suja, dirá uma per­so­nagem, Ali, toma banho todos os dias, con­tra­porá Emmi.

Afinal o pre­con­ceito existe, ge­rando a ir­ra­ci­o­na­li­dade que conduz ao ódio - e essa é uma visão per­tur­ba­dora de uma re­a­li­dade con­ta­mi­nada por in­te­resses ex­te­ri­ores ao pro­le­ta­riado, que José Sa­ra­mago também de­sen­volve em al­guns dos seus ro­mances -, no seio da mesma classe so­cial: as mu­lheres da lim­peza, os fun­ci­o­ná­rios pú­blicos, os pe­quenos co­mer­ci­antes, a mão-de-obra ba­rata e sem di­reitos e o sub-mundo de pro­xe­netas e pros­ti­tutas, tão caro a Fas­s­binder, que ele trans­porta para este so­berbo, vi­o­lento e eficaz texto. (...)».

Por fim, não resistimos em  associarmo-nos, em particular, ao «rigor e vir­tu­o­sismo desse mestre do nosso te­atro con­tem­po­râneo que é Ro­gério de Car­valho», referido por Domingos Lobo.



domingo, 23 de outubro de 2022

DA CONVERSA DE ONTEM NO TEATRO JOAQUIM BENITE O QUE ELEGEMOS | o que leva pessoas e organizações a não reconhecerem a importância da «linguagem inclusiva»?

 





Ontem, a propósito da peça em cena «Noite de Reis», teve lugar no Teatro Municipal Joaquim Benite - e só o nome do Teatro é por si um programa,assim queiramos conhecer a vida de quem lhe deu o nome, e pode começar com a imagem acima -  mais uma conversa, desta vez sobre a «linguagem  inclusiva» que aliás tinhamos divulgado aqui no Em Cada Rosto Igualdade:TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE | um novo ciclo de conversas a propósito da peça «Noite de Reis» de Shakespeare | EM CENA ATÉ 30 OUTUBRO 2022.


Sobre o TMJB/ CTA (as coincidências existem) também ontem no Programa Bloco Central  da TSF um dos intervenientes ao recomendar a ida ao próximo espectáculo «O Medo devora a alma» assinalava que a atividade deste Teatro era «incontornável» no panorama cultural do País, adiantando que havia sempre coisas a ver. É verdade, e entre esse manancial de oferta temos as «conversas». Como frequentadora, de lá temos trazido conhecimento e fundamentalmente ideias para continuar a pensar. E ontem não foi diferente. A conversa deste sábado, (em sintonia com o dia?), foi torrencial - de facto parecia uma chuva para a qual  pessoas presentes queriam dar porque a água  faz falta, na circunstância o debate é necessário. E isso estamos em crer que se deveu à frescura das participações iniciais, às suas exposições sem rede, que se atropelavam entre si e com as que logo brotaram da audiência. Confessemos: gostamos disso. As conversas algo caóticas são mais inspiradoras. Muito se poderia trazer para aqui do que lá foi dito que, a nosso ver, interessaria nomeadamente  para as políticas públicas sobre «igualdades», mas escolhemos uma  pergunta que talvez até tenha passado despercebida e que se relaciona com isto: o que leva pessoas e organizações a não reconhecerem a importância da «linguagem inclusiva»?
Bom, neste momento, e para contribuirmos para o progresso do debate, de seguida alguns dos nossos posts direta ou indiretamente relacionados com a matéria: 
  

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Uma vez mais, aqui temos expressão da força da cultura e das artes nas transformações desejadas: uma peça de teatro a estimular diálogos. Neste caso sobre as IGUALDADES onde a questão da «linguagem inclusiva» é apenas uma dimensão. E também nos ocorre este artigo (que lemos ontem) que tem como subtitulo  «All dimensions of a phenomenon are true, but the whole is truer than the parts». Bem vistas as coisas, recomenda-se aos participantes da conversa havida na Almada de Joaquim Benite.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

NA COMPANHIA DE TEATRO DE ALMADA | «Hipólito, enteado de Fedra, não a ama, embora esta esteja por ele apaixonada, um amor arrebatado, insano, que a conduzirá à autodestruição»

 


Saiba mais

Da critica de Domingos Lobo no jornal Avante!:

«(...) Hipólito, enteado de Fedra, não a ama, embora esta esteja por ele apaixonada, um amor arrebatado, insano, que a conduzirá à autodestruição. Entre a recusa de Hipólito, que nunca pensou em Fedra como amante, ea paixão obsessiva de Fedra, interpõem-se as deusas Afrodite e Ártemis. A paixão de Fedra é causada por Afrodite, deusa do amor, em oposição dialéctica a Ártemis, deusa da vida selvagem e da castidade. Hipólito é devoto de Ártemis, quer-se casto e em ligação com a natureza. Há nele algo de misógino e de repulsa em relação às mulheres. São estes dois poderes, os que não vemos e se ocultam numa subje| tiva cosmicidade, que irão determinar o destino de Fedra e Hipólito, os seus trágicos fins. (...)». Leia na integra.